25 maio 2008

Curso no Cariri resgata antiga técnica Pinhole


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ma exposição já foi realizada com o resultado inicial do curso. Mas o trabalho será concluído apenas neste mês.

Crato. Um curso de fotografia diferenciado. Longe das tecnologias digitais. O Pinhole, esquecido pela modernidade, é uma modalidade exercida com lata e um pequeno furo para entrada de luz. Na zona rural do Crato, no distrito de Ponta da Serra e arredores, essa técnica tem sido aplicada pelo fotógrafo Allan Bastos, em aulas para crianças e adolescentes, por meio da Organização Não Governamental (ONG) Verde Vida. São 30 crianças, em duas turmas. O método vem dos primórdios da fotografia.

Uma exposição já foi realizada com o resultado inicial do curso. Mas o trabalho será concluído apenas neste mês. O objeto a ser fotografado fica direcionado ao estudo de quem focaliza. O tempo de exposição dura cerca de 10 segundos. O olhar é outro. São fotos em preto e branco. Allan Bastos já fez o mesmo trabalho com crianças e adolescentes do Movimento Pró-Criança, em Recife, no Estado de Pernambuco. A experiência do fotógrafo remete a sua infância.

O projeto para ações culturais na ONG Verde Vida, com o curso de fotografia, foi iniciado em março. São crianças e jovens de 11 a 18 anos. Aproveitando o Dia Mundial da Fotografia Pinhole, foi realizada uma exposição para lembrar a arte. Para Allan, é uma oportunidade de deixar por um momento o mundo tecnológico em que vivemos. Ele explica que a fotografia Pinhole permite uma foto que necessita apenas de um recipiente protegido contra a luz e pode ser caixa ou lata, com um pequeníssimo furo e contendo material fotossensível em seu interior, que pode ser papel ou filme. Pode adaptar uma câmera já existente ou fazer artesanalmente.

O Projeto Ações Culturais para Povos Rurais está localizado no distrito de Ponta da Serra. A parceria com a Associação do Audiovisual do Cariri envolve jovens da comunidade rural. O trabalho tem o patrocínio da Petrobras e também do Criança Esperança.

O principal objetivo das ações é ampliar as atividades culturais da ONG Verde Vida, integrando profissionais das diversas áreas (audiovisual, dança, música, circo, produção cultural), com o intuito de envolver crianças e adolescentes da zona rural. A proposta se une à necessidade de estender o campo de atuação da ONG a diversas localidades do seu entorno. A finalidade tem sido atingida, com o dobro de atendimento, combatendo o êxodo rural que é o principal foco do projeto.

Atualmente as grandes ações culturais estão, geralmente, voltadas para populações de zonas urbanas, deixando as crianças e jovens da zona rural sem assistência. Para promover o desenvolvimento sociocultural desses jovens, a ONG Verde Vida, em parceria com Associação Audiovisual do Cariri e outros parceiros institucionais, formulou uma série de capacitações com o intuito de despertar neles o interesse pelo seu lugar, o aumento da auto-estima e com isso a solidificação de sua identidade.

As oficinas serão distribuídas neste ano. Tem como resultado esperado a formação de agentes culturais rurais que terão o compromisso de estimular movimentos artísticos locais, divulgando e valorizando seus saberes. A ONG foi criada em 1994, mas, legalmente fundada no ano de 1998, por iniciativa de Marcos Antônio Xenofonte de Almeida. A idéia surgiu da observação de que as crianças do local abandonavam a escola para trabalharem com os pais na roça, e as que permaneciam tinham baixo rendimento escolar.

Mais informações:
Projeto Verde Vida
Distrito de Ponta da Serra
Rua Bernardo Vieira, nº 115, município do Crato (CE)
(88) 3523.9262

Elizângela Santos
Repórter

Fonte: Matéria extraída do jornal Diário do Nordeste publicada no dia 18 de maio de 2008.

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