08 abril 2007

BLOW UP















O NÓ DA GRAVATA



JFLÁVIO

Um dos produtos mais em falta , nas prateleiras das nossas relações humanas, é a credibilidade. Em quem confiar neste mundo de meu Deus ? Filhos trucidam pais , para herdarem prematuramente; políticos eleitos surrupiam descaradamente as verbas públicas; caseiros seqüestram patrões; sacerdotes violentam criancinhas; pastores vendem milagres e loteamentos no céu. Difícil viver sem referenciais claros . A humanidade precisa de ícones em quem se espelhar, de metas e fronteiras éticas definidas.Assim , dia a dia , criamos nossos próprios mitos, nos mais diversos campos da atividade humana e, como sói acontecer em toda mitologia, pomo-nos a colocar adereços, valores e qualidades, que a mor parte das vezes extrapolam o campo da realidade. Quando este véu fantasioso que nós bordamos, por alguma razão, cai por terra e expõe o rei nu em pelo, a revolta nos turva o coração.Talvez daí advenha a angústia e ansiedade, tão presentes nos tempos atuais. Vivemos numa época de enganosos profetas revelados; de santinhos –do pau –oco descobertos; de falsos falsários.
Nestes dias, esfumaçou-se mais um destes ídolos, para nosso novo desencanto. Acostumamo-nos , nas últimas décadas, a respeitar o rabino Henry Sobel. Face bondosa, com um sorriso sempre na agulha, sotaque carregado, víamos seu quipá como uma aura. Sobel sempre se mostrou como um carismático líder religioso. Durante a Ditadura Militar mostrou-se um valente defensor dos direitos humanos. No Brasil, certamente, fez-se um dos maiores entusiastas do ecumenismo e publicamente postava-se contra o celibato de padres e a favor de muitos avanços atuais da ciência. A notícia, pois, de que fora preso nos Estados Unidos roubando gravatas de grife ,em lojas caríssimas, abalou toda nação.Quem poderia acreditar numa loucura destas ? O ídolo que nós idealizamos transformado num descuidista de beira de rua ? Soubemos depois que o rabino era extremamente vaidoso e festeiro , atitudes que se distanciam do perfil esperado para um líder espiritual: geralmente mais afeito ao espírito do que à matéria. Mas daí a imaginá-lo nas grades por ter infringido o sétimo mandamento, sobrepassa qualquer expectativa mais pessimista. Um Sobel desgrenhado e irreconhecível apareceu depois na mídia dando algumas desculpas esfarrapadas: que estava tomando remédios controlados e que aquele Henry que foi flagrado roubando as peças, não se tratava do Sobel que todos conhecíamos. Cá pra nós , desculpas e desdobros não tão diferentes do que vemos diariamente os malacas contarem ao Ely Aguiar.
Caro Sobel, não o conheço pessoalmente, mas permita-me, respeitosamente discordar. Aquele , certamente, não era o rabino querido e amado que todos nós idealizamos; nos Estados Unidos foi flagrado o Sobel real. Não o semi-Deus que um dia criamos e tomamos como ícone, mas o homem verdadeiro com todas suas indiscutíveis qualidades e virtudes mas, também, com suas imperfeições e fraquezas expostas como uma chaga aberta. Prefiro-o assim com seu visível mar de incongruências. Agora você me surge mais humano: um monumento de mármore com os pés de barro. O religioso além do quipá , de mangas de fora , sem gravata. Somos todos, neste mundo, este alagadiço de conflitos e contrastes. Salvam-se os santos que são aqueles que conseguem esconder hermeticamente os vícios e os defeitos.

Estamos tentando resolver um problema técnico com o nosso contador de visitas de hoje



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Até o meio dia de hoje, Sexta-feira, já temos no Blog do Crato, mais de 1800 visitas, mas talvez devido as essas modificações que foram feitas hoje na página, os gadgets FLASH entraram em conflito, e no contador, só está marcando 350 visitas. Estamos trabalhando no sentido de descobrir aonde é esse problema.

Para quem quiser ver os valores corretos, até o meio dia ( agora ), estão na imagem acima.

Dihelson Mendonça
Administrador do Blog do Crato