27 setembro 2008

“Celebridades e eleição” - Por: Adv. Luiz Cláudio Brito Lima

Próximo a uma eleição municipal, deparamo-nos com candidaturas esquisitas – para não dizer bizarras e soar mal – são figuras bisonhas a proferirem uma serie de palavras imprecisas e totalmente desconexas da realidade. Dessa forma o horário “gratuito” eleitoral acaba por tornar-se um verdadeiro programa de índio – aqui peço desculpas aos silvícolas a comparação – não é a toa que em pesquisa realizada há algum tempo, chegou à conclusão que a imensa maioria dos brasileiros não suportam o período eleitoral. Não é difícil entender porque...

Não bastassem esses “candidatos” desconhecidos, porém hilários, tentarem nos convencer com suas promessas absurdas, somos bombardeados com outros postulantes, agora já mais conhecidos, não por serviços prestados à coletividade, mas sim por exibirem-se na mídia constantemente, durante quase todo o ano, apresentando seus rostos bem maquiados, corpo em forma e invejável, entretanto quando indagados a respeito de questões sociais, afirmam preferir não “envolver-se” em política.

Dados recentes dão conta que a cidade que mais concentra “candidatos celebridades” é São Paulo, a maior cidade do Pais. Estudiosos e pesquisadores não conseguem entender como é possível eleger figuras que nunca demonstraram nenhuma preocupação com a coletividade. Alguns arriscam afirmar que essas pessoas, uma vez que alcançaram a fama, tentam agora alçar vôo em outras praias, tudo por questão de vaidade; já outros entendem que a maioria dessas celebridades sofreram muito para alcançarem o padrão financeiro que ostentam, e como tal, nada mais justo que retribuir aos mais necessitados uma vida melhor e mais digna, condições essas que serão possibilitadas com uma participação política mais efetiva.

O fato é que no meio dessa disputa, esta o eleitor, o brasileiro médio, aquele que acorda de madrugada, sai para o trabalho, antes passa na creche – quando tem – e deixa seu (s) filhos (s), pega um ônibus lotado, transito infernal, duas horas e meia depois chega ao seu local de trabalho, sem nenhuma perspectiva permanece na labuta por oito horas – a maioria ultrapassa esse período – retorna no final do dia para o seu lar, passa novamente na creche – quando tem – pega seu (s) filho(s), chega em casa arrasado, exausto, querendo deitar e dormir, porém, outras tarefas o aguarda. Esse brasileiro que já teve um dia atribulado, abre sua geladeira e não encontra muitas opções para alimentar a sua prole, porém, vai o que tem. No dia seguinte, tudo se repete.

Entretanto esse eleitor médio, manso e generoso, elege o “candidato celebridade”, talvez acredite que lá na casa onde as leis são elaboradas e aprovadas, esse seu escolhido, possa cantar, dançar ou até mesmo fazer um strip-tease, e convencer seus pares a aprovar medidas que contribuam para uma educação, saúde, transporte e vida melhor para todos os brasileiros – ou quem sabe para ele mesmo – é provável que esse eleitor imagine que o seu representante, transformando o legislativo em um grande palco, faça com que o Pais caminhe em direção a igualdade social, a justa distribuição de renda, a um sistema educacional harmônico, possibilitando a todos os mesmos meios de educação, quem sabe o legislativo transformando-se em um grande picadeiro, tenhamos verdadeiros artistas apresentando-se e exibindo suas verdadeiras habilidades, fazendo o povo rir, e quem sabe, rindo de todos.

Parafraseando Max Weber: "Há duas maneiras de fazer política. Ou se vive para a política ou se vive da política. Nessa oposição não há nada de exclusivo. Muito ao contrário, em geral se fazem uma e outra coisa ao mesmo tempo, tanto idealmente quanto na prática."

Tivéssemos os “candidatos celebridades” dispostos a cumprir a segunda parte da frase acima, ou seja, “... viver para a política”, não haveria com que se preocupar, ao contrário, comemoraríamos o ingresso desses abnegados a vida política, entretanto, se pretenderem “... viver da política”, com certeza estaremos dormindo com o inimigo, e isso, é no mínimo, suicídio.

Certa feita um amigo disse-me que o seu filho de onze anos, chegou para ele e perguntou: Pai é verdade que toda historia começa com “era uma vez”, seu pai olhou firmemente para o filho e respondeu, não filho, não é verdade, algumas começam com “Quando em for eleito...”.

Por último queridos amigos esse humilde texto não tem o condão de criticar nenhum “candidato celebridade”, ao contrário, tem o objetivo de dividir com todos a preocupação desse brasileiro e eleitor médio, preocupação com um mundo melhor, com uma vida digna, com um futuro promissor, com uma educação de qualidade, com um sistema de saúde eficaz, tanto na prevenção quanto na cura, pois, somos parte de um todo, tal qual uma bicicleta, que mesmo tendo seu sistema de movimentação, necessita de um impulso para movimentar-se, qual seja: a força humana. Vamos exercitar nosso direito sagrado, não por obrigação – apesar da existência dessa imposição legal – mas sim por dever de contribuir com a sociedade, como diz meu querido Pai, Severino B. de Lima - graças a Deus vivo e residente no meu querido Crato -: “quem semeia ventos, colhe tempestades...”

Luiz Cláudio Brito de Lima
Advogado em São Paulo
Vila Maria - São Paulo/SP

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