27 dezembro 2007

Balanço de Final de Ano - Por: Jorge Emicles


Na forma da tradição, mais uma vez entramos no período das comemorações natalinas, época de confraternizações e também de reflexões. Encerrado mais este ano, é papel da imprensa trazer à baila o balanço do ano de 2007. E é difícil, depois de tantos acontecimentos, primeiro garimpar aqueles que realmente terão importância à posteridade e os outros que serão condenados ao esquecimento das futuras gerais, bem como afirmar se, ao final de tudo, foi positivo ou negativo o ano que se encerra.

No Crato, podemos afirmar que a cidade está mais alegre e se reconcilia a cada dia com suas tradições culturais. É raro se ver tal sentimento em um povo em plena era da globalização, mas a realidade é que os diversos trabalhos realizados pelo Governo Municipal de fato vêm conseguindo tal objetivo, seja pela restauração de prédios históricos, na criação de novos espaços de efervescência cultural, mas principalmente pelo trabalho de resgate das tradições e valorização daqueles, anônimos ou não, que concretizem a cultura. Isso é ponto positivo de tão grande importância, que se irradia ainda para as cidades circunvizinhas. É o Cariri inteiro quem ganha com tais iniciativas. Foi nesse espírito que os grandes eventos da cidade de Bárbara de Alencar ganharam fôlego novo neste ano, como é o caso da ExpoCrato e da Mostra Sesc de Cultura. Esta última, com os novos espaços abertos, galgou dimensão inédita de todas as suas edições anteriores.

Só isso, porém, não significa que deveríamos estar em êxtase, porque por mais positiva que possa ser essa avaliação, tal não suplanta em absoluto as dificuldades e carências de toda a região. O trem está voltando ao Cariri, porém a miséria do seu povo já se encontra instalada há muitas gerações. Fruto da desigualdade econômica que põe muito nas mãos de poucos, o que é bem exemplo, senão fruto mesmo, do processo de globalização. Tal perspectiva nos permite afirmar que, se somos nutridos no sentido da cultura, continuamos famintos de pão, de empregos e de condições gerais capazes de garantir a dignidade humana. E para alterar tal condição, é preciso que haja investimentos maciços no desenvolvimento econômico de toda a região. Não somente garimpando novas indústrias, mas principalmente daqueles que sejam capazes de desenvolver um compromisso social com nosso povo. Antes de tudo mesmo, é preciso descobrir as grandes vocações locais e regionais, a fim de que se possa trabalhar um desenvolvimento sustentável e comprometido com a distribuição de renda.

O balanço também é negativo, se formos ver as devastações ambientais, responsáveis em última instância, pelo aquecimento global, que se fez presente muito especialmente no nordeste Brasileiro. Os caririenses, por experiência empírica mesmo, podem constatar que não somos mais aquela região de clima tão ameno quanto antes, de maneira que também temos de unir forças, fazendo nossa parte, ao menos, na grande corrente mundial que, enfim se forma, no objetivo de salvar o planeta. Neste final de ano, paira sem resposta ainda a grande questão ambiental: ainda haveria solução?

Enfim, chegamos ao termo de mais um ano, mais cientes de nossas potencialidades e mais conscientes dos problemas que nos rodeiam, sejam os locais, sejam os globais. Mas a consciência é pouco perto dos grandes desafios que se nos deparam, de maneira que a grande incitação é ao fazer; é pela necessidade de, superando o simples discurso, arregaçarmos as mangas e iniciarmos um hercúleo trabalho de transmudação da nossa realidade.

À imprensa de uma maneira geral, cabe o papel de timoneira, orientando, criticando e sugerindo novas ações, funcionando como uma espécie de consciência coletiva no enfrentamento das grandes questões que nos ameaçam enquanto região, mas sobretudo enquanto espécie definitivamente em processo de extinção. Não é mais só a natureza que precisamos salvar, mas ao próprio homem, sua cultura e principalmente, sua dignidade, de maneira que, mesmo frente ao nefasto processo globalizante, possa ainda ser reconhecido enquanto uma individualidade, senhora de direitos e deveres no seio da sociedade em que vive.

Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto
Radialista
- Professor Universitário.
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