12 setembro 2007

NOSSO ENCONTRO




Tequinha, estou arrasado.
Tanto de mim se deu para encontrar-me transcendental.
Após uma longa exercitação, achei que, em mim, havia dois.
Um deles de carne e osso, sofrendo as intempéries do tempo e do espaço. Suando no trabalho multiplicador de meios, que servem mais aos outros do que a mim mesmo. Sangrando nos campos das guerras que apenas honram os guerreiros acólitos dos senhores. Finalmente se acabando em carne putrefata e no rastro de ossos de um patrimônio findado.
O outro etéreo, infinito e virtual. Somando-se à vontade criadora de todas as coisas, ajustando-se à perfeição que equilibra todos os movimentos, num estado sem sentidos, sem sentimentos, sem tudo que se diz eu, nascimento, vida e morte.

E foi assim Tequinha, que passei a admoestar minhas carnes e ossos em razão do outro que se soma ao todo e a tudo. Tantos livros eu li, tantos salmos repeti, quantos mantras regurgitei. Virei ao avesso os conceitos físicos e viajei em luzes e cores, pois ainda era prisioneiro dos sentidos.
Afinal compreendi que tudo era o estímulo do espírito em detrimento desta materialidade. Daquela que aí ficou só para sofrer os desafios dos céus e, nos espinhos da realidade, se aperfeiçoar, sucessivamente, até encontrar-se na generalidade que tudo pára. Era este o exercício da espiritualidade como a luta entre o médico e o monstro. Tratava-se de aperfeiçoar-se como ponto preferido da criação. Como, na Bíblia, existe um povo escolhido, queria ser, daquele que havia me dado a transcendência, o preferido.

E aí Tequinha o meu corpo virou escravo de mais um lavor. Aquele que lê, medita, ritualiza, abebera-se do vinho que tonteia a realidade. Mesmo que algum dízimo não doasse dei os passos nas mesmas regras que os mestres ensinaram-nos que os desse. As horas e os dias marcados, os sabores escolhidos, o ferino rito de separar o joio do trigo, a rosa dos espinhos, o mundo dos céus. Eu em dois.
E assim os dias amanheceram e permaneceram os mesmos, pois a ordem que os sequencia não permitia uma outra jornada que não aquela separação entre o bem e o mal que me causam. Aprendi os decálogos que dividem, as listas negras daquilo que se exclui, os pingos para cada "i", as portas permitidas e aquelas interditas.

Pois bem, Tequinha, quando estava com um navio carregado de regras, o horizonte se anuviou e tempestades despejaram a carga ao mar. Quando o barco adernou e me joguei nas águas, os braços cansados me levaram até a praia.
Foi nesta hora que aconteceu. O sol iluminou um metal e ao pegá-lo na areia, tudo me foi revelado. Era uma moeda de ouro muito valorizada. Com ela poderia comprar o corpo de uma prostituta, o punhal de um assassino, a droga que mente sobre nós mesmos. Poderia comprar o abrigo e lá ficar longe do relento.

Tequinha, estou arrasado.
Todo o meu exercício de transcendência não fora uma conquista. Ela já estava no mundo. Bem matéria, sólida e convencional. É o dinheiro quem tem entre os seres humanos a mais universal noção da divindade: é onipresente, onisciente e onipotente.

A hora e a vez de Pachelly Jamacaru - Exposição!


Um mestre da Fotografia!

No Sopé da Chapada do Araripe, na pequena cidade de Crato-CE, se esconde uma das maiores inteligências fotográficas do Nordeste, ainda para ser revelado.
A maioria das pessoas ainda não conhece o seu trabalho. Seu jeito tímido, alheio ao mundo da fama dos grandes espetáculos, das grandes exposições badaladas, sempre na sua grande humildade dos gênios reclusos, não se importa muito que o mundo babe os desprovidos de talento, e não o tenha ainda reconhecido em alta conta.

Esse grande da fotografia, se chama Pachelly Jamacaru, que possui o maior atributo à todos aqueles que se dedicam a essa grande arte: O olhar, a consciência fotográfica, de que não se deve apertar o botão do obturador para registrar uma mera bobagem! Em toda foto existe um sentido, uma idéia que lhe é única, ou que se registra um momento único.
Nas palavras do próprio Pachelly:

"A fotografia fala por si. As palavras, quando muito, observam!"

E Pachelly não deixa por menos.
O homem que também é um grande compositor popular, possui o olhar que está para a lente, como o ouvido privilegiado do "desafinado" do Tom Jobim está para a música. Ou seja, para poucos.

Alguns dos trabalhos desse raro talento estarão em exposição, do dia 11 ao dia 30 de Setembro no SESC Crato. Ontem, dia 11 de setembro, foi a abertura.

Estive lá e fiz a cobertura fotográfica, e filmagem:

-> Clique nas fotos para ampliar! -

Entre Reis e Príncipes...




Intelectuais empolgados e cheias de idéias novas...


Pessoas essenciais...




O Blog DemoCrato estêve presente - George Macário


As brincadeiras com a câmera...


O reencontro dos velhos amigos...


O salão cheio de guloseimas para quem sabe apreciar...



O Fotógrafo que fotografa a fotografia...



Pessoas que fazem toda a diferença do mundo...



Pessoas alegres e descontraídas...


Artista e Produtora...



O Homem e sua obra...


Quem desejar ver a cobertura fotográfica total ( principalmente aqueles que não apareceram nessas poucas fotos ih ih ), podem vê-las num álbum que preparei especialmente para essa cobertura, no link abaixo:

Clique aqui para ver a cobertura completa!


E quem desejar conhecer um pouquinho do trabalho do Pachelly Jamacaru, acesse o link abaixo:

http://www.flickr.com/photos/11001724@N06/sets/72157601955460907/


Abraços,

Dihelson Mendonça
www.blogdocrato.com