07 outubro 2007

Pe. Ágio, uma história pra não esquecer!

Na comunidade do Belmonte, localizada nas encostas da Chapada do Araripe, vive um homem com muitas estórias pra contar! Na verdade, seja como Sacerdote ou como pessoa de notória sensibilidade artística, eis um homem para a história contar!
Natural de Assaré, este lúcido e alegre pregador, abraçou à cidade de Crato e aqui semeou. Semeou uma das mais intrigantes escolas de músicas, que tem como causa maior a educação musical, profissional e espiritual de uma comunidade rude. As vésperas de completar os seus bem vividos e prósperos 90 anos, Pé Ágio é uma figura simpática, agradabilíssima com quem estive a conversar. Quando se conversa com estes senhores de vivência, manda à lógica que ouçamos, assim fiz, dei-lhe ouvidos.
O Monsenhor que Padre é pela vontade popular, contou-me estórias, muitas e boas! Por exemplo, sobre a fundação da Sociedade Lírica do Belmonte, sobre o projeto em andamento de gravação de um CD, tendo como repertório as músicas de seu irmão David Moreira, dos livros lançados e sobre a sua família dentre outras...
Mas nenhuma, nehuma era tão curiosa quanto à da foto de um de seus entes queridos! Na parede estavam retratos de toda família, sendo que uma mereceu que eu trouxesse ao conhecimento de vocês, caros leitores.
De olhos bem abertos, vivos, a foto do seminarista seu irmão que em vida não tinha registro fotográfico, fora tirada pelo prodigioso fotógrafo Júlio Saraiva, isso quando o retratado encontrava-se na urna mortuária, acreditem!
É pura verdade, conta entusiasmado! Esta é uma história real do morto que ficou vivinho pelos caprichos de uma artista que não se valeu de nenhum artifício de computação gráfica, apenas de seu talento.
Estão duvidando? Façam uma visita ao Pe. Ágio, esta adorável figura e peça pra ver as fotos do antes e do depois!
Eu bem poderia ter feito uma réplica para mostrar aqui, mas, o meu propósito é que vocês caros amigos, vão ao Pe Ágio e lhe faça uma visita. Com certeza ele ficará muito feliz.
Nas fotos, o Padre que também é escritor e que já foi regente da orquestra, está em plena atividade, pregando divinamente e na outra, autografando o seu livro,
“O cajueiro”, sua fruta predileta!
Gente, confesso que ganhei o domingo!
Pachelly Jamacaru.
Só no Brasil

Oxímoro é, segundo o dicionário Houaiss, uma figura de retórica na qual se combinam palavras de sentidos opostos que parecem excluirem-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam uma expressão. Por exemplo: o grito do silêncio, silêncio ensurdecedor, obscura claridade, contentamento descontente, ilustre desconhecido, e por aí vai. Escola Superior de Guerra, noutro exemplo, é um oxímoro, na opinião de Millor Fernandes. Segundo ele, sendo de guerra não poderia ser superior.Pois é. O Brasil, além de tudo, é mesmo um país oximoroso. O autor da descoberta é o professor de português Sérgio Rodrigues. Há um tremendo oxímoro que não sai das manchetes dos jornais nos últimos dias:"Conselho de Ética do Senado"
Visita de George Gardner ao Crato

Uma vida breve e rica! Assim poderia ser sintetizada a existência de George Gardner, Naturalista, Botânico Memorialista, Intelectual, Pesquisador, Escritor, Ensaísta e Cientista inglês, nascido em Glasgow, Escócia, no dia 02 de maio de 1812. Naquela cidade, ele iniciou seus primeiros estudos. Graduou-se em Medicina e Botânica. Muito jovem, aos 24 anos, iniciou uma visita de estudos ao então Império do Brasil.

Fruto dessa viagem – feita com o objetivo de estudar, observar e pesquisar o Império dos Trópicos – foi a publicação, em 1846, três anos antes da sua morte, de um livro que somente um século depois, foi traduzida para o Português por Albertino Pinheiro, com o título “Viagem ao Interior do Brasil”. (São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942. 468 p.)

Ali consta: ao final da tarde do dia 9 de setembro de 1838, após ter cavalgado sobre terra plana e arenosa, de ter contemplado grandes plantações de cana, onde sentiu o cheiro do mel vindo dos engenhos de rapadura, a invadir a atmosfera com seu aroma adocicado, Gardner avistou o Crato. Extasiado com a beleza da localidade, ele escreveu as linhas abaixo:

"Impossível descrever o deleite que senti, ao entrar neste distrito, comparativamente rico e risonho, depois de marchar mais de trezentas milhas através de uma região que, naquela estação, era pouco melhor que um deserto.

A tarde era das mais belas que me lembra ter visto, com o sol a sumir-se em grande esplendor por trás da Serra do Araripe, longa cadeia de montanhas, a cerca de uma légua para Oeste da Vila, e o frescor da região parece tirar aos seus raios o ardor que pouco antes do poente é tão opressivo ao viajante, nas terras baixas.

A beleza da noite, a doçura revigorante da atmosfera, a riqueza da paisagem, tão diferente de quanto, havia pouco, houvera visto, tudo tendia a gerar uma exultação de espírito, que só experimenta o amante da natureza e que, em vão eu desejava fosse duradoura, porque me sentia não só em harmonia comigo mesmo, mas “em paz com tudo em torno".

Nem tudo foi elogio na passagem de Gardner por Crato. Aqui, ele teve oportunidade de assistir aos festejos de Nossa Senhora da Penha, padroeira da localidade, citada por ele erroneamente como Nossa Senhora da Conceição. As manifestações da cultura popular, presentes nos festejos religiosos, não lhe agradaram. Um exemplo disso foi a banda cabaçal, assim descrita pela naturalista: “...uma banda de música, com dois pífanos e dois tambores, mas a música era desgraçada...”
Não imaginava ele que aquela música, de resistência da população indígena ao colonizador português, viria a ser o que é hoje. Que o digam os Irmãos Anicetos...

COLUNA “CARIRI” (JORNAL O POVO - EDIÇÃO DESTE DOMINGO)

TARSO ARAÚJO

PRESTÍGIO
O bispo diocesano de Crato, dom Fernando Panico, viajou para Aparecida do Norte na última sexta-feira, 5. Neste domingo, ele fará a homilia principal durante o novenário em louvor a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A pregação de dom Fernando poderá ser vista através da TV Aparecida.

ANOTE: ABAIARA
Abaiara, uma das menores cidades do Cariri, surgiu na metade do século XIX em torno de uma capela dedicada a São Pedro, localizada na parte baixa da localidade. Mais tarde, em 1869 - durante uma visita missionária do Padre Ibiapina - a povoação, por sugestão do sacerdote, foi deslocada para a parte alta. Ali, desenvolveu-se em torno da nova capela do Imaculado Coração de Maria, atual padroeira de Abaiara. Nos primórdios, a vila tinha o nome de Dom Pedro II. Posteriormente mudou para Abaiara, que na língua tupi significa: "varão ilustre, pessoa importante". Relembrando a figura nobre e insigne do segundo Imperador do Brasil.

PERDENDO POSIÇÃO
Orgulho caririense em baixa: o monumento ao Padre Cícero - localizado em Juazeiro do Norte com 33 metros - foi inaugurado em 1969. Àquela época, era o terceiro maior do mundo. De lá para cá, a estátua do sacerdote foi caindo de posição. Hoje quem ocupa o 3º posto no mundo é o monumento dos imperadores chineses Huangdi e Yandi, com 103 metros de altura. Pior: mesmo comparando com outros monumentos do Ceará, o do Padre Cícero caiu para a 3ª posição, já quem em Chorozinho a estátua do Menino Jesus de Praga tem 46 metros e em Canindé a de São Francisco mede (sem o pedestal- foto) 30,25 metros... O PODER DA FÉ Já chegou a Juazeiro do Norte o tubo de aço destinado à última viga de concreto da igreja do Bom Jesus, que está sendo construída na Serra do Horto. O tubo, que custou R$ 81 mil, pesa sete mil quilos e foi importado do México. Quando concluído será o maior templo do Cariri e uma das maiores igrejas do Brasil.

"CICIM DO PAU DO GUARDA"
Este nome, para quem não é de Crato, além de exótico, parece engraçado. Mas para os cratenses - e para muita gente do Cariri - "Cicim do Pau-do-Guarda" é uma lembrança da cidade de frei Carlos nos bons tempos de outrora... Cícero Ribeiro Lobo - ou Cicim do Pau-do-Guarda - ganhou este apelido ao fundar, em 1954, o famoso e saudoso restaurante Pau-do-Guarda. O restaurante ficava em frente a um posto-fiscal, na saída de Crato para Juazeiro do Norte, onde existia um pau-cancela. Esse pau-cancela era manuseado por um guarda fiscal, visando controlar o fluxo de carros que transportavam cargas e mercadorias, passando a ser conhecido pela população como o "pau-do-guarda". Hoje aposentado, Cicim - no alto de suas quase oito décadas de vida ­- é um homem estimado e respeitado pela população da sua terra natal.

PROMESSA CUMPRIDA
A Construtora Coral ganhou a concorrência para construção do desvio da rodovia que passa dentro do bairro Batateiras, em Crato, palco de muitos acidentes que resultaram em dezenas de mortes humanas. Promessa de campanha do governador Cid Gomes, a obra - orçada em R$ 1 milhão e 400 mil - deverá estar concluída no início de janeiro de 2008.

MECENAS
O médico Welington Alves de Sousa (o conhecido Tonton) voltou a residir em Fortaleza. Ele vem de doar cerca de 700 livros à biblioteca do Instituto Cultural do Cariri (ICC). Verdadeiro mecenas, Tonton prometeu ainda à diretoria do ICC novas doações de exemplares existentes na sua biblioteca particular mantida em Crato.

ITAYTERA
E por falar em Instituto Cultural do Cariri (ICC), a nova edição da revista Itaytera, órgão oficial da instituição, está em fase de gestação. A nova edição - além de ser comemorativo ao jubileu de ouro de fundação da entidade - servirá também para atualizar os números da revista em atraso. Nos últimos tempos, a diretoria do ICC centralizou esforços na construção da sede própria, o que foi efetivamente feito.

PROGRESSO
Juazeiro do Norte ganhará em breve a segunda filial das Lojas Americanas. Grande construção está sendo feita no centro da cidade, na Praça Padre Cícero, no local onde existia o palacete do industrial Ivan Bezerra.

TÚNEL DO TEMPO
15 de dezembro de 1957, um domingo. O Cariri amanheceu molhado pela chuva da noite anterior. Naquele dia, Barbalha participou - pela primeira vez - de uma ordenação sacerdotal de um filho da terra. Tratava-se do jovem Francisco Murilo de Sá Barreto. Este ano, a comunidade do Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte vai lembrar os 50 anos de ordenação sacerdotal do saudoso monsenhor Murilo (foto). Que dedicou seu sacerdócio, de 48 anos, aos romeiros e a Terra do Padre Cícero.

APOIO
O deputado federal José Arnon (PTB) ocupou os microfones da Rádio Vale FM de Juazeiro do Norte para reafirmar seu apoio à administração do prefeito Raimundo Macedo (PSDB). É que nos últimos dias corria nos bastidores da política juazeirense que Bezerra estaria deixando a base de apoio ao prefeito de Juazeiro.

ABRAÇO FORTE...
Um abraço forte a alguns leitores da coluna: o deputado estadual Ely Aguiar; o professor universitário José Nilton Figueiredo; o pesquisador Armando Rafael; o médico Napoleão Tavares Neves e o juiz aposentado Sávio Leite Pereira.