30 setembro 2008

30/09/2008 - 08h55
Portugal poderá buscar médicos de família no Brasil


São Paulo - Enquanto a União Européia anuncia que vai criar novas restrições para a entrada de profissionais e de imigrantes em geral, Portugal vive uma polêmica diferente. O país debate se deve ou não "importar" médicos, principalmente da América Latina. Segundo o Ministério da Saúde de Portugal, há falta de médicos de família e a ministra Ana Jorge deixou claro que vai negociar com governos latino-americanos a possibilidade de que o mercado português seja suprido.O objetivo é levar clínicos-gerais. A assessora do ministério, Joana Refega, confirma que o Brasil está no radar e que estudos estão sendo feitos para avaliar quais países seriam alvo da iniciativa. O tema pode ser objeto de uma conversa com o ministro brasileiro da Saúde, José Gomes Temporão, que deve fazer uma visita a Portugal no próximo mês."Nós temos muitas pessoas sem médicos de família. O número de médicos de família neste momento ainda não é suficiente para podermos atender a todos", afirmou a ministra, sem dar números. Um dos problemas, segundo o ministério, é que a maioria dos médicos formados acaba buscando uma especialização, entre outros motivos, para garantir um melhor salário. O mesmo problema, aliás, ocorre no Brasil.Outro motivo do déficit de médicos é que profissionais espanhóis que foram a Portugal trabalhar nos últimos anos agora estão saindo do país em busca de melhores salários. Até três anos atrás, a carência de profissionais da saúde em Portugal era preenchida principalmente por espanhóis. "A vinda dos médicos da Espanha começou em 1999. Chegaram a ser mais de 2.200. Hoje são 1.800", diz o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Espanhóis em Portugal, Xoan Gómez.Algumas entidades alertam que há um excedente de médicos em Portugal e que a solução não seria importar, mas redirecionar os profissionais. Em Portugal, existe 1,7 médico para cada 500 pessoas. O problema é que muitos estão concentrados no Porto e em Lisboa. A Ordem dos Médicos alega que já existem 4,2 mil médicos estrangeiros exercendo a profissão no país, mais de 10% do total em Portugal. Só do Brasil são 600. Dos demais países da UE são outros 2,5 mil, enquanto os países africanos de língua portuguesa contribuem com 261. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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