20 maio 2008


O BOTE


A floresta é nossa. Isso não é novidade. Isso não se discute. Mesmo que Alexei Barrionuevo, como sugere o seu sobrenome, cague outra vez pela caneta. Mesmo que ele limpe sua merda usando o próprio The New York Times. Também não é novidade nenhuma esse tipo de factóide americano em relação à soberania nacional sobre a Amazônia, como também não é novidade nenhuma o governo brasileiro se obrar inteiro diante de uma situação dessas.


Com Fernando Henrique Cardoso era uma desobstrução intestinal involuntária causada pelo leve pânico de ser um chefe tupiniquim, ou seja, uma defenestração culta, mas medrosa. Com Lula, é aquele espalhafato, suja o bojo, acaba o papel higiênico e ainda fica aquela sensação de putaria no ar, ou seja, uma diarréia popular, mas medrosa. Mas, afinal de contas, a casa de Mãe Joana tem dono. E, para nós, é melhor acreditar que isso é verdade, e não uma aventura enlatada de Indiana Jones em busca da arca perdida. Então vamos patrulhar o que é nosso, pois os ladrões oficiais do planeta estão se movimentando.


Não acredite no esquelético intelecto do senador Jefferson Péres, com aquela pose fajuta de abelha rainha da honestidade, ao afirmar com a sonolência que lhe é peculiar, de que isso é bobagem, que não devemos nos preocupar com esse tipo de discussão, pois isso é fato isolado, não representa opiniões de grupos organizados. Jefferson Péres já deve ter feito operação de catarata. Mas não adiantou nada, ele continua com a visão de uma toupeira. O tesouro em questão é verdadeiro, é palpável e é desguarnecido, em todos os pontos.


Não existe legitimidade nenhuma na reivindicação da Amazônia ser patrimônio da humanidade. Nunca americano nenhum deu um centavo para financiar a preservação da floresta e nem eles estão interessados nisso. Também não existe legitimidade nenhuma em os americanos serem os porta-vozes do cuidado paterno da Amazônia. Eles são os maiores poluidores do planeta; os maiores cretinos da agropecuária, com suas gerações de adolescentes alimentados com herbicidas, defensores agrícolas, hormônios e outros venenos. Eles permitem que as famílias pobres americanas e de imigrantes sejam esfaceladas com a morte cruel dos seus jovens nas areias impunes do deserto moral americano. Eles propiciam as anomalias freqüentes de matadores em série que dizimam dezenas e se matam em seguida, matando a própria lógica dos abastados. Ainda na contra-mão da preservação da vida, eles têm o maior arsenal atômico do mundo, capaz de dizimar a vida no planeta em questão de minutos. A única coisa que eles podem proteger são os lucros dos grandes conglomerados. Isso não é novidade.


Também não é novidade nenhuma que ainda não existe um plano de desenvolvimento sustentável da Amazônia. E a questão não é apenas a legalização da terra, a demarcação das terras indígenas, o zoneamento de regiões ecológicas, o combate à derrubada da mata e os conseqüentes passos de exploração do solo, exaustão desse mesmo solo, a transformação em pastagem e depois a mega exploração da produção mecanizada em escala industrial.
O problema é a falta de seriedade. A esculhambação reina.


É lá que existem, entre outras atrocidades, pesquisas com cobaias vivas, patrocinada pelo Governo do Acre e o Ministério da Saúde, na região do Vale do Juruá, em experiências de combate ao anofelino – mosquito transmissor da malária. É lá que a grilagem manda matar e ressuscitar. É lá que os famigerados guerrilheiros das Farcs fundam a qualquer momento bordéis utópicos. É lá que existem inúmeras organizações não governamentais, dirigidas por testas-de-ferro de políticos brasileiros do primeiro escalão, que atuam diretamente na biopirataria. É lá que o boto e o jacaré viram, oficialmente, iscas para os pescadores internacionais se divertirem à vontade.


É por isso que um idiota desses como Alexei Barrionuevo, pode cagar à vontade em frente ao Planalto Central. Ou ainda pior, é por isso que os retardados metaleiros do Megadeth, que evacuam os cérebros a cada show, quando balançam as cabeleiras imbecilizadas, podem chegar aqui e exigirem cosméticos orgânicos da Amazônia para "cabelos normais e secos", um secador, sete toalhas pretas e treze pares de meias brancas. Mas se é para jogar excremento no ventilador, podem vir, que a nossa bucha de canhão é o Congresso Nacional.

Marcos Leonel

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