18 setembro 2008

A Medicina e seus Mitos - Dr. valdetário Siebra

A mídia vende a idéia de que a Medicina está muito evoluída. Que o
médico dispõe de tecnologia de ponta para tratar qualquer mal. A todo
instante a mídia alimenta a idéia de que você pode levar o tipo de
vida que bem quiser. Brinque, beba, fume, coma de tudo, seja
sedentário, curta todas as paradas, pois temos um grande arsenal
médico garantindo-lhe a vida. Tome este comprimido, de preferência em
dose única, e pronto, todos os seus problemas estão resolvidos. Não é
bem assim. Não existe solução mágica.

É comum as revistas eletrônicas semanais apresentarem os mais
fantásticos e espetaculares casos cirúrgicos. Coisas do tipo, " na
África do Sul uma equipe de cientistas realizou uma cirurgia tripla de
coração, pulmões e fígado com sucesso" ou "uma equipe de cirurgiões da
Alemanha trocou o coração e o fígado de um bebê por órgãos de um
porco"... Normalmente quando estas notícias estão indo ao ar os
pacientes já foram a óbito; mas a mídia nunca vem dizer, na semana
seguinte, que o paciente morreu. Qual é a verdadeira finalidade de se
divulgar este tipo de notícia? Apenas uma, reforçar o mito de que a
Medicina está avançadíssima. Quem banca ou a quem interessa esse
discurso falso de que existe uma super-medicina? São muitos os
setores da economia que saem lucrando com esse discurso e, muito
provavelmente, são estes setores que bancam este tipo de mídia. A
indústria de bebidas, a indústria do tabaco, a indústria de
entretenimento, a indústria farmacêutica, a indústria do diagnóstico,
os planos de saúde e muitos outros setores da economia estão muito
interessados em reforçar este discurso.

Mas se a gente observar bem acaba percebendo que a própria mídia nega
esse aforismo. O que é que também está dizendo a televisão quando
afirma que Ronaldinho não participará de um jogo por estar gripado?
Está confirmando que a Medicina não pode curar uma simples gripe. E é
verdade, as viroses são "tratadas" pelo próprio organismo. Nosso corpo
dispõe de mecanismos de defesa capazes de debelarem a imensa maioria
das doenças, principalmente as causadas por vírus. A Medicina
participa apenas com medidas de suporte, sintomáticos, a cura mesmo
provém de outro plano. Observe, o primeiro remédio produzido em
escala industrial, a Aspirina, tem pouco mais de um século de
existência. Os tão famosos antibióticos surgiram um dia desses, são do
tempo da segunda grande guerra. E quanto tempo faz que o homem habita
a Terra? Se as "drogas" fossem tão fundamentais assim a espécie humana
não teria sobrevivido a tantas guerras, epidemias e desastres
naturais.

Não estou negando os avanços da Medicina que acabaram por dobrar a
expectativa de vida do homem nos últimos 50 anos. Estou apenas
alertando que não estamos a todo instante carecendo deste arsenal todo
para se praticar uma Medicina de qualidade. Não nego a importância de
um tomógrafo; mas nunca concordaria ser necessário solicitar uma
tomografia do crânio para toda e qualquer cefaléia. E isso é o que
acaba ficando no imaginário das pessoas e em conseqüência aumentando
os gastos com a Saúde Pública. A Medicina tem avançado muito e na
maioria das vezes com medidas muito simples. Um exemplo clássico é o
simples fato de lavar as mãos.

Dr. Valdetário.
Crato (CE), 17 de setembro de 2008.

12 comentários:

  1. Dr. valdetário,

    Parabéns pelo excelente artigo. Só peço que ao enviar o mesmo, não precisa se dar ao trabalho de criar parágrafos, pois quando passamos aqui para o Blog, fica assim, todo desconexo. Não precisa justificar nem criar margens. Se quiser, podes escrever diretamente num mísero arquivo de texto, feito no Bloco de Notas do Windows, que fica bem mais fácil de diagramar no Blog.

    Um grande abraço, e novamente, PARABÉNS !!

    Dihelson Mendonça

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  2. Não sou médico e sim engenheiro, mas vou tacar um "achismo", que pode ser que eu não tenha nem um pingo de razão para isso. Mas eu acho que o grande arsenal tecnológico atualmente existente à disposição dos médicos faz com que eles não confiem muito em seus próprios diagnósticos. Qualquer dorzinha besta lá vem um pedido de uma monte de exames, que muitas vezes, para alegria nossa, não resulta em nada. Muito diferente dos médicos de outrora. Certa vez, em 1976, estava de férias, e após uma pelada no campo do Grangeiro fui acometido de uma estranha e altíssima febre: 40° de repente. Era um final de sexta, uma noite inteira de febre e no sábado minha mulher chamou um médico da família, daqueles formado nos anos trinta. Ele me mandou colocar a lígua para fora e diagnosticou de pronto: é paratifo. Era muito pior ainda, era tifo mesmo e após dois dias sem a febre baixar, o mesmo médico me internou no hospital São Francisco e solicitou um horror de exames, pois segundo ele me disse desejava confirmar suas suspeitas de que era tifo. Recentemente aqui em Fortaleza, tocava num nervo ao lado do calcanhar e dava uma dor bem aguda nos dois dedinhos do pé. Fui a um ortopedista e disse a ele que achava estar com uma tendinite. Ele me examinou e tacou seu verdicto: é uma neurite (inflamação nos nervos) Lá me mandou para um neurologista que me fez passar por uma bateria de exames, tome choques nas pernas que eu só faltava voar e depois dos exames é que os computadores revelaram o que eu tinha. Aquilo que eu suspeitava: uma simples tendinite. Por favor não me entendam mal, meus queridos amigos médicos. Não é crítica ao atendimento e a competência dos médicos de hoje, mas é apenas o meu "achismo" de que o grande arsenal de aparelhos médicos existente hoje, deixa os nossos atuais médicos, dependentes dos aparelhos para estabelecerem um diagnóstico. É claro que um diagnóstico com muito mais segurança. Mas tenho certeza que os médicos de hoje são muito mais preparados do que os de então. Se eu estiver errado me convençam, pois como disse é um achismo besta.

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  3. Não Sr. Carlos Eduardo, o Senhor não errou em quase nada, e é verdadeira a afirmação de que os inúmeros aparelçhos médicos, os deixam cada vez mais dependentes e viciados em pedir exames. Saiba que já existem clínicas que pagam ao médico por cada vez que eles mandam ou aconselham os pacientes a irem a determinado centro de diagnostico fazerem exames. Isso é comum, assim como já existem médicos "parceiros" de determinadas em presas de medicamentos, é tão verdade isso, que alguns se vêem tão ligados a determinadas marcas de medicamentos, que chegam até mesmo a esquecer o nome dos genéricos, ou similares.
    Sim, agora o seu erro, foi exatamente dizer que os médicos de hoje estão mais bem preparados que os de antigamente... santa inocência!
    Isso não é verdade, pois o médicos de hoje estão muito mais preparados sim, para como disse um certo anônimo, mandar-nos ir para casa e tomar diporona e repousar...
    Imagine nas facilidades de ter dinheiro e pagar a mensalidade de uma FMJ? Imagine Papai ter condições de pagar e me passar em mais uma cadeira que estava quase perdida no semestre? Imagine eu poder colar o tanto que quiser numa prova da faculdade?
    Agora será que os médicos do século passado eram menos preparados que os de hoje? Não acredito nessa perspectiva, e creio que eram mais humanos, mais simples, mais comprometidos com seu Juramento de hipócrates...
    Não se faz mais médicos como antigamente Sr.Carlos Eduardo!!!
    O relacionamento médico-paciênte cede espaço hoje em dia aos interesses burgueses e capitalistas; dá-se mais atenção ao homem de gravata que chega sem sentir dor, que o pobre que pate a porta do consultário chorando doente.
    A medicina lonje de ser uma arte virou unicamente comércio.

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  4. Irmão X ?
    Mas que diabos de nome é esse Irmão X?

    Estamos aqui justamente tentando acabar o anonimato, querendo eliminar as postagens em que não se pode identificar a origem, mesmo que sejam as mais elogiosas. Eu propositalmente deixei passar essa postagem aí para ilustrar o caso. Bem poderia ter bloqueado, pois todos os comentários passam antes para que eu veja.

    Estou vendo então que apenas ter conta no Google não é suficiente para evitar o anonimato, pois qualquer um pode criar uma conta lá. Então, vamos melhorar isso e pedir que as pessoas tenham conta no Google e coloquem nomes REAIS.

    Pra que usar Irmão X ?
    Porque não colocar o nome verdadeiro? Teme o quê ?

    Bem, dou 8 horas para esse "Irmão X" se identificar, ou essa postagem será excluída assim como todas as postagens daqui pra frente em que não possamos identificar as pessoas. Como eu falei, o anonimato por aqui está ABOLIDO.

    8 horas é o prazo.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  5. A paciência deve ser o melhor remédio para as pessoas de bem.
    Posso te afirmar AMIGO Dihelson, que não serei aquele que deprimirá a figura ilustre do nosso querido e amado Crato, nem tão pouco esse nosso respeitadíssimo Blog!
    Queria apenas pedir para que tivesse um pouco de paciência para com a minha pessoa...
    E até poder publicar algumas matérias com esse meu nome escolhido!
    Prefiro ficar conhecido assim, e vc não se arrependerá de não haver me excluido!!!
    Continue sendo essa pessoa prestativa, simples e direta, e mais uma vez, parabéns pelo belo trabalho que fazes nessa cidade e neste espaço aberto para as pessoas de boa vontade!
    Um abraço.

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  6. Irmão X, aqui é o Irmão Y, depois vem aí o irmão Z.

    Por mais amigo que alguém seja, nem que fosse meu PAI, não justifica que a pessoa se apresente dessa forma. Eu não vou excluí-lo. Só não irei tolerar postagens com anonimato.

    Por se tratar de alguém supostamente amigo, não apagarei sua mensagem em consideração, mas nenhuma outra mensagem com Pseudônimo de Irmão X, Irmão Y ou Irmão Z será aceita. Vc escreverá, eu lerei, mas não será publicada, sabe porque ? porque não há NENHUMA razão para que a pessoa possa se esconder no anonimato. Se for para o bem, não há o que temer. Então, pra quê ?

    Esse tipo de brincadeira não pode dar certo. Nem vindo da minha MÃE. Obrigado pela compreensão. Aguardo sua identificação ou postagens identificadas.

    Um abraço,

    Dihelson Mendonça

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  7. Tão interessante esse comentario de nosso amigo Valdetario, mas infelizmente fica irmão X discutindo com irmão Y aí depois vem o irmão Z separar a briga, "peraí" .
    Sempre gosto de ler os comentarios de Valdetario, observem que eles são polemicos, muita gente participa, isso é bom. A prova taí, começa com medicina e termina no anonimato,kkkkkkk.
    Dihelson, vc sabia que o apelido de Valdetario é Prof. Pardal?
    Depois digo porque.
    Abraços a todos, e em especial ao nosso irmão X que deve ser uma pessoa boa, mas se torna regular qd não se identifica.

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  8. Prezado Dihelson, não tem jeito mesmo, mudei a vertente dos meus textos mas continuo polêmico. Estou pensando em voltar a escrever só sobre política. Aguardo passar o período eleitoral. Sou a favor das postagens anônimas, gostaria que repensasse a possibilidade das mesmas retornarem. O brasileiro dá sempre um “jeitinho” e acaba arranjando uma maneira de furar o cerco. Veja só o que fez este blogueiro com essa de “irmão-x”, inteligente e legítima “saída”. Logo a família estará muito longa e seremos obrigados a utilizar duas letras. Caso apareça um “irmão-pt” fique você sabendo que serei eu. Caso surja algum comentário que atente contra a honra e a moral de alguém é possível fazer o rastreamento da origem do mesmo. Sendo assim, eu faria este alerta e liberaria as postagens anônimas. É muito mais democrático. Compara-se ao voto secreto, em alguns casos é necessário que seja secreto mesmo. Outro dia li uma matéria sua sobre os patrocinadores do blog, depois liguei várias vezes mas não consegui falar com você. Andei conversando sobre este assunto com o Zé Flávio e, caso você tenha interesse, gostaria de me tornar um dos seus patrocinadores. É muito importante o serviço que você presta ao nosso povo e temos a obrigação de ajudar a manter vivo este fundamental espaço de debate. Num mundo capitalista como o nosso, tudo que é bom demanda custos. Sobre o formato dos meus textos, eu lamento, mas vou continuar remetendo da mesma maneira, é que também os envio para outros veículos de mídia e alguns solicitam nesta formatação. Um abraço. Ligue pro meu celular. Valdetário.

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  9. Caro Luiz Wellington, brincando eu lhe digo, não queira mexer nessas velhas roupas que já não nos veste mais. Eu até me contento quando algum amigo de infância relembra aqueles bons tempos da Rua Pedro II. Tenho até um certo "orgulho" do apelido Pardal. E já que você tocou neste assunto, fica aqui um lembrete ao velho amigo: o seu apelido de infância e muito menos "nobre" que o meu. Um grande abraço. Valdetário.

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  10. Ahahah

    Agora fiquei super curioso qual seria esse apelido do Luiz Wellington, hein, Dr. Valdetário ?
    Ah, os anônimos não voltarão. Pelo menos não como postagem que não se pode saber a origem. O Blog está se tornando grande e precisa ser responsável. Não podemos permitir molecagens aqui. Os comentários que não forem publicados só chegam até meu portão. Aqui não aparece.

    Depois da Política, empossarei vários novos membros como autores. Pessoas ligadas à política, que não empossei ainda para as más línguas não falarem que eu favoreço um ou outro.Isso solucionará e facilitará várias coisas.

    Um grande abraço.

    DM

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  11. Vejam bem... adotei o nome de Irmão X, mas poderia muito bem ter-me dado o nome lindo de André, Valter, Thiago, ou qualquer um outro, acrescentando ao final um sobrenome qualquer, quem sabe Esmeraldo, Barreto, Siebra... quem sabe.
    Quem sabe eu não faço um nome desses e envio um endereço falso com um nome de umas das tantas ruas de Fortaleza, ou mesmo do Juazeiro e quiçá do Cratinho nosso de cada dia!!!

    Sei que nunca saberam ao certo quem vos escreve.
    Um forte abraço, do amigo que perto-longe se encontra...no entanto, mais perto que longe!!!
    Um abração!!!

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  12. Nisso aí tens razão, Irmão X, cada um poderia escrever com um Pseudônimo. É por isso que irei reforçar a idéia do cadastro enviado por e-mail com todos os dados completos. Quem sabe, para aqueles em que eu desconfie, eu possa até telefonar para me certificar se aquela pessoa existe de fato, ou enviar alguém para verificar no endereço fornecido. Há "N" maneiras de se desmascarar a falsidade ideológica.
    O cadastro é essencial. Com o tempo, a gente vai aperfeiçoando o sistema.

    Dihelson Mendonça

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