camera-crato

VÍDEO - CONVERSA FRANCA - MENSAGEM DE ANO NOVO - Dihelson Mendonça ( 01-01-2018 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



17 fevereiro 2018

Patrimônio Histórico: No Crato sobrou muito pouco a ser preservado

Fonte: Diário do Nordeste, 17/18-02-2018.
     A situação mais grave de conservação está no Crato, onde boa parte do patrimônio já foi destruída ou transformada. Os que resistem não têm nenhum tipo de amparo, nem mesmo de Lei Municipal, que assegure sua preservação. No entanto, ainda há três patrimônios materiais tombados: A Casa de Câmara e Cadeia, o Largo da RFFSA e o Sítio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. "Aqui se destrói do dia para noite porque não tem ninguém para defender", lamenta o arquiteto Waldemar Farias.
     Ele acrescenta que até os prédios de meados do século XX, de pouco mais de 60 anos, também já foram destruídos. Ou seja, o Crato sempre se renova. Algumas fachadas têm resquícios do Século XIX, mas são poucos. A Igreja Católica é quem mais preserva. Longe da parte urbana, algumas fazendas antigas e capelinhas sobrevivem ao tempo. "Para tombar, primeiro, a população precisa querer. Um povo sem passado, não tem presente e não tem futuro", provoca.
      Até os prédios tombados enfrentam dificuldades. Para Waldemar, o Largo da RFFSA, antiga estação da Rede de Viação Cearense, tem estado muito ociosa. "O prédio da sala de embarque está parado", acredita. Nos outros dois prédios funcionam a Secretaria de Cultura, uma Biblioteca Pública e um auditório.
     Enquanto a Casa de Câmara e Cadeia, construída em 1877 e pertencente à Prefeitura, enfrenta sérios problemas em sua estrutura. No térreo, funciona o Museu Histórico e, no andar de cima, onde tinha o Museu de Artes, está destruído. O piso foi retirado para uma reforma, há mais de 10 anos, mas que teve que ser paralisada. Hoje, corre risco de desabamento. Na parte de baixo, o forro de uma das salas cedeu com as chuvas.
     Desde 1940, o local já era estudado pelo Iphan porque apresenta peculiaridades, como a enxovia em forma de abóbada, onde ficavam os presos mais perigosos. No andar de cima, funcionaram as primeiras sedes da Câmara Municipal e a Prefeitura.
     Segundo o secretário de Cultura de Crato, Wilton Dedê, a Casa de Câmara e Cadeia tinha um processo de reforma de gestões passadas que foi necessário encerrar, refazer a prestação de contas e devolver o dinheiro. No entanto, ele garante que a Prefeitura já está pleiteando uma nova emenda para reconstruir. "O museu sofreu o início de uma reforma, aí teve que destruir uma parte. Daí, parou. Destruíram a parte de cima. A parte de baixo passa por manutenção física, troca de forro, instalação elétrica, parede", explica.
     O titular da Pasta conta que há mais de um ano vem tentando resolver os problemas burocráticos do processo anterior e iniciar uma nova reforma. Além disso, fez um levantamento pessoal de 80 prédios no Crato com apoio de professores da Urca, atendendo uma solicitação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) sobre o andamento dos tombamentos.
     "Há uma pretensão de fazer um estudo histórico. Uma lei pode ser um incentivo para o proprietário manter. Hoje, não temos diálogo com proprietários. Mas já temos projeto para levarem alunos para dentro do Museu e vamos implantar alguns projetos lá. Preservar os prédios é importante, porque só planeja seu futuro se souber o seu passado. Destruir a memória é impedir de pensar seu futuro", conclui Wilton Dedê.

A visão interior - Por: Emerson Monteiro

Desde antes, bem antes, que os humanos buscam a certeza da fé inquestionável, a transformar isto na força maior do Universo. Eles batem nas tantas portas que nunca abrem, e ainda assim persistem no dever soberano de continuar, conquanto muitos reconheçam as limitações diante do tempo e firmam seus propósitos de, um dia menos dia, revelar em si o mistério da Eternidade consciente. Lendas existem, religiões, filosofias, no entanto o sonho principal significará uma firmeza nas constatações e um mergulho definitivo na virtude plena da imortalidade.

Nesse território interno do ser que habitamos e somos, acontecem as grandes aventuras da Consciência, no patamar de dentro das criaturas humanas. Face à subjetividade, isto é, à versão bem pessoal das descobertas intransferíveis, quem de si revelar a verdade tremenda dessa busca de resposta quase nada significará em dizer os demais não viverem a experiência singular da transcendência. Isto sobremodo representa a visão interior, dado essencial das conclusões individuais.

Durante toda trajetória de vida o fator preponderante representa, pois, oferecer a si os motivos da certeza do eterno em suas experiências particulares. São inúmeras as possibilidades, entretanto raros humanos demonstram conhecer em espécie a solução do tal enigma raiz e a justificativa de superar o que seria estação final do percurso vida. Somos quais viajores das estrelas, porém na galáxia do ser íntimo em que exercemos o papel desbravador da consciência.

Horas em conta aplicamos bem nisto, de equacionar o mistério das dúvidas em prol da certeza das certezas, o que acalmará e justificará tudo quanto aqui vivermos. Aguçar, todavia, os olhos da alma na gente apresenta fase que pede empenho, renúncia e desejo pleno. Nessa jornada pelas vidas impera, por isso, a causa fundamental de todo o conhecimento. Através do mecanismo da espécie que ensaiamos advirá, nalgum momento das felicidades, o acerto final e êxito inquestionável de tudo quanto há e em todos os sentidos. Isto por si só resume e esclarece as infinitas práticas e os elementos universais da Civilização.

A primeira paróquia criada no Cariri (por Armando Lopes Rafael)

     Muitos pensam que a primeira paróquia criada no Vale do Cariri foi a de Nossa Senhora da Penha de Crato, fato ocorrido em 1768. Entretanto, em 28 de janeiro de 1748 – vinte anos antes da ereção da paróquia de Crato – foi criada a Freguesia dos Cariris Novos (hoje cidade de Missão Velha), tendo como padroeira Nossa Senhora da Luz (foto acima).
      Em 1759, o acanhado templo que abrigava a única igreja-matriz do sul do Ceará, a Paróquia dos  Cariris Novos, estava arruinado. O seu vigário, padre Manoel dos Prazeres de Sousa Magalhães, obteve então a autorização do bispo de Olinda, Dom Francisco Xavier Aranha, para erguer uma nova igreja em Missão Velha. Mas, fato curioso, a paróquia teria um novo padroeiro:  São José. E assim aconteceu.  Desconhecem-se as razões que motivaram a troca de Nossa Senhora da Luz por São José, como patrono da primeira paróquia do Cariri.
      Restou para a história este fato: Nossa Senhora da Luz, em passado remoto, foi a primeira padroeira oficial das terras caririenses. Infelizmente, nos dias atuais, nada mais resta para lembrar aquela antiga devoção, hoje totalmente desconhecida pelas novas gerações missãovelhenses. Para saber algo sobre a devoção a Nossa Senhora da Luz,  damos a palavra ao historiador Murilo Zampieri.
“Foi em Portugal, no decorrer do século XV, que a devoção a Nossa Senhora da Luz floresceu e, dali, veio para o Brasil. Pedro Martins, simples agricultor da pequena vila portuguesa de Carnide, levava uma existência tranquila com sua esposa. Mas eram turbulentos os tempos em que viviam. As crônicas não relatam exatamente como, mas ele teve o infortúnio de cair prisioneiro dos mouros da África. Do ambiente de afeto de sua família, caiu na desgraçada condição de escravo, sujeito a um regime sem compaixão de trabalhos pesados, sob clima atroz e, sobretudo, privado por completo do conforto da religião cristã. Passavam-se os anos, e nenhuma esperança humana restava ao infeliz cativo. Vendo-se de tal modo desamparado pelos homens, Pedro Martins se voltou então, com mais intensidade do que nunca, para Deus.
  “Numa noite, isolado em sua cela, resolveu rezar com mais fervor e fé. Após horas de oração, vencido pelo sono, adormeceu. Então lhe apareceu em sonho uma Senhora cheia de luz, a qual lhe prometeu voltar mais vezes para consolá-lo e, após sua última visita, fazê-lo voltar para Carnide. Acrescentou que, lá chegando, ele deveria procurar algo que pertencia a Ela e fora escondido perto de uma fonte. Deu-lhe também a incumbência de ali edificar uma capela, cuja localização exata Ela lhe indicaria por meio de uma luz.
   “Trinta noites consecutivas passou ele consolado pela própria Mãe de Deus! As dores sofridas durante o dia se desvaneciam pela luz e a suavidade das horas passadas aos pés de Maria. No entanto, ele continuava cativo. Ao despertar da trigésima noite, oh surpresa! De modo milagroso e inesperado, estava ele de volta em sua boa aldeia. Tomado de emoção, encontrou-se com os seus entes amados, os quais muito se admiravam por vê-lo salvo.
   “Mas ele não se esqueceu do pedido da Virgem, e logo se pôs a procurar aquilo que, segundo a indicação d’Ela, tinha sido escondido “perto de uma fonte”. Na verdade, num local chamado Fonte do Machado, há tempos uma luz misteriosa andava aparecendo, e de toda parte vinha gente curiosa para ver tal fenômeno. Decidiu então Pedro ir à noite, acompanhado de um primo, para ali fazer a busca. Realmente, ao chegar à fonte avistaram uma luz a se mover diante deles. Seguiram-na até um matagal, e ela parou sobre umas pedras. Eles não pensaram duas vezes. Retiraram as pedras e com encanto se depararam com uma lindíssima imagem de Nossa Senhora. A notícia dessa milagrosa descoberta correu por todo o país, e naquele mesmo ano – 1463 – deu-se início à construção de uma capela, conforme fora ordenado pela Santíssima Virgem. Anos mais tarde, ela seria substituída por uma magnífica igreja.
    “Atravessando os mares, a devoção a Nossa Senhora da Luz estendeu-se pelo mundo inteiro, frutificando também no Brasil”.
        Essa devoção a Nossa Senhora da Luz floresceu – por pouco tempo no Cariri –  em 1748, com a criação da Freguesia de Nossa Senhora da Luz dos Cariris Novos, a qual, em 1760, receberia a nova denominação de Paróquia de  São José dos Cariris Novos.

16 fevereiro 2018

Propina financiava até IPVA e conta de luz de Gleisi Hoffmann, diz delator

Reportagem de VEJA conta as revelações do advogado Marcelo Maran, que confessou ter controlado as contas da senadora
Fonte: VEJA desta semana, Por Hugo Marques
Prontuário - A senadora, prestes a ser julgada: o dinheiro da corrupção pagava até conserto de liquidificador
     Em depoimento inédito colhido pela Procuradoria-Geral da República, o advogado Marcelo Maran detalhou como dinheiro desviado dos cofres públicos financiou, além das campanhas eleitorais de Gleisi Hoffmann, o conforto da senadora e de sua família.
      Segundo Maran, despesas comezinhas da atual presidente do PT e do marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, eram bancadas por uma conta-propina abastecida, na ponta, pelo dinheiro do contribuinte. Os gastos incluíam gasolina, taxas de IPVA, conta de luz, condomínio, conserto de liquidificador, brinquedos para seus filhos e pequenos luxos, como motorista particular – informações que ela nega.
        Mais detalhes você encontrará na edição de VEJA que hoje chega às bancas.

Historiador missãovelhense lançará livro sobre sua cidade – por Armando Lopes Rafael


    Meu velho e estimado amigo João Bosco André, telefonou-me para comunicar o lançamento de um livro de sua autoria: Documentos para a história de Missão Velha. O evento de lançamento ocorrerá no próximo dia 17 de março, daqui a um mês, às 19:00h, na Câmara Municipal de Missão Velha. Certamente a escolha do local recaiu para homenagear o Poder Legislativo de Missão Velha, já que João Bosco André foi vereador na sua terra natal.
    João Bosco André é um guerreiro!
   Várias virtudes ornam a personalidade dele: cidadão exemplar, católico autêntico, devotado ao estudo da história de Missão Velha, pesquisador paciente e figura de destaque na comunidade onde vive.
    Conheci-o na época do Plebiscito de 1993, evento que movimentou a opinião pública brasileira. As novas gerações não sabem, mas constou na vigente Constituição de 1988, que as autoridades republicanas deveriam cumprir – depois de cem anos da promessa nunca cumprida – o compromisso feito pelos golpistas de 15 de novembro de 1889: ao povo brasileiro caberia escolher a forma e o sistema de governo para nosso país.
    Como tudo que ocorre no Brasil., aquele plebiscito foi feito “pela metade”. A liberdade de informação a ser dada pelos monarquistas foi fraudada. Os detentores republicanos do poder sonegaram informações valiosas para que o povo pudesse decidir com conhecimento de causa.     Negaram aos Príncipes Imperiais ( Dom Luiz e Dom Bertrtand de Orleans e Bragança) e outros membros da Família Imperial, acesso ao horário gratuito na televisão para que eles mostrassem ao povo as vantagens da Monarquia.
       E assim a massa ignara foi às urnas, com a cabeça feita por demagogos da troglodita esquer4da brasileira, por lideranças  do naipe de um Brizola, Lula da Silva, et caterva. A imensa maioria do povo brasileiro desconhecia   qual o melhor regime para o país: republicano ou monarquista, bem como  qual o melhor sistema: presidencialista ou parlamentarista.
***   ***   ***
   Bosco André engajou-se no time dos monarquistas. E fez bonito! Conseguiu até trazer a Missão Velha o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança para que este recebesse o título de “Cidadão Missãovelhense”, o que foi feito numa solenidade memorável na Câmara Municipal daquela cidade, seguido de lauto almoço oferecido ao herdeiro do Trono Brasileiro. Bosco André fez história na sua cidade.
    Parabenizo João Bosco André pela autoria do livro. A obra será, inegavelmente, de grande interesse para os que querem conhecer a história do Cariri.

Sobre o livro:
Documentos  para a história de Missão Velha
Lançamento em 17 de março de 2018, às 19:00 horas
Câmara Municipal de Missão Velha
Rua Padre Cicero, S/Nº. – Centro
Para falar com João Bosco André:
Fones: 88 – 3542 1118 / Celular: 88 – 99705 7609
E-mail: joaoboscoandre@yahoo.com.br
Na foto abaixo, João Bosco André 


15 fevereiro 2018

Uma fotografia – por José Luís Lira (*)

   A música fotografia, de Leoni e Léo Jaime, dá o tom da coluna de hoje: “E quando o dia não passar de um retrato/ Colorindo de saudade o meu quarto/ Só aí vou ter certeza de fato/ Que eu fui feliz”. Neste feriado – carnaval para mim não é mais que isso –, embora respeite aos que se divertem; de repente, não mais que de repente, como diria o poeta, e no acaso que só a vida é capaz de produzir, enquanto folheava um velho livro que trouxe a Fortaleza para encadernar, encontrei, entre suas páginas, uma fotografia na qual aparecíamos 3 amigos.
      Era a infância mágica. Estudávamos no Instituto Benjamin Soares, administrado pelas queridas Irmãs Reparadoras do Coração de Jesus. Tivemos uma educação sólida tanto nas matérias que nos eram ensinadas quanto na formação pessoal que nos acompanha. Não é demais dizer que os que estudamos naquela Escola facilmente nos reconhecemos. O tempo passou. Cada um seguiu seu caminho, em locais e diria até, em funções, diferentes das que sonhávamos e falávamos naqueles dias. Pouco nos falamos, mas, ainda somos amigos.
      Via numa manhã esta fotografia. Lembro-me exatamente da situação, do dia que ela foi “tirada”. Só não sabia onde ela estava. À tarde, decidi ir a um Shopping da Cidade para almoçar e, depois, ver um filme. Entre a praça da alimentação e o cinema, ouvi voz aparentemente conhecida dizendo: é ele! Olhei para trás e lá estavam meus amigos de infância. Um com sua filha de 16 anos (linda, com os olhos de sua avó que conheci) e a outra acompanhada do marido. Que surpresa! Parecíamos os três da fotografia, abraçados e emocionados. A filha de um e o marido da outra sabiam que éramos da mesma cidade, talvez não soubessem o laço que nos une tão fortemente. Passamos uns minutos em silêncio e ao mesmo tempo emocionados.
      Na hora lembrei da fotografia, mas, não falei. Fomos à mesa, sentamos, conversamos; desde dezembro último, não estou podendo nem gosto de beber (e não disse a eles), mas, pedi um vinho e brindamos o reencontro e eu fiquei pensando: fomos (somos) felizes! Atualizamos contatos, sorrimos, uma lágrima teimosa caiu e nós a vimos em nossos rostos. Eu perdi o horário do cinema e nem me importei. Passamos quase toda a tarde ali, conversando. Até que a filha do meu amigo reclamava de cansaço e cada qual partimos para nossos mundos, para um dia, na arte do encontro e desencontro da vida, nos revermos.
      Este texto, não vou ter a pretensão de ser chamado “crônica”, é um pouco saudosismo como o são os dias que passam do carnaval com o início da Quaresma, período não só de penitência, mas, também, de reflexão. Decidi partilhar esta passagem, talvez até lembrando o grande poeta inglês T.S. Eliot: “Eu escrevo para me livrar da emoção”. Meus amigos o lerão quando enviar-lhes eletronicamente, pois, eles residem n’outros Estados e já retornaram à normalidade de suas vidas.
      A fotografia é uma forma perene de registrar momentos que se eternizam, viram saudades, mostrando que vale a pena um instante, tão evidenciado num filme daquela nossa é1poca e, para mim, o melhor longa do século que passou: 1“Sociedade dos Poetas Mortos” (1990), o “carpe diem” (aproveite o dia). E para os próximos encontros, fizemos nova fotografia e, por ironia, ficamos nas mesmas posições de antes, sem intencionalidade. Até a próxima semana!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

13 fevereiro 2018

Comissão de Teólogos do Vaticano aprova processo de beatificação de Frei Damião

Próximo passo é esperar o parecer da Comissão dos Cardeais, em Roma, na Itália.
Fonte: G1
 Estátua de Frei Damião está localizada no memorial construído em homenagem a ele, em Caruaru  (PE) -- (Foto: Joalline Nascimento/G1)

    A Comissão dos Teólogos, na Congregação das Causas do Santos, aprovou o processo de beatificação de Frei Damião. De acordo com o postulador da causa, frei Jociel Gomes, o próximo passo é aguardar o parecer da Comissão dos Cardeais em Roma, na Itália.
    Segundo o frei Jociel, o resultado desta próxima etapa deverá ser divulgado nos próximos oito meses, ainda sem data definida.
aso a Comissão dos Cardeais aprove, caberá ao papa Francisco autorizar o decreto de venerável a Frei Damião. O já falecido frade capuchinho pode se tornar beato e, depois, santo, se tiver pelo menos dois milagres atribuídos a ele comprovados.

Sobre Frei Damião 
    Frei Damião de Bozzano, nascido Pio Giannotti, nasceu em Bozzano, na Itália, em 5 de novembro de 1898. Aos 13 anos ele ingressou na vida religiosa, e em 1915, aos 17 anos, emitiu os primeiros votos religiosos e recebeu o nome de Damião.
      O frade capuchinho chegou ao Brasil em 1931 e durante 66 anos visitou diversas regiões do país. Frei Damião era um missionário e arrastava centenas de pessoas por onde passava. Ele morreu aos 98 anos, no Recife.



Caos da Venezuela: Brasil dobra controle militar e reforça triagem de refugiados

Fonte: Agência Estado
 Brasília, 13 - O Brasil criou uma força-tarefa para controlar o ingresso de venezuelanos em Roraima, medida anunciada em visita do presidente Michel Temer ontem a Boa Vista. De acordo com o plano, haverá aumento de 100 para 200 homens nos pelotões de fronteira no Estado e duplicação dos postos de fiscalização. O governo federal pretende aplicar R$ 15 milhões na contenção de novos refugiados - alguns dos quais são usados pelo crime organizado - e na ajuda para os que já chegaram.
    Segundo a Polícia Federal, 42 mil imigrantes venezuelanos entraram em 2017 por via terrestre em Roraima e não saíram. Isso equivale a 10% da população do Estado, de 400 mil moradores. Depois do anúncio da assinatura de uma medida provisória decretando uma espécie de "estado de emergência social" na região, os ministros da Defesa, Raul Jungmann, do Gabinete de Segurança Constitucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, e da Justiça, Torquato Jardim, detalharam algumas das medidas.
     Temer, que não chegou a passar pelas ruas e praças de Boa Vista tomadas pelos imigrantes, listou o fluxo de refugiados para o Estado como um problema grave, que pode ter impacto em outras partes do País. "Todos os recursos necessários serão usados para solucionar a questão", prometeu, indicando que pretende resolver a questão este ano. De acordo com o presidente, a governadora de Roraima, Suely Campos, mencionou que cidadãos do país vizinho estariam "tirando emprego de roraimenses".      
      "Temos milhares de venezuelanos em Roraima que demandam remédios e alimentação e não podemos e nem queremos fechar as fronteiras", afirmou Temer. O presidente anunciou revalidação de diplomas para professores e médicos venezuelanos, como forma de aumentar a participação deles na assistência. Canadá, Estados Unidos e União Europeia já ofereceram ajuda para controlar o fluxo desordenado.
      A governadora de Roraima entregou um documento com 11 sugestões, entre as quais está a atuação do Exército no policiamento ostensivo em Pacaraima. Ela afirmou que o crime organizado aproveita a vulnerabilidade dos venezuelanos para fazê-los transportar drogas e armas para o Brasil.

2018 assinala 20 anos da morte de Dom Vicente Matos – por Armando Lopes Rafael

Busto de Dom Vicente Matos – colocado por iniciativa de seus admiradores –  na Praça da Sé. Nenhuma rua de Crato foi denominada em homenagem ao maior benfeitor desta cidade. Quanta ingratidão! Mas existem mais dois bustos dele em Crato: um em frente ao auditório do Colégio Pequeno Príncipe e outro, no Centro de Expansão da Diocese,localizado no bairro Grangeiro.
  No próximo dia 06 de dezembro o calendário das pequenas efemérides do Cariri vai assinalar vinte anos da morte do terceiro Bispo de Crato, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos. Esta data enseja a que façamos um retrospecto da vida desse grande bispo que o Crato teve a sorte de ter como pastor diocesano, de 1955 a 1992, ou seja, por cerca de 37 longos anos.
  Tão logo foi ordenado sacerdote, em 29 de novembro de 1942, o jovem Padre Vicente Matos recebeu a missão de ser o primeiro administrador da recém-criada Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, da cidade de Capistrano, à época pertencente à Arquidiocese de Fortaleza.
  
Em Capistrano, o Padre Vicente Matos encontrou como igreja-matriz uma capela singela e de pequenas dimensões, embora dotada de um tradicional cruzeiro no seu patamar (foto acima). Naquela cidade, ele demonstrou os primeiros sinais do espírito empreendedor de que era dotado. Deve-se ao Padre Vicente Matos a construção da nova e imponente igreja-matriz da paróquia de Capistrano, (foto abaixo) hoje integrante a Diocese de Quixadá. Na sacristia daquela igreja existe uma foto do então Pe. Vicente Matos e uma placa de gratidão da população de Capistrano.
     Logo após ordenado,  o Arcebispo de Fortaleza, Dom Antônio de Almeida Lustosa (que tem um Processo de Beatificação em andamento)  percebeu as virtudes do jovem Padre Vicente Matos, dentre as quais sobressaiam os dotes de um pastor zeloso, prudente, dinâmico, firme e compreensivo. Por isso convocou-o para dirigir o Colégio Arquidiocesano, em Fortaleza, o que o jovem padre fez com responsabilidade e competência entre  1947 até meados de 1955.
    Acima, Dom Vicente Matos (penúltimo à direita) é visto nesta foto de 1960, sendo recebido pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, juntamente com outros bispos brasileiros,  nos primeiros dias de Brasília como nova capital da República. Ao lado do presidente Juscelino está Dom Helder Câmara, e, atrás deste, o cardeal Eugênio Sales.

    Em 21 de abril de 1955, Pe. Vicente Matos foi eleito bispo. A edição do jornal “O Povo” de Fortaleza, do dia 26 do mesmo mês,  abaixo da manchete Pio XII nomeia sacerdote cearense, publicava a seguinte notícia:
“Mais um sacerdote cearense acaba de ser distinguido pelo Papa Pio XII. Trata-se do virtuoso Padre Vicente de Paulo Araújo Matos, que, pela nomeação papal, recebeu o título honorífico de bispo titular de Antioquia no Meandro. Irá coadjuvar Dom Francisco de Assis Pires na Diocese de Crato”.
     Como Sucessor dos Apóstolos, Dom Vicente adotou o lema – sugerido por Dom Antônio de Almeida Lustosa –, "Vicenti Dabo Manna" (Ao vencedor darei o maná). Este lema, tirado do livro do Apocalipse, é uma alusão ao prenome do novo bispo (Vicente), “o qual, fortalecido pela Eucaristia e com as bênçãos da Virgem Maria, vivamente deseja vencer, na terra, e chegar ao banquete celeste de que é símbolo o maná”, explicação que consta do brasão episcopal de Dom Vicente.
   Dom Vicente Matos chegou a Crato, como bispo-auxiliar, em 15 de agosto de 1955. Em 22 de janeiro de 1961 foi nomeado terceiro bispo desta diocese, sucedendo a Dom Francisco, já falecido. Em Crato, Dom Vicente permaneceu até 1º de junho de 1992, quando renunciou ao Bispado por motivo de saúde. Foram, portanto, 37 anos de doação, sofrimentos e vitórias de um  fecundo episcopado em terras do Cariri cearense. Quanto injustiças ele sofreu nesse período!
    Mas o que Dom Vicente Matos realizou na Diocese de Crato lembra a obra de um gigante!
    Dentre as suas muitas realizações podemos lembrar: criou dezoito paróquias; ordenou trinta e sete sacerdotes. Deve-se a ele a fundação do Instituto de Ensino Superior do Cariri, mantenedor da Faculdade de Filosofia de Crato e embrião da atual Universidade Regional do Cariri.
     Foram, também,  iniciativas de Dom Vicente a construção do imponente Centro de Expansão Educacional (localizado no bairro Grangeiro) que hoje leva seu nome; a Rádio Educadora do Cariri; a Empresa Gráfica Ltda., que editava o jornal “A Ação”; a criação da Fundação Padre Ibiapina, instituição de amplo alcance social que desenvolve trabalho de Evangelização, Cursos de Treinamento e as Pastorais da Criança, da Educação e da Saúde. A Dom Vicente se deve ainda a criação dos primeiros Sindicatos dos Trabalhadores Rurais no Sul do Ceará; a criação e construção do Ginásio Madre Ana Couto e do Colégio Pequeno Príncipe; a criação da  Escola de Líderes Rurais e da Organização Diocesana de Escolas Profissionais, dentre tantas outras iniciativas e gestos de bondade, superioridade ao meio em que vivia.
    Um grande bispo!
   Tanto que ele continua sendo  (em toda a existência de quase três séculos desta Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara),  o  maior benfeitor do Crato!
 São João Paulo II recebe a visita do Bispo de Crato, Dom Vicente Matos

12 fevereiro 2018

Dom Pedro II – O mais injustiçado dos brasileiros

"República no Brasil é coisa impossível porque será uma verdadeira desgraça. O único sustentáculo do Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela."
(Carta do Marechal Deodoro para um sobrinho, escrita em 13 de setembro de 1889, pouco mais de 2 meses depois, Deodoro ajudaria com o golpe da proclamação)

   Dom  Pedro II foi deposto do Império do Brasil por um golpe militar em 15 de novembro de 1889. É difícil, caro leitor, desmistificar a visão que se tem deste honrado brasileiro, quando somos ensinados desde pequenos com livros e professores tendenciosos; quando percebemos que a república criou todo o mecanismo necessário para se destruir uma imagem positiva da Monarquia Brasileira, para que as pessoas crescessem ignorantes à essa época. Acho que nem os mais otimistas deles esperavam que desse tão certo. Mas deixem-me apresentar-lhes um pouco mais sobre Dom  Pedro II.
   Em seu governo, que durou 49 anos (1840 - 1889), houve grande desenvolvimento cultural e científico no país. Em um período onde era comum o entendimento científico de que existia de fato uma separação racial entre brancos, negros e amarelos, o Imperador sempre demonstrou um profundo ceticismo quanto a tal teoria e nunca se deixou convencer pela tese de diferenciação racial. 
    É fato que Dom Pedro II não possuía escravos que trabalhassem para ele, preferia dar-lhes salários, bem como o fazia a Princesa Isabel. Possuía amigos negros, inclusive seu tutor desde a infância, o afro-brasileiro Rafael, veterano da Guerra da Cisplatina (Rafael viria a falecer em 15 de novembro de 1889, com mais de 80 anos, quando soube que o Imperador seria exilado do Brasil). O engenheiro André Rebouças, também negro, autoexilou-se à época da proclamação da república, em solidariedade.
    Em 1914,  o senador Rui Barbosa – uma das figuras ilustres  que apoiaram  o golpe militar de 15 de novembro  de 1889 – proferiu da tribuna do Senado da República, no Rio de Janeiro, o discurso que viria ser a "mea culpa" pelo mal que que os golpistas causaram ao Brasil. Mal que se arrasta até às gerações atuais, até os dias de hoje. A certa altura, do seu discurso, disse Rui Barbosa:

    "A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. […] 
    De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Essa foi a obra da República nos últimos anos. 
    No outro regime [na Monarquia], o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante [Dom Pedro II], de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade."
Fonte: rcfelipe.blogspot.com

11 fevereiro 2018

Temer visitará Roraima nesta 2ª feira (12), devido ao aumento da entrada de imigrantes venezuelanos que fogem da ditadura de Maduro

    Preocupado com o agravamento da situação em Roraima, por conta do aumento da entrada de venezuelanos no Brasil, com a piora da crise no país e, principalmente, depois da decisão da última semana da Colômbia, de fechar a fronteira com a Venezuela, para impedir a entrada dos vizinhos, o presidente Michel Temer decidiu ir pessoalmente a Boa Vista, para ver a situação in loco e verificar que medidas poderão ser tomadas para ajudar na solução dos problemas criados por esta imigração em massa. Amanhã (12), Temer vai se reunir com a governadora de Roraima, Suely Campos.
    “Não dá para esperar o Carnaval terminar para agir. A situação é dramática. Precisamos entrar com uma forte ação federal para ajudar o Estado e os municípios de Roraima”, disse ao Broadcast/Estado o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, que esteve na quinta-feira da semana passada em Boa Vista, ao lado dos ministros da Defesa, Raul Jungmann, e da Justiça, Torquato Jardim, verificando os problemas.
     “O quadro lá é muito sério”, prosseguiu o ministro, ao informar que a ideia do governo federal é ampliar “ainda mais fortemente” o aparato de apoio ao Estado, com mais ações de saúde, como levar mais suprimento para a população, por exemplo, além do reforço das fronteiras com soldados e Polícias Federal e Rodoviária Federal, para ajudar no ordenamento da entrada dos venezuelanos, já que o estado, sozinho, não tem mais condições de receber tantos imigrantes, atendê-los e abrigá-los.
Fonte: Agência Estado/Istoé

Só alegria é para sempre - Por: Emerson Monteiro

Isso é o que ouço dos pássaros da Serra. De tanto insistir em contar essa revelação, os sabiás chegaram a revelar em profusão a determinação de Deus. Só alegria, e para sempre. De tanto ouvir deles o gorjeio pude interpretar a função do que diziam com tamanha insistência. Alegria é para sempre. O mais das situações outras também serve, mas só durante algum período, até que a verdade tome de conta de tudo, no âmbito da natureza imensa. A gente vaga solta nas sombras por determinado tempo; persiste por vezes nas estradas da procura dos aguerridos soldados da existência; quando certa feita descobre o país da ciência interior, e nele constrói a morada definitiva da sorte.

Andar nas trilhas do Universo ocasionará esse dia, neste momento de rara felicidade, no encontro consigo, longe das agruras das outras histórias largadas nas ilusões. São tantas a folhas caídas no chão das almas que elas fertilizam a safra da paciência. Geram meios de selecionar a nós mesmos e saber das linhas do destino escritas nas mãos dos mistérios. Fruto das escolhas entre os nadas que esvaem e a disposição de continuar, o herói abraça o próprio ser num ato de amor pelas montanhas e nuvens. Ressurgirá das cinzas e das dores feito a melodia perfeita dos pássaros da Serra. Nos traços exatos da criação absoluta, reconhecerá as obras imortais do coração e acalmará em si o som dos céus.



Bom, é bem isso o canto absoluto dos pássaros, a contar desse reino interno das criaturas humanas, no país da plena felicidade, território livre da alegria incontida dentro das normas do tempo. Braços fortes do rio da Eternidade, somos aqui apenas senhores da descoberta de Si. Haverá, pois, instante de total harmonia, ocasião da sagração deles, dos elementos aparentemente soltos no ar. Nessa oportunidade, as portas do Infinito abrir-se-ão qual maravilhosa sinfonia dos gênios e a força irresistível da Paz envolverá a todos os viventes na luz esplêndida de fulgor dos sonhos bons, pura alegria de pássaros felizes.

Crônica da 2ª feira --No Brasil: República, a forma de governo mais cara que existe – por Armando Lopes Rafael

    Quando ocorreu a independência da Noruega, o Parlamento daquele país fez uma votação para escolher a forma de governo da nova nação. A Monarquia foi adotada. Ganhou de goleada:  100 votos pró monarquia, contra 4 votos para a república. O presidente do Parlamento norueguês, Dr. Nansen, justificou a escolha afirmando: "Optamos pela Monarquia por 3 razões básicas: é muita mais barata, concede mais liberdade, além de ter mais autoridade para defender os interesses nacionais".
     Povo alfabetizado e esclarecido é outra coisa!
    Dentre os sofismas que os golpistas republicanos defenderam, para justificar a “proclamação” da República no Brasil, em 1889, diziam eles que a monarquia saía mais cara aos cofres públicos. Mentira. Desde 1841, e por 48 anos longos anos, a dotação da Família Imperial Brasileira sempre foi 67 contos de réis por mês. E veja que o Orçamento Geral do Império do Brasil cresceu dez vezes, naquele período, pois o Brasil tinha progresso. Uma das primeiras medidas do Marechal Deodoro da Fonseca foi aumentar o salário do Presidente da República para 120 contos de réis por mês, quase o dobro do que recebia toda a Família Imperial.
      Igual a “Cantiga da perua” (de pior a pior) a república brasileira deu no que deu.
    Analisemos apenas os desvios e propinas surrupiadas numa única empresa – a Petrobrás –  apuradas pela Operação Lava Jato. Um laudo da Polícia Federal, de 2015, estipulou que o prejuízo que a Petrobras sofreu com a corrupção está na casa dos R$ 42,8 bilhões. Por sua vez, a CPI da Câmara dos Deputados e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras chegaram ao valor de R$ 52 bilhões. Mas cálculos mais recentes falam em mais dinheiro ainda: R$ 88,6 bilhões.
     Isso é pouco ou muito? Façamos uma comparação.
    Quando o Brasil fazia parte de Portugal, Lisboa extraiu centenas de navios carregados de nosso ouro e também prata e diamantes. Entre as décadas de 1690 e 1750, o fluxo de metal e pedras preciosas foi intenso. Os portugueses usaram boa parte disso para pagar dívidas na Europa toda, mas ainda hoje continuam tendo uma das maiores reservas de ouro do planeta. Estão em 13º lugar do ranking global, com 382 toneladas.
    Mas é difícil estimar quanto ouro exatamente foi retirado do Brasil nos séculos 17 e 18. O historiador Pandiá Calógeras (1870-1934) chegou à melhor estimativa disponível. A conta está descrita no livro 1808, do jornalista Laurentino Gomes: “No total, estima-se que entre mil e 3 mil toneladas de ouro foram transportadas do Brasil para a capital do Império. O historiador carioca Pandiá Calógeras calculou em 135 milhões de libras esterlinas o valor desse metal enviado para Portugal entre 1700 e 1801. Em moeda atual, seria o equivalente a 7,5 bilhões de libras esterlinas ou cerca de 30 bilhões de reais”.
    Atualizando-se R$ 30 bilhões em 2007, data da publicação do livro, para valores de 2018, chega-se ao total de R$ 48 bilhões. Ora, só de uma empresa, a Petrobrás, a quadrilha que governou o Brasil durante 13 anos roubou  R$ 88,6 bilhões.
    E ainda tem quem ache que a forma de governo republicana foi um avanço em relação à antiga Monarquia brasileira. Até onde vai a vilania de certas pessoas...

10 fevereiro 2018

Crônica do domingo: Novos horizontes para Crato (por Armando Lopes Rafael)

   Tornou-se comum os comentários dos cratenses, de que, nos últimos anos, nossa cidade não teve uma administração municipal à altura do potencial, grandeza e tradição que possui a Cidade de Frei Carlos. É verdade. Administrações medíocres e equivocadas é o que temos vivido e sofrido.
    No entanto, no diz respeito à iniciativa privada é grande o progresso de Crato. A cidade conta hoje, segundo o último levantamento do IBGE, com cento e trinta e cinco mil habitantes, na posição de 1º de julho de 2017. Constitui-se numa cidade com expressiva importância regional.
    Crato continua sendo o polo de parte considerável do Cariri. Para cá acorrem, diariamente, as populações dos municípios de Farias Brito, Várzea Alegre, Nova Olinda, Santana do Cariri, Altaneira, Potengi, Assaré, Tarrafas, Antonina do Norte, Campos Sales e Salitre. Vêm em busca da boa estrutura que Crato dispõe nos setores de saúde, educação, além da tradicional função de comercialização de produtos rurais, provenientes do desenvolvimento da agricultura no sopé dos vales irrigados da região do Cariri.  Todos os municípios acima citados são considerados satélites que giram em torno do desenvolvimento da cidade de Crato.
      Acrescente-se a tudo isso o caos ora vivido no trânsito de veículos no centro da cidade de Juazeiro do Norte (e também na rodovia que dá acesso de Crato àquela cidade) e que   vem afugentando as pessoas, dos municípios citados,  a procurarem Juazeiro para tratar de assuntos de vários interesses, aí incluídas viagens para tratamento de saúde.
        Considere-se, ademais, que apesar da ausência de obras públicas por parte da Prefeitura, o Governo do Ceará vem dotando a Princesa do Cariri de importantes melhoramentos, a exemplo dos dois conjuntos habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida, ambos localizados no bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco); a construção do acesso à estátua da Virgem de Fátima e a réplica da Capelinha das Aparições; construção do Camelódromo; da Avenida Brigadeiro José Macedo e urbanização daquele entorno; do asfaltamento e urbanização do bairro do Seminário; construção da Areninha no antigo Campo do Sport Clube de Crato; reconstrução da estrada Crato-Nova Olinda, agora em concreto, evitando o desgaste anual que sempre ocorria, naquela rodovia,  com o “asfalto-sonrisal”,lá implantado.
Nascido em Crato, o Governador Camilo Santana também construiu aqui a Vila da Música (no bairro Belmonte), fez o novo asfaltamento da estrada Crato-Distrito de Santa Fé; está construindo o novo trevo de acesso à entrada da cidade, no bairro Batateira; está adquirindo o prédio onde funcionou o SESI para ali instalar uma faculdade da URCA, dentre outras várias obras em andamento. Até a operação “tapa-buraco”, feita em julho passado – `às vésperas da ExpoCrato – foi feita por Camilo Santana. Já estão dizendo que o atual governador, depois de Dom Vicente Matos, é o segundo maior benfeitor da Crato!
          Nossa cidade, apesar dos pesares, não está parada. A cidade se espalha das Guaribas ao bairro São José, este na fronteira com Juazeiro. O espaço citadino de Crato cobre hoje desde Bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco) ao Coqueiro; passa pela Vila Lobo, Vila São Bento, até o início da estrada que demanda ao distrito de  Ponta da Serra. Seu progresso e desenvolvimento continuam.Temos motivos para comemorar...

Princesa Isabel: Amor à Pátria e ao seu povo

   A sensibilidade e o patriotismo da Princesa Dona Isabel, a Redentora, revelam-se num documento íntimo, onde Sua Alteza escreveu suas impressões após o golpe republicano de 15 de novembro de 1889 e do subsequente exílio forçado da Família Imperial Brasileira:
“A ideia de deixar os amigos, o País, tanta coisa que amo e que me lembra mil felicidades que gozei, faz-me romper em soluços. Nem por um momento, porém, desejei uma menor felicidade para minha Pátria. Mas o golpe foi duro.
    Este sentimento de identidade com o seu povo, Sua Alteza possuiu de tal modo, que além de viver na tradição popular, também ficou figurando no folclore da abolição da escravidão. Estas quadrinhas, cantadas pelas crianças brasileiras, confirmam esse sentimento popular:
“Princesa Dona Isabel,
Mamãe disse que a Senhora
Perdeu seu trono na terra,
Mas tem um mais lindo agora.

No céu está esse trono
Que agora a Senhora tem,
Que além de ser mais bonito
Ninguém lho tira, ninguém.”
- Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier.

Postagem original: Facebook Pró Monarquia

09 fevereiro 2018

"Coisas da Ré Pública": Defesa de Palocci pede novo interrogatório – ele quer falar e depoimento pode complicar Dilma Rousseff

Fonte: VEJA/Agência Estado
 Delação - Palocci: preso há catorze meses, ele quer revelar crimes cometidos antes, durante e depois do governo Lula (Rodolfo Buhrer/Reuters)

    A defesa de Antonio Palocci pediu que ele seja interrogado novamente pelo juiz do TRF-4 sobre o suposto uso de propina para pagar a campanha eleitoral de Dilma Rousseff.O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil/Governos Lula e Dilma) pediu nesta quarta-feira (7) ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) para ser interrogado novamente no âmbito da Operação Lava Jato. A defesa de Palocci afirma que o petista quer ‘cooperar na elucidação dos fatos criminosos’.
   O dinheiro seria originário da construção de sondas de exploração do pré-sal.
Segundo disse Palocci em depoimento anterior, esse pedido teria sido feito pelo então presidente Lula em reunião na biblioteca do Palácio do Alvorada, em 2010.
Rememorando
    Palocci foi condenado a mais de 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Nesse processo, ele é acusado de envolvimento no pagamento de mais de US$ 10 milhões em propinas nos contratos de um estaleiro da Odebrecht com a Petrobras.O dinheiro teria sido pago a João Santana. O TRF-4 ainda vai analisar as sentenças aplicadas por Moro a Palocci, Santana, Marcelo Odebrecht e outros doze condenados.

08 fevereiro 2018

O Dia de São Valentim – por José Luís Lira (*)

  
Na quarta-feira de cinzas deste ano,14 de fevereiro,  abertura da Quaresma, período de reflexão e penitência que antecede a semana da Páscoa, as igrejas católica romana e orientais celebram a festa de São Valentim, patrono dos namorados. Quem é Valentim? Existe mais de um mártir considerado santo naqueles primeiros séculos do cristianismo.
   O primeiro seria um sacerdote, o segundo um bispo, ambos martirizados em Roma e o terceiro um soldado que recebeu o martírio na África, junto a outros companheiros. No Martirológio Romano (Martyrologium Romanum, existente desde o remoto pontificado do Papa Milcíades – 311-314), lemos na data de 14/2: “Em Roma, na Via Flamínia, junto à ponte Mílvio, São Valentim, mártir”. Este seria o Bispo nascido em Terni (cerca de 105km de Roma) e que naqueles dias de perseguição aos cristãos foi a Roma, contrapor-se aos desmandos do Imperador Cláudio II.
     São Valentim, cujo crânio está na Basílica de Santa Maria em Cosmedin, é este bispo católico. Segundo as narrativas, durante o governo de Cláudio II, no antigo Império Romano, este proibiu a realização de casamentos no reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que sem famílias, esposas ou filhos, os jovens iam alistar-se com maior facilidade no Exército Romano. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição. Seu nome era Valentim, teria nascido em 226 d.C., na comuna de Terni (Itália) e as cerimonias eram realizadas em segredo.
    A prática foi descoberta e Valentim, preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Valentim teria sido preso numa prisão domiciliar, na residência do prefeito romano Asterio, onde todos eram pagãos. Consta que ao chegar à casa, o bispo foi informado que o prefeito tinha uma filha cega. Disse aos familiares que iria rezar e pedir para Jesus Cristo pela cura da jovem, o que ocorreu alguns dias depois. Lendas indicam o nome dela como Artérias, “filha do carcereiro”. Falam de uma suposta paixão platônica que não se confirmou ao longo da História. Valentim foi decapitado em 14/2/270. Sua canonização teve início no pontificado do 49° Papa, Gelásio I (492 a 496). No século VIII, o crânio do santo que depois de ser sepultado em Roma foi levado a Terni com todo o seu corpo, retornou a Roma, por iniciativa do Papa Adriano I (772 e 795) e levado para Santa Maria in Cosmedin.
    Esta é uma breve história do santo. Sua festa é celebrada em boa parte do mundo como o dia dos namorados. No dia de São Valentim, se costuma homenagear os namorados, os amigos, a todos aqueles que acreditam no amor.
    Ano passado, um dia antes da celebração do santo, viralizou no mundo a imagem dele reconstruída a partir de seu crânio. Foram mais de 30 idiomas. A TV chinesa, a Rádio do Vaticano, entre outras, deram notoriedade à reconstrução por mim coordenada e realizada pelo confrade Cícero Moraes, com a anuência do Pe. Mtanious Haddad, reitor da Basilica di Santa Maria in Cosmedin, na Diocese de Roma. Este ano, Cícero Moraes reconstruiu o mártir Valentim de Monselice, da região de Padova, possivelmente, o Padre. Salve São Valentim! Feliz dia e bom carnaval a todos, com prudência!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Moacir Braga - Por: Emerson Monteiro

Ao chegar no Aeroporto de Fortaleza dia desses, segui em um taxi dirigido por este senhor, Moacir Braga. Conversa vai, conversa vem, no decorrer da trajetória, vim saber de termos algumas afinidades, dentre elas o ano de nascimento, o mesmo número de filho, de casamentos e também de gostar de ler e, observem, gostar de escrever. Pois então. Soube até que Moacir já tem um livro publicado, A saga de um amazônida.

No decorrer da nossa conversa pelas ruas da Capital cearense, início de noite, ele demonstraria seu interesse nos assuntos do interior cearense, de onde procede nascido em Aratuba. Saberia do seu interesse pelos livros, inclusive de autores quais Albert Camus, Dostoiévski,e Nietzsche, Aristóteles, Santo Agostinho, dentre outros. Afim de instruir outro dos livros que produze no momento, perguntou a propósito de Fideralina Augusto, bisavó do meu pai, sem que soubesse desse meu parentesco. Nisso, estendemos o bom papo até o Meireles, aonde eu iria ficar. Tinha comigo alguns exemplares de Histórias do Tatu , meu livro recente, com o que lhe presenteei.

Marcamos de ele vir me buscar daí a duas semanas, no sentido de regressar ao Crato. Com isto, pode me ofertar com o seu livro, para minha satisfação em conhecer a sua escrita num romance recheado das boas histórias da Hiléia Amazônica, o que ora leio cheio de gratas surpresas.

Sou entusiasta da literatura do povo, das pessoas autênticas do meio da população, testemunhas efetivas da vida ao sabor dos acontecimentos, dotados de ocorrências verdadeiras, cheios de emoções e heroísmo. Desse filão perpetuado em obras raras de pouca ou nenhuma distribuição pelas livrarias e bancas, nascem os livros os clássicos dos autores de gabinete, dos salões acadêmicos. Da realidade nua e crua dos becos e vilas, das florestas e praias distantes, ressurge o homem na sua essência primeira.

E ao chegar em casa, logo tratei de conhecer a produção de Moacir Bandeira Braga, obra prima de aventuras pelo universo da Floresta Amazônica, ali onde sobreviveu, na profissão de vendedor, através das pequenas comunas e dos interiores remotos. Por demais preenchido das histórias simples daquelas ribeiras típicos, o livro relembra as legendas de Gastão Cruls, Thiago de Melo e Afonso Arinos de Melo Franco, dos bons momentos da nossa marcante literatura etnográfica.

Destarte, para enriquecimento das produções originais, aguardamos novos livros de Moacir Braga, mais este anônimo romancista brasileiro.

O trabalho dos Missionários da Sagrada Família na cidade de Crato – por Armando Lopes Rafael – 1ª Parte

Pe. Xavier Nierhoff viveu cerca de 20 anos em Crato.
Depois seria nomeado Bispo Diocesano de Floresta (PE)  
 Não me foi possível apurar a data exata em que os Padres-Missionários da Sagrada Família chegaram a Crato. No entanto, existem registros de que em 1943, o Padre Xavier Nierhoff (ele residiu cerca de 21 anos em Crato), já se encontrava nesta cidade. Pe. Xavier foi o primeiro vigário da Paróquia de São Vicente Ferrer, de Crato, tendo permanecido nessa função entre 1947 e 1948. Também acompanhou, a partir de 1943, a construção do Seminário da Sagrada Família, em Crato. Naquele educandário Pe. Xavier Nierhoff foi professor, prefeito de disciplina e reitor.
     O Seminário Sagrada Família encerrou suas atividades em meados dos anos sessenta, em virtude da crise de vocações que dominou àquela época não só o Brasil, mas todos os países do mundo que eram beneficiados com a influência da Igreja Católica. Naquele tempo, Pe. Xavier Nierhoff já tinha sido transferido para a cidade de Carpina, em Pernambuco. Lá, ele  recebeu, em 1964, a designação como Bispo a Diocese de Floresta, também em Pernambuco, circunscrição eclesiástica recriada pelo Papa Paulo VI. Dom Xavier Nierhoff iniciou suas funções episcopais, em Floresta, no dia 05 de janeiro de 1965. Naquela Diocese viveu até o fim de sua exemplar vida.

A Congregação
    Segundo o blog: msfsavteste.blogspot.com.br: “A Congregação dos Missionários da Sagrada Família foi fundada em 1895 pelo sacerdote francês Pe. João Berthier, missionário saletino. O local escolhido para a fundação foi a pequena cidade holandesa de Grave. O prédio de um quartel abandonado, bombardeado há algumas décadas anteriores, serviu de berço para a obra do Pe. Berthier (...)
    “Ele sentia o impulso de enviar novos missionários à Igreja. A palavra da Escritura: “A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara “ (Mt 9,37-38), comovia Pe. Berthier profundamente. No seu tempo muita gente ainda não ouvira falar de Cristo. Ele queria dar muitíssimos missionários à Igreja”.
 Pe. João Berthier, fundador da Congregação dos Missionários da Sagrada Família
 Na casa da cidade holandesa de Grave.

O trabalho dos Missionários da Sagrada Família na cidade de Crato – por Armando Lopes Rafael – 2ª Parte

Pe. Frederico Nierhoff
    Sem dúvida, o Pe. Frederico Nierhoff (foto à direita, feita por Heládio Teles Duarte) foi o mais popular de todos os missionários da Congregação da Sagrada Família que viveu em Crato.   Ele nasceu em Gelsenkirchen, Alemanha, no dia 26 de Janeiro de 1916. Foi um sacerdote que marcou profundamente a cidade do Crato nas décadas 50 e 60 do século XX.  Quando assumiu a Paróquia de São Vicente Ferrer – em 1948 – como segundo vigário, Pe. Frederico encontrou uma igreja-matriz com proporções pequenas e acanhadas. Nos 20 anos, nos quais administrou aquela paróquia (1948-1968), ele comprou imóveis vizinhos ao templo e ampliou a igreja. Remodelou e ampliou, também, a casa paroquial dotando-a de ampla área anexa, uma espécie de área de lazer, destinada às crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Construiu, no bairro São Miguel, a Capela de São Miguel Arcanjo, hoje igreja-matriz da paróquia do mesmo nome.
        Padre Frederico era o oitavo filho de um casal profundamente católico: Hermann e Adolfina Nierhoff. Iniciou seus estudos teológicos em Oberhundem, transferindo-se depois para a cidade de Lebenhan Grave, na Holanda. Por conta das incertezas da Segunda Guerra Mundial, que se avizinhava, a direção da Congregação dos Missionários da Sagrada Família, vários padres e seminaristas para o Brasil, país até então neutro e sem perspectivas de aderir ao conflito. Ainda estudante de Teologia, Frederico Nierhoff deixou a Alemanha em 07 de março de 1938, com destino a Recife, aonde deu continuidade aos seus estudos. Nessa cidade foi ordenado sacerdote no dia 1º de maio de 1941.
          Antes de residir em Crato, Pe. Frederico exerceu atividades pastorais nas cidades de Picos e Pio IX (no Piauí), Saboeiro, Arneirós e Aiuaba (no Ceará). Em Crato, além de suas atividades no âmbito espiritual, construiu escolas, postos de saúde e capelas na zona rural na então vasta Paróquia de São Vicente Ferrer. Era um homem de grande dinamismo e enorme capacidade de trabalho. Deve-se ao Padre Frederico a construção de um conjunto de casas populares no sítio Malhada – que leva o nome da mãe daquele sacerdote, Adolfina Nierhoff – ainda hoje modelo de assentamento rural com geração de emprego e renda.
    Nos anos 40 e 50 do século passado o Cariri cearense era conhecido no Brasil como um dos maiores focos de tracoma, infecção que afeta os olhos e, se não for tratada, pode causar cicatrizes nas pálpebras e cegueira. Padre Frederico selecionou voluntários da zona rural de sua paróquia para ajudar a "Campanha Federal Contra o Tracoma", iniciativa do Departamento Nacional de Saúde Pública. No início da década 60 essa moléstia tinha sido erradicada da zona rural do município de Crato.
      Desgostoso com a redução da Paróquia de São Vicente Ferrer a um território de poucos quarteirões no centro de Crato, Padre Frederico desligou-se, em 1969, da Diocese de Crato e foi ser vigário de Custódia (Pernambuco).  De lá, saiu para ser pároco e vigário-geral da Diocese de Floresta (PE), aonde, no dia 31 de outubro de 1975, sofreu um enfarte enquanto dirigia um carro. Este, desgovernado, capotou ocasionando a morte do Padre Frederico. Sua repentina e inesperada morte foi muito lamentada em Crato, onde o Padre Frederico trabalhou com dedicação e carinho juntos aos mais necessitados e onde possuía muitos amigos.

07 fevereiro 2018

"Aos trancos e barrancos", Copom deve reduzir hoje Selic para 6,75%, a menor taxa desde 1999

A grande dúvida do mercado é sobre a reunião de março: se o Copom mantém a Selic em 6,75% ou faz um novo corte de juro
Fonte: VEJA

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deve reduzir nesta quarta-feira a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 6,75% ao ano. Essa é a expectativa de vários analistas do mercado. Se confirmada a previsão, a taxa se manterá no menor patamar desde 1999, quando a instituição passou a divulgar metas para o índice como ferramenta de política monetária.
      Será a 11ª redução consecutiva da taxa de juros. Segundo o professor Marcelo Kfoury, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, a ata de dezembro praticamente antecipou esse resultado. Como nada de extraordinário aconteceu neste período, o mercado espera por esse corte de 0,25 ponto percentual.
      Kfoury afirma que a grande dúvida é sobre a reunião de março do Copom. “Hoje o Focus aponta que no final do ano a taxa Selic estará em 6,75%. Portanto esse seria o último corte. Mas acredito que o Banco Central deixará a porta aberta para mais um corte em março.”

05 fevereiro 2018

Aos deuses do esquecimento - Por: Emerson Monteiro

Lembrássemos tudo e seria isto a maior de todas as torturas. Vagar quais depositários de todos os momentos, e carregar-se-ia o farto inominável das ausências em jornada cruel através das vidas. Nisso, recorrer aos deuses dos imemoriais, das neblinas que cobrem de sombras os trilhos deixados fora por força do passado impiedoso que sumiu de ingrato. Tanger a bem longe quiçá até momentos dadivosos e ricos de alegria, porquanto ninguém suportaria reviver de felicidade os pagos do desaparecimento do veio e não permaneceu.

Nalgumas horas, clamar aos céus esse esquecimento ainda que de ricas e doces emoções, pois o coração quer descanso diante dos dias, mesmo entontecido nos braços da boa sorte. Ali a gente recorre a essas divindades que apaziguam na alma a sede dos enlaces só de amabilidades e flores. Isto sem querer também deixar de lembrar as amarguras deste chão de inesperados acontecidos, pátria de ingratidão.

Há, sim, entes invisíveis que zelam pela sorte dos humanos, guardando deles o que seriam as lembranças mais plenas do quanto viveram. Apaziguam lá por dentro das almas ansiosas o desejo de constância nas realizações de antigamente quais responsáveis pela saúde das pessoas, que decerto nunca suportariam a ação inclemente do tempo sobre as horas que fogem na velocidade estúpida dos elementos incansáveis.

E a gente, atores e personagens das peças que encenam, larga no presente os sons, as paixões, o furor das gerações, sempre rumo ao desaparecimento no fluir de ondas e partículas. Espécies de lâminas jogadas aos mares das existências, preservam o quanto podem no dever de continuar, porém cientes das curvas do inesperado. Nutrem de sonhos os fiapos de memórias que restarem durante o processo da inexistência que lhes aguarda menos dias, menos horas. Solos férteis de ilusões, dobram os joelhos sobre as pedras rudes deste mundo e rezam fervorosos aos santos deuses do esquecimento, nisso aquietando o pulsar das saudades a troco da esperança definitiva.

Lula cogita invadir embaixada e pedir asilo para evitar a prisão, diz jornalista


O PLANO DE LULA PARA ASILAR-SE NUMA EMBAIXADA


O Antagonista apurou que Michel Temer e tucanos foram informados de que Lula cogita refugiar-se numa embaixada sul-americana em Brasília.

O plano é, além de obviamente escapar da prisão, “formalizar” a farsa de que é perseguido por um regime de exceção (tumultuar o processo ajuda a fabricar essa ideia), criar constrangimento internacional para o governo brasileiro e intervir na eleição presidencial. Se aguentar o tranco, ele permaneceria na embaixada  — de Equador ou Bolívia, provavelmente — até outubro, de onde faria pronunciamentos em favor do seu poste e seria alvo de romarias.

O asilo numa embaixada foi tema da conversa entre Fernando Haddad e FHC. O ex-presidente tucano foi comunicado dessa hipótese.
Depois de outubro, de posse de um salvo-conduto, Lula seguiria para o Uruguai, como um João Goulart.

A farsa se repetiria como farsa.

PS: Parte das informaçōes também foi publicada por Elio Gaspari.

Fonte: O Antagonista

Memorial da Imagem e do Som do Cariri registra:

100 anos do Mons. Ágio Moreira, o sacerdote da música

Texto: Jackson Bantim (Diretor-Fundador do Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira)

A data de hoje, 5 de fevereiro, celebra um marco que é uma verdadeira bênção divina: os 100 anos do Monsenhor Ágio Augusto Moreira.
Mons. Ágio, inspirado em um sonho, fundou e mantém, há mais de 50 anos, a Sociedade Lírica do Belmonte (SOLIBEL), hoje uma realidade benfazeja para várias gerações de jovens que na música encontraram um sentido de vida e um ofício de sobrevivência.
A SOLIBEL, localizada no bairro do Belmonte, em Crato, ao sopé da chapada do Araripe, é um exemplo de como a vida pode ser bela e produtiva e de como o bem pode e deve ser a flâmula que ilumina esse mundo cada vez mais conturbado.
Pela sua grande contribuição à humanidade, Mons. Ágio recebeu o título de “o Padre do Amor”, visto que sempre foi um homem de bem, que escolheu a religião e a música como instrumentos para mudar o mundo para melhor.
Parabéns, Mons. Ágio, pela sua longa e profícua existência que tantos frutos nos legou e haverá de nos legar ainda mais.

Caleidoscópio 70: Luiz Carlos Salatiel & Los Fractais celebram um tempo que não quer ser esquecido

 
Foto: Kathylene Furtado  
Texto: Carlos Rafael Dias

A estreia do show Caleidoscópio 70, ocorrida no início deste mês fevereiro, durante o VI Festival de Música Cordas Ágio, em Crato, suscitou algumas ponderações, das quais eu julgo importante comentar duas delas.
Em primeiro, a realização de um espetáculo carregado de forte simbolismo e protagonizado por um artista igualmente emblemático, poderia ser interpretada como um sinal de coroamento de uma longa e profícua trajetória artística. Mas não o é. Luiz Carlos Salatiel, esse ‘tal artista’, está prestes a completar 50 anos de vida artística, cuja marca principal é a obsessiva capacidade de surpreender, nunca aceitando a busca de uma carreira consolidada pelos cifrões do sucesso ou pelas críticas favoráveis veiculadas na imprensa. Essa trajetória, que já surpreende pela longevidade, alcança ainda maior expressividade se atentarmos para o fato dela acontecer praticamente em solo nativo, distante dos centros detentores e monopolizadores dos holofotes midiáticos tidos como necessários para a consagração de uma carreira artística. A segunda reflexão é sobre o conteúdo do espetáculo, ou seja, o repertório praticamente garimpado na parceria que Salatiel manteve com Geraldo Urano, um dos mais importantes e reconhecidos poetas nascidos no Cariri.
Metaforicamente, a aproximação de Salatiel com Urano nasceu de uma colisão cósmica entre dois astros que irradiam luz própria, destinada a provocar alguns cataclismos de efeitos invertidos nessa nossa terra-mãe. Ambos nasceram praticamente sob o mesmo céu astrológico, no ano da graça de 1953, influenciados talvez pela sincronicidade histórico-cultural que prenunciava a ocorrência de um iminente turbilhão universal. O rock’n’roll dava seus primeiros acordes e os poetas da geração beat desafinavam “o coro dos contentes”, aplainando o terreno para o encontro físico dos dois, que viria a ocorrer no início da década de setenta, no seio do Movimento de Juventude do Crato - MOJUCRA, braço ativo da Pastoral de Juventude da Igreja Católica. Este era o espaço possível de participação para uma geração sufocada pelo establishment perverso que vigorava na época, tendo à frente o aparelho repressivo do regime militar instaurado pelo golpe de 1964. Foi sob essas condições que Salatiel e Urano idealizaram o Festival da Canção do Cariri, realizado em Crato de 1971 até 1978, quando surgiu toda uma geração de músicos compositores regionais, como Abidoral Jamacaru, Cleivan Paiva, Luiz Fidélis, José Nilton Figueiredo, Pachelly Jamacaru e poetas como Rosemberg Cariry e José Flávio Vieira, dentre outros. Concomitantemente, iniciou-se também a parceria musical da dupla, gestada no ‘útero eletroacústico’ da banda Cactus, vencedora daquele primeiro festival. Por isso, segundo Salatiel, “o show poderia ter sido feito nos anos setenta. Se não foi possível lá é porque era para ser feito agora com a mesma irreverência, timbres e cores caleidoscópicas daqueles loucos e apaixonantes anos”.
A parceria entre Salatiel e Urano, além de profícua, foi longa, pois durou enquanto o poeta viveu e a amizade fraternal entre os dois permaneceu. Por isso, ela trata de um leque de temas sintomáticos de uma época marcada por extremos paradoxos; uma época que pode ser resumida na frase que o violinista Yehudi Menuhin disse para descrever o século XX como um todo, “[um tempo] que despertou as maiores esperanças já concebidas pela humanidade e destruiu todas as ilusões e ideais”.
As esperanças despertadas, notadamente entre os anos sessenta e oitenta do século XX, podem ser traduzidas pelas radicais transformações impulsionadas pela revolução contracultural protagonizada pela juventude, acenando para a possibilidade de a humanidade ser redimida dos males que lhe são intrínsecos, sob a marcha iniludível da própria civilização que se construía. As desilusões, no entanto, também triunfaram sob o tropel dessa mesma civilização que se mostra temerosa das radicalizações inerentes às transformações sociais imprescindíveis ou inexoráveis. Essa gangorra existencial, que para muitos, em ambos os lados das trincheiras, encarnam a maniqueísta luta do bem contra o mal, marcou com profundidade a produção cultural daquele período e, por isso, permeia as composições assinadas pela dupla caririense.
Salatiel e Urano cantam a dor e o contentamento de terem vivido esses duros, urgentes e delicados tempos. E o fizeram com base na arte, ao mesmo tempo, engajada e diletante, mas sempre provocadora de catarse. Tal como o filósofo Nietzsche fez, elegeram a música e seus significados para a afirmação da vida: amor, liberdade, fatalismo e morte. Daí o tom de tragédia e celebração que o espetáculo Caledoscópio70 carrega na sua concepção e interpretação. Em outras palavras, o verso uraniano: seja feliz mastigando o seu chiclete.

Canções de amor e resistência – O repertório do espetáculo, como se disse, reflete notadamente os sonhos e os pesadelos vividos em terras sob o Trópico do Equador: Brasil profundo, anos de chumbo, caleidoscópio setenta, ‘profundezas que cintilam constelações’. São canções de amor e resistência cantadas, gritadas e sussurradas sob/sobre uma muralha sonora construída, tijolo a tijolo, pela competente banda Los Fractais, integrada por Vinícius Saravá (teclados), Stênio Alves (Guitarra), Thiago Leonel (contrabaixo) e Remy Oliveira (bateria). A propósito, a relação entre Salatiel e a ‘garotada’ da banda é de puro mutualismo: eles se retroalimentam de experiência, sabedoria e energia. Assim, a pegada roqueira dos jovens músicos, com direito a citação de Voodo Child (Jimi Hendrix Experience) não encobre o ecletismo das influências por todos sofrido, vide igualmente as citações de O Guarani (Carlos Gomes) e de repentes de violeiros de feira -, que, ao lado do domínio de palco de Salatiel, fortemente influenciado pelo teatro de Antonin Artaud, são exemplos de virtuosismo e sacação para reafirmar o universalismo que sempre foi a marca da parceria desses que são considerados os glimmer twins caririenses.
    Contradizendo um verso de uma das mais representativas canções do repertório – nada de novo pelos corações modernos -, o espetáculo Caleidoscópio 70, é uma prova de que, sim, há novidades no front da cultura brasileira. Novidades inteligentes e de qualidade e que podem nos abstrair um pouco do lixo que assola o nosso pobre e ao mesmo tempo multimilionário showbiz. Em meio à profusão de ‘vittars’ e ‘anittas’ da vida, Caleidoscópio 70 pode funcionar como uma ‘vittamina’ (oh, infame trocadilho!) para a mente e o espírito, olhos e ouvidos dos deserdados amantes da boa música. Nunca os versos cáusticos e ferinos, mas às vezes docemente românticos de Geraldo Urano, e a performance desabusada e instigante de Salatiel, emoldurados pelo som encorpadamente psicodélico dos Los Fractais, são tão indispensáveis como agora.

Contatos para show
Facebook: www.facebook.com/ocaleidoscopio70/
E-mail: ocaleidoscopio70@gmail.com
Telefone: (88) 9 9806-4693
Produtor executivo: Edmilson Alves

04 fevereiro 2018

Política e eleições -- por Fernando Henrique Cardoso (*)

A Pátria precisa de um eleitorado que leve ao poder quem tenha visão de País e do mundo
   O País vive dias politicamente agitados. Mas para quem imaginava que uma segunda condenação de Lula levantaria as massas em protesto, o pós-julgamento, independentemente de se estar ou não de acordo com o veredicto, foi decepcionante. Na verdade, a maioria da população continuou imersa no dia a dia. A fagulha que viria dos “movimentos populares” não veio. O que não quer dizer que no transcorrer do tempo, por outras razões e pelas consequências da eventual prisão de Lula, o ânimo das pessoas não possa levá-las às ruas.
    Nada disso muda o panorama: a movimentação confina-se aos meios políticos e jornalísticos e ao mercado financeiro. A eventualidade de quem estava à frente das preferências ser impedido de concorrer por uma lei que, ironicamente, ele próprio sancionou, chamada “da Ficha Limpa”, produz certo alvoroço para saber como se distribuirão seus votos. E assim será a cada nova pesquisa eleitoral que apareça. As eleições, entretanto, virão. O calendário não será alterado. Os partidos e candidatos, todos eles, passado o alvoroço, procurarão adaptar-se à realidade.
    É cedo para prognósticos. Quando deixei o Ministério da Fazenda para ser candidato (em outras circunstâncias, é verdade), tinha 12% das intenções de voto e Lula, três vezes mais. Em julho, depois de o real virar moeda, a tendência começou a mudar, mas a mudança só se tornou nítida quando teve início o horário eleitoral na TV e no rádio, atraindo parte importante da atenção da maioria das pessoas. Os eleitores olharam os candidatos e optaram por quem lhes pareceu mais capaz de conduzi-los a um futuro melhor.
    Naquela época a questão central era o controle da inflação. Hoje não há uma, mas várias questões centrais. Além disso, a mídia social, a da internet, abre maiores espaços para todos os candidatos.
    Política é circunstância, mas é também esperança, e esta depende de o candidato encarnar uma mensagem consistente com o que a maioria do eleitorado sente e deseja. Hoje o tema central não é mais a inflação. O desemprego – e, portanto, o crescimento da economia –, o crime e a insegurança das pessoas, bem como a corrupção, que provoca o clamor por decência, são os novos pontos sensíveis.
    A vitória eleitoral depende de se construir e saber transmitir uma mensagem que toque a sensibilidade popular e dê resposta às principais preocupações da maioria da população. O eleitorado avalia a seu modo as possibilidades de dias melhores que o candidato lhe oferece. Essa avaliação, a rigor, ainda não se iniciou. A grande maioria das pessoas só começará a fazê-la bem mais à frente.
    Na escolha do candidato, a economia conta, mas não os dados puros e duros. Os americanos falam do feel good factor, ou seja, do sentimento de bem-estar. Não basta que os dados mostrem aos especialistas que a economia está melhorando, é preciso que as pessoas sintam que a vida melhorou para si e para os mais próximos.
    O discurso “técnico” ajuda pouco a obter votos. Dados sem alma são como pedras que rolam dos morros, não formam caminhos. É preciso oferecer bons motivos para que a escolha do eleitorado recaia sobre A e não sobre B. Daí que sejam importantes a campanha, a mensagem, a capacidade do candidato de ter uma fala coerente com sua trajetória. Antes dos embates reais entre os candidatos, as apostas são arriscadas.
    Está na moda, dada a dispersão de preferências de votos, imaginar possível repetir o “fenômeno Macron”. Sim, podem-se despertar esperanças e juntar segmentos de uma sociedade fragmentada e desiludida com os políticos. Mas as circunstâncias aqui são outras.
    Na França a eleição presidencial é solitária e candidatos independentes podem concorrer. As eleições para a Assembleia Nacional se dão um mês depois, o que dá ao presidente vitorioso, mesmo um outsider, enorme chance de “formar a maioria”. No Brasil só podem concorrer candidatos filiados a partidos. As alianças partidárias para a eleição são importantes para assegurar tempo de TV e recursos de financiamento de campanha. Depois de eleito, porém, o presidente não terá a maioria congressual assegurada, dada a fragmentação do sistema partidário.
     Só a partir de abril, quando termina o prazo para a filiação a partidos, pré-requisito para disputar a eleição, poderemos ver se haverá mesmo outsiders. Até as convenções partidárias, que se devem realizar entre julho e início de agosto, o jogo político se concentrará na montagem das alianças partidárias para a Presidência, os governos estaduais e o Congresso, um quebra-cabeças em três camadas que se afetam reciprocamente. Por mais importante que seja montá-lo, quem queira vencer a eleição presidencial não se pode descuidar da construção da sua narrativa, desde já.
    A dispersão do eleitorado mostra que entre nós os “partidos” não são condutores do voto, com as exceções conhecidas. Os líderes contam mais do que eles. Essa é uma das fragilidades da nossa democracia. Com a desmoralização da “classe política”, se houver alguém capaz de comover as massas e de significar para elas um futuro melhor, pode ganhar. Nesse caso, como governará? Com quem e a que custo?
    Desmoralizados ou não, fragmentados ou não, mesmo em crise, como estão, os partidos são instrumentos básicos nas democracias representativas. Sua substituição pela mensagem do líder é possível, mas, em geral, as consequências são negativas. Melhor tratar de reinventar os partidos e abrir espaços para que as pessoas opinem e participem das decisões do que imaginar que “alguém” salvará a Pátria. A Pátria precisa tanto de líderes como de instituições. E, principalmente, de um eleitorado que leve ao poder quem tenha visão de País e do mundo e, sustentando os valores da decência e da democracia, possa oferecer maior bem-estar ao povo.
(*) Fernando Henrique Cardoso.  Sociólogo, foi presidente da República
Publicado no Estadão, 04-02-2018.

Edições Anteriores:

Janeiro ( 2018 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30