10 maio 2008

Interblogs

Publico aqui uma postagem que pode ser, com alguma benevolência dos leitores, um capítulo da crônica citadina, e que já foi publicada em outros blogs afins: a história de uma canção:

Serpentes na noite
memória de uma canção

No início dos anos noventa, reunimo-nos no apartamento de Salatiel, para assistir o documentário “blues”, de Valter Salles Jr., transmitido pela Rede Manchete. O documentário trazia depoimentos e performances de velhos blueseiros norte-americanos, todos desconhecidos da mídia. Maravilhados e no clima do documentário, decidimos esticar a noite no restaurante Pau do Guarda, para beber e papear (Geraldo Urano bebeu Cola-Cola, sua bebida preferida). Aquele documentário mexeu profundamente com a gente.
Quando cheguei em casa, já no início da madrugada, escrevi uma letra inspirada naquilo tudo.
No dia seguinte, entreguei-a a Geraldo, que passou uma semana para devolver-me, cantarolada (Geraldo a compôs sem auxílio de instrumento musical, mas somente memorizando a melodia).

A música, anos depois, em 1994, foi classificada para o histórico CHAMA (Chapada Musical do Araripe), que aconteceu no antigo aeroporto do Crato, em cima da Serra. Foi defendida, numa bela noite de lua cheia, pela banda Nacacunda .
Apresentamos a música na noite em que Hermeto Pascoal e grupo se apresentaram. Por conta disso, encontramos, nos camarins, Itiberê Zwarg, Carlos Malta e Márcio Bahia, respectivamente baixista, saxofonista e baterista do grupo de Hermeto, com os quais conversamos animadamente por alguns momentos. Lembro de Itiberê revelando que a profissão de músico lhe presenteava momentos como aquele, “num lugar bonito como esse, apreciando essa deliciosa bebida” (Itiberê bebericava uma dose da cachaça Xá-de-Flor, bebida feita por Blandino Lobo).
Por conta dessa agradável memória, transcrevo a letra da música, intitulada Serpentes na Noite (uma referência ao zodíaco, que eu, Geraldo e Salatiel temos em comum).

Baby, quero lhe dizer algo importante
Quando mais se cresce menor se fica
É o doce mistério da vida
E não há outra saída
Que não seja a porta dos fundos
Por onde você também pode entrar
Somos serpentes na noite
E isso é um tanto perigoso
É muito bom!
Já tomamos de tudo
Mas nada nos pegou
Se você quer me ver feliz
Toque um pouco de blues
Pinte a vida de azul
Sim, eu sou apenas um cantor de blues
Levando a vida num pagode
Mas sei que sou um rapaz de sorte
E sei que a morte
É só o último acorde de um blues

3 comentários:

  1. Serpente�vamos em noites find�veis e no infinito todos os zodi�cos em luminuras celestiais!

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  2. É Isso, Salatiel!

    Nosso homem na arena emedebista...(É só um trocadilho, releve ...)

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  3. Essa música é um marco na história recente da música do cariri. Muita gente não irá entender o porque, porque precisará de um distanciamento, e não acompanhou com eu vi o surgimento desses movimentos que os "meninos" fizeram. Embora eu fosse da banda do "jazz", e com o Jazz incorpora todo tipo de elemento de outros estilos, fiquei maravilhado pelo entusiasmo com que aqueles jovens acreditavam naquilo que faziam, e na sinceridade do que produziam. Tivemos MESMO um grande movimento dessa geração. Resta aos jovens de hoje, se espelharem naquilo que já se fez de bom aqui. Não estou vendo muita coisa nova não. É como se os jovens de hoje pararam no tempo, talvez pela falta de acesso e estímulo, provocado pelo megasucesso das infames bandas de Forró. Imagina a profundidade e qualidade dessa letra de "Serpentes da noite" em relação ao que se toca no rádio hoje...

    Que decadência tivemos!

    DM

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