07 outubro 2007

Visita de George Gardner ao Crato

Uma vida breve e rica! Assim poderia ser sintetizada a existência de George Gardner, Naturalista, Botânico Memorialista, Intelectual, Pesquisador, Escritor, Ensaísta e Cientista inglês, nascido em Glasgow, Escócia, no dia 02 de maio de 1812. Naquela cidade, ele iniciou seus primeiros estudos. Graduou-se em Medicina e Botânica. Muito jovem, aos 24 anos, iniciou uma visita de estudos ao então Império do Brasil.

Fruto dessa viagem – feita com o objetivo de estudar, observar e pesquisar o Império dos Trópicos – foi a publicação, em 1846, três anos antes da sua morte, de um livro que somente um século depois, foi traduzida para o Português por Albertino Pinheiro, com o título “Viagem ao Interior do Brasil”. (São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942. 468 p.)

Ali consta: ao final da tarde do dia 9 de setembro de 1838, após ter cavalgado sobre terra plana e arenosa, de ter contemplado grandes plantações de cana, onde sentiu o cheiro do mel vindo dos engenhos de rapadura, a invadir a atmosfera com seu aroma adocicado, Gardner avistou o Crato. Extasiado com a beleza da localidade, ele escreveu as linhas abaixo:

"Impossível descrever o deleite que senti, ao entrar neste distrito, comparativamente rico e risonho, depois de marchar mais de trezentas milhas através de uma região que, naquela estação, era pouco melhor que um deserto.

A tarde era das mais belas que me lembra ter visto, com o sol a sumir-se em grande esplendor por trás da Serra do Araripe, longa cadeia de montanhas, a cerca de uma légua para Oeste da Vila, e o frescor da região parece tirar aos seus raios o ardor que pouco antes do poente é tão opressivo ao viajante, nas terras baixas.

A beleza da noite, a doçura revigorante da atmosfera, a riqueza da paisagem, tão diferente de quanto, havia pouco, houvera visto, tudo tendia a gerar uma exultação de espírito, que só experimenta o amante da natureza e que, em vão eu desejava fosse duradoura, porque me sentia não só em harmonia comigo mesmo, mas “em paz com tudo em torno".

Nem tudo foi elogio na passagem de Gardner por Crato. Aqui, ele teve oportunidade de assistir aos festejos de Nossa Senhora da Penha, padroeira da localidade, citada por ele erroneamente como Nossa Senhora da Conceição. As manifestações da cultura popular, presentes nos festejos religiosos, não lhe agradaram. Um exemplo disso foi a banda cabaçal, assim descrita pela naturalista: “...uma banda de música, com dois pífanos e dois tambores, mas a música era desgraçada...”
Não imaginava ele que aquela música, de resistência da população indígena ao colonizador português, viria a ser o que é hoje. Que o digam os Irmãos Anicetos...

2 comentários:

  1. É uma típica visão exógena, não muito diferente dos estrangeiros que aqui hoje vivem e que tem uma postura presumivelmente superior, vide uns que hoje dependem da nossa cultura (e economia), mas que arrotam superioridade.
    Vão cair do cavalo...

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  2. “...uma banda de música, com dois pífanos e dois tambores, mas a música era desgraçada...”

    Ahahahahahahahahahahahahahahahahahah
    Ahahahahahahahahahahahahahahahahahah

    Eu vejo diferente do Carlos,
    O pesquisador deve ter sido recepcionado por uns caras jovens, meninos nessa época, vestidos de azul com chapéus na cabeça! é que naquela época, eles estavam aprendendo a tocar, e podem ter enfurecido o pesquisador com os pífaros diabólicos, pois este devia estar acostumado com o som da flauta mágica de Mozart. Mas pelo visto, séculos depois, o som se tornou original, congelado no tempo, fossilizado, como deve ter sido o som primitivo do homem das cavernas. E o fóssil se tornou uma cultura própria, cultuada por aqueles que admiram coisas imutáveis, tradições.
    Na ARTE é preciso haver evolução. Como já dizia Beethoven: "O que não evolui, está morto".

    ...e olhem vocês que até o câncer evolui...

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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