22 julho 2008

Juazeiro do Norte comemora 97 anos de Emancipação Política - Por: Elizângela Santos.

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Padre Cícero foi um fundador deste município do Cariri (Foto: Elizângela Santos)

Uma alvorada festiva, a partir das 5 horas de hoje, abre o dia de comemorações, na Praça Dirceu de Figueiredo

Juazeiro do Norte. Uma das cidades do interior nordestino de maior destaque comemora, hoje, 97 anos. Juazeiro do Norte, considerada a ´meca´ dos romeiros de vários estados foi fundada pelo Padre Cícero, também o primeiro prefeito. Emancipada em 1911, antes era a comunidade de Tabuleiro Grande, pertencente ao Crato. Ao longo desse período conseguiu se notabilizar pelo desenvolvimento da economia local, com destaque para o comércio e a indústria de calçados, sendo este um dos pólos mais representativos do Estado. A cultura popular é outro grande atrativo, sendo ambos estimulados por meio do próprio Padre Cícero, que estabeleceu como lema de desenvolvimento trabalho e oração.

Milhares de nordestinos passam a cada ano por Juazeiro, principalmente durante as grandes romarias. Esse é outro importante aspecto em torno da figura mítica do Padim. O comércio local e a indústria do turismo religioso são os grandes beneficiados.

A cidade tem conseguido nos últimos anos ter um crescimento na área educacional, principalmente com a instalação de cursos de nível superior. Será inaugurado em breve o novo campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde estarão os cursos de Filosofia, Biblioteconomia, Engenharia Civil e Administração. Cerca de 11 instituições de nível superior, entre particulares e públicas, existem em Juazeiro.

Uma alvorada festiva a partir das 5 horas abre o dia de comemorações, com solenidade na Praça Dirceu de Figueiredo, de frente a Prefeitura, seguida de apresentações folclóricas. Uma missa em ação de graças pelos 97 anos de emancipação será celebrada às 9 horas, na Igreja dos Franciscanos. Haverá pronunciamento ao meio-dia do prefeito Raimundo Macedo, nas rádios locais. Ao final da tarde, o grupo de tradições do município irá recepcionar os turistas da cidade, no Aeroporto Orlando Bezerra e inaugurações do município.

O nome Juazeiro surgiu a partir da árvore com o mesmo nome e “Norte” veio diferenciar a cidade de outras com o mesmo nome. Um dos grandes momentos que mudou a visão de Juazeiro para o mundo foi o milagre da beata Maria de Araújo, em 1889, em que ocorreu o sangramento da hóstia ofertada pelo Padre Cícero na boca da beata. A polêmica continua até hoje e em torno desse fato a crença do povo num homem santo, que é o sacerdote. O acontecimento até hoje é estudado por pesquisadores.

Por: Elizângela Santos - Para o Jornal Diário do Nordeste.

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3 comentários:

  1. Abaixo matéria publicada no JORNAL DO CARIRI, edição desta 3ª feira,dia 22:

    As origens de Juazeiro do Norte

    Armando Lopes Rafael (*)

    Alguns autores insistem, erroneamente, em atribuir ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte. Pelas informações abaixo concluímos que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o fundador do núcleo primitivo, origem da atual cidade.
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    Podemos afirmar, com toda segurança, que a cidade de Juazeiro do Norte – hoje conhecida em todo o Brasil, graças à figura do Padre Cícero Romão Batista – teve seu início como fruto da devoção a Nossa Senhora das Dores. Pois, a exemplo da maioria das cidades brasileiras de antanho, Juazeiro do Norte também nasceu em torno de um templo católico. A escritora Amália Xavier de Oliveira, na “plaquete” Conheça o Cariri, assim descreveu os primórdios desta cidade:

    “Os terrenos onde foi fundada a grande cidade que é hoje Juazeiro do Norte pertenciam a um cidadão chamado Leandro Bezerra Monteiro, militante do Exército Nacional, no qual tinha o posto de Brigadeiro. Estes terrenos constituíam uma imensa planície coberta de pastagens férteis e abundantes. Árvores de grande porte formavam densas matas. O proprietário, o Brigadeiro, era possuidor de muitas terras na região; residia no sítio “Moquém” perto do Crato, onde tinha um engenho de fabricar rapadura. Para fazer sua criação de gado, escolheu os terrenos que iam em direção da Serra de São Pedro, hoje Caririaçu.
    Havia, naquela planície, uma ligeira elevação do terreno perto da serra Catolé, às margens do rio Salgadinho. Ali, o Brigadeiro construiu a Casa da fazenda, que recebeu o nome de “Tabuleiro Grande”. Ao redor da Casa Grande da fazenda, os escravos foram construindo suas casas; vizinho a casa, construiu um aviamento para a fabricação da farinha de mandioca, de que havia grande cultura nos tabuleiros. Entre as árvores que circundavam o aglomerado de casas dos escravos, havia 3 juazeiros frondosos, de copas quase unidas, formando uma sombra acolhedora. Ali, os transeuntes que viajavam de Missão Velha, Barbalha, São Pedro, indo para a feira do Crato, procuravam abrigar-se. E combinavam: “Vamos botar a baixo (tirar as cargas para repouso) lá nos juazeiros”. Daí a corruptela: vamos descansar no Juazeiro”. (OLIVEIRA, Sem data, 3-4).

    A mesma Amália Xavier de Oliveira, noutro escrito de sua autoria, O Padre Cícero que eu conheci, esclareceu o que motivou a construção da capela na fazenda Tabuleiro Grande:

    “Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes, e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente, sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda, perto da casa já existente”. (OLIVEIRA, 1981:33-34).

    Alguns autores insistem, erroneamente, em atribuir ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte. Pelas informações – acima citadas – concluímos que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o fundador do núcleo primitivo, origem da atual cidade. Deve-se ao Brigadeiro Leandro a iniciativa da primeira urbanização da localidade – ainda conhecida por Tabuleiro Grande – com a edificação da Casa Grande, capela, residências para os escravos e agregados da família.
    A realidade histórica nos mostra: quando o Padre Cícero chegou ao “Joaseiro”, para fixar residência, em 11 de abril de 1872, já encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Contava o lugarejo, à época da chegada deste sacerdote, com 35 residências, quase todas de taipa, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. No povoado, à época da chegada do Padre Cícero, residiam cinco famílias, tidas como a elite do vilarejo: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves. É verdade, porém, que o povoado só veio a ter alguma projeção a partir da ação evangelizadora do Padre Cícero. E o vertiginoso crescimento demográfico da localidade só começou em 1889, motivado pela ocorrência dos fatos protagonizados pela beata Maria de Araújo, que passaram à história como “O Milagre da Hóstia”.

    (*) Armando Lopes Rafael, historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri, Membro Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA) e do Conselho Editorial da revista “A Província”.

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  2. Prof. Armando,

    Transformei o seu comentário em Artigo, aliás, excelente, sobre As origens de Juazeiro do Norte. Muito oportuno nesta data em que Juazeiro do Norte comemora 97 anos de emancipação política.

    Um grande abraço,
    Veja no Blog do Crato:

    www.blogdocrato.com

    Dihelson Mendonça

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  3. OK Dihelson,
    agradeço pela deferencia.
    Armando

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