08 fevereiro 2008

Hoje no DN - Catedral do Crato - Operários encontram ossadas humanas

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Piso do altar-mor da Igreja da Sé, no Crato, está sendo reformado com a colocação de cerâmicas (Foto: Antônio Vicelmo)

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Ossos encontrados na base do altar-mor indicam hábito de antigas famílias

Historiador Armando Rafael registra que, antigamente, as famílias costumavam enterrar os mortos nas igrejas

Crato. Os operários que trabalham na retirada do piso da Catedral de Nossa Senhora da Penha, neste município, para substituição de mosaicos por cerâmicas, encontraram ossos humanos nas primeiras escavações a menos de um palmo de profundidade, em frente ao altar-mor da igreja. Os ossos apareceram depois da retirada dos tijolos de barro cozido componentes do penúltimo piso da quase tri-centenária igreja, que data de 1741.

Para o historiador Armando Lopes Rafael, a localização das ossadas não foi surpresa. Ele diz que, antigamente, era costume enterrar os mortos nas igrejas. Ele acrescenta que no subsolo da Catedral jazem ossadas de várias gerações de cratenses, ali sepultadas até 1853, ano da construção do atual Cemitério Público Nossa Senhora da Piedade.

Em 1828, uma lei imperial recomendava às câmaras municipais que elaborassem posturas para tratar do estabelecimento de cemitérios fora do recinto das igrejas.

Rafael cita o livro “O Cariri”, do historiador Irineu Pinheiro, onde consta: “Enterraram-se, antigamente, muitos mortos na Matriz de Crato, uns de grade acima, outros de grade abaixo, segundo a importância e as posses do finado. Àquela época o soalho do velho templo era de cedro com traves de aroeira, que eram abertas e fechadas sempre com a finalidade de novos sepultamentos”.

Armando acrescenta que somente no fim do século 18 (entre 1892 e 1900), no paroquiato do padre Alexandrino de Alencar, essas madeiras foram retiradas e substituídas por tijolos de barro cozido. Estes ali permaneceram até 70 anos atrás, quando foram cobertos pelos mosaicos artesanais.

Trabalho

A localização dos ossos não interrompeu os trabalhos de reposição do piso. A nova cerâmica será colocada na nave central e nas naves laterais. Já os chãos do altar principal (presbitério) e das capelas laterais permanecerão com os antigos mosaicos, em estilo português, ali colocados no fim da década 30, do século passado. A preservação desses mosaicos, segundo padre Edmilson Neves, Cura da Catedral, foi justificada por se tratar de peças artesanais, hoje consideradas raras.

Daqui a seis anos, em 2014, a Diocese do Crato vai comemorar o centenário de sua criação e, até lá, é pensamento do Cura da Catedral dotar aquele templo de um altar de pedra (como é tradição nas igrejas-catedrais), além da construção de duas novas capelas no interior daquela igreja: a de Cristo Ressuscitado (que deverá abrigar os restos mortais dos três primeiros bispos da Diocese) e outra destinada a substituir a atual Capela do Santíssimo.

A atual Catedral do Crato surgiu por volta de 1741, quando uma humilde capelinha de taipa, coberta com folhas de palmeiras, foi construída no centro de um aldeamento destinado à catequização dos índios Cariris. Era a Missão do Miranda, fundada por frei Carlos Maria de Ferrara, religioso franciscano, nascido na Itália. A pequena capela foi dedicada, pelo frade, de maneira especial, à Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade.

Igreja Matriz

Em março de 1762, a capela ganhou status de Igreja Matriz em face da criação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, desmembrada da Paróquia de São José dos Cariris Novos de Missão Velha. Mas a instalação da nova paróquia só ocorreu em 4 de janeiro de 1768. Desde aquela época, a nova Igreja Matriz (que seria elevada à condição de catedral em 1914, com a criação da Diocese de Crato) vem passando por sucessivas ampliações e, ainda, remodelações.

SAIBA MAIS

Século XIX

No século XIX eram muitos os problemas graves e urgentes enfrentados nas cidades. O aspecto sanitário era um deles, como a precariedade dos hospitais, a não existência de cemitérios, os enterros, as prisões etc. Naquele tempo era costume se enterrar os mortos nas igrejas. Isso apresentava graves inconvenientes sanitários, sobretudo nas cidades onde a população crescia e assim diminuía a oferta disponível de sepulturas.

Sepultamentos

Nas igrejas, nos conventos e nas capelas particulares, sepultavam-se os mortos da nobreza rural e da burguesia urbana. Não se usava caixões e o defunto era envolto numa mortalha e conduzido em uma padiola.

Havia dois horários para os enterros, pela manhã e à tarde, e durante esses horários, diariamente, as igrejas tocavam os sinos com o dobre continuado e monótono de finados, o que provocava mal estar e reclamação da população.

Mais informações:
Paróquia de N. Sra. da Penha - Crato
Rua Dr. Miguel Lima Verde, 666
(88) 3521.0309

Antônio Vicelmo
Repórter
www.diariodonordeste.com.br
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4 comentários:

  1. Nossa! Que aula de História profunda e interessante!!! Por isso que gosto de dar uma "espiadinha" no Blog do Crato!Aprendi bastante!!!

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  2. Nossa! Que aula de história ao ler esta matéria!!! Aprendi bastante. Valeu dar uma "espiadinha" por esse Blog.

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  3. Parabéns ao Blog pela publicação da reportagem, e em especial ao Repórter Antonio Vicelmo pela belíssima aula de história cratense.

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  4. Parabéns ao Blog pela publicação da reportagem, e em especial ao Repórter Antonio Vicelmo pela belíssima aula de história cratense.

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