19 setembro 2007

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URCA promoverá seminário sobre Cultura Popular


A Universidade Regional do Cariri - URCA, através do Instituto Ecológico e Cultural - IEC e a Pró-Reitoria de Extensão, realizará, no período de 17 a 20 de outubro próximos, no campus Pimenta, o seminário com a temática Cultura Popular - Patrimônio do Povo. O evento tem como objetivo debater sobre as origens e as influências da cultura popular e a formas de sobrevivência dos grupos de brincantes do Cariri.
O evento será constituído de palestras, mesa-redonda, oficinas, exibição de documentários e vivência em terreiro de mestres da Cultura Popular. As inscrições podem ser efetuadas no Campus Pimenta, no Crato, no escritório do IEC.
O evento marca o início de uma série de atividades previstas para compreensão da arte popular, como criação de "site", formação de grupo de estudo e revitalização do grupo de reisado dos alunos da URCA.

Fonte: Assessoria de Imprensa da URCA
Texto: Alexandre Lucas

CD: Chico Paes - O velho sanfoneiro de Assaré !


O velho sanfoneiro de Assaré

De Assaré vem o som de uma sanfona que vale por uma pequena orquestra. Chico Paes, 80 anos, cujo CD “Os oito baixos de Chico Paes”, registra 15 de suas composições.

Nome estranho para se dar a um instrumento musical. Pé-de-bode costuma batizar a sanfona de oito baixos, também conhecida como harmônica. Em tempos de eletrificação - que também poderia ser chamado de pasteurização - dos ritmos nordestinos, ela se encontra quase abandonada. Poucos se atrevem a encarar o desafio de tocá-la, por exigir uma técnica mais complexa e ser menos “espetacular” que outras sanfonas.

Entre aqueles que, ao talento, acrescentam ousadia, encontra-se o velho Chico Paes. Natural de Assaré, terra do poeta Patativa (1909 - 2002), Chico conta com 80 anos de vida. Boa parte deles, passados ao lado do instrumento que aprendeu a tocar sozinho, escondido do pai, também sanfoneiro. Se os caminhos do aprendizado não foram os melhores, aqueles que Chico trilhou após dominar os oito baixos foram - se não mais fáceis - ao menos mais alegres. Sanfoneiro conhecido, ele percorreu diversas localidades no Cariri e nos Inhamuns, varando noites e animando festas ao som de sua música.

“Os oito baixos de Chico Paes” é o primeiro CD gravado pelo sanfoneiro e apresenta 15 de suas composições. Apesar da dificuldade imposta pelo instrumento, o sanfoneiro esbanjou virtuosidade na gravação do disco: alugou o estúdio por uma hora e saiu de lá com um disco de 50 minutos gravado. Quem escuta as canções de Chico tem dificuldade para a creditar que todos os sons registrados no CD saem de um único instrumento.

O disco de Chico Paes é o terceiro lançamento do selo Som do LEO, braço fonográfico do Laboratório de Estudos da Oralidade, grupo que reúne pesquisadores da UECE e da UFC. Antes dele, o selo já havia posto em circulação “Ao pife”, de Alfredo Miranda e “Missa Breve do Sertão”, de Vanda Ribeiro Costa.

Nota: pequena homenagem do Blog do Crato a esse exímio sanfoneiro descendente de uma elite de sanfoneiros que praticamente criaram uma forma peculiar de tocar o "pé-de-bode", com harmonias inusitadas, ritmos complexos, derivados da valsa e da mazurca européia somados aos nossos temas regionais mais brilhantes.

Viva Chico Paes!

Clique no player abaixo para escutar o som de Chico Paes:

TVCrato: Jornalista A. Vicelmo entrevista um dos últimos remanescentes do Massacre do "Caldeirão"



O Jornalista Antonio Vicelmo entrevista um dos últimos remanescentes do massacre do Caldeirão, que supostamente, teria ocorrido em 1937.

Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Missa nas ruínas da igreja do Caldeirão.

Missa nas ruínas da igreja do Caldeirão.

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras no Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço.

No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na Religião.

História

Sítio Baixa Dantas

José Lourenço trabalhava com sua família em latifúndios no sertão da Paraíba. Decidiu migrar para Juazeiro do Norte, onde conheceu Padre Cícero e ganhou sua simpatia e confiança. Em Juazeiro conseguiu arrendar um lote de terra no sitio Baixa Dantas, no município do Crato. Com bastante esforço de José Lourenço e os demais romeiros, em pouco tempo a terra prosperou, e eles produziram bastante cereais e frutas. Diferente das fazendas vizinhas, na comunidade toda a produção era dividida igualmente.

José Lourenço tornou-se líder daquele povoado, e se dedicou à religião, à caridade e a servir ao próximo. Mesmo analfabeto, era ele quem dividia as tarefas e ensinava agricultura e medicina popular. Para o sítio Baixa Dantas eram enviados, por Padre Cícero, assassinos, ladrões e miseráveis, enfim, pessoas que precisavam de ajuda para trabalhar e obter sua fé. Após o surgimento da Sedição de Juazeiro, da qual José Lourenço não participou, suas terras foram invadidas por jagunços. Com o fim da revolta, José Lourenço e seus seguidores reconstruíram o povoado.

Em 1921, Delmiro Gouveia presenteou Padre Cícero com um boi, chamado Mansinho, e o entregou aos cuidados de José Lourenço. Os inimigos de Padre Cícero, se aproveitaram disso espalhando boatos de que as pessoas estariam adorando o boi como a um Deus. Por conta disso, o boi foi morto e José Lourenço foi preso a mando de Floro Bartolomeu, tendo sido solto por influência de Padre Cícero alguns dias depois.

Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

Em 1926, o sítio Baixa Dantas foi vendido e o novo proprietário exigiu que os membros da comunidade saíssem das terras. Com isso, Padre Cícero resolveu alojar o beato e os romeiros em uma grande fazenda denominada Caldeirão dos Jesuítas, situada no Crato, onde recomeçaram o trabalho comunitário, criando uma sociedade igualitária que tinha como base a religião. Toda a produção do Caldeirão era dividida igualmente, o excedente era vendido e, com o lucro, investia-se em remédios e querosene.

No Caldeirão cada família tinha sua casa e órfãos eram afilhados do beato. Na fazenda também havia um cemitério e uma igreja, construídos pelos próprios membros. A comunidade chegou a ter mais de mil habitantes. Com a grande seca de 1932, esse número aumentou, pois lá chegaram muitos refugiados. Após a morte de Padre Cícero, muitos nordestinos passaram a considerar o beato José Lourenço como seu sucessor.

Devido a muitos grupos de pessoas começarem a ir para o Caldeirão e deixarem seus trabalhos árduos, pois viam aquela sociedade como um paraíso, os poderosos, a classe dominante, começaram a temer aquilo que consideravam ser uma má influência.

Sobreviventes do ataque ao Caldeirão.
Sobreviventes do ataque ao Caldeirão.

Em 1937, sem a proteção de Padre Cícero que falecera em 1934, a fazenda foi invadida, destruída e os sertanejos divididos, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade, a qual, tempos depois, foi invadida novamente, mais dessa vez por terra e pelo ar, quando aconteceu um grande massacre, com oficiais 400 mortos.

José Lourenço fugiu para Pernambuco, onde morreu aos 74 anos, de peste bubônica, tendo sido levado por uma multidão para Juazeiro, onde foi enterrado no cemitério do Socorro.

Caldeirão hoje

Atualmente, 42 famílias revivem o sonho coletivo de produção idealizado por José Lourenço, num sítio denominado Assentamento 10 de Abril, a 29 km do centro do Crato. Porém sem ostentar a grandeza atingida pelo Caldeirão do beato José Lourenço.


Quem você indicaria para ser membro do BLOG DO CRATO ?

Olá, pessoal,

Sabe-se que na região do cariri há muita gente que escreve bem, e que com certeza, merece fazer parte do nosso quadro de membros.
Quem vc indicaria para fazer parte do nosso quadro no Blog ?
Claro, de preferência, pessoas que já acessam a internet, a não ser que alguém queira postar por elas. Também não precisa morar necessariamente no cariri, desde que fale essencialmente de coisas da nossa região, e que tenha um nom domínio da escrita.

E aí, sugestões ???

Abraços,

Dihelson Mendonça

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