11 outubro 2007

"Matozinho vai à Guerra" -- Hoje dia 12 - Sexta-feira !!! Imperdível !

Arquiteto cratense vai lançar livro

Arquiteto Waldemar Arraes Farias Filho lança importante livro

Encontro o arquiteto Waldemar Arraes Farias Filho e ele confirma que, nos próximos dias, deverá lançar seu livro “Arquitetura urbana de Crato, de 1740 a 1960”. Excelente notícia!

No início do século passado as praças, ruas, becos e travessas de Crato possuíam poéticas denominações (que nunca deveriam ter mudado): Rua das Laranjeiras, da Pedra Lavrada, do Fogo, travessa Califórnia, Praça da Matriz, etc. O centro da cidade de Frei Carlos era cheio de prédios bonitos. Mesmo com a economia quase totalmente vinda da atividade rural, o Crato antigo ergueu belos edifícios. A Liga Carmelitana (hoje desaparecida) foi responsável pela construção da bonita capela de Santa Teresa d'Ávila, anexa ao Colégio Santa Teresa de Jesus. A atual Praça da Sé era emoldurada por mansões art noveau. O quarteirão da Rua Miguel Limaverde (criminosamente destruído no início da década 80) tinha casarões de azulejos portugueses nas fachadas...

Vejam a Rua João Pessoa de hoje! Os casarões aristocráticos foram substituídos por prédios feios, quadrados (alguns lembram uma caixa de fósforos) sem falar na proliferação das enormes placas de propaganda, numa triste poluição visual. Alguém dirá: a destruição da memória não ocorreu somente no Crato. Claro. A arquitetura de Oscar Niemeyer, por exemplo, virou modismo na década 60, culminando com a mudança da capital brasileira para esse mostrengo que é Brasília. E essa "arquitetura moderna" se alastrou por todas as cidades brasileiras, levando de roldão o que restava de bonito na área citadina. Vou além. A destruição da nossa memória teve início com o golpe militar de 15 de novembro de 1889, que derrubou nossa monarquia e implantou a república positivista a perdurar até hoje. A ordem era destruir tudo que lembrasse nobreza e aristocracia. Brasília é resultado desse intento! Um único exemplo: as catedrais, em todo lugar, possuem sugestivas e belas torres voltadas para o Céu. Niemeyer, com sua formação atéia, fez a catedral de Brasília de modo oposto: enterrada no ventre da terra. Diferente de todas as catedrais existentes no mundo...

Mas voltemos ao Crato. Muita coisa bonita foi irremediavelmente destruída, como os dois torreões existentes no Seminário São José; a casa dos leões na Praça Siqueira Campos; inúmeras mansões da Praça da Sé... Cuidemos de preservar o que ainda resta e não foi destruído pelos vândalos, sedentos em exterminar nossa memória arquitetônica...

Crato tem um "Conselho de Ministros"

Crato tem um “Conselho de Ministros”

Todos os dias, bem cedinho, eles vão chegando à calçada da Farmácia Gentil, localizada na esquina da Rua Senador Pompeu com Bárbara de Alencar, no centro de Crato. Ali, um grande banco de madeira os espera. Na parede externa, foi afixada uma pomposa placa de inox – encimada com as armas da República brasileira, do Ceará e do Crato – onde consta a inscrição: Conselho de Ministros do Crato. Logo abaixo, outra frase: Turma Diarista da Farmácia Gentil. A seguir consta, na placa, os nomes dos 16 “ministros”.

Quem são eles? São pessoas gradas da sociedade cratense – empresários, advogados, agricultores e aposentados – conhecidos pela população como os integrantes do “Conselho de Ministros do Crato”. Nesses encontros matutinos diários, os “ministros” comentam as últimas notícias; criticam os erros dos governantes e apontam soluções para os problemas que afligem a população brasileira. Por volta das 08h00, eles vão deixando – um a um – o banco de madeira. Dirigem-se às suas empresas, escritórios e residências. Terminou mais um encontro do “Conselho”.

Esta é outra peculiaridade de Crato, uma terra rica em manifestações sociais, onde até os encontros informais, como esses, ganham ares de formalidade. Basta lembrar que a solenidade de afixação da placa citada, ocorrida no último 21 de junho – Dia do Município de Crato – teve a presença do mais conhecido cerimonialista da cidade, o radialista Huberto Cabral.

Sempre existiu em Crato um ponto de encontro dos profissionais e homens de negócios da cidade. No primeiro quartel do século passado, a Farmácia Central, localizada na Travessa Califórnia (hoje Rua Bárbara de Alencar), propriedade do poeta e intelectual José Alves de Figueiredo – conhecido como Zuza da Botica – servia para esses encontros diários.

Já na década 40, o local mais freqüentado pelas lideranças cratenses era o Café de Isabel Virgínia, localizado na Rua Santos Dumont. Foi ali, em 1944, que nasceu a idéia da realização da primeira exposição agropecuária de Crato, hoje conhecida como Expocrato, que este ano chegou a sua 56ª versão. Presentemente, a calçada da Farmácia Gentil tornou-se o novo ponto de encontro mais conhecido da cidade.