28 julho 2008

70 anos da morte de Lampião - Por Antonio Vicelmo - Jornal Diário do Nordeste


Hoje o DN traz uma matéria muito especial sobre os 70 anos de Virgulino Ferreira, o Lampião. Magnificamente produzida por nosso grande jornalista Antonio Vicelmo.

Clique para Ampliar

Casa onde Lampião nasceu, no Sítio Passagem das Pedras, a 42 quilômetros de Serra Talhada, em Pernambuco. Um passeio turístico ao local está previsto na programação dos 70 anos de morte do cangaceiro (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

A Fundação Cultural Cabras de Lampião lembra, hoje, com programação especial, o fim do cangaço

Crato. Madrugada de 28 de julho de 1938. O sol ainda não tinha nascido. O grupo de cangaceiros, tendo à frente Virgulino Ferreira, o Lampião, e sua mulher, Maria Bonita, tinha acabado de rezar o ofício de Nossa Senhora e se preparava para tomar o primeiro café-da-manhã, quando os estampidos de rifles e metralhadoras quebraram o silêncio da madrugada e a tranqüilidade da Grota do Angico, no Estado de Sergipe, onde os cangaceiros estavam escondidos.

“De repente, o refúgio virou um inferno”, descreveu o cangaceiro “Sereno”, um dos sobreviventes da tragédia. Depois de 15 minutos de tiroteio, 11 cangaceiros estavam mortos: Lampião, Maria Bonita, Luiz Pedro, Quinta-feira, Elétrico, Mergulhão, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. Dos 35 cangaceiros que estavam acampados, 24 fugiram.

Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, 40 anos, foi abatido com três tiros: um na cabeça, um no peito esquerdo, outro no abdômen. Maria Bonita, sua mulher, foi baleada e morta a facadas enquanto implorava pela vida.

O soldado Adrião Pedro de Souza, o grande herói esquecido do combate de Angicos, completava a dúzia de vítimas. Dois outros cangaceiros gravemente feridos morreriam dois dias depois na fazenda de um coiteiro — nome dado a quem acolhia os cangaceiros —, que ficava nas proximidades.

No dia seguinte, os jornais de todo o País, e até do exterior, estamparam a sensacional notícia nas suas primeiras páginas. A do New York Times dizia: “Foi morto Lampião cego de um olho, um dos mais temíveis bandidos do mundo ocidental!”. Terminava a incrível história de um menino que nasceu no Sítio Passagem de Pedras, a 42 quilômetros de Serra Talhada, em Pernambuco. Era o fim do cangaço.

Comemorações

A epopéia de Angicos, que marcou o fim do cangaço, está sendo lembrada nesta segunda-feira, em várias cidades do Nordeste. Em Serra Talhada, terra natal de Lampião, os 70 anos de morte do filho ilustre estão sendo comemorados desde o último sábado, com uma programação que incluiu exibição de filmes, apresentações de violeiros e grupos de xaxado, além de produtos artesanais que apontam a influência de Virgulino Ferreira nos mais variados aspectos da cultura popular.

O evento é promovido pela “Fundação Cultural Cabras de Lampião”, com o nome “Tributo a Virgulino”. Na programação, está previsto o passeio turístico “Nas pegadas de Lampião”, com visitas agendadas a locais que marcaram a história do Rei do Cangaço, como o Riacho de São Domingos, o Sítio Passagem das Pedras, onde Lampião nasceu, e a Serra Grande, onde aconteceu o maior combate da história do cangaço. Além disso, o Ponto de Cultura Artes do Cangaço realiza Feira de Artesanato.

Em Sergipe, onde Lampião morreu, ocorrerá uma missa no dia 28 de julho, na Grota do Angico. Um grupo de xaxado participa da celebração como se fosse composto por cangaceiros. Toda a comunidade do entorno da grota comparece.

Em Poço Redondo, Sergipe, será realizado um encontro de autores que escreveram sobre o cangaço, entre os quais, Antônio Aumaury, João de Souza Lima, Alcino Alves Costa e o cearense Magérbio Lucena, autor do livro “Lampião e o Estado Maior do Cangaço”. Também estarão presentes nas atividades, Expedita e Vera Ferreira, filha e neta de Virgulino Lampião e Maria Bonita.

ANTONIO VICELMO
Repórter


Mais informações:
Fundação Cultural Cabras de Lampião - Serra Talhada/PE
(87) 3831.2041 / 9938.6035
Secretaria de Cultura e Turismo de Piranhas/AL: (82) 3686.3013

FIM

11 cangaceiros morreram no dia 28 de julho de 1938. Lampião, Maria Bonita, Luiz Pedro, Quinta-feira, Elétrico, Mergulhão, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. Era o fim do cangaço

Fonte: Jornal Diário do Nordeste.

2 comentários:

  1. Parabenizo ao jornalista pela qualidade da matéria.

    ResponderExcluir
  2. Gostaria de parabenizar o jornalista Vicelmo pela brilhante matéria.Ao mesmo tempo, fazer uma pequena reflexão com relação a dívida que o nosso Crato tem para com os nossos Heróis.comesamos com o Frei Carlos Maria de Ferrara,fundador da nossa cidade, e vitima da nossa falta de reconhecimento.Perdemos a indentidade do cego aderaldo para outro municipio.A nossa Barbara de Alencar pouco se fala.Uma das maiores perdas foi o nosso Padre Cicero Romão Batista, filho do Crato,hoje o maior mito Religioso do Brasil. E tantos outros. Até quando vamos defender o titulo de cidade da cultura se não temos a capacidade de fomentar a nossa História e os nossos Heróis.O que tenho visto nesses ultimos anos, é a exploração de grupos culturais,de artistas da terra ,de pessoas que defendem a cultura por amor,exploração essa, que muitas vezes parte do poder executivo e de pessoas aproveitadoras,quando usam os nossos artistas e grupos culturais em eventos e logo após os abandonam ,esquecendo que essas pessoas precisão de viver dignamente o dia a dia da vida.É nossa obrigação resgatar e cobrar das autoridades competentes o resgate da nossa origem e História.Através de encontros,de congressos,sinpósios e etc,podemos mudar a nossa História e valorizar os nossos artistas locais.Do contrário no futuro teremos simplismente que defender aquele velho ditado.'SÓ NO CRATO MESMO'. E isso não queremos para o nosso "Cratinho de açucar" .
    Um forte abraço do amigo Edson Vilar.(TUTU)

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.