31 janeiro 2008

REFLEXÕES ELEITORAIS

Emerson Monteiro

Vivemos neste outro ano de eleições municipais fortes motivos para exercitar a prudência. Daí as opiniões quanto ao assunto, a algumas braças do território do embate que já acende os olhos do eleitor, cheio dos pedidos de novidade em termos de independência e desacomodação, num universo lotado de corporações sedentas do vil metal, de ganhar sem fazer força o pão da miséria popular.
Vínculos de lideranças com grupos de interesses financeiros evidenciam a herança colonial dos países atrasados e constrangem séculos da história nacional. Comer mole, mastigado, retrata a elite burguesa que aqui chegou nas caravelas e enfiou os pés na lama da imoralidade pública.
Uma freguesia constante organiza os laços de dominar a presa e o povo esquece da importância do voto, no rumo da libertação, instrumento do progresso das gentes. Quando não havia democracia, há coisa de duas décadas, assim justificavam os omissos a ausência de oportunidade na escolha dos dirigentes honestos. Agora, esse argumento caiu de moda. Sem justas definições do voto na seleção dos melhores nomes da comunidade a fim de gerenciar os destinos comuns e o orçamento sacrificado da sociedade, restam poucas chances às gerações de ver tempos felizes.
Nada muda quando ninguém resolve mudar (frase definitiva). A população organizada através dos partidos políticos estrutura o desenvolvimento e a justiça social. Sobram conceitos balizadores do futuro. Todo partido propõe programa impecável e planos miraculosos antes das urnas. Depois, portas restringem os eleitos a caprichos individuais, negociatas particulares, vale-tudo pecaminoso.
Mas reclamar a quem? Aos mesmos eleitores ou às gerações conscientizadas (onde elas moram?)? Quanta lentidão a história mostra a cada tempo. O peso que possuem os valores materiais, em detrimento dos anseios éticos e necessidades coletivas, impõe séria cogitação de mudança. O déficit avassalador que contempla bem mais os tortos exige providências urgentes dos votantes. A educação chega lenta no plano da qualidade humana e superposição de lideranças.
As virtudes sociais dos regimes democráticos reclamam, pois, refinado discernimento em mais esta seleção de prefeitos e vereadores, neste novo ano eleitoral.

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