12 agosto 2008

Poema de Patativa do Assaré - Barriga Branca

No dia 21.09.1983, Patativa ofereceu ao Dr. Mozart Cardoso de Alencar esta obra de arte:

BARRIGA BRANCA.

Quando vive o marido atravancado,
De cabresto, cambão, canga e tamanca,
Aos caprichos da esposa escravizado,
Recebe o nome de barriga Branca.

Nunca pode fazer o que ele quer,
O pobre diabo, o tal Barriga Branca,
Sempre cumprindo as ordens da mulher,
Ele é o dono da casa e ela, da tranca.

Ele escuta calado sempre mudo,
Sua esposa da língua de tarisca,
Ela é quem manda e quem comanda tudo,
Ele só corta por onde ela risca.

Em qualquer festa do melhor brinquedo,
Se ela nota que o pobre está contente,
Logo lhe ordena com um gesto azedo,
Vamos voltar! Está doendo um dente.

Na sua ordem rigorosa e dura,
Ninguém pode tirar suas razões,
Dos amigos do esposo ela censura,
E procura cortar as relações.

Tu és, Barriga Branca, um desgraçado,
Por onde passas todos te dão vaia,
Teu destino é viver subordinado,
Sob o julgo humilhante de uma saia.

Tu és um carro que não sai da pista,
Rodas constante, velozmente e bom,
Tua esposa é o único motorista,
Pé no teu freio e mão no teu guidom.

È lamentável teu sofrer profundo,
Nunca serás autoridade franca,
Tens um inferno nesse nosso mundo:
É muito triste ser Barriga Branca.


Texto enviado por: Antonio alves de morais
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