15 outubro 2007

Antonio Vicelmo - Crônica sobre a trilha José do Vale

Antonio Vicelmo - Jornalista.
Crônica sobre a trilha ecológica José do Vale Arraes Feitosa

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Lembrando o dia do professor

Caros amigos do Blog do Crato é um prazer escrever com vocês. Fiquei muito feliz com o convite recebido e aqui estou. Só para lembrar a data hoje é dia do professor, e caberia aqui uma pequena reflexão sobre essa categoria profissional tão importante, e ao mesmo tempo tão abandonada pelas autoridades ditas “competentes”. Pois bem, os professores formam os demais profissionais. Todos os médicos, radialistas, jornalistas, engenheiros, advogados passaram pelos professores, desde pequenininhos até o doutorado. Quero aqui registrar alguns nomes de professores, meus amigos e que encaram essa profissão com responsabilidade: José Nilton Figueiredo, Carlos Rafael e Cacá Araújo. Tem muitos outros exemplos, de homens e mulheres que no magistério foram exemplo de vida e profissionalismo. A educação brasileira precisa de uma mudança drástica e poderia começar valorizando os professores. Agora, uma canja da minha coluna Cariri, do Jornal o Povo do próximo domingo, que sairá o texto abaixo:

Do alto dos seus bem vividos 88 anos, Alderico de Paula Damasceno dedicou mais de 60 anos ao magistério na cidade de Crato. Ele é pessoa querida pelos milhares de ex-alunos, inumeráveis amigos e admiradores. Alderico foi professor da Faculdade de Filosofia, sendo um dos fundadores do Curso de História. Depois, ensinou na Urca, no curso de Ciências Econômicas, onde foi aposentado compulsoriamente. Lecionou, ainda, Educação Física em vários educandários cratenses, com destaque para o Colégio Estadual Wilson Gonçalves. Foi, também, técnico de futebol de times cratenses, os quais dirigia vestido impecavelmente de paletó e gravata, portando um inconfundível guarda-chuva. Uma figura, o Mestre Alderico!

Um abraço e mais uma vez obrigado pelo convite!

O campo de concentração do Buriti

Emerson Monteiro

Diante da ocorrência da grave seca de 1932, vista como uma das piores verificadas durante todo tempo no Brasil, visando prevenir o possível deslocamento dos sertanejos para a zona urbana de Fortaleza, o governo do Ceará instalou sete campos de concentração de retirantes, pratica adotada antes, na seca de 1915. Tais campos seriam instalados em Crato, Senador Pompeu, Quixeramobim, Patu, Cariús, Ipu e Fortaleza (nos lugares Otávio Bonfim e Urubu).

O campo do Crato localizou-se nas cercanias atuais do bairro do Buriti, trecho correspondente às margens da linha férrea desativada, próximo de onde funcionou a antiga usina de açúcar, que ora abriga a fábrica de papel.

Transcorria a era getulista, período esse correspondente a duas grandes secas: as de 1932 e 1942. Naquele tempo, ações de emergência sofriam restrições de modo e intensidade, conforme o contexto nacional e internacional e os pactos firmados junto às oligarquias estaduais.

Os campos próximos a Fortaleza reuniram em torno de 5,5 mil pessoas. O do Buriti, por sua vez, programado para uma lotação máxima de cinco mil, chegou a manter 18 mil no período de maior intensidade. O comando desse campo coube ao tenente João de Pinho, do Exército Brasileiro.

Nos tais campos de refugiados, também denominados “currais de flagelados”, na linguagem popular, houve registro de epidemias diversas, com óbitos em massa, além de reações e levantes, qual registra Irineu Pinheiro, dia 13 de maio de 1932, no livro “Efemérides do Cariri”: “Revolta no campo de concentração de flagelados, no Buriti, lugar próximo do Crato cerca de meia-légua. Limitou-se a uma das secções do campo o movimento subversivo, que foi logo abafado.”

Ainda que livres em certas horas para circular fora do campo, os refugiados recebiam ração constituída de derivado da mandioca (conhecido por “farinha do barco”), de cor amarela, trazido do Estado do Pará, cuja má digestão causava males digestivos e insistentes mortes. Em virtude da desnutrição e de doenças, “morria gente todos os dias, e um caminhão passava recolhendo os corpos no final da tarde para jogá-los em valas na parte alta do campo”, afirma a historiadora Rosângela Martins.

Naquele ano, à época da moagem, por volta do meio do ano, levas de refugiados saiam pelos brejos do sopé da serra, na busca de alimento. Derivados da cana e o pequi auxiliaram sobremodo na preservação das vidas, apesar de existir ordem expressa do comando do campo para que os proprietários dos engenhos não fornecessem alimento aos famintos. Alguns desobedeciam, a exemplo de José Pinheiro Gonçalves, no sítio Belmonte.

Segundo a historiadora Kênia Sousa Rios, os campos “Eram locais para onde grande parte dos retirantes foi recolhida a fim de receber do governo comida e assistência médica. Dali não podiam sair sem autorização dos inspetores do Campo. Havia guardas vigiando constantemente o movimento dos concentrados. Ali ficavam concentrados milhares de retirantes a morrer de fome e doenças’’ (in ‘‘Campos de Concentração no Ceará: isolamento e poder na seca de 1932’’).

O mesmo estudo informa que, entre abril de 1932 e março de 1933, pereceram mais de 1.000 refugiados somente no Campo de Concentração de Ipu.

Ao final da malograda experiência de controle social, no Cariri restaram centenas de crianças órfãs, muitas delas que aqui permaneceriam abrigadas por famílias da região.