12 agosto 2007

Em nome do pai, em nome do filho.

Li uma vez que o Budismo defende que a vida tem seu sofrimento implícito. Que ele faz parte dela, e vice-versa. São parceiros, algo assim. E que através da meditação, assim como de outros rituais singulares, podemos viver em contato com essa verdade essencial. E aceitá-la.

Claro que o que escrevo acima é uma consideração superficial. Não saco porra nenhuma da tal religião oriental. Nunca tive um real interesse no assunto. Travei contatos com amigos praticantes. Li um livro bacana de contos Zen, chamado A Tigela e o Bastão – cheio de fábulas belas e estranhas pro meu entendimento meia boca. E, vez ou outra, fantasio que posso algum dia me entregar a rituais. Tais como meditação.

Deve ter algo a ver com aquela fase genial dos Beatles indo pra Índia e prostrados na capa do Sgt. Pepper's. Ou com os pés descalços do Paul na capa do Abbey Road.

***

Quando meu filho nasceu, não tive tempo suficiente pra nenhum pensamento semelhante a este. Cheio de referências e bobagens. Foi a mais pura emoção, em estado bruto. O maior momento da vida de um sujeito, um ápice. Eu flutuei sem ter que, necessariamente, articular o famoso “Aoooooooooooon”.

As pequenas coisas ganharam uma proporção maior. Dilatavam-se, explodiam. E eu mantinha meu querido silêncio ruidoso; zilhões de coisas sendo ditas em meu olhar falsamente sossegado no corredor daquela maternidade.

Lembro-me que pensei o quanto seria foda dali em diante manter velhas escolhas. Tatuagens, salutares hábitos etílicos, uma vida dotada de alguma alegria, os meus discos do Jethro Tull. Por mais que isso pareça estúpido, no momento citado acima foi o que me veio à mente: eu nunca mais seria o mesmo; estava enfiado num caminho sem volta de sisudez, seriedade e um bocado de tédio.

Pensava nessas coisas que qualquer um pensa quando saca que tem pela frente uma responsabilidade desse porte.

Porém, no momento em que eu me achava – ou seja, uma confusão dos diabos -, avistei outras possibilidades. Sendo a principal delas a de que meu menino vai me conhecer do jeito que sempre fui. O melhor de mim, o que quer que isso signifique.

Então fiz uma viagem inversa. E busquei amigos de bairro, velhos "souvenirs" esquecidos, músicas, sonhos. Redescobri na minha “persona” o sujeito desassossegado de sempre. Voltei a pensar nas minhas futuras outras tatuagens. Em cervejas, discos do Jethro Tull e do Ira!, fotos onde meus cabelos eram longos, carteiras de cigarro, quadrinhos do Frank Miller, conversa fiada no banco da praça em frente à minha rua e os livros.

Compreendi que o ele precisa de um pai que seja sincero consigo mesmo. E, como conseqüência, se torne um cara menos rasteiro.

***

O nascimento de Bernardo me ligou irremediavelmente à vida. Terei de aceitar o que vier dela. Assim como pregam os budistas de cabeças raspadas e longas túnicas vermelhas e amarelas. A nos dizer, com aquele risinho transigente, que não temos lá tantas escolhas assim. Mas que, apesar de tudo, esse negócio chamado vida pode ser algo mais autêntico. Seja ela o que for: uma piada divina ou um rascunho mal feito; uma puta diversão ou uma eterna guerra.

Eu terei de estar ligado às coisas que me cercam, de uma forma menos contemplativa – apesar de que não fui um cara de muita "contemplação": meus momentos de reflexão sempre tiveram um traçado mais firme, um pé fincado nos acontecimentos e nas coisas que vivenciei. Nada mais de especulações vazias enquanto as coisas rolam debaixo do meu nariz. Nada mais de momentos chatos e Sartreanos.

A vida não é ruim nem boa: ela é.

A era das lamentações estéreis acabou. Não vai adiantar fechar as cortinas da janela quando estiver chovendo ou sem nuvem alguma. Vai ser preciso colocar a cara pra fora e emitir alguma opinião – nem que seja um ronronar mal humorado. Pois meu filho vai querer olhar lá pra fora e se divertir.

Só espero que essa tal vida Zen sem muitas escolhas venha pra nós de forma diferente. Com a certeza de que, caso seja realmente um troço inevitável e cheio de sofrimento, a gente possa tomar umas cervejas no dia do Juízo Final. Enquanto uma canção antiga se insinua num céu prestes a desabar sobre nossas cabeças.

Vídeo da hora: Reunião Musical no MariaCafe em Crato...



Olá, Amigos,
Trago para vocês uma pequena matéria que eu e o Glauco Vieira fizemos ontem no "MariaCafé", o novo "point" da cidade, que pretende reunir os artistas, intelectuais, num ambiente agradabilíssimo, aconchegante, onde as pessoas são super bem atendidas.

Ontem, sábado, foi o primeiro "happy hour" movido a muito Chet Baker, Ella Fitzgerald, Coltrane, e os modernos também. haverá espaço para diversos estilos de música boa, até porque só há dois tipos de música no mundo: A música boa e a música ruim, e isso pode ser em qualquer estilo musical.



Ficamos muito contentes com a receptividade da Sabrina, e de todo o pessoal do MariaCafe, no bom-gosto, atendimento e diversidade de opções culinárias também.

A previsão é que esses encntros aconteçam com o Jazz pelo menos uma vez por mês.
Bem, e porquê com o Jazz?
O Jazz não é um ritmo, é uma filosofia musical. É uma das palavras mais abrangentes da música, que pode envolver de Tom Jobim, à Louis Armstrong, o que importa é que haja a liberdade e a criatividade do intérprete em dar sua própria versão a temas já consagrados.
E os temas utilizados ontem lá no MariaCafé foram mais ao estilo de baladas com sax, trompete, e cantores também, tornando o ambiente luminoso, bem ao clima do filme "Por Volta da Meia-Noite" de Bertand tavernier...Foi uma noite memorável!
Estiveram presentes diversos artistas, intelectuais e até pessoas que raramente saem de casa como o Abidoral jamaracu, compareceram também...



A seleção musical ficou a cargo do Lamar Oliveira, e Dihelson Mendonça. A animação mesmo, ficou por conta do Glauco vieira, nosso repórter louco, já cheio de cerveja... rs rs
Confiram a matéria no vídeo!





Abraços,

Dihelson Mendonça