30 novembro 2021

O senhor da inexistência - Por: Emerson Monteiro


A quem perguntar, quando não existiriam respostas? Modificar o inexistente através dos sonhos nos sonhos, eis o dever dos senhores dessa inexistência. Quando tudo se desfaz no tempo, hordas de guerreiros que invadiram o campo de batalha das horas que fogem conciliam a paz no coração de todas as pessoas. Nuvens, assim, de luz haverão de tomar conta da paisagem do Infinito e, às primeiras levas de santos presentes no agora, adentrarão o Céu feito quem nunca de lá saíra. Pobres mortais que compuseram a sinfonia do passado, apenas restos de imaginação, dominavam o panorama a todo custo de dizer. Visto desse modo, bem outro reviverá o quando aqui vieram ver. Mera imaginação de um Senhor maior, que rege os acontecimentos sem a necessidade que jamais pudesse usar de transformar aquilo que fora pouco atrás. Deus tal qual taumaturgo de seu próprio arbítrio, longe da importância de transformar o que quer que fosse dos acontecidos.

Daí, rever o futuro, conquanto em formação, significa, pois, a revisão das marcas deixadas lá no trilho do tempo. Reviver o que nem sempre por certo pudesse ter ocorrido fora dos padrões dessa infinitude, certeza plena, com isso, na plenitude daquEle que rege o Universo.

Contassem a história de forma inversa, já encontrariam a perfeição que predomina em forma de condição absoluta das maravilhas do quanto existe ou existirá aonde quer que venha a ser, porquanto o Poder tudo pode, longe das outras interrogações. Luzes que clareiam a si de forma constante, olhos que veem os próprios olhos, visão de eterna visão, sinais da inevitabilidade perene de toda matemática dos seres eternos.

O passado, que sustenta a pureza original durante as eras; firmeza do Amor na forma de grandeza; revelação da Consciência nas consciências em nascimento; a soberania deste Ser que prevalece e sustém mistérios, fenômenos e as luas acesas no alto do firmamento.

28 novembro 2021

Pometeu acorrentado ao tempo - Por: Emerson Monteiro


Bem isso, nessa metáfora vinda de tão longe, no legendário das eras; ele ainda a sofrer o desgaste da ave que lhe corrói as entranhas, marca da matéria em decomposição no fugir das gerações. E o Tempo, que transcorre infalível, eis o condutor dos rebanhos, corrente que sustenta prisioneiro o herói. Constrangido pela força dessa inevitabilidade, Prometeu apenas ler os próprios pensamentos, visões frias do Paraíso da inexistência que perdera certa vez.

Enquanto aqui, somos nós detentos das vidas sucessivas que se repetirão até quando delas não mais houver necessidade, diante das limitações da carne. Superar tal condição, vimos a esse caldeirão das experiências acorrentados aos liames das vaidades humanas, meros seres em formação, crescimento e evolução até o definitivo.

Por tantas vezes de se pretender criador de si, transfere à luta de viver a limitação do indivisível que resta na alma coletiva a que pertence, sem, no entanto, ainda compreender o mistério de ser um só com o Universo. Insiste, porém, no verso da sombra que carrega, e padece a angústia de sua própria contradição, dada a impossibilidade original de romper o casulo donde veio. Ninguém, pois, é dono de seus passos, neste mundo desconhecido.

Regimentos de guerreiros que seguem o drama milenar, instrumentos da claridade que traz o fogo, fantasmas da consciência em elaboração, vão, assim, tocando a preservação da espécie dos que acenderam a manhã da esperança de serem os senhores dos destinos. Pagam o preço elevado da desobediência de querer conhecer deles mesmos o nascimento de que se fizeram. Nisso, descobrem, pouco a pouco, a urgência de regressar ao seu interior e desvendar o mistério dessa liberdade que, aparentemente, traziam consigo desde antes de buscar o Sol das almas no movimento dos astros.

Centenário de nascimento de Denizard Macedo (1921–2021) -- por Armando Lopes Rafael

 A revista Itaytera, órgão oficial do Instituto Cultural do Cariri, nº 50, edição de 2021, lançada ontem na Praça Siqueira Campos, publicou o trabalho abaixo, da lavra de Armando Lopes Rafael

Prof. Denizard Macedo
 

   Professor, escritor, jornalista, ensaísta, historiador, conferencista, geógrafo e político, o Dr. José Denizard Macedo de Alcântara viveu no Ceará, no século XX.  Nasceu em Crato, na Praça da Sé – o chão mais sagrado desta urbe caririense – em 1° de setembro de 1921. Naquela data, a população cratense festejava o dia consagrado a Nossa Senhora da Penha, Imperatriz e Padroeira da Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara. Talvez por isso seus pais – Júlio Teixeira de Alcântara e Corina Macedo – fizeram-no afilhado da Virgem da Penha.  

   Segundo Assis Viana Silva: “Denizard, pelo lado paterno, era descendente de Tristão Vaz Teixeira (c.1395–1480), escudeiro do infante Dom Henrique, o Navegador, que iniciou a expansão marítima portuguesa. Pelo lado materno, era descendente de Diogo Álvares Correia (c.1475–1557), o "Caramuru", e de sua esposa Paraguaçu, filha do cacique Taparica, da extinta tribo dos índios Tupinambás”. 

   Bom acrescentar que a índia Paraguaçu se converteu ao catolicismo e foi batizada em 1528, na Catedral Saint-Malo, na França, com o nome de Catherine du Brésil.  Segundo a tradição, Caramuru e Paraguaçu formaram o primeiro casal cristão brasileiro. E de ambos descendiam alguns desbravadores que chegaram para colonizar o Sul do Ceará, no início do século XVIII. 

     Denizard fez seus primeiros estudos na sua cidade natal, no Externato Santa Inês e no Ginásio Diocesano do Crato. Transferindo-se para Fortaleza, estudou no Liceu do Ceará. Obteve graduação em Ciências Contábeis e Ciências Econômicas, tendo feito o doutorado neste último curso. Lecionou em diversas instituições de ensino da capital cearense, a exemplo da Escola Preparatória de Cadetes do Colégio Militar do Ceará, do Instituto de Educação, da Faculdade Católica de Filosofia, da Escola de Serviço Social e outros educandários de segundo grau de Fortaleza. 

   Distinguiu-se como defensor intransigente da manutenção das instituições sociais tradicionais, como a família e os usos e costumes da sociedade patriarcal. Católico fidelíssimo. Patriota sincero. Amante da Pátria Brasileira, ele não escondia seus pensamentos, sentimentos ou intenções. Ao partir para os “páramos da eternidade”, deixou-nos um legado de civismo e coerência. Assim foi Denizard Macedo, na sua profícua e exemplar existência de 62 anos.

O intelectual

    A palavra “intellectualis” (no seu original latino) define a pessoa que produz pensamentos. Por isso, o verdadeiro intelectual desempenha atividades de natureza mental, relacionadas com o intelecto e a inteligência. Denizard Macedo foi um bom intelectual, na verdadeira acepção do termo.  Foi nessa área onde ele mais se destacou. Sua sapiência, seus escritos e suas conferências, frutos das pesquisas por ele feitas – sempre repassadas em salas-de-aula – contribuíram para elevar as atividades culturais do Ceará.

      Denizard pertenceu à Sociedade Cearense de Geografia e História; ao Instituto do Ceará– Histórico Geográfico e Antropológico e à Academia Cearense de Letras. Nesta última, ocupou a cadeira de n° 34, substituindo a outro cratense, J.de Figueiredo Filho. Escreveu e publicou livros, artigos para jornais e revistas e prefácios esclarecedores. Dentre as obras que produziu estão: A Universidade na Defesa Nacional; Fundamentos da Administração Cearense; A Conjuntura Histórico-Geográfica da Industrialização Brasileira; Racionalização da Competência Administrativa do Município; Geografia da América; Cultura e Universidade; Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro; Ascensão e Declínio do Magistério Brasileiro; Ensino de Filosofia no Ceará e Retrato da História da Independência.

O monarquista

        Denizard foi um homem dotado de ideias políticas firmes e transparentes. Era monarquista convicto! E defendia essa crença tanto com fortíssimos argumentos filosóficos, como nos fatos da realidade cotidiana das nações do globo.  Conhecia bem a obra “De regimine Principum”, de São Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, filósofo e teólogo de primeira grandeza. Este pregava que toda forma de governo é válida, “desde que atenda ao bem comum”. Todavia, São Tomás afirmava que a monarquia era a melhor. Tanto por ser a mais apta para conservar a paz e a unidade de uma nação, como por estar mais de acordo com o Direito Natural e a Ordem do Universo posta por Deus na criação, como demonstra a experiência da história.

    Mesmo na noite escura do “patrulhamento ideológico republicano”, experimentada no Brasil, durante 100 anos (de 1889 a 1988), Denizard Macedo ensinava que o Direito Natural se antecipou à ideia e ao surgimento do Estado.  E não depende da concessão deste. Trata-se do direito à vida, ao direito de constituir família, à propriedade, ao trabalho, ao salário justo, à cultura, à educação, à prática da verdadeira religião. Nada disso é concessão do Estado.

    Lembrava Denizard que as monarquias surgiram desse modo orgânico e foram se aprimorando, no decorrer dos séculos e milênios. Diferentes das repúblicas que tiveram origem na “criação cerebrina” de alguns cientistas políticos. Estes colocaram suas ideias numa folha de papel, acreditando numa fórmula mágica e acabada. Julgavam que todo ordenamento da máquina administrativa adviria da implantação, de “cima para baixo”, dos chamados “três poderes republicanos”. Deu no que deu.

    Hoje até os EUA estão mergulhados na crise política advinda das eleições presidenciais. E, na última lista do “ranking” das 15 (quinze) nações com melhor Índice de Desenvolvimento Humano–IDH, apurado pela ONU em 2019, oito (8) são monarquias. Ou seja, atualmente mais de 50% dos países que estão no topo da riqueza e do desenvolvimento do mundo têm um rei ou uma rainha como Chefe de Estado.
        
 O político

     Ainda jovem, Denizard Macedo aderiu aos princípios da Ação Integralista Brasileira, movimento político de direita – fundado por Plinio Salgado, em 1932 – de tendência ultranacionalista e conservadora, fortemente influenciado pela Doutrina Social da Igreja Católica. Essa corrente ideológica foi extinta arbitrariamente – em 1935 – antes mesmo do início da ditadura do Presidente Getúlio Vargas (denominada “Estado Novo”) e imposta arbitrariamente à população brasileira em 10 de novembro de 1937. Essa ditadura perdurou até 20 de outubro de 1945.  Apesar das perseguições sofridas, Denizard Macedo se opôs, com bravura e destemor, ao regime antidemocrático do Estado Novo de Vargas. E manteve-se fiel ao integralismo, até o dia da sua morte. 

   Após o despotismo de Vargas, o Brasil usufruiu, a partir de 1945, de mais um “intervalo democrático”, quando os integralistas se reorganizaram no Partido de Representação Popular– PRP. Em eleições livres e democráticas, em 7 de dezembro de 1947, Denizard Macedo se elegeu vereador por Fortaleza, pelo PRP. Politicamente, ele dizia que não se enquadrava nem como de direita e nem de esquerda, mas sim como monarquista e liberal. Exerceu, também, o cargo de Secretário da Cultura do Ceará (1977–1978).  Denizard chegou a discordar da forma de como se desenvolveu o chamado “regime militar”, estabelecido no Brasil entre 1964 e 1985. Isso, apesar de ser acérrimo adversário das ideias marxistas, embora o fossem também os generais que se revezaram na Presidência da República, por meio de “eleições indiretas”, durante os vinte anos de “governos militares”.
Seu amor pela cidade de Crato

    Nertan Macedo assim definiu o irmão: “Denizard era, por natureza, um temperamento sonhador e solitário, tenaz, introspectivo, caladão..." Por isso, algumas das mais expressivas declarações de Denizard só vamos encontrá-las nos seus escritos e pronunciamentos. Em 1974, quando de sua posse na Cadeira nº 34 da Academia Cearense de Letras, dedicou ele várias páginas do seu discurso às reminiscências vividas na sua querida cidade natal. A conferir.

(...) "Guardo por outro lado com carinho e enlevo as raízes fincadas no solo ubérrimo do Cariri e nas ruas da minha Real Vila do Crato (...) nasci e criei-me neste Crato tão rico de tradições, tão pleno de um passado que forma a nobreza do seu povo. Deus sabe que não passa um dia sem que meu pensamento não se volte saudoso para a terra do meu berço (...) É para lá que se devolve o melhor das minhas remembranças de adolescente e de moço (...)

"Recordo bem e muito bem. As feiras e os mercados; o Natal com o caipira, a roleta e o pé-de-moleque nas bancas; os sambas de pé-de-serra nas noites de São João e São Pedro, com as redes sangrentas transportando na manhã seguinte mortos e feridos, fato em que o cacete de jucá ou a boa faca da Barra do Jardim tinha importante desempenho; os festejos de 1º de setembro, a entrada do “pau da bandeira”; a Semana Santa com seu triste cerimonial, suas consoadas a vinho e bacalhau, o lava-pés com o bispo Dom Quintino lavando os pés de Ramiro e de uma dúzia de pobres recrutados na Matança, no Barro Vermelho e na Rua da Palha; os Zabumbas, a música de couro e a banda municipal...(...)

"Peladas de bate-bola ou bola ao campo; o pião e a cabeçolinha; jogos na noite enluarada no quadro da Matriz; a missa dominical e as bênçãos do Santíssimo (...) os banhos no Lameiro, no Grangeiro, nos poços da Escada ou do Jatobá (...) não se compreende o Cariri sem a Chapada do Araripe: sua história, sua sociologia, sua economia repousam na ligação do homem com as águas do sopé plasmando a aglutinação social de um habitat que é a ilha úmida dos sertões (...). Ali aportaria no século XVIII a vasta gama dos meus antepassados maternos: Cruz Neves, Pais Landim, Sampaio, Pereira Filgueiras, Lobo de Mendonça, Bezerra Monteiro ou de Menezes (...) O Crato seria a primeira vila, a primeira cidade, a primeira comarca, o primeiro município, o primeiro bispado da região".
 

Seu testamento

     Denizard Macedo faleceu, de infarto fulminante, aos 62 anos de idade, em 11 de novembro de 1983. No entanto, desde 23 de setembro de 1979 – quando tinha 58 anos – tinha escrito o seu testamento, do qual extraio os textos abaixo:

     "Declaro que nasci e desejo morrer no seio da Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana, cujo chefe visível é Sua Santidade o Papa que está em Roma, a cujas verdades eternas e imutáveis sempre aderi com toda a força da minha inteligência e do meu coração, na forma com que foram ensinadas nos séculos passados, apesar dos meus incontáveis defeitos, pecados e omissões, para os quais espero Misericórdia da Divina Justiça, quando comparecer perante meu Deus, meu Criador e meu Supremo Juiz, para o que rogo a intercessão de Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, meu salvador, de Sua Mãe Santíssima e de todos os Santos Anjos da Corte Celeste, especialmente meu Anjo da Guarda e do Glorioso Arcanjo Miguel, padroeiro de todos os soldados cristãos.

    "Quero reafirmar solenemente o orgulho e a honra das posições políticas que assumi na vida, quer como integralista que envergou sua bela e dignificante "camisa verde", como miliciano inscrito na Ação Integralista Brasileira, o maior movimento cívico e patriótico da nossa Pátria, só igualado pela repulsa às invasões holandesas e à Guerra do Paraguai. Reitero por igual minha condição de monarquista fiel, única forma de governo inteligente e adequada para ser aceita por um bom brasileiro.

    "Protesto mais uma vez meu integral repúdio às errôneas e maléficas doutrinas liberais ou demoliberais, socialistas, comunistas e as chamadas "católico-progressistas", que ensandeceram o mundo a partir da Reforma Protestante e da Revolução Francesa, e que ora estão conduzindo o mundo, o homem e a humanidade ao caos, à escravidão, a abismos insondáveis, que só a Fé em Deus Todo-Poderoso pode evitar pela sua Infinita Bondade. Lamento não dispor de uma "camisa-verde" para me amortalhar, mas quero que, sendo possível, meu esquife seja coberto com a bandeira do Sigma e pela bandeira do Império, que se encontra em meu gabinete doméstico. (Datado de Fortaleza, Ceará, dia 23 de setembro de 1979)".

“Um Cavaleiro da Tradição”

   Após seu falecimento, o escritor Nertan Macedo, irmão de Denizard, escreveu um longo artigo (sob o título acima), publicado no jornal “O Povo”, de Fortaleza, no qual revelou fatos pouco conhecidos, dos quais reproduzo os abaixo:
 
   "Foi com ele (Denizard) que aprendi uma lição que me tem servido bastante pelo tempo afora: não acreditar em ideologias radicais como "molduras perfeitas, acabadas" de certos espíritos julgados, condenados ou exaltados, erradamente, como de Esquerda, Centro ou Direita. Pois o que não falta na vida pública brasileira são certas figurinhas torpes que se dizem liberais e não passam de tremendos farsantes, com esconsa vocação para a crueldade e a ditadura, adoradoras que são do mando incontrastável e do poder totalitário. Daí o sábio provérbio. "Se queres conhecer o vilão, entrega-lhe o bastão”.

    " Meu irmão era uma figura singular. Tinha soberano desprezo por todo indivíduo que não era carne nem peixe, não cheirava nem fedia. E vomitava-os à maneira paulina, ou de quantos outros lutadores deram testemunho nesta vida. Por isso mesmo sofreu, desde jovem, quando aderiu ao movimento integralista, por suas ideias "fascistas e reacionárias" que, simplesmente, ele não as possuía. Era, na verdade, um tipo que chamaríamos de raro entre os produtos da formação ou da consciência do seu tempo. Enfim, um homem apaixonadamente rendido aos encantos da História, da Tradição, do Sonho Cristão e de um vago Autoritarismo – assim mesmo, tudo isso com letra maiúscula. Entretanto, mais próximo do paternalismo alargado do "familiar" ao "nacional", do "ciânico" ao "pátrio", do "individual" ao "comunitário". Sua concepção política era a de lareira, a da enorme mesa familiar da refeição em comum, das redes no alpendre em deliciosos rangeres nos seus armadores e das infindáveis tagarelices, louvando o amor à Pátria e aos seus Maiores” (...)

   "Todavia, (Denizard) era amigo do bom senso e, de cambulha, para tudo quanto dissesse respeito à sua terra e gente, fielmente representadas nas figuras idealistas, rudes e até mesmo boçais de caudilhos provincianos, mas que souberam adentrar à História. Do tipo de Filgueiras, Pinto Madeira ou do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, três gigantes do "reacionarismo" ligados ao Partido do Trono e do Altar. Isso sem esquecer as honestas figuras de venerados cronistas como o Barão de Studart, Paulino Nogueira, João Brígido, Théberge e outros do mesmo naipe".

Homenagens póstumas
            
   A cidade de Fortaleza homenageou a memória de Denizard Macedo, dando seu nome a uma rua da capital cearense e a uma escola municipal, localizada no bairro Quintino Cunha. Em Crato, sua terra natal, existe também uma rua que o tem como patrono. Por sua vez, o Instituto Cultural do Cariri denominou uma de suas cadeiras de José Denizard Macedo de Alcântara. Cadeira esta que, mesmo sem méritos, para ela fui eleito pela generosidade dos meus pares naquela instituição. E venho ocupando-a até os dias atuais.


CRONOLOGIA

1921 – 1º de setembro. Nasce em Crato, no dia da festa de Nossa Senhora da Penha.

1946 – 22 de junho. Casamento com Eliana Porto Sampaio de Alcântara.

1947 – 7 de dezembro. Eleito vereador pela cidade de Fortaleza, pelo Partido de
            Representação Popular–PRP

1948 – 1º de janeiro. Assume o mandato de vereador por Fortaleza. Depois desta
             experiência ainda foi candidato – em anos posteriores – a deputado estadual e a  
            prefeito de Fortaleza, sem lograr êxito.

1966 – Toma posse como Vice-Reitor da Universidade Federal do Ceará para Assuntos
             Estudantis.

1974 – 1º de setembro. Posse na Cadeira 34 da Academia Cearense de Letras,   
             sucedendo ao seu conterrâneo, J. de Figueiredo Filho.

1977 – 8 de setembro. Empossado como Secretário Estadual da Cultura do Ceará, onde
             permanece até 15 de março de 1979.

1980 – 11 de março.  Assume como Presidente do Conselho Estadual de Educação
             do Estado do Ceará, para mandato até 09 de março de 1982.

1983 – 11 de novembro. Morre de um infarte fulminante.


(*) Armando Lopes Rafael é historiador.
E-mail: armando.rafael@terra.com.br

27 novembro 2021

O véu do egoísmo - Por: Emerson Monteiro


Nessas condições atuais onde a gente vive, neste mundo de tantas contradições, transitamos à busca incessante, única, de revelar o Si mesmo de nós diante do véu das ilusões, um esforço constante de rasgar as barreiras da escravidão material e desvendar novo o território imenso depois dos desertos dessa aridez; logo ali depois das intempéries. Retidos na caminhada pela força de uma natureza ainda inferior, sob os grilhões dos valores só relativos desse chão, aplicamos ao poder do conhecimento, entretanto na relatividade dos passos incertos de quem, pouco a pouco, aprende a caminhar.

As chances passam numa velocidade estúpida; destarte as criaturas perdem paraísos pelas próprias mãos, nas intenções mesmo que meio firmes, porém ainda longe de dominar inteira a fera dos instintos, na intenção de achar poder e superar o mal pelas raízes, assistidos agora pelo bem das certezas lá de dentro vencer essa distante batalha evolutiva que nos acompanha.

Vítimas, pois, do lado fraco que as prenda aos rochedos da limitação do querer apenas querer fraco, sem a disposição de viver com intensidade o sonho da realização.

Transitam de vistas ressequidas, e só de longe imaginam os frutos da luz que lhes aguarda em festa. Já sabem, no entanto, de ser possível atravessar o limite do Eterno e chegar ao bom termo da longa estrada dessa história. Bom sinal, pois. Algumas notícias aqui chegam aos nossos ouvidos, ao tom das harmonias da mãe Natureza, ecos de equilíbrio no canto dos pássaros, na brisa dos mares, no cicio dos sóis do firmamento.

Isso de ilusão, domínio que lhe é próprio, há que ter um basta nas mesmas razões de existir face à perfeição do Absoluto, que assim determina. Tal escola de evolução, tratemos as experiências quais frutos benfazejos necessários a todo o aprendizado, conquanto doam. Amar os inimigos, na linguagem de Jesus, significa domar a fera que trazemos na nossa natureza. Usufruir dos desafios e disso agradecer; quando possamos refletir e escolher o melhor, satisfazer a vontade pura e simples de crescer e desfrutar do Bem ao dispor na chama viva da humana criação.

26 novembro 2021

Kaique Paz, um jovem talento que brilha

 Por Jackson Bantim (Bola) e Carlos Rafael

 


Kaique Paz é músico, cantor e compositor. Tem 27 anos e é filho de pai cearense e mãe capixaba, mas nasceu e foi criado no subúrbio da cidade maravilhosa do Rio de janeiro. 

Desde a infância sempre foi muito criativo e divertido, pregando peças em suas irmãs e tendo uma vida feliz. Por isso, desde cedo, recebeu o incentivo dos pais para dar vazão à sua vocação pela arte.

Ainda criança, fez curso de interpretação teatral, sendo bastante elogiado como ator. Inclusive, participou de uma matéria veiculada, em rede nacional de televisão, no programa Mais Você, de Ana Maria Braga, da Rede Globo. A matéria foi sobre uma performance realizada no Dia do Beijo em um shopping carioca. Igualmente, estrelou uma propaganda da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), também veiculada em todo o país pela TV.

No campo musical, ainda em tenra idade, de forma autodidata, aprendeu a tocar flauta doce, o que o levou, automaticamente, a estudar e tocar também flauta transversal.

Aos dez anos, já tocava, com primazia, violão, quando começou a fazer suas primeiras composições.

No início da juventude, ao lado de amigos do bairro onde morava na capital fluminense, fundou uma banda que fez sucesso junto ao público local.



Nessas alturas, já dominava bem vários instrumentos, como guitarra, contrabaixo, teclado e  bateria.Influenciado e inspirado pela presença de muitos dentistas na família, optou profissionalmente pela odontologia. Formou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com ótimo desempenho acadêmico, e hoje exerce esse ofício com muita competência aqui na região do Cariri.

Kaique Paz é, assim, pela sua eclética e talentosa vocação artística, um nome que desponta no cenário desta região do Cariri cearense, sempre reveladora de artistas com trabalhos e carreiras consistentes.

Parabéns, Kaique.

E a casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo – por José Luís Lira (*)

     O trecho, retirado do evangelho de João 12, 3, intitula livro sobre a espiritualidade da Ordem Equestre ou de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém, do Grão-Mestre da Ordem, Cardeal Fernando Filoni.

   Logo na introdução, Sua Eminência Reverendíssima coloca o objetivo do livro: propor uma espiritualidade aos membros da antiga e nobre Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, explicando que não se trata, meramente, de uma ordem honorífica, mas, uma Ordem sob a proteção da Santa Sé, onde se busca a prática das virtudes cristãs, oferecendo apoio às obras do Patriarcado Latino de Jerusalém.

   A primeira parte, à qual o Cardeal Filoni dá o título de “Dimensão Bíblica da Espiritualidade. Jerusalém: o mistério. Lugares e pessoas”, é dividida em nove capítulos. A saber: Em Betânia: um gesto para sempre; A cruz e a morte de Jesus; As personagens; O sepulcro vazio; A ressurreição; A paz esteja convosco! Uma mensagem para todos. Emaús: da parte dos Discípulos; Na barca de Pedro e finalizando, no Poço de Jacó. A água para não ter mais sede. 

   Na segunda parte, temos a “Dimensão Eclesiológica da Espiritualidade”: a graça batismal; Jesus, a Palavra de Deus; Confiança: oração e Eucaristia; o mistério da caridade; uma realidade eclesial; o magistério da Igreja e a Ordem; o seu nome era Maria; “Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os” (Lc 24,50).

   São riquíssimas 84 páginas nas quais Sua Eminência Reverendíssima o Cardeal Fernando Filoni, da Igreja Católica, Grão-Mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, ensina-nos e reflete a importância de uma espiritualidade própria de Damas, Cavaleiros, Eclesiásticos, Religiosos e Religiosas que recebem a missão de participar dessa Ordem tão antiga e importante para a vida da Igreja na Terra Santa.

   O título original em italiano é “E tutta la casa si riempì del profumo dell’unguento”. A edição que li é uma tradução para o português de Portugal, que recebi de presente de Sua Excelência a Dama de Comenda com Placa Isis Penido, Lugar-Tenente do Rio de Janeiro, Lugar-Tenência na qual exerço a função de Secretário-Geral. A tradução do italiano para o português é do Cavaleiro Doutor João Duarte Black, publicada pela editora By the Book, de Lisboa. Ressalte-se que ocorreram traduções para variados idiomas.

   São muitas as lições que neste belo livro encontramos, como destacou no Retiro anual da Ordem no Rio de Janeiro, o Comendador com Placa Dom Roque Costa. A proposta é uma espiritualidade aos membros da nobre e pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, mas, todo e qualquer cristão pode mergulhar nesta “perfumada” espiritualidade, pois, “perante o mistério da Cruz, ficam todos igualmente julgados. Estamos diante do mistério existencialmente mais grandioso e ontologicamente mais profundo...”, ensina-nos o Cardeal Filoni.

   Ao refletir sobre Maria, a Mãe de Jesus, o Cardeal Filoni lembra-nos da humanidade de Deus-Filho, Jesus, ao confiá-la a João, naquele momento áureo de Jesus já crucificado. Lembra que também São João Paulo II confiou a Ordem do Santo Sepulcro à Virgem Maria, Rainha e Padroeira da Palestina, nossa padroeira. E finaliza seu belo livro tratando dos gestos do Ressuscitado até chegar à sua Ascensão.
   Deus Lo Vult!


       (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

25 novembro 2021

O melhor prefeito que o Crato já teve (por Armando Lopes Rafael)

 

Alexandre Arraes de Alencar

   Alexandre Arraes de Alencar governou o município de Crato entre 27 de dezembro de 1937 e 15 de agosto de 1943, data sua prematura morte com apenas 48 anos de idade. Decorridos quase oitenta anos do início daquela administração, ainda perdura no imaginário popular cratense que Alexandre Arraes foi o melhor prefeito que esta cidade já teve. 

    Caiu-me às mãos, dias atrás, uma Xerox da Monografia Histórica do Crato, uma publicação da administração Alexandre Arraes, com dados colhidos pela Delegacia Regional do Recenseamento Nacional do Brasil de 1940. Naquela época, quando as comunicações eram precárias, a Prefeitura de Crato disponibilizava uma publicação contendo todos os dados atualizados do município, com o resgate histórico, evolução social, informes sobre a população, produção agrícola, comércio, indústria, relevo do solo, hidrografia, riquezas naturais, etc. Com toda a evolução que usufruímos hoje, com todas as facilidades atuais da tecnologia, não dispomos, no presente, de uma publicação similar a que foi produzida no governo de Alexandre Arraes.

     Falar sobre a administração de Alexandre Arraes ocuparia muito espaço. Limito-me a transcrever apenas um tópico da monografia citada, a de número VII, que enumera algumas conquistas da sua competente e honesta administração. A conferir.

“Por iniciativa dos Poderes Públicos, verificaram-se a instalação do Serviço de Água, Luz e força, que veio atender velha aspiração da população, resolvendo um dos mais importantes problemas da infraestrutura da cidade; criação de uma biblioteca pública; construção de um Grupo Escolar Municipal de orientação ruralista; criação de um Horto Florestal para arborizar a cidade e distribuir mudas frutíferas à população cratense; delimitação das zonas agrícolas e pastoris na Serra do Araripe; construção da praça ajardinada Dr. Francisco Sá, com uma majestosa Coluna da Hora, encimada com a estátua de Cristo Rei e uma fonte luminosa, aliás, a primeira construída no Ceará; construção de 14 obras d’arte nas rodovias municipais, instalação de um Posto Antirrábico, pavimentação de quase toda a cidade, arborização de suas ruas, instalação de um projeto piloto para irrigação mecânica no Rio Carás; aquisição de duas propriedades para instalação do campo de sericicultura e construção de moderno e confortável Mercado Público”.

     Ao tempo do Prefeito Alexandre Arraes todas as datas cívicas eram comemoradas com desfiles escolares nas ruas de Crato. Ele mesmo acompanhava ao lado dos estudantes esses momentos cívicos. Como era ele mesmo que, pessoalmente, exercia fiscalização de todas as atividades da Municipalidade. Alexandre Arraes reformou todas as praças da cidade e todas foram dotadas de projetos de jardins. Na Praça Siqueira Campos havia um canteiro de rosas La France.

      Naquele tempo o Rio Granjeiro ainda não tinha virado o canal nauseabundo dos dias atuais. Nas margens daquele rio a Prefeitura plantou bambus. Também a encosta do morro do Seminário foi arborizada para evitar erosão. E tudo isso era feito com critério e honestidade. Sob Alexandre Arraes nunca se ouviu falar em corrupção.

          Enfim, tínhamos uma cidade limpa, bem cuidada, com um administrador de mentalidade à frente do seu tempo. Quanta falta faz um Alexandre Arraes nos dias de hoje...

O amor começa em sí próprio - Por: Emerson Monteiro


Essas considerações que vêm às lembranças tocam de perto nosso senso de ser feliz, de encontrar as respostas que vivem soltas no ar, sinais da realização em que tantos buscam a própria paz. Elas dizem da força que temos conosco, o dever de ser alegre, usufruir os dias quais instrumentos na busca da concretização do ser que somos. Bom, e antes de tudo ter reconhecimento pelas bênçãos dos desafios que se vive. Saber que detalhes compõem o todo. Ninguém tem aonde fugir, pois todos caminhos só levam à gente mesma, sem outro sentido que não a própria existência, a individualidade, o âmago de nós,  o mais rico mistério da essência do Ser, durante todo tempo.

Tais aspectos de viver conduzem a isso, de reconhecer os dons da profecia que carregamos conosco, marcas indeléveis da consciência que instruem os passos das criaturas. Quanta magia habita num único ser, as malhas da perfeição que transportamos de estação a estação, feitos senhores de rebanhos infinitos desses pequenos seres, pastores de emoções e pensamentos, impulsos e contradições, amores e saudades, porém numa certeza absoluta de que operamos a máquina da percepção, coautores da Criação, parceiros da beleza e dos sonhos.

Talvez em face disso, tangemos o barco de nossa individualidade à procura das migalhas da felicidade que vem do céu, às vezes sem reconhecer a importância de acalmar os sentimentos e pernoitar junto às florestas do amor quais passageiros da agonia. Juntar as mínimas partes desse todo infinito que o somos, e alimentar a casa dos dias no mais íntimo coração, tendo a disposição de plantar o que é bom ainda que nem se tenha de todo a força do que tanto carecemos nesta jornada de luz.

Persistir na missão de conquistar o domínio do que sustentamos diante da imprevisão do eterno, no entanto cientes de haver consigo a parcela gloriosa de tudo que de bom existe no Universo.

24 novembro 2021

Será lançado no próximo sábado, 27 de novembro, o número 50 da revista Itaytera

      O Instituto Cultural do Cariri lançará no próximo sábado, 27 de novembro, às 9 horas da manhã – na Praça Siqueira Campos – a edição de 2021, de nº 50, da revista Itaytera. Na ocasião serão lembradas personalidades – ligadas ao Cariri –, que tiveram seus centenários de nascimento comemorados neste 2021.

Um deles é Denizard Macedo

Prof. Denizard Macedo

       Dentre os que completaram 100 anos de nascimento, uma dessas personalidades é José Denizard Macedo de Alcântara. O historiador Licínio Nunes de Miranda, neto de Denizard, postou o seguinte comentário sobre “ o centenário de nascimento do seu avô.

     "Hoje, 1º de setembro de 2021, José Denizard Macêdo de Alcântara completaria cem anos. (...) Nascido no Crato, Denizard estudou no Liceu do Ceará, fez o curso de Ciências Econômicas e, posteriormente, doutorado na mesma área. Sua formação intelectual se baseou nos ensinamentos de grandes pensadores antigos, estrangeiros e nacionais (...)

     Ainda assim, por mérito e esforço próprios, foi vereador em Fortaleza, vice-reitor da UFC, secretário de cultura do Ceará, membro do Instituto do Ceará e da Academia Cearense de Letras, para citar alguns exemplos.

      Contudo, foi no magistério que Denizard se realizou, sendo professor em numerosas instituições de ensino, nas quais educou, e não doutrinou, várias gerações de cearenses. Fez isto em conjunto com a criação dos filhos e dos sobrinhos órfãos, sendo também esposo dedicado à Eliana Porto Sampaio, até falecer de infarto em 11 de novembro de 1983. O escritor Cláudio Martins o definiu como um “amigo incomum, esbanjador de talento, soldado de corajosas e arriscadas batalhas, ideólogo sem tergiversação mínima, senhor dos caminhos retilíneos, pai exemplar, cidadão de raras virtudes cívicas”.

Texto escrito pelo historiador Licínio Nunes de Miranda
 

22 novembro 2021

As portas do coração da gente - Por: Emerson Monteiro


Bem isso de modificar a paisagem dos dias, quando chegam lá de longe as doces lembranças da felicidade que anda aqui de junto da gente. A marcha que segue sempre nos adiante, contando dentro de nós as possibilidades dos momentos bons que existem incontestavelmente, das mãos divinas que derramam só pura alegria no rolar das estações. Formas fortes de dominar o instinto de sobrevivência, vêm de perto as horas do desejo firme de querer o melhor e trabalhar este sentido. Tingir o tempo de criatividade e sonhos, transformar o que seria impossível no reino de todas as realizações. Viver sob o clima de tranquilidade que o coração permite que assim seja. São tantos, pois, os meios de reverter a insistência de pensar o que nada acrescenta, de contornar os obstáculos e produzir elementos mais que necessários a que sejamos criaturas diferenciadas no meio onde vivem.

Querer, portanto, o exercício da plenitude, independente de outros quadros. Escolher motivos inevitáveis de ser otimista, ainda que nem constantemente tenhamos razões suficientes, porém que vamos buscar, nas planícies poderosas do íntimo, as peças de montar o quebra-cabeça de nossa história de um jeito diferenciado, positivo por excelência. Ver o mundo pelos óculos de cores poderosas, determinantes do nosso humor e nossas certezas.

Abrir as portas do sentimento aos bons pensamentos. Fazer do momento o dispositivo da esperança. Crer nas dimensões da perfeição que dispõe a natureza de que nós somos e praticar o senso do poder de que fazemos parte nos ideais da Criação. Espécie de religião original, vamos tocando em frente o barco da consciência, na convicção plena de ser instrumento de melhores dias. Senhores absolutos dessa liberdade com que chegamos, e elaborar o universo de nossa memória em favor do amor e da paz. O coração possui, portanto, esse condão absoluto de que somos dotados, nos segredos de dentro da Alma.

20 novembro 2021

As cigarras de novembro - Por Emerson Monteiro


Sentar o juízo e ficar só aqui escutando o ciciado das cigarras no escuro da floresta. Deixar de lado irreais preocupações desses tempos e permitir que a natureza converse consigo, decisão mais acertada, sem outra que seja senão deixar que as normas dos céus envolvam o chão neste momento. Ouvir o silêncio das horas lá de dentro dos sentidos atrás dos pensamentos, qual jeito de mergulhar nos sobressaltos e garrotear as ilusões. A gente com a gente mesma, pedaços iguais do mistério das horas em movimento. Nós, enfim, esses escravos senhores dos sóis, o que vem sendo assim desde sempre, quando ninguém seria capaz de aventurar a sorte na roleta dos destinos.

Enquanto isto, as portas do espaço se abrem às falas que nascem dos ares em festa, dos bichos, das matas, do calor do meio dia, das dores e das movimentações dos humanos cá de fora. Todos tendo uma razão parcial de continuar, e continuar, senhores da indecisão. Águas incontidas nas criaturas que percorrem o teto da vontade, instintos de viver solidão por vezes preenchida de longas histórias esquecidas. Gotas suaves, pois, de tantas alegrias atiradas às fogueiras do sonho, porém certas de um quase nada de saber porquê.

Elas, as cigarras, são tais avisos da hora aos mistérios deste sacrifício de tantos autores, sonoras parceiras do amor no coração, toques intermitentes do ritmo e das cores, nisso tudo. Uns padecem horrores diante dos passos que dão a caminho de depois; outros apenas dormem felizes ao prazer do anonimato do que virá sem dúvida.

Senhores dos no entanto, sacodem assim os braços face aos desejos por mais alimento e sofrem as dores do parto da indecisão, inocentes da certeza e dos amores, puros e aparentemente libertos, vítimas das próprias vilezas.

De entremeio, sabiás ponteiam a sinfonia do início de tarde e trinam quais cigarras, numa composição inesquecível de viver a vontade imensa de achar paz que em tudo existirá, afinal.

19 novembro 2021

Humilitas et Labor de Valdeci de Vascondelos – por José Luís Lira (*)

   O gênero autobiográfico é inaugurado oficialmente pelo grande santo católico Agostinho de Hipona. Em suas “Confissões”, ele conta tanta coisa de sua vida que teremos imenso prejuízo se ele não tivesse feito essa autobiografia. Papas, santos, escritores registraram de diversas formas suas vivências na terra, digamos assim.

   Iniciando seu livro autobiográfico “Minha Formação”, o diplomata Joaquim Nabuco registra o modo como surgiu aquele trabalho: “A maior parte de Minha Formação apareceu primeiro no Comércio de São Paulo, em 1895; depois foi recolhida pela Revista Brasileira, cujo agasalho nunca me faltou...”. O nosso autor começa traçando um perfil do que encontraremos em sua livro.

   Manoel Valdeci de Vasconcelos, bacharel em Letras e Direito, doutor na arte de viver bem, revisor do Correio da Semana por muitos anos, inicia seu livro com homenagens especiais. Primeira àquela com quem dividiu sonhos, amor, esperança e com ela colheu afetos, concórdias e tantas coisas boas, dona Maria de Lourdes Pinto Vasconcelos, uma dama na acepção da palavra. Lembra das filhas, dos genros, netos, do seu padre-mestre, Pe. Arakém Frota e tantas personalidades que fazem parte de sua vida.
   Embora ainda jovem, nosso autor diz que não se aventurou a escrever um livro, embora tenhamos uma robusta obra com o cuidado de quem, por muito tempo, fez revisão de textos e conhece bem o vernáculo pátrio.

   Neste perfil podemos compreender o homem, o profissional, o ser social – cidadão e o Valdeci Vasconcelos que todos os que temos o privilégio de privar de sua companhia, além de amigos nos tornamos admiradores. 

   O oito deitado é o símbolo do infinito e o sete o da perfeição. Se analisarmos os textos preliminares do livro “Humilitas et labor”, ficamos diante dessas duas realidades. Contando com o prefácio temos textos. Se deixarmos o prefácio com exclusividade, temos sete textos. Todos eles falam da vida do autobiógrafo e, consequentemente, de seu livro.

   Dividido em 14 capítulos o livro começa dando notícias da Ribeira do Acaraú e seus primeiros habitantes, inserindo nesse contexto a família Vasconcelos, suas origens até chegar ao autobiógrafo. O segundo capítulo é dedicado ao Pe. Arakém Frota e na sequência encontramos um vocacionado ao sacerdócio, o encontro com Dona Maria de Lourdes e o encontro de nova razão: o amor que o fez enamorado por toda a vida de Maria de Lourdes. E vem os estudos, o casamento, as filhas, as atividades profissionais que se iniciam, o Rotary, a faculdade de Filosofia Dom José, a Academia Sobralense de Estudos e Letras, a Rádio Universitária, o “sonhado” Curso de Direito, no qual tive a honra de ser seu professor (o mais coerente teria sido eu seu aluno, mas, a vida tem dessas coisas). A Academia Cearense de Cultura que ele intitula como “convite inesperado”. Vêm os amigos e aqui Valdeci Vasconcelos traça perfis de importantes personalidades. Textos sobre ele surgem. Textos seus sobre variados temas e uma celebração ao amor do autor e sua esposa, Maria de Lourdes. E, fechando, Valdeci Vasconcelos confessa que viveu e viveu em plenitude.

   Mais não direi para que o leitor possa por si só tirar as conclusões, mas, sou levado a induzi-lo de que será muito boa impressão.
   Parabéns, Prof. Valdeci!

     (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

18 novembro 2021

As distâncias e o Infinito - Por: Emerson Monteiro


Nos tais questionamentos humanos do quanto ainda resta a percorrer até desvendarmos o segredo de tudo quanto há, até o dia de revelar por inteiro os caminhos da perfeição em todos os sentidos, quando, só então, chegar-se-á ao ponto zero da evolução. As aspirações de vencer, lá certa vez, o dístico da falibilidade e cruzar as barreiras do Infinito. Atravessar o limite do impossível e consignar de todo aquilo que aqui viemos buscar. Obter o passaporte ao Eterno e morar no seio pleno da Felicidade verdadeira, desejo de tantos e mistério de muitos. Isso da cientificação, de que falam os místicos; da libertação dos apegos materiais e da união com nós mesmos e com todos, enquanto consciência.

Bom, no que me vem aos pensamentos, o simples aspecto de a gente desde agora poder imaginar isso, de viajar às distâncias e admitir essa probabilidade, já deixa margem suficiente de termos evoluído um tanto e haver dado os primeiros passos ao mundo das maravilhas. Porquanto, nem de longe os objetos, as máquinas, os insetos, têm a mesma oportunidade. Dentro de cada um persiste, pois, esse anseio extremo da imortalidade, da paz e das virtudes superiores dominarem o mundo, ainda que adormecidas no exercício diário das existências atuais; isso fala bem alto do quanto andamos nessa estrada. Qual disseram os platônicos, a perfeição só existe no mundo das ideias, o que ouvi certa feita de Janaína, uma de minhas filhas. Porém existe, consiste no frigir de tudo isso num único bloco uno e indissolúvel.

Assim, no aspecto mais prudente das aventuras deste chão, transitamos nesse mundo ideal e dele alimentamos, vidas e vidas, o transcorrer das gerações. Externamos nossas aspirações de igual modo, a nutrir de esperança as faces escuras do momento, feitos animais aflitos a contemplar a Lua, em noite de séculos inadiáveis. Pisamos às vezes leves, doutras descaradamente, agressivamente, as folhas da escuridão e norteamos de sentido apenas vago as ações parciais, de modo desesperado.

Dos gestos e das experiências, guardamos marcas deixadas em nós pelos laços de forças contraditórias, sem, entretanto, na essência, perder o sonho nos dias de realização e valores positivos. Conquanto palhas ao vento do desconhecido, sustentamos de ideal a certeza nos raios de luz aonde vamos, no íntimo do Ser que nos sustém.

13 novembro 2021

Aos buscadores da Verdade - Por: Emerson Monteiro


Mas o que busca a Verdade terá de combater até o último suspiro.
Kabir

Na ânsia de ser assim, em descobrir a Verdade, navegantes arrostaram mares e suas quimeras, jogaram por terra tudo quanto houvessem reunido vidas afora e desapareceram pelas brumas silenciosas da solidão. Seguiram rumo ao desconhecido e de lá jamais regressariam. Doaram suas almas ao Infinito e sumiram na imensidade do Cosmos ilimitado. Luzes que se apagaram às fimbrias das manhãs ensolaradas. E foram aos céus para sempre, e de nunca aqui voltarem a rever as glórias de antigamente. Mergulharam o abismo de si mesmos feitos feras perdidas na imensidão, selvagens das luas novas e dos escombros das inglórias batalhas. Guerreiros que foram das ilusões desfeitas diante do mistério, largos tempos das horas inexistentes lhes invadiram a Eternidade e nela perderam o caminho. Criaturas de vontade férrea, pois, desejaram encontrar as muralhas do Destino e puseram-nas abaixo, quando tudo parecia de tudo sem fazer o menor sentido.

Buscar a Verdade, eis a razão fundamental de toda existência, desde o furor das primeiras tempestades de fogo. Desvendar o segredo daqui de agora e sobreviver à intensidade das paixões incontroláveis. Sustentar a fúria de todas as visões em único objetivo, de desvendar os valores entregues às responsabilidades humanas, que o sejam.

Responder a isso, ao desespero de estar neste lugar e desconhecer a razão de tudo isto; perguntar a quem e saber que todas as respostas habitavam no mais íntimo de todos nós. Viver quais sinônimos de esperar o momento ideal de receber a prenda na caixa do coração. Trabalhar deste modo existências, no entanto pequenos e insuficientes seres que haverão de utilizar a vida tal motivo de achar a solução do enigma humano, sem outra alternativa  senão sustentar nos ombros as marcas do Poder que a tudo determina e sustém, na certeza da Verdade absoluta, qual dádiva inevitável da Sorte.

(15 de novembro) “Hoje é feriado nacional sem comemoração”

(Excertos de longa reportagem publicada pelo jornal  “Diário do Nordeste”)

Escrito por Redação,  15 de Novembro de 2004  

Pracinha da Cruz do Século, localizada no local onde foi fuzilado 
o herói monarquista Pinto Madeira, no bairro do mesmo 
nome na cidade de Crato

Esta matéria foi publicada há 17 anos. Mas permanece atualíssima

   Crato (Sucursal) — “A Proclamação da República, que deveria ser comemorada hoje, é apenas mais um feriado nacional. O desconhecimento e o desinteresse em relação à data é, no mínimo, curioso. O Cariri ocupa lugar de destaque na luta entre monarquistas e republicanos. Episódios marcantes da mudança de regime são rememorados nas fachadas de prédios antigos e em logradouros públicos. Nas escolas públicas de municípios cearenses, os estudantes mostram-se indiferentes à data, mesmo com trabalhos realizados em sala de aula.

    O Cariri mantém vivas as lembranças do Império, regime que antecedeu a República. Os principais episódios que marcaram a mudança do regime estão presentes nas fachadas dos prédios antigos que testemunharam o conflito de idéias entre republicanos e monarquistas. A mais forte imagem dessa luta de idéias é a Cruz do Século, erguida no bairro Pinto Madeira, onde o líder monarquista foi fuzilado. No local, muitas pessoas, acendem velas e fazem promessas, a maioria, sem saber o que Pinto Madeira representou para a região. E assim, acendendo uma vela à República e outra à Monarquia, as pessoas simples comemoram mais um feriado, sem saber o motivo. O aposentado Alfredo Rodrigues, 74 anos, que nasceu e cresceu no bairro Pinto Madeira, não sabe a origem do nome do bairro onde mora, muito menos o que significa Proclamação da República.

   O escritor e historiador monarquista, Armando Lopes Rafael, lembra que o Crato poderia ser uma das poucas cidades do Ceará a comemorar o aniversário da Proclamação da República, neste 15 de Novembro. “Poderia. Mas também aqui, a exemplo do restante do País, a data passa sem nenhuma comemoração”. Ao fazer este comentário, Armando Lopes Rafael lembra que hoje somente uma minoria nos meios acadêmicos não perde oportunidade para enfatizar a participação da cidade na Revolução Pernambucana de 1817. Iniciada em Recife (PE), esse movimento libertário e republicano estendeu-se até o Crato, que foi palco de um confronto ideológico entre o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, monarquista e católico tradicionalista, e membros da influente família Alencar, de formação liberal, defensora dos princípios republicanos e laicos da Revolução Francesa de 1789.

   Armando Lopes Rafael destaca os heróis monarquistas, começando pelo brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, nascido no Crato. O mais conhecido herói da Monarquia, porém, ficou sendo o caudilho Pinto Madeira. Crato o homenageia dando o seu nome a um dos bairros da cidade. A primitiva Casa da Câmara, onde Pinto Madeira foi julgado, e o local onde foi fuzilado são preservados. Neste último, a Prefeitura construiu uma praça chamada de “Cruz do Século”. É que o local do fuzilamento foi escolhido a fim de abrigar uma cruz de madeira para assinalar a passagem do século 19 para o século 20.

    Conhecido como pessoa vingativa e, até certo ponto violenta, Pinto Madeira, após sua trágica morte, foi transformado em “santo”. Segundo o historiador Irineu Pinheiro, no Crato antigo as pessoas faziam promessas e iam agradecer as “graças alcançadas” acendendo velas no local onde tombou o monarquista caririense”.

12 novembro 2021

No próximo domingo -- 14 de novembro -- Centenário da morte da Princesa Isabel

 Fonte e autoria: postado inicialmente no Facebook do Pró Monarquia

 


 (Às vésperas do Centenário do falecimento da Princesa Dona Isabel, a Redentora, cuja passagem dar-se-á no próximo domingo, dia 14 de novembro, temos a grata satisfação de compartilhar com todos os monarquistas e amigos da Família Imperial Brasileira a visão que dela tem seu bisneto e sucessor dinástico, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, conforme este a registrou em trecho de sua célebre “Carta aos Srs. Membros da Assembleia Nacional Constituinte”, de 7 de setembro de 1987.)

   "A mesma linha de conduta [do Imperador Dom Pedro II] deliberou seguir minha bisavó, a Princesa Isabel, que jamais incentivou nem autorizou qualquer tentativa de restauração monárquica por meios violentos. Sendo de piedade notória, ela continuou concorrendo com o valor de suas preces para que nosso País prosseguisse nas vias gloriosas da Civilização Cristã, rumo à peculiar grandeza – também cristã – que ela sabia ser o destino de nossa Pátria.

   "Por outro lado, interpôs ela toda a sua influência junto aos meios eclesiásticos da França, onde vivia com seu esposo, o Conde d’Eu, para que no célebre santuário do Sagrado Coração de Jesus, erguido em Paray-le-Monial, centro de convergência de piedade dos católicos de todo o mundo, estivesse presente o Brasil, por uma placa impetratória que ficou aposta a um dos muros desse lugar sagrado.

   "Igualmente foi por iniciativa dela, e por seu intermédio, que o Episcopado brasileiro enviou, em 1901, uma súplica ao Papa Leão XIII, pedindo a proclamação do dogma da Assunção de Maria Santíssima.

   "Encaminhando ao Pontífice a mensagem dos Bispos do Brasil, escrevia minha bisavó: ‘Longe de minha Pátria, sinto-me feliz ao menos por trabalhar pelo que nela pode fortificar a Fé’ (carta de 6-6-1901).

    "Dessa forma, o Brasil juntava sua voz ao clamor universal dos fieis, para que mais um título de glória da Santa Mãe de Deus fosse solenemente proclamado pela Igreja. Quase meio século depois, a 1º de novembro de 1950, Pio XII houve por bem definir, como dogma de Fé, a Assunção Corpórea de Maria aos céus. 

     "Generosa e caritativa que era, a Princesa Isabel destinava parte de seus apenas suficientes recursos ao socorro dos pobres e doentes. Os pedidos que lhe chegavam do Brasil, muito numerosos, eram preferencialmente atendidos, com discrição e solicitude".

Na esteira do "feriado" de 15 de Novembro: símbolos nacionais do Brasil, uma herança da Monarquia – por Armando Lopes Rafael


       No caos moral em que se encontra a sociedade brasileira, dois símbolos ainda resistem nesse estado de muita desordem de confusão de ideias e de subversão dos valores morais: o Hino e a Bandeira Nacional.

      Nossa Bandeira, a mesma que hoje tremula nas manifestações do povo (lembre-se o record que saiu às ruas no último dia 7 de setembro) é a mesma criada no Império do Brasil, com ligeira modificação.  Nosso principal símbolo pátrio foi criado através dor Decreto de 18 de setembro de 1822, desenhada pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret. Composta de um retângulo verde e um losango amarelo, cores escolhidas por Dom Pedro I, a lembrar o verde da Casa de Bragança (origem do nosso primeiro Imperador) e o amarelo da Casa Real dos Habsburgos, de onde provinha a Imperatriz Leopoldina.  Essa história de "verde das nossas matas e amarelo do nosso ouro" é outra Fake News dos republicanos, do ensino público e da mídia brasileira sem credibilidade...

      No Centro da linda bandeira, pontificava o Brasão do Império, cercado de ramos de café e tabaco, e indicados – no mencionado decreto – como "emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor, e ligados na parte inferior pelo laço da nação". As 19 estrelas de prata correspondem às 19 províncias que o país tinha na época. Menos de quatro meses depois, a coroa real que se sobrepunha ao brasão foi substituída por uma coroa imperial "a fim de corresponder ao grau sublime e glorioso em que se acha constituído esse rico e vasto continente", afirmava o decreto de 1º de dezembro de 1822.

      Também o nosso Hino Nacional (igualmente oriundo dos tempos imperiais), o mesmo  ouvido ainda hoje, com todo respeito, por milhões de brasileiros, remonta ao reinado de Dom Pedro I. Esse Hino era executado, à época da Monarquia, sem ter ainda uma letra. Conhecida apenas como “Marcha Imperial”, nosso Hino foi tocado nos campos de batalhas da Guerra do Paraguai. Depois desse conflito foi popularizado na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil.

       Com o advento do golpe de estado que implantou a República dos Estados Unidos do Brasil, (novo nome dado pelo chamado “Governo Provisório”), dirigido pelo Marechal Deodoro da Fonseca,  foi instituído um concurso para a adoção de um novo hino nacional. A ordem era (tentar) apagar tudo que restasse do Brasil-Império. Vivia-se os novos tempos republicanos e a propaganda oficial dizia que tudo iria melhorar; que o Brasil iria trilhar uma nova senda do progresso e de bem estar para a “brava gente brasileira” ... Quantas vezes, nos últimos 132 anos, vimos esse filme...

      Pois bem, na noite de 20 de janeiro de 1890, o Teatro Lírico do Rio de Janeiro estava superlotado, reunindo as mais destacadas personalidades da então capital brasileira, para conhecer o novo Hino Nacional. No camarote de honra, o velho Marechal Deodoro, àquela época já bastante decepcionado com alguns companheiros do golpe militar de 15 de novembro de 1889. O hino que obteve o primeiro lugar no concurso foi composto pelo maestro Leopoldo Miguez, com letra de Medeiros e Albuquerque. Na verdade, uma bonita peça (hoje chamada de “Hino da República”, que começa com o refrão: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”.

      Ao final da execução do hino, o Marechal Deodoro bateu o martelo e impôs: "Prefiro o velho!"

      Manda quem pode e obedece quem tem juízo, diz o dito popular! Foi quando ficou preservada para as gerações vindouras, a bela “Marcha Imperial”, o mesmo Hino Nacional Brasileiro de hoje, cujos primeiros acordes (“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas/ De um povo heroico o brado retumbante”) nos enche de orgulho e nos faz reviver o pouco de patriotismo que ainda resta à “Pátria amada, Brasil".

Instituto Histórico e Geográfico de Sobral – por José Luís Lira (*)

   


     Semana passada estive no Rio de Janeiro. Nessa viagem tive a alegria de reencontrar o casal Sheila e Daniel de Queiroz Salek (neto da escritora Rachel de Queiroz), o querido Cardeal Dom Orani Tempesta, além de Carla e Simão Aznar, passando, também, na sede da Ordem do Santo Sepulcro. 

   Aproveitando que eu teria reunião com o presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB, Prof. Dr. Victorino Coutinho Chermont de Miranda, e a sócia do IHGB, Profa. Dra. Vera Tostes, apresentei-lhes antiga ideia que ficou guardada: a criação do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral – IGHS. Ultimamente eu vinha discutindo o assunto com as professoras Giovana Saboya e Somália Viana, isto porque este ano o maior historiador sobralense, Mons. Francisco Sadoc de Araújo, fará 90 anos e o tornaremos Patrono do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral, a exemplo do que fizera em sua fundação o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com o Imperador Dom Pedro II.

   Francisco Sadoc de Araújo é homenageado pelo desempenho de seu papel como sacerdote católico, notável estudioso da História de Sobral e de sua região metropolitana, autor da Cronologia Sobralense, fundador e primeiro Reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), igualmente fundador da Igreja do Cristo Ressuscitado, que deu origem à Paróquia do Cristo Ressuscitado, da qual foi o primeiro Pároco, membro do Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico, imortal da Academia Cearense de Letras, da Academia Sobralense de Estudos e Letras e da Academia Brasileira de Hagiologia. Mons. Sadoc de Araújo, hors-concours que é, fora da competição, quando se trata de Sobral, patroneará o IHGS, reconhecido que será como a Casa do Mons. Sadoc de Araújo.

   Sobral, com 210.711 habitantes (estimativa IBGE-2020), é o quinto município mais povoado do Estado e o segundo maior do interior. Com uma taxa de urbanização de 88,35%, Sobral é o segundo município mais desenvolvido do Ceará, atrás apenas de Fortaleza, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano.

   Temos, nessa Terra de Dom José Tupinambá da Frota, nosso primeiro Bispo, a Academia Sobralense de Estudos e Letras, de 1943, mas, sucessora da Academia Sobralense de Letras de 1922 e a Academia Sobralense de Letras Jurídicas, fundada por mim, em 2015.

   Em resposta ao nosso comunicado, o Presidente do IHGB afirmou: “...que tal iniciativa virá reforçar o Sistema Nacional de Institutos Históricos e se mostra a todos os títulos oportuna, tendo em vista as celebrações do ano próximo, em que se comemorará o Bicentenário de nossa Independência”.

   “Em nome do IHGB, auguro-lhe sucesso na empreitada, ao mesmo tempo em que lhe peço transmitir a cada um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral os cumprimentos da Casa da Memória Nacional. Felicito-os, por outro lado, pela escolha que intentam fazer do nome de Monsenhor Francisco Sadoc de Araújo, a quem todos ficamos a dever a benemérita pesquisa sobre a história sobralense”.

   Comunicamos, também, ao Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico e, em 17 de dezembro, nas dependências da Igreja de Cristo Ressuscitado, faremos a fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral e a instalação será no ano vindouro.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


11 novembro 2021

Nada a comemorar neste 15 de novembro – por Armando Lopes Rafael

 

    2021 vai ficar marcado como o ano da CPI da Covid (apropriadamente denominada pelo povo como “A CPI do Circo"). Mas não é dessa risível CPI que venho falar hoje. Na próxima segunda feira –  aniversário da  “Proclamação” da República –  será mais um feriado nacional. E, como sempre, a maioria do povo não saberá a razão desse feriado. Empurrada goela abaixo na população brasileira, em 1889, por meio de um golpe militar, a tal “Proclamação” é um episódio da história sem nenhuma ressonância nas camadas do povo.

  O que tem sido a República nestes 132 anos desde que foi instaurada sem consulta popular? 

  Um ex-governador de São Paulo, Franco Montoro, gostava de lembrar que República vem de “res-publica” (coisa pública) e não de “Cosa Nostra”, o que ela  teria virado no Brasil... Em um artigo, o historiador Marcos Antônio Villa definiu bem os dias atuais da república brasileira. A conferir as palavras daquele historiador:

“Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. A impunidade acabou transformando alguns deles em referências morais, por mais estranho que pareça.

“Vivemos uma época do vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer preço. E rapidamente. Não importam os meios. Garantidos pela impunidade, sabem que se forem apanhados têm sempre uma banca de advogados, regiamente pagos, para livrá-los de alguma condenação.

“São anos marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disso. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e no qual nada é proibido. Pois os poderosos exercem o controle do Estado - controle no sentido mais amplo e autocrático possível. Feio não é violar a lei, mas perder uma eleição, estar distante do governo.

“Neste universo sombrio, somente os áulicos - e são tantos - é que podem estar satisfeitos”.

Precisa acrescentar mais alguma coisa?

10 novembro 2021

Nuvens que passam nos céus da realidade - Por: Emerson Monteiro


Assim são os acontecimentos, objetos e pessoas, fenômenos que ocorrem na face do cenário de um tempo em andamento. Fagulhas de fogueiras cósmicas, sacudimos fuligem no decorrer dos instantes que se sucedem numa velocidade imperceptível aos nossos prazeres mundanos. Elementos de reações maravilhosas vindas do Infinito, sacudimos asas rumo ao desconhecido, lá de onde há de haver, no entanto, a lógica indiscutível de tudo isto que ora presenciamos, perfeição além até do que imaginamos que seja. Entregues, por isso, aos humores das existências de quem tangemos os barcos, cruzamos as ruas quais não fôssemos apenas cobres dos mesmos tachos, a verter as lágrimas do mistério de nós mesmos, iguais que significamos diante do Eterno.

Tais sejam, pois, valiosas estas nuvens a preencher de luz o Cosmos sempre de novas consequências todo momento, a gerar seus próprios sucessores no ritmo desse mistério que bem representamos neste palco, seres inteligentes da Criação. Sem diminuir qualquer fragmento da importância do que habita o pulsar da geração, dotamos de vazio o céu imenso do firmamento, alimentando de sonhos as noites e os séculos. Dotados da mais valiosa criatividade, exercemos papel indispensável na transformação dessa matéria prima em constante desaparecimento, porquanto transportamos na nossa consciência o que daqui haverá de vir depois de um passado insaciável que largamos lá atrás.

Nós, essas nuvens transitórias que nutrirão de sentido as vidas de que somos instrumentos, partes do todo universal, sendo o Todo também, por força dos destinos eternos. Valiosas criaturas, os humanos. Parcelas insubstituíveis da engrenagem miraculosa em movimento no seio de todos nós, sem exceção. Resta, portanto, desvendar dentro da gente o tal segredo, e por em prática o exercício dessa divina exatidão que pulsa em nosso ser, fator e ânimo de tudo quanto dali seremos um dia, na soma exata do Ser e das criaturas deste tudo tão real e imperecível dos astros.

 


Reflexões sobre o feriado de 15 de Novembro

 A crise da “Presidência da República” – por Armando Lopes Rafael

    A “Presidência da República”, de qualquer nação que adota a forma de governo republicana, é o símbolo máximo do poder executivo e do líder político que a conduz.     Isso também acontece na República brasileira, certo? Errado.

      Com tudo o que o povo brasileiro vem assistindo ultimamente, constata-se que existe um “boicote” contra o atual Presidente da República, um forte “cerco” largamente divulgado pelas mídias. E isso nos leva a uma conclusão:  existe uma campanha orquestrada para desmoralizar o prestígio da “Presidência da República” no Brasil. Esta deveria ser respeitada, mas está sendo desmoralizada num crescendo...

        Fica a impressão de que, apesar da inegável popularidade do Presidente, formou-se um verdadeiro “complô” para criar narrativas visando unicamente defenestrar o Presidente do cargo. E ele foi eleito pela ampla maioria do povo. Nos últimos dois anos, o Supremo Tribunal Federal (cuja função institucional fundamental é de servir como guardião da Constituição Federal de 1988) adotou mais de 120 medidas contra o atual Presidente da República. Cerca de uma medida a cada sete dias. 

        No Senado da República criaram a ridícula CPI da Covid (jocosamente chamada pela população de “CPI do Circo”), a qual buscou, inutilmente, durante 6 meses, achar culpa por omissão do Presidente no combate ao vírus chinês que se espalhou pelo mundo. Na mídia televisiva, radiofônica, impressa e Internet, a coisa não fica atrás. Quase todos os jornalistas passam as 24 horas do dia acusando o Presidente da República de ser “a maior ameaça à liberdade de opinião na sociedade brasileira”. (SIC)

        “Todo exagero é ridículo” diz a sabedoria popular. Mas o estrago deixado pelo projeto de desmoralizar a Chefia da Nação é o maior atestado de que a República brasileira está esgotada... Quando e como esse “cerco” à Presidência terminará não se sabe. Mas sabe-se que a República brasileira definitivamente está chegando ao fundo do poço...   


09 novembro 2021

A contabilidade desta vida - Por: Emerson Monteiro


Tem gente que nem de longe deseja saber disso, de prestar contas deste mundo tão gostoso. Assim, recebe de um tudo, surfa nas planilhas da existência, usufrui do bom e do melhor da Natureza, respira ar puro, bebe água limpa, etc., etc., e acha que fica por isso mesmo, os bônus do acaso. Claro que não é bem desse jeito, pôs ainda tem que trabalhar, caminhar, tomar banho, viajar, estudar, etc., se não arrastaria de graça todos os prazeres daqui do Chão. No entanto, depois de tanto esforço de ser feliz, esquece as normas do procedimento de viver. Que teremos de respeitar os semelhantes, obedecer aos códigos, pagar boletos, morar, comer, vestir, educar a família, envelhecer, por vezes adoecer, quem sabe até morrer lá um dia?!

Bom, nisso há um conta corrente preso ao tempo do corpo, onde são contabilizados os débitos e créditos do que fazemos, instante a instante. Máquina perfeita, a Justiça maior anota tudo, numa escrituração magistral daquilo que fazemos dos direitos, e iremos responder dentro das normas exatas o quanto produzimos de resultados. Com a mesma exatidão de que fomos construídos nestes corpos destinados ao aprendizado evolutivo, cá vamos nós pelo caminho de aprimoramento, porém sujeitos às consequências dos nossos atos.

Muitos, talvez, poucas vezes imaginam ser desse modo, que haveremos de prestar contas lá adiante, ao cruzar a alfândega da Eternidade; e nisso esquecem a responsabilidade do viver, indiferentes à justeza da Perfeição que rege tudo, no piso das histórias universais. Fugir, não tem essa chance. Daí, ficar atônitos ou indiferentes aos pressupostos do Destino exige carga pesada de alienação e compromisso ao mesmo tempo. Só se arrepender é pouco, lá depois. Precisa cuidar, o quanto antes, de aprimorar a consciência e melhorar os praticados, na Lei do Merecimento. Largas oportunidades estão bem aqui às nossas barbas, chances multiplicadas a cada momento de exercitar esse destino individual em nossas mãos, agora. Os orientais denominam isto de Carma, ou contabilidade desta vida.

(Ilustração: O julgamento final, de Hieronymus Bosch).

Vem aí o feriado de 15 de Novembro -- por Armando Lopes Rafael

Crato tem “tradição republicana”, certo?... errado! 

    Hoje analisaremos esta falácia. A segunda-feira próxima – 15 de novembro de 2021 – assinalará os 132 anos do golpe que implantou a república no Brasil. E qual é a falácia?  A de que a cidade do Crato possui “tradição republicana(SIC). Vá lá! Todo povo tem direito a alguns “ôba-ôbas”. Crato também tem. Mas esse “ôba-ôba”  não parte do povo cratense, pois o  povo “não está nem aí” para o feriado de 15 de Novembro. A falácia vem de uma minoria de pessoas, já na ancianidade. Ou seja, é oriunda da minoria de parte da população cratense avançada nos anos.

     Mas o fato é que -- vez por outra --, ouvimos alguém alardear a falsa “tradição republicana” de Crato. Que nunca existiu no passado. Nem existe nos tempos atuais. Trata-se de um devaneio...  Começo por lembrar que o aniversário do golpe que implantou a república nunca foi comemorado em Crato. Nesta cidade o povo comemora muitas datas: 7 de setembro, 21 de Junho, 1º de setembro (Nossa Senhora da Penha), 19 de março (São José). Também festeja as datas de outros santos como São Francisco, São João, São Pedro... Agora, “comemoração” no dia 15 de Novembro – data da “Proclamação da República” – nunca se viu.

     E por que isso acontece? Ora, Crato, durante 149 anos viveu sob a monarquia (de 1740 quando foi fundado, até 1889 quando uma minoria de oficiais militares empurrou goela abaixo da população a forma de governo republicana). Não se apaga facilmente um século e meio na vida de um povo.  Tanto isso é verdade que, ainda hoje, quando o povo reconhece méritos ou qualidades acima do comum – em certas pessoas – costuma dar-lhe o título de “Rei”. Por isso tivemos ou temos: “O Rei Pelé”, “O Rei Roberto Carlos”, “O Rei do Baião” etc. E o que dizer dos concursos que se realizam para escolha da “Rainha do Colégio”, “Rainha da Exposição”? e de nomes de lojas como “O Rei da Feijoada”, “O Império das Tintas”? Ou nomes por demais conhecidos como “Cidade Princesa do Cariri”, “Imperatriz do Crato (sua Padroeira, Nossa Senhora da Penha), “Rádio Princesa FM”, “Colégio Pequeno Príncipe”?etc.etc.

     Portanto, é um mito sem consistência essa alardeada “tradição republicana” de Crato. Precisamos ter coragem para proclamar isto, pois ela não reflete a realidade. Ainda não se conseguiu sensibilizar as camadas populares para comemorar, em Crato, o golpe militar que impôs no Brasil essa fracassada República. Sempre foi assim. Assim sempre será.

      Mais uma vez, o próximo 15 de novembro terá repartições públicas e escolas fechadas. Mas pouquíssimas pessoas saberão explicar a razão desse inopinado feriado...