26 novembro 2007

Colóquio : Festivais da Canção do Cariri : Um Tropicalismo Caririense ?


No próximo Dia 29/11/07 , no Centro Cultural Banco do Nordeste, às 18:30 em Juazeiro do Norte estaremos apresentando o Colóquio : "Festivais da Canção do Cariri nos Anos 70 : Um Tropicalismo Caririense ? " .
O Colóquio será moderado por Luiz Carlos Salatiel, Abidoral Jamacaru e J. Flávio P. Vieira da OCA .
Na oportunidade será feita uma ampla história dos Festivais, com vasto material fotográfico, vídeos e material fonográfico. Convidamos todo público interessado a se fazer presente e participar do enriquecedor debate que será travado.



Colóquio :
"Festivais da Canção do Cariri nos Anos 70 : Um Tropicalismo Caririense ? "

Moderadores:
Luiz Carlos Salatiel
Abidoral Jamacaru
J. Flávio P. Vieira








Local : CCBN em Juazeiro do Norte

Hora: 18:30 H

Data- 29/11/07 ( Quinta-Feira)


Participe !!!!

Fotos: LUIZ JOSÉ DOS SANTOS


Shows !


CIVILIZAÇÃO EUROPÉIA E O CONTINENTE AMERICANO - uma outra realidade estaria abaixo da que se evidencia?














O continente Americano mais que outro é, territorialmente, a confluência de povos originários de três continentes: América, Europa e África. Neste novo mundo, os Europeus chegaram e nunca mais saíram, enquanto que na Ásia e África foram expulsos e as populações nativas voltaram a crescer e hoje dominam seus antigos territórios. A literatura mais atual fala de um fenômeno histórico que envolve o mercantilismo e posteriormente o capitalismo como ordenamento da vida material neste continente, assim como da superioridade cultural da civilização Européia, que impôs seus padrões aos Ameríndios. No entanto este mesmo fenômeno fez parte da expansão européia nos demais continentes e ao final as populações antigas retomaram sua própria história, embora os paradigmas ocidentais sejam marcantes na própria globalização. No entanto o que ocorreu nas Américas ou na Austrália e Nova Zelândia para que os europeus se impusessem de tal forma?

Tudo indica que o fenômeno foi menos de subalternidade cultural do que biológico. O fator biológico se sobrepõe nestes continentes que passaram milhares de anos isolados dos povos dos demais continentes. Enquanto europeus, asiáticos e africanos pelas rotas mercantis milenares trocavam doenças infecciosas, o mesmo não ocorria nas Américas. Mesmo com seus efeitos devastadores, a conjugação epidemia e em seguida a fome por falta de produção, ceifaram enormes parcelas da população européia pela peste, cólera, sífilis, gripes e assim por diante, mas não foram suficientes para esgotar os estoques humanos. No entanto, nas Américas isso levou ao esgotamento étnico. No México, por exemplo, em menos de cinqüenta anos as epidemias de varíola, sarampo, o ingresso da tuberculose, entre outras doenças, reduziram a população a menos de um décimo do que era na origem do contato europeu.

Na verdade hoje o estudo das civilizações Maia, Azteca e Inca apontam para níveis culturais bastante elevados, apesar de não conhecerem a pólvora, tinham escrita, tinham cerâmica avançada, fundiam metais, tinham conceitos de orientação, de estudo celestiais e climático, calendáiros e de edificações ciclópicas como quaisquer outras civilizações antigas. Mas isso não se resumia a estas grandes civilizações, os povos da Amazônia e outros espalhados pela América do Sul trabalhavam bem a agricultura, a cerâmica, a exploração ambiental era comum. Um fato curioso, tudo leva a crer que a mandioca seja uma planta fruto da manipulação genética dos índios, nos moldes antigos de cruzamentos, pois é uma planta que para se reproduzir depende da ação humana. A reprodução natural da mandioca é frágil, depende que a maniva seja enterrada pela mão humana.

O mais importante, os estudos lingüísticos, usando métodos de reconstrução, das principais línguas indígenas do Brasil mostram um passado bastante remoto. Estamos falando que existem troncos lingüísticos de povos vivendo no Brasil central, entre os rios São Francisco e Tocantins que datam de 2 ou 3 mil anos. Os estudos lingüísticos dos povos brasileiros pré-invasão européia, demonstram a existência de quatro (4) grandes grupos lingüísticos: Jê, Tupi, Arawak e Karib. Além destes existem um numeroso grupo de famílias menores e dezenas de línguas isoladas.

O grupo Jê atual pertence ao histórico grupo Macro-Jê que se separou com a expansão territorial dos povos por volta de 5 ou 6 mil anos pelo menos. A origem territorial do Macro-Jê estaria entre as nascentes do Rio São Francisco e Araguaia no Planalto Central brasileiro. A primeira separação ocorreu entre os Jê meridionais (Kaingang e Xokleng) e os demais. Estes meridionais avançaram na direção sul do país. A segunda divisão foi entre os ramos central e setentrional, este se dirigindo para a Amazônia e se expandido para oeste. Esta última diferenciação ocorreu nos últimos mil anos. Nos últimos quinhentos anos ocorreu a diferenciação no interior do grupo central: timbiras orientais e entre vários dialetos. Há a hipótese que o Cariri pertença ao Macro-Jê.

O Macro-Tupi parece ter se originado em algum ponto entre o Madeira e o Xingu. Eram, portanto, habitantes de terras alta a oeste do Macro-Jê. A diferenciação do Macro-tupi, ocorreu primeiramente com a ocorrência do grupo Tupi-Guarani ocorrida entre 2 ou 3 mil anos atrás no mesmo território de origem destes povos. Os Tupi-Guaranis seguiram três rotas territoriais muito extensas: os Kohama e Omágua para o amazonas; os Guaiaki para o sul até o Paraguai e Xirionó para sudoeste na direção da Bolívia. Após o ano 1000 ocorreu a dispersão final deste grupo criando um grupo lingüístico de várias línguas muito semelhantes entre si com ampla ocupação territorial. A esta língua geral se chamou Tupi-Guarani, que não é a mesma classificação daquela dispersão de 2 ou 3 mil anos antes. A família Tupi-guarani da chegada dos Europeus era falada pelos Chiriguano e Guarayo no Paraguai, pelos Kaingwa entre Paraguai, Argentina e Brasil e por grupos que ocupavam a costa do Brasil até a foz do Amazonas: Tupinambás, Tupiniquins e Potiguara.

O grupo Karib se originou em algum ponto das cabeceiras de rios entre a Venezuela e as Guianas. A primeira migração se deu para o nordeste da Colômbia. A segunda ramificação para sudeste da Colômbia e mais tarde os Bakairi foram para a região central do Brasil. Este grupo lingüístico recebeu muito empréstimo das línguas tupis. Há a possibilidade que os Karib e os Tupis tenham tido uma origem ancestral no sul do Amazonas e não ao norte como se imagina a origem dos Karib. O grupo Arawak seria compostos pelo hoje grupo Maipure, o Aruan do sudoeste da Amazônia, a Puquina nas redondezas do lago Titicaca e Toyeri próximos a Cuzco no Peru. A origem deste grupo seria no centro-norte do Peru. São povos que preferem terras altas, entre eles os Parecis, Waurá e Terenas em regiões de planaltos, do norte ao sul do Brasil.

A famílias menores são agrupadas em pequenas regiões: Pano, Guaykuru, Nambikwara, Chapkura, Mura e Katukina ao sul do Amazonas e as famílias Puinave e Yanomami ao norte. As línguas isoladas não possuem ligações com outras famílias lingüísticas. Estas línguas se prestam para que se analisem como se verificaram as áreas de dispersão lingüística na América do Sul. Isso porque tivemos grandes agrupamentos genéticos lingüísticos a oferecer o modo de formação de povos ao modo de outros continentes.

Os focos de antigas dispersões lingüísticas na América do Sul parecem: a) Nordeste brasileiro cujo base seria as línguas isoladas e muito difíceis de se estudar por estarem extintas; b) o planalto Oeste do Brasil e na vizinhança da Bolívia em torno da chapada dos Parecis e da serra dos Pacaás Novos e c) ao norte do Peru e Equador. Deste quadro é que surgiu a hipótese que na origem da dispersão nordestina esteja o Macro-jê, a dispersão do planalto Oeste ligada ao Macro-tupi e a terceira peruana e equatoriana ao Arawak.

O nordeste se destaca por ter essencialmente línguas isoladas e uma família reduzida que é o CARIRI. O mais importante de tudo é que as origens das famílias lingüísticas foram nas cabeceiras dos grandes rios, ou seja, em terras altas e depois migraram para as terras baixas. Portanto, por esse padrão a Amazônia foi ocupada numa fase posterior de dispersão. A ocupação das terras baixas deve ter ocorrido nos últimos mil anos e um fator cultural central foi a mudança de padrão da fase coletara para a de agricultura dos povos brasileiros.

Os estudos das línguas ameríndias revelam diversos padrões culturais. Por um lado a existência de numerosas línguas de dispersão, línguas isoladas e pequenas famílias demonstrando o quão estes povos estavam isolados entre si, como é o caso do Nordeste. Já o padrão do norte e oeste da Amazônia é multilinguístico, como a Karib com inúmeros empréstimos de outras línguas, identificando um padrão maior de trocas entre os povos e provavelmente o surgimento de falares comerciais. Estas trocas lingüísticas podem refletir um fator de integração política como de fato ocorreu com os Incas.

Em síntese a América do Sul era um continente culturalmente com as mesmas formas de evolução de que qualquer outro continente. Nada, do ponto de vista das potencialidades humanas, impediria, a não ser a própria realidade dos fenômenos de expansão européia, que as culturas ameríndias fossem evoluindo por elas mesmas até ocupar um estilo de civilização atual.


Leituras: Civilização Material, Economia e Capitalismo Séculos XV-XVIII, Fernand Braudel, 3 volumes – História dos Índios no Brasil – Organização Manuela Carneiro da Cunha – Milênio – 1000 – 2000 0 uma história de nossos últimos mil anos – Felipe Fernández Armesto – As primeiras civilizações – volume III – Os indo-europeus e os semitas. Pierre Léveque.