28 setembro 2008

Comer bem, sem exageros, e viver melhor


ALIMENTOS SAUDÁVEIS

Clique para Ampliar

Alimentação saudável, sem frituras e doces de forma exagerada, deve ser opção desde os primeiros anos de vida, aconselham especialistas (Foto: Thiago Gaspar)

Diminuir os índices de obesidade e anemias é um dos principais desafios do Brasil neste século

Com dois filhos para criar, uma vida corrida na empresa em que trabalha e “bico” de vendedora autônoma, a contabilista Julieta Maria (nome fictício por não querer se identificar) está sem saída, não tem controle na alimentação dos meninos. Resultado: Ricardo, de sete anos, pesa 45kg, quando o ideal seria 35kg. O mesmo caminho seguiu Pedro Augusto, de 13 anos, atualmente bem acima do peso. O cotidiano dos dois se resume a ir à escola na parte da manhã e passar o resto do dia em frente ao computador ou à TV, comendo tudo que não devem: fritura, refrigerantes e doces. Ela não foge à regra. Confessa que “adora” comer sanduíche ou “matar a fome” com comida gordurosa e bastante condimentada.

O mau hábito alimentar dela e de seus filhos exemplifica bem a preocupação de especialistas da área nutricional. O País irá marcar o Dia Mundial de Alimentação, no próximo dia 16 de outubro, com um índice alarmante: 15% das crianças atualmente têm obesidade. Os dados são da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Nos adultos, o índice diminui: o problema atinge 9% dos homens e 13% das mulheres brasileiras. O Ceará acompanha o índice nacional. A má alimentação e o sedentarismo são apontados como sendo os vilões da questão. A pesquisa também aponta as anemias como “um problema em ascensão”, embora o Brasil esteja superando a questão da fome. O estudo avalia que a alimentação saudável não se limita ao problema da fome, mas tem relação com vários outros aspectos nutricionais e de saúde.

Segundo a nutricionista e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), Christiane Pineda Zanella, o País enfrenta hoje um grande paradoxo: de um lado continuam as carências nutricionais de muitas pessoas; de outro lado, o número crescente de indivíduos com doenças crônico não transmissíveis, frutos de práticas alimentares equivocadas.

Ela lembra que, em levantamento feito pelo Ministério da Saúde, o número de óbitos em 1993 causados por doenças crônico não transmissíveis — obesidade, diabetes, doenças cérebro vascular, doenças cardiovasculares, neoplasias — foi de 447.329. “Isso poderia ter sido potencialmente evitado se a população tivesse uma alimentação balanceada e saudável”. Para a especialista, uma alimentação adequada não é concebida para todos os indivíduos de maneira uniforme e única.

Deve respeitar atributos individuais e coletivos específicos; agrega significações culturais, comportamentais e afetivas que não podem ser desprezadas. Contudo, deve respeitar alguns princípios básicos para orientar as diversas práticas alimentares, a promoção da saúde e a prevenção de doenças. O cardápio deve fornecer carboidratos, proteínas, vitaminas, minerais, fibras e água, que são insubstituíveis ao bom funcionamento do organismo. “Nenhum alimento isolado é suficiente”, afirma.

Lêda Gonçalves
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.