03 agosto 2008

ARTE NO CARIRI - Demonstração de amor à vida

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O artista Jorge dos Santos, do Crato, fabrica na rua pulseiras, colares, brincos e telas (Foto: Antônio Vicelmo)

Crato. “O artista de rua” é um mágico do espaço, do tempo e da realidade. Eles produzem sonhos e fantasias em forma de objetos que representam, muitas vezes, a sua própria história marcada por sofrimento, desilusões e, ainda, protestos contra a sociedade de consumo ou a forma convencional de viver.

A atividade que essas pessoas desenvolvem é uma das mais comoventes demonstrações de amor à vida e à arte. A rua é o seu palco e o seu cenário. Elas expõem seus trabalhos sem nenhuma ostentação acadêmica. A simplicidade das obras expostas nos gradis das praças ou espalhadas em volta do artista tem a mesma magia do nostálgico som de uma sanfona, quebrando a monotonia do vai-e-vem das ruas.

É o caso de George Jorge dos Santos que transformou a calçada da Rua Dr. João Pessoa, no Crato, em seu atelier e ponto, concorrendo com o comércio de “bugigangas”, a maioria importadas da China. Jorge, que já foi eletricista e bombeiro hidráulico, descobriu que viver da arte, no meio da rua, sem nenhum compromisso com horário e patrão, é uma forma de liberdade que não tem preço.

“Já andei o Brasil de ponta a ponta, conheço todos os Estados, nunca passei fome,” diz Jorge, acrescentando que passar necessidade num País solidário como o Brasil é uma mentira. “Além da solidariedade do povo existe a mãe natureza que nos oferece uma variedade de alimentos”, afirma. A matéria-prima para fabricação de pulseiras, colares e brincos é encontrada no mato, no meio das árvores e dos animais. “Isso aqui, por exemplo, é um rabo de tatu que encontrei num cemitério”, afirma.

Vantagem

Ser um “artista de rua”, seja produzindo, pintando, vendendo quadros, esculturas, bonecas, máscaras, artesanato, palhaçadas, tocando sanfona no meio da feira, exercitando qualquer forma de manifestação artística, tem uma vantagem, o artista negocia seu trabalho diretamente com o consumidor, olhando na cara das pessoas. “Não dá para ficar rico, mas é o suficiente para viver”, analisa Jorge.

Solteiro, pai de um filho que ele deixou em Angra dos Reis (RJ), Jorge encontra na rua a família que ele deixou por aí. “Aqui todos são meus amigos”, confessa, enquanto fabrica um brinco de penas. A rua, segundo Jorge, “é um grande mercado a céu aberto, que abre as portas para todos aqueles que não tem um espaço, um emprego para sobreviver”.

Antônio Vicelmo
Repórter

Fonte: Jornalista Antonio Vicelmo para o jornal Diário do Nordeste
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Um comentário:

  1. Certamente um grande profissional!!! Estão de parabéns pelo talento dos seus trabalhos artísticos autênticos!!!
    Abraço!!!

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