24 setembro 2007

DUELO AO PÔR DO SOL - Mais uma aventura de João de Barros - Parte 5

O.b.s - movido para a seção contos, na aba lateral direita, devido ao tamanho.

José do Vale Feitosa


Os Brasileiros e o Aquecimento Global




As gentes do mundo estão com as mentes aquecidas. Pelo tronco e membros seus sentimentos subiram de temperatura. Trata-se do Aquecimento Global em dois tempos. Primeiro o Protocolo de Kioto e depois o filme, vencedor do Oscar de Hollywood em 2007, Uma Verdade Inconveniente do ex-vice-presidente americano Al Gore. Em ambos os tempos há um enredo dos EUA. O primeiro por ausência protecionista e o segundo pelo grito acusatório. Protejam-se os ativos econômicos do Grande Império. Só o Império dirá quando, como e onde agirá. Por outro lado, condene-se a humanidade pelo enorme crime ecológico que promove com sua mania de querer os valores da moderna civilização. No primeiro passo proteja-se o particular e no segundo condene-se o coletivo dos povos.

Nesta semana mesma o Presidente do Brasil estará numa reunião da ONU tratando do Aquecimento Global. Este é o melhor fórum para se tratar do assunto. Formam-se convicções entre os povos e buscam-se convergências na Assembléia das Nações. Poderia haver algo melhor que esta dinâmica, mas esta é a mais racional entre as possibilidades. Em primeiro lugar diz a publicação RETRATO DO BRASIL, da Revista Carta Capital, "O filme do ambientalista americano que vende a prova do aquecimento global não tem ciência: é uma tese interesseira e simplória". Portanto o Aquecimento Global não pode ser vendido como um evento Hollywoodiano, como uma produção mitológica própria dos "guerras nas estrelas" e outros filmes a estilo infanto-juvenil que move "corações e mentes".

Na verdade sempre existiram pequenos ciclos (em termos das eras glaciais) de aquecimento e resfriamento do planeta. Em pleno século XV houve um arrefecimento do hemisfério norte com progressão de geleiras, dos bancos de gelo e agravamento dos invernos, levando por conseqüência a interrupção da rota do Vikings no rumo da Groenlândia. Durante o reinado de Luís XIV na França, houve a "pequena era glacial" com repercussões sobre a produção de cereais da Europa e nos arrozais da Ásia.

Mais dramáticas são as visões que os grandes meios de comunicação passam a antecipar desde que passaram a formar opiniões em massa na humanidade. Segundo Carta Capital de 1 de setembro de 2007 a imprensa americana, ao longo do século XX fez um jogo de esquenta e esfria em suas visões do futuro. Segundo a imprensa americana: 1912: A terra está esfriando; 1952: a Terra está esquentando; 1975: A terra está esfriando; 2006: a Terra está esquentando.

Portanto as pessoas que se sentem culpadas e apontam para os substantivos abstratos, ou seja, o outro coletivo, não expiem suas culpas, somente pensem e debatam. A humanidade não é nem má e nem boa, isso é categoria de vida prática para quem amanhece com a luz do sol e entardece com as sombras da noite. O grande dom da humanidade é ser racional. Use-a e avance na sua própria compreensão e na do mundo em que se encontra (ou melhor, faz parte de modo inseparável).

Há uma curva de aquecimento? Tudo leva a crer que há. Existem provas que a atividade humana seja a grande causa? Não. Apesar do consenso do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climáticas, criado por duas entidades da ONU, ter alertado neste sentido. Primeiro é preciso entender que o efeito estufa é fator de equilíbrio e manutenção da vida na terra e não este "ser maligno que a mitologia moderna criou". Segundo a fotossíntese (que gera a fixação do oxigênio e de energia) não é uma produção essencial das grandes florestas, mas do mar: enquanto as florestas fixam 11 bilhões de toneladas ao ano e a vida na terra inteira 16,6 bilhões, os mares fixam 122,6 bilhões. Terceiro a produção de CO² é o reverso da fotossíntese e faz parte do fluxo do carbono na natureza.

Se há um consenso que a atividade humana esteja por trás da disparada da temperatura global, por que a dúvida? O consenso se baseou na famosa curva hockey stick de autoria de Michel Mann que a publicou na Nature e depois virou a vedete da campanha presidencial de Al Gore em 2000. A curva apresenta uma série de medidas de temperatura no hemisfério norte que se mantém estável por mais de mil anos e nos últimos cem anos se eleva abruptamente. Depois se buscando amostra de atmosfera presa na profundeza das geleiras, tenta-se estimar a proporção de CO2 dos tempos remotos ao mesmo tempo em que usando os dados de uma estação no Havaí se estimam as temperaturas passadas. Acontece que o mundo é diversificado e os dados de única estação não representam o total de acontecimentos de temperaturas distintas, então o máximo que se pode afirmar é que são os dados de temperatura na região mensurada. Por outro lado dizer-se que o CO2 aprisionado nas bolhas de ar das geleiras antigas correspondam ao que acontecia na ocasião é passível de erros, pois o próprio CO2 poderia reagir com elementos em sua volta, bem como escapar do espaço aprisionado e a estimativa de sua concentração seria puxada "para baixo".

Portanto a posição da humanidade não é ser tangida como boiada. É compreender mais e melhor seu ambiente natural, econômico e social, pois ambos fazem parte da mesma equação que é a vida em sociedade. A civilização urbana se consolida até os anos 50 do terceiro milênio e temos tudo a ganhar e nunca a se desesperar.


Os dados científicos deste texto foram retirados do caderno RETRATO DO BRASIL, da Revista Carta Capital de 1 de setembro de 2007. O título do texto é: Desconstruindo Gore. Quem tiver a oportunidade de ler toda a série publicada o faça.