15 junho 2008

Vai-se mais um Ícone da Música Brasileira - Morre o cantor Jamelão.

Faleceu na madrugada deste sábado, 14, no Rio de Janeiro, o cantor e intérprete de sambas-enredo da escola da Samba Estação Primeira de Mangueira, José Bispo Clementino dos Santos, popularmente conhecido como Jamelão. Aos 95 anos, dos quais mais de 50 como cantor de samba, Jamelão estava internado desde a quarta-feira na Clínica Pinheiro Machado, no bairro de Laranjeiras, onde chegou com estado de saúde bem debilitado, vítima de infecção urinária e pulmonar. Seu corpo será enterrado às 11h, neste domingo, no cemitério do Caju.

Jamelão era o mais antigo intérprete de samba-enredo do País e é o mangueirense em atividade há mais tempo, desde os anos 20, quando chegou adolescente ao Morro de Mangueira, na zona norte do Rio. Ontem, de luto, a escola cancelou uma feijoada que ocorreria durante à tarde na quadra, remarcando o evento para a semana que vem, agora como um tributo ao seu maior intérprete. O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial de três dias . "Era o grande símbolo da garra mangueirense", afirmou, em nota oficial.

A voz marcante, que eternizou sambas-enredo campeões, foi lembrada por amigos. "O samba perdeu a maior voz de todos os tempos", disse o cantor e compositor Monarco. "Ele era a voz negra do país, a voz mais bonita do Brasil e o maior cantor do Brasil", lamentou a cantora Beth Carvalho. "Foi um dos maiores cantores deste país, era uma escola, todos os grandes cantores tinham admiração por ele", acrescentou o compositor e produtor musical Hermínio Bello de Carvalho.

"Para mim, se Jamelão não tivesse uma carreira tão ligada à escola de samba ele teria um reconhecimento muito maior do que teve. O samba, até por questões de mercado, o deixava meio restrito ao período de carnaval. Mas ele era o maior cantor brasileiro. Assim como se mostrou o maior intérprete de Lupicínio Rodrigues, também foi o maior intérprete de Ari Barroso. Ele imortalizou Folhas Mortas", concorda o compositor Nei Lopes.
Por causa da saúde debilitada, Jamelão já havia se afastado dos desfiles de carnaval. Nos últimos anos, vinha perdendo a memória, reflexo de um acidente vascular-cerebral. "O carnaval do Rio já não era o mesmo sem ele como puxador do samba enredo da Mangueira", disse a cantora nana Caymmi. Jamelão, porém, repudiava o termo "puxador" e preferia ser chamado de intérprete. "Puxador é puxador de corda, puxador de fumo, puxa-saco... Eu sou é intérprete", costumava dizer.

Fonte: Jornal "A tarde"
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