03 julho 2008

Em ação sem tiros, Colômbia resgata refém Ingrid Betancourt


Militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram nesta quarta-feira a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares mantidos reféns pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Betancourt, 46, a refém mais importante das Farc, foi seqüestrada em 2002, quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência. Sua dupla nacionalidade ajudou a trazer a atenção da comunidade internacional para o caso dos reféns colombianos. Estima-se que cerca de 3.000 pessoas estejam sob o poder de grupos insurgentes no país. "A operação foi absolutamente impecável", disse Betancourt. "Creio que é um sinal de paz para a Colômbia." A franco-colombiana, os três americanos, três políticos e dezenas de militares e policiais colombianos integravam o grupo de cerca de 40 reféns que a guerrilha propunha trocar por 500 rebeldes presos, após a criação de uma zona desmilitarizada no país. Logo após ser resgatada, ela agradeceu o Exército em declaração à Rádio Caracol e, minutos depois, chegou a Bogotá, onde se encontrou com sua mãe, Yolanda Pulecio. O ministro da Defesa Juan Manuel Santos declarou que todos os ex-reféns estão em um estado de saúde razoavelmente bom, apesar das péssimas condições em que viveram no cativeiro, por vezes acorrentados pelo pescoço. O resgate ocorreu na floresta do departamento de Guaviare, segundo o ministro. Militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia que supostamente iria levar os reféns de helicóptero a outro local, para se encontrarem com o líder rebelde Alfonso Cano. "Os helicópteros, que na realidade eram do Exército pegaram os reféns em Guaviare e os levaram à liberdade", afirmou Santos. Dois guerrilheiros foram capturados na operação.

"Essa foi uma ação sem precedentes", declarou o ministro, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade." Os três americanos libertados trabalhavam para a empresa Northrop Grumman e foram capturados quando o pequeno avião em que estavam caiu no meio da floresta. A serviço do Departamento de Defesa dos EUA, eles participavam de uma operação de erradicação de campos de cultivo de coca no país. Os três seguiram aos EUA ainda nesta quarta, segundo o governo colombiano.

Comunidade internacional

Em paris, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou que seu ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, o filho e a filha de Betancourt iam partir na noite desta quarta-feira rumo à Colômbia.

"Hoje, um pesadelo de mais de seis anos acabou", declarou o francês. O gabinete do presidente havia dito anteriormente que Sarkozy teve uma longa conversa com Uribe. A França vinha pressionando pela libertação de Betancourt, dada sua dupla nacionalidade. A última prova de vida de Betancourt foi sua imagem em um vídeo da guerrilha divulgado no fim do ano passado, onde aparecia abatida e doente. A imagem do vídeo e boatos de que ela estaria com uma série de doenças desencadearam uma pressão da comunidade internacional e do governo francês pela libertação de Betancourt. "Estou cheia de felicidade", disse Astrid Betancourt, irmã da ex-refém, à rádio colombiana. "Esse foram longos anos de espera." Por telefone, o presidente dos EUA falou com seu homólogo colombiano, Álvaro Uribe, e o parabenizou, dizendo que Uribe é "um líder forte". O colombiano agradeceu a Bush por seu apoio e confiança no governo da Colômbia, segundo Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca. Em comunicado, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, também parabenizou Uribe e exortou as Farc a libertarem todos os outros reféns. Rice afirmou ainda que os EUA consideram o grupo responsável pela saúde e bem-estar daqueles em cativeiro.

Mais reféns

As Farc, antes uma força de 17 mil homens capaz de atacar cidades e realizar diversos seqüestros, foi confinada a áreas remotas e agora têm cerca de 9.000 homens. A guerrilha também perdeu três membros da sua cúpula, composta por sete pessoas, entre eles o líder máximo e fundador do grupo, Manuel Marulanda Tirofijo, e Raul Reyes, morto em operação do Exército em território equatoriano. Considerado como um grupo terrorista pela União Européia e pelos EUA, as Farc usam a cocaína colombiana para financiar suas atividades. A advogada Clara Rojas, assessora de Betancourt, foi tomada refém na mesma ocasião. Rojas foi libertada em 10 de janeiro deste ano, junto à ex-congressista Consuelo González de Perdomo, graças a gestões humanitárias lideradas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e pela senadora opositora colombiana Piedad Córdoba. Rojas tem um filho de três anos, fruto de uma relação com um guerrilheiro quando estava em cativeiro. No último dia 27 de fevereiro, as Farc libertaram os ex-legisladores Luis Eladio Pérez, Jorge Eduardo Géchem, Gloria Polanco de Lozada e Orlando Beltrán. Estima-se que na Colômbia há hoje pouco mais de 3.000 seqüestrados, sendo que alguns estão em cativeiro há mais de dez anos.


Fonte: Jornal Folha de São Paulo
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4 comentários:

  1. É o começo do fim para as Farc que deixaram de ser um grupo ideológico para abraçar a narcoguerrilha. São golpes e incidentes que vão se sucedendo cada vez mais rápido. Agora numa jogada de mestra libertaram 15 reféns sem disparar um tiro.Parece até coisa do exército israelense.
    Para a alegria dos colombianos e, claro, do presidente Álvaro Uribe os guerrilheiros encontram-se vulneráveis.

    A liderança do grupo foi entregue a Alfonso Cano, o filósofo do grupo. Especialistas acreditam que além do conflito externo, os guerrilheiros poderão se conflitar internamente, já que Cano privilegia a ala política e não militar. Para se ter uma idéia do atraso mental dele, é como se Alfonso (caso fosse brasileiro) fosse filiado ao PCdoB no Brasil, e vivesse pegando o bonde do passado, em meio a loas a Che Guevara e Stalin.

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  2. Enfim livre! Todos nós que torcemos pela liberdade de Ingrid estamos felizes.
    Abaixo os comunistas narcotraficantes.
    Alías, o nexo entre a subversão marxista e o narcotráfico é cada vez mais patente. Os semelhantes se atraem!
    No Peru, segundo testemunho de terroristas e narcotraficantes capturados, ficou claro que os remanescentes do Sendero Luminoso peruano dedicam-se agora a proteger a produção e o transporte da droga em zonas de cultivo ilegal de coca.
    O plantio e elaboração da droga está crescendo precisamente em áreas onde existem remanescentes de bandos terroristas, revelando ainda mais o estreito vínculo entre traficantes e subversivos.

    O fenômeno não se restringe ao Peru. Em maio deste ano, o diretor da Polícia da Colômbia, General Oscar Naranjo, revelou que o guerrilheiro Oscar Medina –– vulgo Negro Acácio, membro da cúpula das FARC, abatido pelo Exército em setembro passado –– era o encarregado do tráfico de cocaína por conta dessa organização subversiva. Ele substituía nesse “negócio” o chefe da Frente 16 das FARC, Ángel Leopoldo López, vulgo El Chigüiro, detido há três anos na Venezuela portando nada menos que 600 quilos de cocaína.
    O substituto de Acácio parece ser agora o subversivo Gener García Molina, vulgo John 40, que de acordo com o citado chefe policial “tem um comportamento mais narco que guerrilheiro”.

    O Brasil não está alheio a esse fenômeno. Parte da fortuna do narcotraficante Luiz Fernando da Costa, vulgo Fernandinho Beira-Mar, provém do fornecimento de armas às FARC em troca de cocaína, em sociedade com o Negro Acácio. Em março deste ano, a revista “Isto É”, de São Paulo, denunciou que a chamada Liga dos Camponeses Pobres, oriunda do MST, vem utilizando métodos de guerrilha em zonas do Estado de Rondônia –– onde estabeleceu um corredor de centenas de quilômetros, denominado “Transcocaineira” –– para introduzir drogas e armas a partir da Bolívia.

    Eduardo Esmeraldo
    Fortaleza

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  3. É o fim de um pesadelo que durou anos e anos...talvez, como disse alguém aí logo acima: O Começo do Fim das FARC, mas eu não arriscaria um palpite tão forte. Pode ter sido apenas alguma negociata. Isso tudo é muito estranho que as FARC pudessem perder a Ingrid Betancourt sem disparar um tiro. Serviço de inteligência supremo, esse aí...
    Mas, estou feliz pela libertação dela.

    Dihelson Mendonça

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  4. Já era hora de isso ter acontecido. É inaceitável o que esse bando de terroristas fazem e fica tudo por isso mesmo. As Farc's nada mais é do que um grupo de guerrilheiro que querem tirar proveitos políticos e sontinuar se mantendo com o comércio de drogas. O mais interessante ainda é que quando mataram aquele lider no inicio do ano algumas pessoas lamentaram criticando a ação do governo venezuelano. Ele fez mais do certo, por que eles não respeitam nada e cometem atrocidades como essa que fizeram com Ingrid Betancourt. Esses bandidos tem mais é que serem presos e essa organização criminoza banida da face da terra. Agora vale a pena lembrar que aqui no Brasil está para acontecer o mesmo com aqueles que se dizem Sem Terra, que já abandonaram a ideologia faz muito tem e transformaram-se num bando de desordeiros, assassino e TERRORISTAS, o governo brasileiro tem que agir o quanto antes para eliminar esse mal que não respitam as autoridades e o direito de propriedade. Abaixo o MST

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