13 dezembro 2007

Hoje, no DN - Gado deve ser retirado da Floresta do Araripe.


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Brigadistas serão envolvidos no trabalho de monitoramento das atividades realizadas na Área de Proteção Ambiental (Foto: Antônio Vicelmo)

A presença de gado na Floresta Nacional do Araripe causa prejuízos à biodiversidade, segundo aponta a gerência da área

Crato. Com o apoio das Polícias Federal, Ambiental e do Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes do Estado do Ceará (Dert), a gerência da Floresta Nacional do Araripe (Flona) determinou a retirada do gado que ocupa ilegalmente a área de proteção ambiental. De acordo com a gerente da Flona, Verônica Figueiredo, cerca de 600 cabeças de gado estão espalhadas na área. Os quase 60 pecuaristas que utilizam o pasto da floresta estão sendo notificados a retirar o gado, sob pena de serem enquadrados na Lei Nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que proíbe práticas ou atividades que impeçam a regeneração natural dos ecossistemas da região.

A gerência da Flona está baseada também no Plano de Manejo que define como a floresta será explorada, o que inclui o zoneamento da propriedade, distinguindo as áreas de exploração, as zonas de preservação permanente e os trechos inacessíveis. O gado apreendido será transportado para os currais de Dert e só será restituído ao dono, mediante o pagamento de uma multa no valor de R$ 104,00 e uma diária de R$ 20,00 por cabeça. Depois de sete dias, o animal é levado para o Centro de Zoonozes. No caso do proprietário não procurar, o animal apreendido será doado a uma instituição de Cariri.

Nenhuma apreensão

A operação foi iniciada no último dia 3. Entretanto, até agora, não foi feita nenhuma apreensão. O gerente do Dert, no Crato, Luiz Salviano, informou que o órgão só tem condições de atuar na faixa de domínio das estradas estaduais. Apesar de algumas rodovias passarem por dentro da floresta, não foi localizado nenhum animal dentro dessa faixa.

A gerente da Flona, Verônica Figueiredo, informou que, a partir de hoje, a fiscalização será intensificada. O problema é a falta de funcionários para cobrir uma área de 39.262,326 hectares, abrangendo partes dos municípios Santana do Cariri, Crato, Barbalha e Jardim. Estão sendo acionados os brigadistas, moradores residentes na região, contratados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para combater incêndios florestais.

A presença do gado na reserva, segundo Verônica, causa grandes prejuízos à biodiversidade. Há informações de que alguns dos incêndios registrados na área foram provocados por criadores que botam fogo na área para renovação do pasto, com as primeiras chuvas.

A Floresta Nacional do Araripe fomenta e protege as matas existentes na chapada, como também protege as nascentes da área, conserva a fauna, além de promover facilidades de recreação pública e de combater incêndios florestais ocorridos na área.

Fauna e flora

O local tem expressivo potencial ecológico, nele encontrando-se diversas espécies da flora nativa que originam artigos de uso popular e científico, tais como fibras, borrachas, gomas não elásticas, ceras, tanantes, oleaginosas, produtos alimentícios e aromáticos. A fauna também apresenta-se bastante diversificada.

Parte da floresta, principalmente nas margens das rodovias, foi cercada com arame farpado. Entretanto, ainda há muitos locais em aberto, o que facilita a passagem de animais diversos, bem como a prática de atividades humanas que podem comprometer a preservação da área.

SAIBA MAIS

Conservação

A Floresta Nacional do Araripe tem uma importância relevante na manutenção do equilíbrio hidrológico, climático e ecológico da região. Constitui-se como importante refúgio para a fauna regional, inclusive para espécies ameaçadas de extinção. Como Unidade de Conservação de Uso Direto admite: pesquisa científica, recreação e lazer, educação ambiental, manejo florestal sustentável e turismo. Além disso, protege o solo, facilita a infiltração das águas pluviais alimentando o aqüífero do Araripe. Permite a conservação de um patrimônio genético de valor incalculável.

Mais informações:
Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes (Dert)
(85) 3102.1224
(85) 8883.1329
Floresta Nacional do Araripe
(88) 3523.1999

Antônio Vicelmo
Repórter

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7 comentários:

  1. Então Vicelmo,

    Acordei com a excelente notícia, uma melhores dos últimos tempos!

    Grande abraço e admiração!

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  2. Realmente, excelente notícia, um passo importante em defesa da nossa flona.

    Abraços

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  3. Sim, a intenção é boa. Mas cadê os resultados...
    Até agora nenhuma cabeça de gado apreendida. E a justificativa é sempre a mesma: falta de condições, de recursos materiais e humanos, da grande área que abrange a Flona, blablablá blablablá blablablá...
    Parece até que vivemos numa grande farsa: os órgãos competentes fingem que protegem o meio ambiente e nós fingimos que esses órgãos existem.
    Enquanto isso, os recursos naturais da região, com triste destaque para a Chapada do Araripe, continuam sendo dilapidados.

    Precisamos repensar essa situação.

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  4. Puts... e com essa historia de tirar o IBAMA... acho que vai ficar bem pior.

    Uma idéia, tem uma galera grande que faz caminhadas, anda de bicicleta, faz trilha de moto e a maioria usa câmeras para trazer suas lembranças em fotos. Será que da para fazer denuncias, bater fotos de locais que estão explorando os recursos da FLONA?

    Eu pelo menos vou tentar ficar de olho nos meus passeios...

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  5. - tiram os animais de seu habitat natural para que o povo com seu lixo invadam e devastem, deveriam preocupar-se com tantos casarões no sopé da Serra,ao redor das nossas nascentes,(cadê o IBAMA?) aquilo sim é prejudicial, vocês que fazem esse blog conhecem "in loco" ao que me refiro."a mata é naturalmente dos animais..." há quem diga que são nossas.

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  6. Thibério, você atento para um dos problemas que temos no sopé de nossa chapada, temos o problema das águas que estão sendo canalizadas por pseudo agricultores que no final utilizam a água para enche suas piscinas, lagos artificiais ou quando a utilizam para a agricultura fazem de forma ignorante através de aspersão (com o clima que temos a aspersão tem uma perca de em media 60% da água na evaporação). Temos o desenvolvimento imobiliário que constrói paraísos para as elites... mas o maio problema que vejo e a introdução de animais e plantas que não fazem parte da flora e fauna da região.

    É sabido que em muitos locais no mundo a biodiversidade foi afetada por essas introduções, trazendo problemas com pragas tanto de plantas como de insetos e animais que não tem seus predadores específicos na cadeia alimentar dessas regiões.

    O problema real que esta sendo discutido na matéria é ainda pior, pois se trata de criações ilegais para fins comerciais (bovinos, eqüinos e caprinos) que são facilmente vistos nas margens das trilhas: Casa do Guarda – Divisa Exu, Divisa Exu – Pontal de Santana (pelas duas trilhas principais), Barbalha – Cachoeira de Missão Velha (visto também criações de porcos que contaminarão a cachoeira).

    A desculpa de falta de pessoal pode ater ter um que de verdade, mas o descaso, este sim, é o maior problema.

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  7. Concordo com todos, me empolguei com a notícia, porque nem de algo assim se ouvia falar! Agora que é verdade o que todos trazem a luz dos fatos, ninguém tenha dúvida. O descaso para com a Floresta é um buraco bem mais em baixo! Queríamos que a verdadeira brigada, fosse à de políticos expressivos e brigadores, que somados aos simpatizantes desta causa e a comunidade, se fizessem notar e atuar! O nosso maior inimigo e o da FLONA na verdade, é anossa acomodação de certa forma! Tendemos a ser pessoas pensantes, mas, precisamos instgigar, procovar, chamar a se fazer notar os mais atuantes, a verdadeira brigada!

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