24 dezembro 2007

Feliz Natal à todos do Blog do Crato ! - Até que Enfim !!! rs rs rs


Embora Santa Claus não tenha nada de nordestino...
Embora não caia neve no Sertão...
Embora essas casinhas dos cartões de Natal nos levem à Suíça...
Embora o calor aqui esteja de 32 graus...
Embora não haja a mínima possibilidade de vermos um trenó puxado por renas que como diz Lupeu, são apenas "bebeboras de Coca-Cola"...
Embora eu não seja nem um pouco afeito à festas de Natal nem Ano-Novo...
Embora eu seja totalmente contrário à quase toda espécie de mudanças, e na verdade prefira ficar morando no ano anterior...
Embora o nascimento de Cristo que é o que se comemora no Natal foi em época totalmente diferente do mês de Dezembro...
Embora a festa do Natal seja apenas mais uma forma do comércio ganhar dinheiro às custas de mais uma idiotice popular das muitas que existem...

Não quero ser um estraga-prazeres!

Quero dizer que apesar de tudo, a festa de Natal é ainda um afesta de confraternização entre as pessoas, entre os povos. Das poucas que nós temos. E por isso mesmo, no sentido e somente nesse sentido da confraternização, é que quero aqui deixar o meu FELIZ NATAL para todos os usuários do Blog do Crato, deixando esse recado propositalmente tardio, na noite de Natal, para dizer que vocês são minha família! para dizer que vocês foram em 2007 um dos meus principais motivos de alegria e de viver feliz.

Quero expressar toda a minha felicidade pelo grande trabalho coletivo que se tem feito aqui no Blog do Crato em nome da preservação da cultura, das tradições e da própria cidade do Crato.

Um FELIZ NATAL à todos que visitam, escrevem e participam de alguma forma do Blog do Crato.

Dihelson Mendonça
- Administrador -
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O Cachorro que só comia Leite Ninho !



Muita gente tem falado sobre a pobreza. Eu não serei o primeiro nem o último, mas quero levar à análise, certos tipos de comportamentos que pude presenciar enquanto convivi com certas pessoas há algum tempo, que se dizem "pobres" e que, exatamente por seu comportamento exótico, talvez até "excêntrico", me deixou atônito a pensar sobre o que é realmente o estado de pobreza e o que seria a verdadeira pobreza de espírito.

Os nomes da história a seguir estão mudados, a fim de preservar a identidade original de todos os envolvidos.

Certo dia, necessitando de alguns trabalhos na área de eletrônica, fui remetido à casa do mestre Paulo, cidadão de vida pacata, de posses modestíssimas, mas um profundo conhecedor da área de consertos de rádios, TVs e outros aparelhos. Morava em uma casa de um só cômodo, que assim já estava há mais de 6 anos, sem banheiro, com sua espôsa Lucrécia, seus dois filhos, e um cachorro chamado carinhosamente de "Jupi".

A casa, na verdade, um quarto onde mal cabiam três pessoas, não possuía cadeiras. Sentava-se em caixotes quando havia visitas. Na casa havia luz elétrica, mas na bancada onde o Paulo trabalhava, havia uma pequena lâmpada dependurada, amarrada com uns barbantes, e sua luz era te tal espécie ruim, que o coitado mal podia fazer as soldagens com qualidade à noite. Sentava-se também num pequeno caixote, que de tanto vai-e-vém, já estava ficando todo descojuntado...

Na casa ( no quartinho ), havia água encanada, isto é, uma torneira geral, o banheiro era ao relento para os mais afoitos a enfrentar a escuridão de um quintal cheio de moitas, de onde eventualmente, se poderia encontrar alguma cobra ou outro animal peçonhento.

A cama do casal estava mais para um "puleiro" de galinheiro do que para uma cama. Estreita, colchão acabado, cheio de buracos na espuma, e sempre desarrumada, era um convite às pulgas e outros bichos. O casal dormia invariavelmente com o seu cachorro Jupi partilhando desse belo pardieiro...

As crianças, essas eram o que se pode considerar o próprio símbolo da miséria e da falta de educação. Com tantas qualidades negativas, é de se pensar que nessa casa as pessoas vivessem tristes. Mas não!

Ao ver tamanha miséria em cima desse casal, me doeu o coração e veio-me a tentativa de ajudá-los de alguma forma. Após várias tentativas de ajuda, pude perceber o enorme abismo que separa uma pessoa necessitada de uma pessoa que merece ser ajudada.

Pude perceber que dos muitos que se dizem em condições miseráveis, ou paupérrimos, alguns ostentam um verdadeiro asco às classes mais favorecidas, aquela velha briguinha de classes. Entretanto, o que tenho visto mesmo é que aos que possuem alguma riqueza material, por exemplo, os de vida mais tranquila financeiramente, trabalham de sol a sol sem descanso.

Nunca vi na minha vida um rico dormir à noite e à tarde, geralmente os mais ricos dormem menos, e passam o dia trabalhando. Conheci um homem que possui um posto de gasolina na cidade e é tido como "rico". O que pude observar é que esse homem acorda às 06:00 da manhã, e após o café matinal vai para seu trabalho dia após dia, saindo somente á noite, depois de um dia absolutamente estafante. Sem direito a férias nem décimo-terceiro...

Enquanto isso, aonde se deveria esperar mais trabalho do casal, no sentido de trabalhar juntos, crescer juntos, com a mulher trabalhando e ajudando nas despesas do marido, vê-se o contrário.

Em minhas muitas tentativas de ajudar o pobre casal trazendo-lhes leite e outros mantimentos e ajudndo-os de alguma forma, desisti de vez, quando a mulher me confessou o que lhes passo a seguir:

"Aqui, eu durmo de noite e de tarde. Meu cachorro Jupi só toma leite Ninho, porque outro leite o bichinho não gosta. E estou querendo que o Paulo trabalhe mais pra ele me dar um novo celular da Nokia, com uma câmera melhor, porque esse aqui não bate fotos muito bem como o da minha prima. Ah, e se deus quiser, logo quero meu microondas sharp."

Enquanto isso, vai faltando arroz e feijão na panela, e toda uma mínima infra-estrutura como um mísero banheiro, que poderia tornar a vida desse pessoal muito mais digna, higiênica e saudável.

É nessas horas que lembro-me de uma frase de meu velho Pai que em décadas anteriores se falava, e que na atualidade tem caído em desuso:

"A Preguiça ainda é a chave da Pobreza!"

Por: Dihelson Mendonça
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ÁLBUM: CRATO/FOTOGRFIA

Vista do Mirante em Crato, com o Horto de Juazeiro ao fundo.

Foto Pachelly J.
Direitos Reservados

Obituário: faleceu o prof. José Pedro

Faleceu na manhã de ontem, em Crato, vítima de infarto, o professor de matemática José Pedro, profissional e pessoa querida no meio educacional e social dessa cidade. José Pedro lecionou por décadas em várias escolas cratenses, com destaque para o Colégio Diocesano do Crato, Colégio Estadual Wilson Gonçalves e Colégio Municipal Pedro Felício, além do curso de Ciências da antiga Faculdade de Filsofia do Crato, posteriormente na Universidade Regional do Cariri (URCA), onde foi um dos fundadores do Curso de Matemática.
O corpo do professor José Pedro será enterrado logo mais no Cemitério Público do Crato. Uma grande legião de amigos e colegas presta-lhe sincera e justa homenagem, externando gratidão pela sua relevante dedicação à educação cratense e caririense.