23 setembro 2007

A Mãe do Belo Amor


Texto: Armando Rafael

A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é parte importante da história de Crato e integra o imaginário popular desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da Cidade-Princesa – que data do segundo quartel do século XVIII. Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários.Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda, embrião da cidade do Crato. Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos, isto é, até a chegada da segunda imagem que seria venerada como Padroeira do Crato.Na segunda metade do século XX, um conhecido e respeitado ancião cratense, o Sr. José da Silva Pereira, secretário do Apostolado da Oração de Crato, escreveu ao então vigário da Catedral, Monsenhor Francisco de Assis Feitosa, um documento, do qual extraímos o texto a seguir transcrito:“Há na nossa Catedral três imagens que representam nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha. O que vou narrar nestas linhas se refere somente à primeira, que é a menor das 3, esculpida em madeira, como as duas últimas. Trata-se de uma bela imagem que honra a arte antiga e a habilidade de quem a preparou. Segundo dizem os antigos, ela tem para mais de duzentos anos, mas nada deixa a desejar às que se fazem atualmente. Pertencendo ao número das imagens aparecidas, ela tem também a sua lenda bastante retocada de suave poesia. Conta-se que fora encontrada em poder dos índios (sem dúvida os Cariris), passando às mãos de pessoa civilizada. Aqui toma vulto a lenda que gira em torno do seu nome, pois afirmava que, repetidas vezes, ela voltara ao cimo de pedra onde os indígenas a veneravam. Este fato miraculoso deu lugar à fundação da Capela, onde hoje é a nossa Catedral, naquele mesmo sítio, tão profundamente respeitado. Quanto à idade que lhe atribuem, provam-na os documentos referentes à fundação da povoação hoje transformada nesta importante Cidade do Crato. Para mais corroborar o misticismo que a tradição empresta à nossa querida santa, ocorre que a mesma desapareceu de nossa igreja há mais de cinqüenta anos, voltando agora aos seus penates, onde está sendo venerada por grande numero de fiéis. Os antigos deram-lhe o nome de “Belo Amor”, o que prova a piedade filial dos nossos antepassados. Respeitemos o passado, sua história, suas tradições e suas lendas, que nos falam sempre daqueles que abriram caminho a nossa vida”.

Efeméride


2008 assinalará 240 anos de instalação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Crato, fato ocorrido em 4 de janeiro de 1768. A humilde capelinha de taipa, coberta de palha - construída pelo fundador da cidade, frei Carlos Maria de Ferrara, em 1740 - foi sendo ampliada e, em 1914, ganhou status de catedral, com a criação da diocese. O Cura da Sé, padre Edmilson Neves, anuncia novos melhoramentos para o vetusto templo. Entre eles, o novo piso, cujo dinheiro para aquisição já foi conseguido com doação dos fiéis.
(Coluna O Cariri, de Tarso Araújo, no Jornal O Povo de 23-09-07)

FotoMemória: Leonel Brizola visita o Crato

Foto: Luiz José

Leonel Brizola, um dos maiores mitos da história política do Brasil, esteve no Crato, em 1989, em campanha para presidente da República. Nesta foto, ela estava na redação do Jornal Folha Liberal, na gráfica Universitária, de propriedade de Lázaro Fontenele. Acompanhavam-no, os então deputados federais, Lúcio Alcântara e Édison Silva, e os cratenses Emerson Monteiro e Humberto Mendonça, na época, todos ligados ao PDT, partido fundado por Brizola. Ainda no Crato, Brizola fez campanha, participando de reunião com lideranças cratenses, no Palácio do Comércio e fazendo pequeno comício na Praça Siqueira Campos.
Naquela primeira eleição direta para Presidente da República, após o regime militar implantado em 1964, Brizola ficou em terceiro lugar. Perdeu para Collor e para Lula. Mas, independente do resultado, Brizola foi um dos grandes vencedores na política brasileira, graças à sua história de homem público coerente ideologicamente e ilibado no trato da coisa pública.

Foto do dia: Pedra do Picoto - Chapada dp Araripe - Crato - CE