19 abril 2008

19 de Abril - Dia do Mestre Elói ! - Por: Cacá Araújo.


Eloi Teles de Morais, Mestre Eloi ou “Seu Elóia”,
estaria completando, na data de hoje, 72 anos de idade.

Deve ter sido um menino como muitos:
de brincar de bila, peteca, triângulo, futebol,
fazer danação, estudar,
cair, chorar,
levar carão, croque, cascudo...

Deve ter sido um adolescente como tantos:
de se perfumar,
ir ao cinema,
paquerar,
se apaixonar,
namorar...

Mas foi um homem como poucos:
marido amoroso,
pai dedicado,
profissional exemplar,
amigo sincero,
político coerente,
folclorista brigante em favor da cultura popular,
da história e das verdadeiras raízes do povo,
poeta embevecido de sertão e desejoso de ver a emancipação
e a felicidade dos desvalidos...

Sua voz brejeira e jeito sertanejo
expressavam a ética e a poética do homem Cariri...

Sua palavra camarada, indômita e guerreira
representava a valentia, a força e a ousadia dos amantes da liberdade!

Era branco, era negro, era índio...

Mestre Eloi era uma vastidão
habitando uma alma bela e iluminada

Sua partida desta que chamamos vida
foi o mote do cordel desavisado
que lhe elevou à condição de mito e herói...
...Fonte de inspiração permanente e imortal!

Hoje é Dia do Mestre Eloi!

Crato-CE, 19 de abril do ano 2008.

Prof. Cacá Araújo
Dramaturgo e Folclorista
Presidente da Fundação do Folclore Mestre Eloi

7 comentários:

  1. Cacá, boa recordação! Eloi merece todas as homenagens!
    Abraço

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  2. E Pachelly, sempre de parabéns por essa famosíssima foto, que eu usei para ilustrar o poema.

    Um grande abraço,

    Dihelson Mendonça

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  3. Cacá: o Elói fez algo que até a história duvida. Aliás, que algumas interpretações da história pensa que seja: um rio em permanente mudança de suas águas. Pois imagine você, cuja saudade se encontra entre a década de 80 e 90, antes foi pré-história, o Dihelson de tão velho até já se esqueceu de fatos do ano de 94, o que foi o Elói de contramão ao curso prevalente de então. Acontece que o cinema, o rádio e as revistas, um fenômeno local e ao mesmo externo à região, soterram a cultura local. Especialmente a cultura das pessoas de maior consumo? Quando Elói põe a viola de Patativa para cantar, era a época que só dava Roberto Carlos, Vanderléia, The Beatles, Elvis e assim por diante. Nada local prestava. Era a época que o forró havia tido uma certa baixa, o Luiz vivia pelas ruas do Crato, esquecido do sucesso que tivera. Na área popular o sucesso era brega, a estilo amante latino, dor de corno, traições e paixões de roer a alma: Orlando Dias, Lindomar Castilho, Waldick e por aí. Aí chega Elói com as velhas violas, os repentes, a poesia cabocla, falando do local e não do difuso mundo de importação. Por aí começou algo que nem sempre é um ciclo virtuoso, mas não deixa de ser um ciclo da cultura local. Quando os Anicete se tornam evidentes e torram as oportunidades de outra manifestação cultural, é sempre preciso entender que faz parte da temperança que a análise requer, pensar a expressão local, aquela que nos torna universais sendo nós mesmos. Evidente que não se trata de apontar o dedo para o glamour do folclore, ao contrário se trata de criar uma força contemporânea com ele e através dele. A dialética entre o novo e o velho, envolve um rito de contradições e lutas, mas resulta numa síntese em que ambos compõem o arco do futuro. Por isso acho da maior importância esta tua postagem.

    Sempre adiante.

    Abraços

    José do Vale

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  4. Admiro muito o Seu Elói, porque foi um dos primeiros que conheço a se revoltar como eu me revolto ante essa porcaria que as bandas de forró estão fazendo, massacrando a verdadeira cultura popular. Elói em diversas vezes não poupou fôlego para criticar isso.

    Paz Eterna, Mestre Elói !

    Dihelson Mendonça

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  5. Uma coisa também precisa ser acrescentada e polêmica: A Esposa do Elói não permite que qualquer arquivo sonoro do Elói seja veiculado. Na época da morte do Elói ela foi até os estúdios da Rádio Educadora do Cariri atrás de tudo que se refere a ele.

    Nunca entendemos o motivo disso. É como se tentasse apagar da memória de todos que Elói existiu, quando na verdade, ela deveria promover a imagem dele.

    Abraços,
    Dihelson Mendonça

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  6. Amigos,

    Seu Eloi é uma referência e inspiração nessa luta desigual de afirmação da identidade nacional. Um guerrilheiro, no sentido mais profundo da palavra. Conseguiu "armar" investidas culturais, que somadas significaram a grandiosidade da luta contra o genocício cultural do qual ainda hoje estamos vítima... resistindo! Todas as suas iniciativas tiveram o objetivo estratégico de preservar, desenvolver e difundir o folclore e a cultura popular... a identidade, as raízes populares!
    Penso que a gestão municipal deveria instituir o DIA DO MESTRE ELOI, 19 de abril, como uma data de reconhecimento do grande folclorista e cidadão, e reflexão sobre a arte e a cultura fundante da identidade regional e brasileira.
    Abraços!

    Cacá Araújo

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