26 maio 2008

Coligações e conchavos - Por: Francisco Leopoldo Martins Filho



Os partidos políticos entram na reta final para as negociações em torno de composições de chapas para a disputa das eleições municipais de 2008.
Um simples levantamento do que acontece nas principais cidades do Cariri, como de resto em todo o País, revela que a maior preocupação dos dirigentes políticos é com o tempo que cada partido - ou coligação - de fato irá dispor no horário eleitoral gratuito na tevê e no rádio, bem como no balanceamento e composição de forças.
O resto é simples arrumação interna ou intrapartidária.Não há maior preocupação com fidelidade partidária ou homogeneidade de idéias nem de propostas, mas tão somente com arrumações - que os políticos chamam de articulações - que possibilitem certo equilíbrio de tempo entre os principais partidos, especialmente em relação aos preciosos minutos do horário eleitoral na televisão e como dito alhures no balanceamento e composição de forças.
De forma que se pode constatar, também no Cariri, as coligações mais esdrúxulas, como alinhamento entre o PMDB, PDT, PTB, PSDB e o PT, partidos que tradicionalmente se colocam em campos opostos.
Vale tudo em matéria de conchavo e coligação, pois o raciocínio elementar dos dirigentes partidários é de que se precisa garantir o poder, ou pelo menos preservar parte dele. Propostas, ideários, coerência ideológica constituem matéria à parte, para "uma segunda fase da campanha", como afirmam os mais pragmáticos.
Nos próximos dias, portanto, a atividade política deve alcançar temperaturas altas, com a formalização das últimas chapas e com a oficialização de nomes pelas convenções municipais. Neste imbróglio final, deverão sair também às listas de cada partido de seus candidatos às câmaras municipais, quase sempre um conjunto de nomes desconhecidos nas próprias comunidades às quais se habilitam a representar. Surgem apenas para "cumprir tabela", ou seja, para preencher formalidades burocráticas da legislação eleitoral.
Na segunda fase da campanha, que se inicia no primeiro dia de julho e se encerra no último de setembro, os candidatos oficiais estarão promovendo o julgamento de suas idéias e propostas junto ao eleitorado. Tanto para melhorar e aperfeiçoar a administração das cidades quanto o funcionamento das câmaras municipais.
Na campanha, o eleitor poderá então avaliar a consistência, competência e viabilidade das propostas que devem ser apresentadas, para tudo se materializar em novos mandatos que serão homologados nas urnas de em outubro.Neste momento, contudo, é preciso que o eleitor verifique como estão sendo feitas as coligações e como se processam os conchavos, pois, afinal, são fatores determinantes para o sucesso ou não dos próximos administradores municipais e do futuro da política nas esferas dos municípios e dos Estados.
Ademais, há de se atentar para o fato de que, em tese, o discurso político proferido pelo candidato em sua campanha de angariar voto para sua eleição deve ser baseado nas disposições, diretrizes e programas do partido ao qual está filiado, defendendo suas idéias e bandeira política para a formação do governo. E é nisso que se deposita o crédito do eleitor, o qual acredita que determinada noção conceitual de certa questão socioeconômica será defendida por seu candidato. Os partidos políticos, assim, tornam-se elementos revestidos de caráter institucionais, absolutamente indispensáveis na dinâmica do processo político e governamental. Como poderá o eleitor aglutinar seu pensamento na escolha do candidato de sua preferência numa circunstância em que existe coligação entre partidos ideologicamente e de propostas tão dispares entre si para soluções dos problemas socioeconômicos?
Francisco Leopoldo Martins Filho
Pós Graduado em Direito Penal
Especialista em Danos Morais
E-mail: leopoldo.advogado@ig.com.br

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