05 novembro 2007

DIARIO DO NORDESTE - Fortaleza, 5 de novembro de 2007 - Caderno Regional

CARIRI

Colégio Santa Teresa de Jesus abre suas portas para o público

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Capela e quadros antigos do Colégio Santa Teresa foram reformados (Foto: Antônio Vicelmo)

Crato. O vetusto Colégio Santa Teresa de Jesus, sacrário de mulheres bonitas, que acalentaram os sonhos de amor de várias gerações, abre as suas portas para o público. O antigo internato que, até a década de 80, só permitia contatos de suas alunas com o mundo exterior através de uma pequena janela, mostra a intimidade de seus sacrossantos alojamentos e, principalmente, as obras de arte do seu patrimônio histórico. Hoje, o Santa Teresa é um colégio moderno plenamente inserido no conceito de escola moderna que colabora na construção da história, na formação do ser humano, na modificação da realidade social e na produção científica e cultural do saber.


A Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus comemora, na próxima quarta-feira, os 144 anos de nascimento e 92 anos de sagração episcopal de dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, 1º bispo do Crato. Será instalado o Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais Dom Quintino, destinado a resgatar e preservar a memória das Filhas de Santa Teresa de Jesus e seu patrimônio histórico-educacional.

Uma das atrações, que está despertando a curiosidade popular, é a reabertura da capela da casa-mãe da congregação. Esta capela – que tem como orago Santa Teresa de Jesus – estava ameaçada de desabamento devido à infiltração de água no terreno onde foi edificada. O templo foi restaurado mantendo toda a originalidade. Também será reaberta a Sala de Memória da Congregação, um pequeno museu que conserva objetos pessoais e documentos históricos dos fundadores da ordem religiosa: Dom Quintino e Madre Ana Couto.

Serão prestadas quatro homenagens póstumas: ao Mestre José Lucas (artesão cratense, autor das ricas obras talhadas em madeira de lei existentes na capela de Santa Teresa); à professora Cléa Cabral e ao Mestre Genésio (responsáveis pelos desenhos e confecção dos antigos quadros de formatura – produzidos em madeira, de forma artesanal – para perpetuar as novas professoras, seus patronos e paraninfos) e ao fotógrafo Júlio Saraiva, autor das fotos e dos primeiros quadros de formandas do Colégio Santa Teresa de Jesus.

A restauração dos antigos quadros de formaturas foi feita pelo artesão Francisco Soares da Silva, “França”, que passou 45 dias trabalhando em uma das salas do segundo pavimento do Colégio Santa Teresa. Para França, foi um trabalho gratificante porque ele teve oportunidade de seguir os passados dos melhores marceneiros do Cariri, Mestre Genésio e Mestre Lucas, que deixaram marcas indeléveis de sua arte na região.

França destaca ainda que aqueles quadros contam a história da vida educacional do Crato do início do século. “É uma volta ao passado, relembrando o trabalho de dois grandes artistas, numa época em que a maioria das peças era feita à mão, o que exigia habilidade e criatividade”, afirma.

Outros eventos

A programação inclui ainda a celebração de uma missa e a sessão solene do Instituto Cultural do Cariri, às 17 horas, no auditório do Colégio Santa Teresa, quando será empossado na Cadeira Dom Quintino, o advogado e diácono-permanente Policarpo Rodrigues Filho, por coincidência sobrinho-neto do 1º bispo do Crato.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter


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Matozinho - Leitura Dramática !


A OCA- Cia de Teatro estará apresentando uma leitura dramática de trechos de "Matozinho Vai à guerra" , na 9a. Mostra SESC / Cariri das Artes no Dia 11/11/07( Domingo) , às 20 Horas no Teatro da REFFESA ( junto ao "Café Estação") .É uma boa oportunidade para apreciar trechos do livro recém publicado de J. Flávio Vieira.

Leitura Dramática de "Matozinbho vai à Guerra"
Dia - 11/11/07 ( Domingo)
Hora- 20 Horas
Local - Teatro da REFFESA ( junto ao "Café Estação")

Todos lá Cambada !
Crônicas do imaginário popular de Crato:
O milagroso São Vicente Ferrer

Armando Lopes Rafael
Devemos a Irineu Pinheiro a preservação de vários fatos que compõe hoje o imaginário popular de Crato. No seu livro “O Cariri”, editado em Fortaleza (CE) em 1950, consta à página 270:

“É muito antigo o culto a São Vicente Ferrer, no Crato. Em 1788, já havia, ali, um oratório dedicado ao grande taumaturgo espanhol (...) Em 29 de dezembro de 1801, como se pode ver no primeiro cartório do Crato, doou Dona Luiza Joana Bezerra, viúva do capitão Sebastião de Carvalho Andrade, mãe do Padre Pedro Ribeiro da Silva, iniciador da capela de Juazeiro, terras próximas do Crato”, junto à falda da Serra Grande (Araripe) para o patrimônio de “uma capela de pedra e cal” que ela, a doadora, se comprometia a erigir em honra do Senhor São Vicente, com o fim de “beneficiar a alma de seu marido e em favor do bem espiritual de sua pessoa e de outros “pertencentes”. (Esclarecemos que Luiza Joana Bezerra era a filha mais velha do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, este o construtor da capelinha de Nossa Senhora das Dores, na Fazenda Tabuleiro Grande, origem da cidade de Juazeiro do Norte).

Já na página 271 do livro citado, e-nos relatado um fato miraculoso atribuído a São Vicente. A ver:

“No paroquiado do Padre Antônio Fernandes da Silva (1883 a 1892), trouxeram ao Crato, desde a derradeira estação da Estrada de Ferro de Baturité, numa distância de dezenas de léguas, a atual estátua de São Vicente Ferrer, substituta da primitiva, que era pequena. Carregaram-na através dos sertões, num caixão, em ombros de homens, à frente destes o Padre Felix de Moura (...) “Em menino, ouvi dizer que da povoação de Juazeiro, penúltima etapa da viagem, até o Crato, viu-se no céu uma estrela a acompanhar a imagem, nos treze quilômetros que medeiam entre as duas localidades caririenses. Era a lenda que ia se formando em torno do Santo, pensava eu. Mas, depois, verifiquei haver algo de verdade na versão do povo. Uma vez, em Juazeiro, a passeio visitei a boa velhinha Teresa do Padre Cícero, assim chamada por ter sido criada em casa do famoso sacerdote, considerada pessoa da família por sua bondade e dedicação, e ela, no correr da conversação, disse-me quase textualmente: “Dormiu aqui, em Juazeiro, na capela, o caixão em que veio São Vicente. Sinhozinho (era assim que ela tratava o Padre Cícero), Sinhozinho e o Padre Felix convidaram o povo para levá-lo ao Crato, na madrugada seguinte. Bem cedo, inda escuro, postei-me na Rua Grande, onde morava e moro hoje, num terreno vago, do lado nascente, e aguardei a passagem do préstito. Ao aproximar-se o caixão, ao lado os dois padres, vi sair entre a igreja e a casa que lhe ficava mais próxima, uma luz muito brilhante que voou rápida em busca do santo. Não pretendia eu ir ao Crato, mas, em vista do prodígio, corri até minha casa, pus, às pressas, um chale à cabeça e encorporei-me no cortejo que era numeroso”.
E conclui Irineu Pinheiro: “Estimaram-na todos que conheceram à velhinha Teresa, morta há alguns anos nonagenária, sempre tida por absolutamente fidedigna”.