10 maio 2008


UMA PRINCESA SEM CASTELO

Em meio a tantas movimentações em torno da sucessão política na cidade do Crato, algumas reportadas profissionalmente e outras nem tanto, muito se tem falado sobre coligações, traições, continuísmos, sangue novo e outras coisas mais esquisitas, no entanto, pouco se discute sobre o estado lastimável que se encontra a cidade, já há algumas décadas.

O Crato atual tem o contorno de uma auto-caricatura. Enquanto que boa parte da sua sociedade vive em consonância com a contemporaneidade, vivenciando todas as possibilidades plenas dos mecanismos que propiciam as relações sociais no âmbito privado; no âmbito público a política cratense permanece embebida em formol, sobrevivendo de expedientes provincianos, de oportunismos e de inoperâncias fatídicas, propiciadas por sucessivas administrações pífias, próprias da possessão do poder através de clãs e agregados, típicas de arruados em que parte da população influente está do lado do “prefeito” que ganhou e a outra parte da população influente está do lado do “prefeito” que perdeu.

Para que o Crato ingresse no dinamismo do século XXI é necessário que uma administração pública, independente de nomes, partidos ou corriolas, faça mais do que se espera. Abrir e calçar ruas, tapar buracos, pintar meio-fios, asfaltar avenidas, manter hospitais e postos de saúde funcionando, recolher o lixo, expandir redes elétricas, fazer e refazer paredes de canais e freqüentar o dentista periodicamente para um sorriso largo, não é necessariamente o que o cidadão que busca a cidadania espera de um administrador público. Manter a prefeitura aberta, seja de qualquer cidade de qualquer porte, para que ela não vire uma bodega equipada com tv de 29 com dvd de forró de quinta categoria, é o trivial. Qualquer um pode fazer. É necessário um plano administrativo mais ousado, mais funcional, que seja capaz - através de grandes obras, grandes investimentos e parcerias sóbrias - de projetar positivamente o município na história recente do país.

É provável que a tropa de elite dos nomes políticos em questão afirmem que falar é fácil ou que então apontem a filosofia de pára-choque de caminhão: “fácil é falar de mim, difícil é ser eu”. Para tanto, não custa nada lembrar, que até a Exposição do Crato, que tem mais anos do que a mentira no mundo, ainda vive das mesmas atrações medíocres, das mesmas famílias de gados, bodes, carneiros, cavalos e preás que continuam sendo expostas, bem como dos mesmos bêbados e das mesmas rodas-gigantes que continuam a rodar.

Marcos Leonel

8 comentários:

  1. Marcos,
    O que eu sinto falta � dos que reconhecidamente s�o cidad�os de bem (n�o de bens) se colocarem � disposi�o desse processo todo. Eu fico abismado com as baratas e ratos roendo e corroendo em volta dos "caciques" esperando o momento certo para roer o "queijo". Quando a gente agora fala diferente e claramente diz que n�o interessa este mod�lo arcaico de gest�o o que, obviamente, exclui os canalhas de plant�o, somos vistos como ing�nuos, rom�nticos ou idiotas.

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  2. Salatiel,

    Alguns setores de esquerda, da qual eu também posso dizer que fiz parte, sempre fomos taxados de sonhadores. Quando a esquerda do Crato consegue 5.000 votos não é sonho. É estratégia fraca ( já que teoricamente a proposta é boa ), ou então o dinheiro continua a falar mais alto. Mas de que vale uma esquerda rica também ? Temos aí nos rumos da política de hoje, gente riquíssima com seus milhões preparados para gastar nas campanhas.

    Alguns agarrados à empresas.
    Alguns agarrados à administrações
    Alguns agarrados ao Governo do Estado.

    Resta ao povo do Crato saber com quantos MILHÕES se ganha uma campanha política por aqui. Porque historicamente, a flor nunca venceu o canhão, onde sempre o dinheiro falou mais alto em eleição...

    Qual campanha milionária irá vencer, eu não sei !

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  3. ÊÊ CAMARADA

    Sinto falta de uma auto análise NOSSA. E nós? Há tempos não conseguimos chegar ao patamar de decidir os rumos da cidade. Alguma vez já paramos pra refletir e procurar saber onde erramos???
    Criticar é correto. É direito de todo cidadão.
    Contribuir é muuuito mais correto. Porque É dever nosso.
    Onde NÓS erramos? Porque nosso grito não causa eco??
    Tá na hora de setarmos e ver isso. ou não?? Tô ficando doido???
    Vamos discutir isso??
    Eu tô certo?? ou Você?? ou erramos??? Fomos engolidos pelo sistema???...
    Dedê

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  4. Creio que necessariamente é preciso mudar o modelo, bem como os tipos de contribuições. Velhos nomes com novas idéias acho improvável, novos nomes com velhas idéias acho inadmissível. Sei que quebrar essa barreira do continuismo não é fácil, a coisa é bem mais abrangente. Concordo com todos três comentários e a história está aí para provar todas as insatisfações
    abraços

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  5. Acho que deve-se frisar que a foto usada no texto é de autoria de PACHELLY JAMACARU.

    Abraços.

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  6. fiquei em dúvidas se era sua ou se era dele, sendo assim fica o registro do crédito e o obrigado a Pachelly, embora tardio, mas justo.
    um abraço

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  7. Diga lá, grande Marcos,

    Sua dúvida sobre a foto procede, em razão de eu ter feito também fotos recentes do mesmo local ( Restaurante O Mirante ), o que confunde quem as vir. Mas, como todo fotógrafo conhece as suas fotos, e queremos ser justos, quis lembrar que essa aí é a do Pachelly. Mas estou fazendo sempre que posso, novas fotos noturnas da cidade também. Fique à vontade, se as quiser utilizar. Será meu prazer!

    Um grande abraço,

    Dihelson Mendonça

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  8. Valeu dihelson pela seleção de comentários
    abraços

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