19 maio 2007

POTOCAS. COM



Mentiras mais contadas:



1) ADVOGADO: - Esse processo é rápido.

2) AMBULANTE: - Qualquer coisa, volta aqui que a gente troca.

3) ANFITRIÃO: - Já vai? Ainda é cedo!

4) ANIVERSARIANTE: - Presente? Sua presença é mais importante...

5) BÊBADO: - Sei perfeitamente o que estou dizendo.

6) CASAL SEM FILHOS: - Visite-nos sempre; adoramos suas crianças.

7) CORRETOR DE IMÓVEIS: - Em 6 meses colocarão: água, luz e telefone.

8) DELEGADO: - Tomaremos providências.

9) DENTISTA: - Não vai doer nada.

10) DESILUDIDA: - Não quero mais saber de homem.

11) DEVEDOR: - Amanhã, sem falta!

12) ENCANADOR: - É muita pressão que vem da rua.

13) FILHA DE 17 ANOS: - Dormi na casa de uma colega.

14) FILHO DE 18 ANOS: - Antes das 11 estarei de volta.

15) GERENTE DE BANCO: - Trabalha mos com as taxas mais baixas do mercado.

16) INIMIGO DO MORTO: - Era um bom sujeito.

17) JOGADOR DE FUTEBOL: - Vamos continuar trabalhando e forte.

18) LADRÃO: - Isso aqui foi um homem que me deu.

19) MECÂNICO: - É o carburador.

20) MUAMBEIRO: - Tem garantia de fábrica.

21) NAMORADA: - Pra dizer a verdade, nem beijar eu sei...

22) NAMORADO: - Você foi a única mulher que eu realmente amei...

23) NOIVO: - Casaremos o mais breve possível!

24) ORADOR: - Apenas duas palavras...

25) POBRE: - Se eu fosse milionário espalhava dinheiro pra todo mundo..

26) RECÉM-CASADO: - Até que a morte nos separe.

27) SAPATEIRO: - Depois alarga no pé.

28) SOGRA: - Em briga de marido e mulher não me meto.

29) VAGABUNDO: - Há 3 anos que procuro trabalho mas não encontro.

30) VICIADO: - Essa vai ser a última.

Só no Crato Mesmo !




Amigos, este texto foi escrito em Outubro/06, marcando o desaparecimento do violão caririense de Pedro 21. Recentemente emudeceu o sete cordas de Lira. Publico-o como uma homenagem aos dois.






OS DEDOS QUE TECEM E A MÃO DO TEMPO

JFLÁVIO

Ao dobrar o cabo das tormentas, no bravio mar dos cinqüenta, percebemos claramente como a vida é fugaz. Não terá sido ontem que , aflitos, beijamos a namorada no portão , temerosos da chegada do sogro ? Semana passada não arrumamos o livro na mochila para ir à escola e tiritar com a presença da professorinha de quem estávamos perdidamente apaixonados ? Já faz um mês que corríamos na rua , ainda descalços e sem camisa, brincando de pega e de esconde-esconde ? A imagem refletida no espelho ainda parece o daquele moleque, salvo por alguns sulcos a mais na face e alguns fios de cabelo enevoados pelas intempéries da existência. Como diabos tudo passou tão rápido? Como recuperar a palavra não pronunciada, o beijo contido, o sorriso desfeito, a felicidade não degustada , agora que a estrada se estende estreita, tão sombria e misteriosa, à nossa frente ?
Pois é, amigos, a vida é um curta metragem e não se iludam: o artista morre no final. O enredo, pobre ,sem suspenses e sem mistérios. Cenas de comédia, trechos de tragédia e, a mor parte do filme, a cansativa história de homens em busca de objetivos distantes e inalcançáveis. Como Fernão Dias , na procura inglória e eterna de falsas esmeraldas.Acompanha toda a película uma música incidental que nos faz marcar todos os momentos bons e ruins e que termina por desenhar a trilha sonora de tantas vidas mergulhadas em ledas ilusões e suaves enganos. Aqui , em Crato, gerações e gerações marcaram-se pelos acordes de Zé Chato , do Maestro Benício, de Hildegardo, de Maestro Azul, de Favela, de Vicente Padeiro, de Seu Audízio e, também, pelas vozes de Célio Silva, de Alcides Peixoto, de Zé Landim, de Zé Flávio, de Peixoto , de Bah. Músicos de épocas diversas que embalaram sonhos juvenis e que ajudaram a firmar namoros e a deslanchar casamentos. Vozes e sons que ainda hoje reverberam na alma e nos corações de muitos e que os imanta do poder de, ao menos fugazmente, recuperar a alegria e o verdor dos tempos idos.
Nestes dias calou um destes violões inesquecíveis. A serenata nunca mais será a mesma e a lua cheia já não brilha, por trás da chapada ,como antigamente. A música saía das cordas intuitivamente, como se bafejadas por dedos de anjo. O mundo , num fiat lux, deu sopro de luz àquele instrumento. E ele encheu de notas ambientes sequiosos de vida : os bares, as ruas, os cabarés.Desfilavam tão rápidos os arpejos por entre as cordas do violão que aos circunstantes até parecia que lhe sobravam dedos . Para tocar com aquela velocidade e maestria tinha que ter muitos e muitos artelhos, pelo menos uns vinte e um . E foi assim que Pedro se tornou Pedro 21 e fez-se nosso Dilermano Reis , nosso João Pernambucano caririense. Aos poucos se foi tornando uma figura algo mitológica e suas proezas ganharam as páginas da história regional: conseguia tocar com o violão nas costas; era capaz de solar sem dificuldades mesmo tendo quebrado três cordas do instrumento numa apresentação ; conseguia tocar com uma mão apenas e por aí se espalhava sua fama quase que circense. Os colegas mais iniciados na sua arte , percebiam claramente : Pedro tinha lá suas limitações, mas como todo bom artista sabia muito bem mascarar suas deficiências.
Hoje seu pinho emudeceu. O “Chão”, ofuscado pelo néon, já não tem tantas “Estrelas”, as cascatas secas já não cantam “Chuá-Chuá” . A “Malandrinha” trabalha diuturnamente pra sustentar a casa. A história de tantas vidas é hoje , “Nada Além”, que a saudade de um tempo longínquo e etéreo. Pedro partiu sem ao menos perceber que seus dedos rápidos, por entre as cordas, não só lhes extraia , como ourives, a música temática de tantos filmes, mas, sim ,como que teciam o emaranhado da renda de tantas vidas. De repente , corações se uniam no pano, o pássaro da juventude alçava vôo nos céus, flores se entreabriam, lábios se tocavam. Todo resplendor do crochê durou a eternidade de um instante. É que entre o “é” e o “foi” não existe hífen. Súbito a volúvel mão do tempo começa a puxar o fio e a desfazer o lindo bordado que mal acabou de se prenunciar.

Última Foto da Cidade !


Foto tirada no dia 18/05/2007, início da noite em Crato, visto da Vilalta, na rua Vicente leite, olhando-se para o centro.