05 setembro 2007

Crato: Valsa de uma Cidade!

Crato é festa, é gente que a gente vê no dia-a-dia.
Crato é linda, porque aqui, todo mundo se conhece, todo mundo é parente de alguém conhecido.
Essas fotos, as fiz durante a festa da padroeira de Nossa Senhora da Penha, semana passada. Mas ao invés de mostrar o óbvio, resolvi postar algumas fotos que julguei interessantes, de tipos característicos. É uma pena que o nosso espaço aqui é exíguo, e eu não possa mostrar minhas mais de 150 fotos sobre essa festa:

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Um comentário:

  1. Tenho memória de elefante...e de muitas festas de festas de agôsto.
    Não existia uma única moça, sem estrear um vestido novo!
    Tempo em que era coroada uma rainha( lembro de uma delas:Rosineide Esmeraldo Ramos- 1959, provavelmente!); que a amplificadora mantinha "correio elegante"; que Luiz Gonzaga tocava sanfona na praça, pra todo mundo ouvir;que existia o cordão azul e encarnado pra arrecadar dinheiro pra Santa;que existia no "Parque Maia" carrocel de cavalinhos, roda-gigante e canoa;que a gente comprava rolete de cana, amendoim torradinho, algodão doce, pipoca, bala pepper, bombom de mel de abelha, chicletes "adams", chicletes ping pong,bala zorro, torrone,pirulito e quebra-queixo, diamante negro e sonho de valsa, picolé da sorveteria Cariri ou bar social, tijolo de leite de Joaquim Patrício, maças enroladas em papel de seda azul, caixinhas de passas,biscoito champagne de João Gualberto...( eram as guloseimas da época), incluindo, claro, os tradicionais filhóes , charutos e cavaco-chinês!
    Tinha uma mulher que vendia um refresco vermelho( não existia coca-cola) , em potes de barro.Servia numa caneca de alumínio, e eu nunca resistia...Um dia, a fila estava grande, e servi-me sozinha, do refresco que estava no caco de barro. Achei tão sem graça...mas tava sem jeito...já tinha tomado!Depois paguei, e pedi-lhe o trôco.Ela olhou-me interrogativa, e com uma certa piedade: Mia fia, de onde você tirou o refresco? Do prato de barro? Mia fia... ali é água de lavar os copos!
    Fazer o que? O que não mata engorda!
    Minha mãe contou-me algumas histórias...
    O partido azul era das margaridas.Elas vestiam-se de chita estampada,azul e amarelo, e compunham o figurino ,com um chapéu de palha, com fita azul e uma margarida.Ficavam lindas!O padrinho era Pedro felício;o partido encarnado era das enfermeiras;todas vestidas a critério.O padrinho era Dr.Gesteira.A disputa era saudável, embora tivesse um quê político.As meninas rifavam beijos...E no final, vencia o partido que tivesse mais dinheiro.
    O pobre do meu pai...gastou o salário de um mês, preenchendo a rifa da minha mãe, que era uma margarida!E o pior...não ganhou nenhum beijo!As moças dos anos 40 eram bem difícéis.Namoravam , nos bancos de praça, com os cadernos na horizontal, separando o casal.Mas casavam, e tinham filhos!
    O horário de chegar em casa, mesmo em época de festa não podia ultrapassar as 21 h.Minha mãe tinha trauma com rodas gigantes, a partir do dia que ela parou, justo no seu ponto mais alto.O conserto demorou bastante.Olhava o reloginho dourado, e viu marcar 23 h.Lá embaixo, a família toda esperando(avós, tias, primos...), e mimicamente, prometiam-lhe castigo! ô povo ruimmmmmm!
    Exatamente porisso não permitia, que eu rodasse naquele brinquedo, em tempo algum da infância!
    O Correio Elegante também sabia ser cruel ou alcoviteiro.
    Ela e meu pai estavam brigados,quando ouviu-se um recadinho : E agora, vamos ouvir, na voz de Orlando Silva ,"Jornal de Ontem" , que Moreirinha oferece para uma jovem presente...(só não podemos dizer o nome!). Que fora, meu Deus! A ficha caiu, imediatamente! E ela só foi fazer as pazes com o meu pai, quatro anos depois...e olhe bem...com toda autoridade! Casaram, tiveram filhos( sou a primogênita), e permaneceram juntos, até que a morte os separou!
    Uma parte interessante da festa era o bingo e a quermesse.Ninguém faltava...todos prestigiavam!
    As prendas eram enroladas em papel celofone: galinhas caipiras assadas, em fogão de lenha;bolos diversos;cachos de banana; carneiro;carga de rapadura...e pasme... A voz de Célio Silva era leiloada!
    O leiloeiro gritava: quinhentos réis pra Célio não cantar;e o meu pai contra-ofertava...seiscentos réis pra ele cantar! Acabava fechando os lances...em tôrno de um conto de réis...pra Célio Silva cantar!
    E ele cantava..."Malandrinha"ou "Chuá, Chuá".
    Na minha adolescência ainda existia , quase tudo isso.Haja Altemar, Carlos Alberto e Adilson Ramos, troando, na amplificadora da Praça.E era muito bom!
    "Sentimental eu sou...eu sou demais!"...ou senão Vanderléia:"Por favor, páre, agora..."De repente me dei conta, que falei demais!

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