17 maio 2021

Aos cair das folhas - Por: Emerson Monteiro


Quando nas estações vem o outono, pessoas também resolvem regressar ao mundo invisível e deixam saudade naqueles que aqui permanecem no ritmo sucessivo das trocas de guarda. Nisto, o mundo gira numa celeridade estonteante, por vezes no entanto monótona aos que desejam encontrar os que amam e agora vivem longe. As sensações deste chão a sumir dos pés, que tomam de chofre as mentes, parecem revirar as folhas e fazem morrer e nascer novas ilusões.

Quase que nem adianta buscar motivos de conhecer os segredos deste adeus das pessoas, porquanto elas revivem no mundo da lua suas criações individuais, desafiam a lei da gravidade e superam quaisquer justificativas que fossem, no tocante de continuar seus afazeres impacientes, porque a vida sempre segue e mantém seus continuares. Correm atrás de si próprias, nos caminhos imaginários das vidas, atores pois dos dramas da humana criação. Porém carecem, isto sim, de mil razões de sentir felicidade, e padecem da síndrome do dia seguinte, diferentes que sejam, ainda que todos assim acreditem de antemão que há uma imortalidade ali logo afora.

Viver, por isto, pelos fascículos das semanas, permanece ao dispor de todos nós, livres que fôssemos e não devêssemos responder face tudo que fizermos do direito de fazer. Migalhas do Infinito, jogamos as fichas do destino ao sabor das compreensões, enquanto padecemos do desejo do prazer, máquinas que trituram os instantes e descascam realidades. Nisto, seremos meras histórias de romances que se desfazem às nossas mãos numa velocidade estúpida.

E os outonos chegam e vão, trazendo distâncias àqueles que regressam no território do Infinito quando menos esperam, fascinados pelos fulgores exatos do tempo sem restrição. Senhor das individualidades, bem que reconhece aonde deixa os que leva consigo à presença constante da inexistência que eles terão de preencher na força das consciências, mais dia, menos dia. Nisso de que caem as folhas da estação que chegou inesperadamente, todavia tão consistente qual a ausência dos que desaparecem nos corredores sombrios da saudade.

(Ilustração: Saudade, de Almeida Junior).

Algumas notas do Instituto Cultural do Cariri - Por: Emerson Monteiro


Vimos seguindo de perto o Instituto Cultural do Cariri desde a década de 60, quando ainda era instalado na residência do Prof. Figueiredo Filho, à Rua Miguel Limaverde, em Crato, inícios de minha amizade com Tiago e Flamínio, seus netos. A sala da casa via-se preenchida de relíquias dos índios da Região, pedras raras, livros e outras relíquias, numa biblioteca especializada nos assuntos do Cariri e quadros e peças de valor inestimável, pertencentes ao ICC, isso bem nos seus primórdios.

Depois, ao regressar da Bahia, década de 70, passei a desfrutar das benesses do Instituto isto já na Praça Três de Maio, na gestão do Dr. Raimundo Borges à frente da Diretoria, de quem foi secretário, e onde permaneceria até ser transferido para duas salas no edifício defronte ao Colégio Pequeno Príncipe, sob a presidência de Olival Honor de Brito.

Vista a construção da sede própria, nas atuais instalações da Praça Filemon Teles, graças à doação de um terreno pelo prefeito Ariovaldo Carvalho e verbas do Governo do Estado, na gestão do governador Lúcio Alcântara, mediante os esforços administrativos do então Presidente Manoel Patrício de Aquino passamos a dispor de uma localização definitiva em edifício de esmerada construção.

Na gestão seguinte, tendo à frente o presidente Huberto Tavares de Oliveira, mereceríamos a regularização oficial da nova sede, através do prefeito Ronaldo Gomes de Matos, o qual custeou as despesas cartorárias a fim de termos a posse efetiva do belo edifício sede.

Na próxima presidência, sob minha responsabilidade, fizemos a segunda reforma dos Estatutos Sociais da instituição, os quais ora permanecem vigorando, visando a atualização das normas e ampliação do número de secções e cadeiras, face à demanda dos tempos, que assim o exigiam. Depois, passados 14 anos sem circulação, cuidamos de reativar os lançamentos anuais da coleção da revista Itaytera, órgão editorial da entidade, que perfaz agora 49 edições, e que permanece em franca circulação, passados que foram, até aqui, quase 70  anos desde a fundação do sodalício, em 1953.

Na gestão seguinte, do presidente Heitor Feitosa Macedo, a Itaytera seria digitalizada e disponibilizada na Rede Mundial de Computadores para todo o mundo, outro marco valioso e exponencial de nossa história.

São, pois, alguns registros a propósito da história da casa máter da cultura caririense, detentora dos melhores adjetivos na preservação das tradições históricas, antropologia, literatura, etnografia regionais.

16 maio 2021

Impressões - Por: Emerson Monteiro


Este som constante que há em tudo fala bem aqui dentro de nós. Indica os meios de saber que não estamos sozinhos diante da realidade que perpassa os fios da memória onde deslizamos constantes feitos peças definitivas. Que seres se movem no ar em volta das outras criaturas, numa dança cósmica inigualável. Que há um código secreto em movimento no decorrer do tempo que passa aos nossos olhos. Que nuvens vagam no céu, a demonstrar o eterno circular das ondas pelos mares das horas incessantes. Que vidas insistem viver enquanto, por vezes, esquecemos que também somos destes seres vivos que carecem conhecer a razão disto, desse viver. Que o Universo é infinito em todas suas direções, tal qual esfera de raio sem fronteiras, jamais, em lugar algum. Em quaisquer direções ali persistirá o infinito de mundos misteriosos e profundos, aonde existem outros seres talvez semelhantes aos que ora somos. Que durante os instantes de presenciar o quanto existe, seremos partes integrantes desta sinfonia esplendorosa a falar de um Criador, porquanto em todo nascedouro haverá uma origem e seu autor por demais poderoso e sábio. Que ninguém está sozinho perante os fenômenos que integram os componentes de uma peça única, contida neste todo universal. Que conhecer produz em Si a consciência, motivo primordial da comunhão dessa unidade original consigo própria. Que o silencio é a voz profunda de um código sob o que tudo acontece e de que somos peças integrantes. Que, à medida quando avançamos dentro de nossas camadas interiores, iremos nos deparar com essa causa primeira da existência no seu sentido mais amplo, luz necessária de seguir adiante através das jornadas sucessivas do conhecimento. Que a perfeição revelada nos detalhes mínimos da música dos céus, bem ali habita soberano o segredo de tudo quanto significa viver e amar. Que as vidas possuem o poder guardado no coração de encontrar essa perfeição à medida dos séculos. Que percorrer dentro da alma da gente os caminhos da humana finalidade desta revelação inestimável, eis o sonho maior de todos os seres enquanto durar a Eternidade.

15 maio 2021

Até encontrar a Paz - Por: Emerson Monteiro


As tantas vivências deste mundo, nas noites mais escuras, nos sóis que se sucedem, eis os quantos degraus ainda a subir na busca da sonhada Paz. Viver, repetir o mesmo gesto dos dias, construir os sonhos no modo de manter o gosto de continuar, essa a longa caminhada no sentido maior de resolver todos os dramas, de deixar fluir a força que mora em nós. Que mais querer se não isto, de achar o pouso das jornadas, nem sempre vitoriosas, porém único caminho aos passos de todos. Ter o prazer de saber que andamos nos lugares onde descobriremos meios de tranquilizar a consciência e aproveitar as oportunidades do melhor jeito, concretizando intenções sinceras, de realizar o suficiente, e, lá um dia, desfrutar a paz dos justos, e revelar o equilíbrio e a satisfação.

Nisso que se destinam as chances de estar aqui, de plantar a semente da Verdade no coração deste lugar. Ser, sempre, instrumento da virtude; nada tão significativo a fim de existir durante todo tempo. O campo em que isto acontece está naquilo que ora somos. Quais artífices dessa imensa perfeição, trabalhamos sem cessar no objetivo de resolver a equação das horas e desenvolver os instrumentos de humanidade vivos na nossa essência. Sobreviver ao vazio dos objetos e concretizar o novo que trazemos na nossa alma. Todos os caminhos levam a isto, porquanto assim fomos destinados. O que nos reserva o tempo em forma de poder chegar ao momento de germinação.

Os desafios, as contradições, os instintos e desejos, tudo tende a encontrar a Paz e compreender por que viemos, que transportamos nesse valor maior de superar as limitações da matéria e desvendar os mistérios do Espírito, motivo de vir onde estamos agora.

(Ilustração: Vincent van Gogh pintando girassóis, de Paul Gauguin).

Devoção e memória: São João Paulo II, Santo Ivo e o Dia dos Museus – por José Luís Lira (*)

     Nos dias seguintes temos algumas datas de grande significado para mim e para o mundo também. É claro que digo para mim porque as privilegio, mas, muitos, milhares também o fazem. Elas são universais. No dia 18 de maio de 1920, na cidade polaca de Wadovice, nascia Karol Józef Wojtyla, em português, Carlos José. Este era o nome de batismo daquele que ficou conhecido mundialmente como João Paulo II, o terceiro dos três papas de 1978. Todos eles intimamente ligados a Nossa Senhora de Fátima. São Paulo VI, foi o primeiro pontífice a ir a Fátima, João Paulo I, que o sucedeu e viveu poucos dias de pontificado, 33 dias, para ser exato. Sua Santidade o Papa João Paulo II esteve em Fátima antes de ser papa e manteve contato com a vidente Irmã Lúcia. Já São João Paulo II foi, por excelência, o Papa de Fátima. Seus pais viveram os dramas da primeira guerra. Ele sofreu as consequências da segunda guerra, tendo inclusive, exercido trabalhos forçados naqueles dias de chumbo. Nossa Senhora, em Fátima, anunciou o fim da primeira guerra e que nova guerra viria depois. Mas, o que o ligou, definitivamente a Fátima, foi o atentado do qual ele fora vítima a 13 de maio de 1983. Atentado que poderia ter posto fim à sua vida terrena e à missão pontifical que Deus lhe confiou, mas, a mão de Deus pela intercessão de Nossa Senhora (de Fátima) agiu e ele viveu sua missão até seu último dia de vida, em 2005. São João Paulo II completaria 101 anos neste 18 de maio. 

    Nesta data também é celebrado o Dia Internacional dos Museus, criado em 1977, por iniciativa do Conselho Internacional de Museus, organismo que integra a UNESCO. A cada ano é escolhido tema específico para debater durante o Dia Internacional dos Museus. Este ano de 2021 é “O Futuro dos Museus: Recuperar e Reimaginar”. Nestes tempos em que vivemos, o Museu, como sempre o fora, é o guardião da memória e muito se terá a contar. Às vezes imaginamos que estamos vivendo um daqueles terríveis filmes de ficção cientifica, mas, é verdade esse drama da pandemia. A solução vai chegar, pois, Deus está iluminando a ciência, como sempre iluminou, e nós livraremos disso, e nossos museus contarão essa história.

  No dia 19 de maio de 1303, falecia, na Bretanha, França, o religioso e advogado Yves Hélory de Kermartin. Conforme seus biógrafos, o santo vinha de linhagem nobre e, aos 14 anos, fora sagrado cavaleiro. Em vida ele fora aclamado advogado dos pobres. Em 26 de junho de 1347, o Papa Clemente VI canonizou Santo Ivo e, depois, o santo foi proclamado padroeiro dos profissionais de Direito, especialmente, dos advogados. Seu decálogo é uma preciosidade e quase uma base do código de ética de vários países. Aliás, várias nações têm nesse o dia do advogado, como o faz Portugal, França, Itália..., em homenagem ao Santo Advogado. Aqui no Brasil é o dia do acadêmico de Direito. 

   Advogado e professor de Direito, não posso deixar de lembrar este santo e citar dois dos mandamentos do advogado por ele composto: “o advogado deve amar a Justiça e a honradez tanto como as meninas dos olhos (VIII) e para fazer uma boa defesa, o advogado deve ser verídico, sincero e lógico (X)”.

   São João Paulo II, que conheceu nossos tempos, e Santo Ivo, cujo amor pela justiça transcendeu, roguem a Deus por nós!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


12 maio 2021

A certeza das crenças - Por: Emerson Monteiro


Eis um valor individual que a ninguém cabe contestar, toda crença, que as pessoas alimentam vidas afora, estruturando modos de pensar e praticar diante dos próprios passos. Significa a assinatura particular das criaturas humanas. Fruto do decorrer das vidas, cresce em nós esse valor maior de compreender todo fenômeno, desde tempo, merecimento, justiça coletiva, paz social, oportunidades, amores, família, saúde, aceitação, etc.

No andar dos acontecimentos, pessoas desenvolvem isso de interpretar a existência perante os fenômenos da natureza. A gente toca os elementos na medida dos nossos entendimentos. Daí a impessoalidade que norteia o jeito de todos verem o mundo. Uns vão numa vertente, outros noutra. Modos díspares da visão particular representam, por isso, o resultado das experiências e conflitos, aulas abertas das histórias de todos. Livros e livros jamais dariam de conta da transcrição que isso bem merece, patrimônio que some à medida das gerações. O que hoje revela, amanhã pode haver sumido para sempre na fragilidade das horas que passam.

Tais conceitos demonstram o valor deste patrimônio inalienável e peça valiosa da herança coletiva. Vezes me pego a cogitar no que acontece por dentro das pessoas, formatos intransferíveis de tantos valores, vivências e conteúdos. E no quanto é difícil saber o que, na verdade, cada um pensa e sente, planeja e desenvolve, longe das vistas dos demais. Nisso, também, naquilo que creem, estabelecem seus contatos junto dos planos mais avançados da consciência. Muitos até adiante da grande maioria, seres afeitos às lutas da sobrevivência, nos sonhos e práticas de vida; místicos, conhecedores do que poucos avaliam.

Nisso a importância da comunicação, das leituras, dos métodos de educação e registros preciosos da Humanidade, durante as civilizações. Dentre esses, as religiões, os ritos, mitos e culturas, vindo neste segmento artes e testemunhos que permanecem naqueles que os preservam e transmitem através das gerações sucessivas.

11 maio 2021

As palavras - Por: Emerson Monteiro


Elas têm vida própria. Diante deste silêncio que trazem as horas noturnas, quando o vento sacode as árvores e os animais acham lugar nas sombras, ainda assim elas mexem por dentro de tudo isto, as palavras, filamentos sublimes de eternidades. Elas que querem por que querem vir à tona. Mais que ninguém, sabem o que dizer daquilo que carregam nas entrelinhas das ausências, e trabalham os sentimentos das pessoas que dormem, querendo, dalgum jeito, reviver memórias acontecidas, sacudir conceitos e modificar o instinto das almas penadas que vagam pelos desertos das visagens. Quais movimento das marés, insistem acordar as criaturas e lembrar-lhes do mistério que transportam  vidas afora, instrumentos insatisfeitos de esperança e fé, nem sempre alimentados pelos humanos nessas horas mortas. E nisto querem fazer valer o peso dos instantes que passam velozes; dormem, contudo, face a face com o ritmo de um tempo largado lá fora.

Palavras, motivos soltos nos sons do silêncio. Depois que a pressa recolhe suas asas, os significados, no entanto, permanecem grudados às colinas do pensamento dessas criaturas que fazem de conta que adormeceram. Daí, vêm os sonhos na forma dos roteiros e argumentos, e aceleram o senso de saber mais dos sentimentos escondidos. Tantas histórias que buscam acordar na gente o tal poder de criação, porém se esquecem de revelar o sentido logo que despertam ao nada desses dias que viram farelo em nossas mãos desajeitadas.

No entanto elas ali permanecem indefinidas pelas esquinas do firmamento, animais vadios, indomáveis, plantas vivas. Transitam impacientes de achar nalgum dia, quando menos presos estivermos aos hábitos, de nos encontrar de verdade. Bichos afoitos e selvagens, nos tomarão apegos ao nada, e farão de tudo quanto somos só instrumentos da velocidade do ser que foge de si, atirando-nos ao clarão das madrugadas, transformando de pedras em poeira e, nesse momento sagrado, havemos de amar e dominar o destino de tudo.

                                                                                                      

Os Segredos de Fátima – por Dom Fernando Arêas Rifan (*)

 

    No dia 13 de maio, celebramos o 104o aniversário da primeira de uma série de aparições de Nossa Senhora a três simples crianças, pastores de ovelhas, em Fátima, pequena cidade de Portugal, de onde a devoção se espalhou e chegou ao Brasil. São sempre atuais e dignas de recordação as suas palavras e seu ensinamento. 

     O segredo da importância e da difusão de sua mensagem está exatamente na sua abrangência de praticamente todos os problemas da atualidade. Aquelas três simples crianças foram os portadores do “recado” da Mãe de Deus para o Papa, governantes, cristãos e não cristãos do mundo inteiro.

     Aos pastorinhos, em Fátima, Nossa Senhora revelou três segredos, mais tarde divulgados. O primeiro segredo diz respeito a cada um de nós, individualmente, e é sobre a nossa salvação eterna. Foi a visão do inferno, que assustou saudavelmente as crianças: “Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores...”. E recomendou-lhes a oração e o sacrifício pelos que estão longe de Deus: “muitas almas se perdem porque ninguém oferece sacrifícios por elas”. “Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

     O segundo segredo diz respeito ao mundo, à sociedade em geral: a difusão do comunismo: “A Rússia espalhará os seus erros pelo mundo”. A Rússia tinha acabado de adotar o comunismo, aplicação prática da doutrina marxista, ateia e materialista.  Nossa Senhora nos alerta contra esse perigo, o esquecimento dos bens espirituais e eternos, erro que, conforme sua predição, vai cada vez mais se espalhando na sociedade moderna, vivendo os homens como se Deus não existisse: o ateísmo prático, o secularismo.  Se o comunismo, como sistema econômico, fracassou, suas ideias continuam vivas e penetrando na sociedade atual. Aliás, os outros sistemas econômicos, se também adotam o materialismo e colocam o lucro acima da moral e da pessoa humana, adotam os erros do comunismo e acabam se encontrando na exclusão de Deus. Sobre isso, no discurso inaugural do CELAM, em 13 de maio de 2007, em Aparecida, o Papa Bento XVI alertou: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século... Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas”. Fátima é, sobretudo, a lembrança de Deus e das coisas sobrenaturais aos homens de hoje.

      O terceiro segredo diz respeito à Igreja: a visão de um homem de branco, na praça de São Pedro, andando sobre os cadáveres de bispos e padres, sendo depois abatido, simbolizando a perseguição à Igreja, a cristofobia (ou cristianofobia), a decadência religiosa, a perda da fé, a perda da influência do cristianismo na civilização atual. 

    Enfim, Fátima é a recapitulação e a recordação do Evangelho para os tempos modernos. O Rosário, tão recomendado por Nossa Senhora, é a “Bíblia dos pobres” (São João XXIII). Assim, sua mensagem é sempre atual. É a mãe que vem lembrar aos filhos o caminho do Céu.

(*) Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal   São João Maria   Vianney.

10 maio 2021

Os cambiteiros - Por: Emerson Monteiro


Desde logo, o próprio Word que cuida em desconhecer a palavra (cambiteiros), porquanto se trata de um termo de pouco ou nenhum uso mais nestes tempos de agora. Cambiteiros, aqueles trabalhadores que transportavam os feixes de cana do corte ao engenho, isto no lombo dos burros de carga, animais tão brutos quanto seus operadores. Espécimes treinados nesse afazer, munidos de alimárias equipadas de cangalhas e cambitos, pedaços de madeira fornida no formado de um “v”, em que, dois de cada lado, eram apostos os feixes de cana previamente montados pelos cortadores, amarrados com as embiras feitas da palha verde da cana que cortavam. Esses feixes iam até em cima da cangalha, até o suporte dos burros. Daí, partiam em tropas rumo do salão do engenho, do onde as canas seriam levadas às moendas e desfeitas na garapa.

Um ofício rude e por demais ingrato, porém respeitado no transcorrer das moagens. Essenciais nesse transporte, os cambiteiros marcavam presença todo tempo, a fim de abastecer devidamente o processo de fabricação da rapadura. Eram eles os primeiros a chegar, tão cedo amanhecia o dia. Arriavam seus burros defronte da casa grande, a retirar do quarto das cangalhas e cabrestos os arreios e equipar suas tropas, nas quais todo burro tinha um nome próprio, sendo assim comandados. Sempre dispostos, bem alimentados, agiam com extrema precisão naquele ofício, rápidos, forçudos e dóceis, apesar de firmes no compasso das ações.

Destarte, lembrei esses dias do valor ímpar dos cambiteiros nas moagens sertanejas, verdadeiros e audazes, a tropa de choque dos engenhos. De manhã aos finais de tarde, cumpriam à risca o compromisso desse abastecimento constante da cana desde o eito do corte ao início da linha de produção, e que bem que merecem um monumento aos que fizeram o ciclo da cana-de-açúcar do Nordeste brasileiro.

(Ilustração: Cambiteiro, de Vicente do Rego Monteiro).

República brasileira, ano 2021

    A maturidade de um povo está ligada à cultura, à história e a tradição de seu país. Valorizar a própria história, os heróis e os grandes acontecimentos se reflete no que a nação se transformou e para aonde irá.

     O grande problema dos brasileiros é que estes se esqueceram de sua grandeza, de sua tradição, se perderam da história. Atualmente cultuamos falsos heróis, depositamos nossas esperanças em homens e mulheres no qual não há um mínimo de esforço patriótico, admiramos pessoas sem caráter.

    O Brasil só irá se reerguer quando sua história for valorizada e quando a nação brasileira se der conta que seu passado é glorioso e que o futuro dependerá do valor do autoconhecimento de si como uma nação, que já foi digna de ser um Império.


(Transcrito do site Sou Monarquista)
Postado por Armando Lopes Rafael

09 maio 2021

Jornadas em volta de si - Por: Emerson Monteiro


Isto de viver, que alguns chamam existir, das jornadas dos pensamentos e sentimentos em torno da esfinge que a gente cria, nesse processo de experimentar os dias e as horas. Feitos pajés dançando ao redor dos totens que eles trazem no juízo de muitas luas, os demais aceitam, por força da necessidade, acreditar nesse desenrolar dos acontecimentos. Nós, enfim, estas massas informes que ganham terreno dentro das linhas do tempo, e depois tudo perdem sem a menor cerimônia. Qual quem se entregasse antes do momento definitivo, fazem de conta que usufruíram de sentido, quando, por vezes, viver nem de longe deixa assim parecer, nas dobras do firmamento.

Esses pensamentos que vagueiam soltos dentro da gente, pelas estradas do desaparecimento, são espécies de buscadores da Verdade, sendo, no entanto, só apenas joguetes que querem dominar vidas inteiras. Significam bem isso, de bancar heróis nos filmes dos dias; uns que pousam de valente, e outros que admitem representar o papel de curinga, canastrão, pretendendo, talvez, impedir o artista de ganhar a mocinha antes da cena derradeira, já que sabe não terá outro jeito senão este.

Enquanto que parecem conhecer a história, contudo eles fogem pelo labirinto dos dias, a fim de sobreviver às horas que escorrem. Muitas, por isso, as normas de controlar os arcos do silêncio, e deixar correr o barco nas águas do Infinito, conquanto, melhor do que ninguém, um a um ergue o sentimento de que tudo tende acalmar o espírito e usufruir da certeza de quem, um dia desses, será feliz e viverá a paz dos justos, afinal.

08 maio 2021

Para celebrar e viver – por José Luís Lira (*)

 

     Neste dia 8 rememoramos o primeiro ano da partida de Matusahila para o céu. Muitos a chamavam pelo seu nome literário, abreviando os sobrenomes e chamando-a apenas Matusahila Santiago. Na intimidade a chamávamos de Sahila – Zaila. Esses dias me dediquei a organizar um livro com os escritos dela. Talvez o melhor fosse usar palavras que ela costumava citar, do poeta francês Alphonse de Lamartine, quando falava de perdas: “Um único ser nos falta, e fica tudo deserto”. Matusahila era alegria, experiência, sabedoria, transparência. Coloria o mundo de quem convivia com ela, mas, era exigente. Fidelidade tinha que ser completa, é tanto que ela dizia que nós tínhamos um amor que transcendia qualquer coisa, pois, antes de nos amarmos, nossas almas se amaram. Faz um ano que ela se foi. Na seleção do material, penso que ela me ajudou. Abria aleatoriamente um arquivo e lá estava um belo texto. Fiz uma seleção baseado nos valores que ela sempre acreditou e viveu. Os seus poemas, as crônicas do dia-a-dia, algumas engraçadas ou sentimentais, como uma carta a Teresa Gomes – a “morta de linda”, as regras de etiqueta, textos históricos, a saudade... e o último texto sobre sua grande paixão, menina dos seus olhos, a “Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno”. À Sahila, minha eterna gratidão e saudade... 

     Amanhã é o dia das mães e, como já afirmei aqui, é, também, o aniversário natalício de meu pai. Então os parabéns de minha mãe, Luiza de Araújo Lira, são acompanhados dos a meu pai, Izidio Ribeiro Lira. Tenho orgulho de grafar seus nomes e dizer o quanto que aprendi e aprendo com eles e penso que se alguma coisa de bom fiz até aqui, foi graças ao incentivo que recebi deles. Neste mais de ano de pandemia passei a morar com eles novamente e é uma experiência interessante. Eles que nunca acreditam que crescemos, ainda somos crianças em seus pensamentos, aproveitam da situação. Mas, é preciso compreender, aproveitar e viver. Abraçando meu pai e minha mãe, o faço a todos, universalmente. Pois independente de região, de cultura ou de qualquer outra questão, eles têm os mesmos sentimentos por nós, seus filhos. Neste dia das Mães, além de minha mãe e todas as mães da família, destaco a dedicação de minha irmã, Elisiane e sua dedicação à nossa amada Anne Eloísa. Parabéns, maninha!

       A próxima segunda-feira é o dia da cavalaria. Todos sabem que tenho a honra de ser cavaleiro da nobre e pontifícia Ordem Equestre (de Cavalaria) do Santo Sepulcro de Jerusalém, por designação de Sua Santidade o Papa Francisco. E essa semana encontrei o significado, pois a imagem eu já conhecia, de Nossa Senhora da Cavalaria. Nossa Senhora está entronizada como Rainha com o Cristo em seu colo. Os braços de Jesus estão em forma de crucifixo, com os raios da Misericórdia Divina emitidos de Seu Sagrado Coração. Os pés de Nossa Senhora repousam sobre um apoio gravado com as palavras “DEUS LO VULT” que é o lema dos Cavaleiros do Santo Sepulcro e significa “Deus o quer”. O manto de Maria abriga os fiéis cavaleiros e damas, levantado pelos arcanjos São Miguel e São Gabriel. Dos lados estão São Jorge e o Beato Bartolo Longo, da Ordem, segurando um Rosário. A autora é Cecília Lawrence. 

       Feliz Dia das Mães a todas as mães e feliz semana a nós todos!


(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


07 maio 2021

A força que mora em nós - Por: Emerson Monteiro


São conceitos vários, espalhados nos caminhos, a falar de meios os quais permitem que venhamos a encontrar as respostas que a vida impõe. Por vezes, filosofias, crenças, experiências, no entanto formas possíveis de nos convencer, pouco a pouco, dos instrumentos necessários ao despertar de uma nova consciência. Que se sabe aonde vai dar a existência pura e simples de deixar o tempo correr; disto não existem dúvidas que resistam. Seria rotina ocasional de todos os viventes. Princípio, meio e fim, tão só que na matéria. No entanto resistem ao tempo os sistemas de outras avaliações, as percepções dos místicos e filósofos. De uma vida além da vida ninguém questiona mais, transcritas as experiências.

Há que dizer sermos os autores dessa descoberta. Não fosse assim e nada teria significado definitivo; seríamos meros joguetes das eras, barcos perdidos no mar imenso das circunstâncias, puras aparências do destino. Porém resiste ao tempo o poder da cultura dos sábios que noticiam formas novas de encarar a vida e produzir um novo ser do ser que ora somos.

Além de meros objetos da natureza física, em nós habita o senso do autoconhecimento, porta doutras dimensões, às quais viemos destinados. Esse fator de que somos a revelação representa, pois, a causa essencial de tudo quanto existe. Temos, com isso, uma vida secreta em movimento. Superar o lado escuro de que fomos dotados, a fim de comungar doutra percepção do Universo, porquanto possuímos disto a fórmula, restando apenas desvendá-la através das existências e exercer o papel de autores conscientes da própria percepção.

Creio que disso existe suficiente informação durante as jornadas de cultura a que fomos submetidos. Uns insistem na negação dessa chance, restritos ao materialismo. Outros sabem, ou têm intuição, das probabilidades espirituais; isto resume a aventura humana deste mundo. Dentro das tantas histórias individuais se impõem conclusões e confortam o viver da esperança, sobretudo naqueles que sentem a fragilidade temporal e buscam na luz a consistência de uma verdade bem maior.

(Ilustração: O olho, de Paul Klee).

Testemunhas da condição humana - Por: Emerson Monteiro


Nós, cada um, pedaços deste todo, centros ambulantes do Universo. Às vezes quer-se saber o que se passa dentro das outras pessoas, e vem isso, de sermos todos estes um só e único ente igual a todos os demais. Testemunhas privilegiadas dos mesmos direitos e das mesmas obrigações perante o nascer e o morrer; o amanhecer e o anoitecer; acordar, comer, andar, trabalhar, sorrir, amar, sonhar, dormir, desaparecer. Frutos da árvore da existência, tocamos aqui os sentimentos e os pensamentos diante da enfieira das horas sem fim, amém. Nós, estes seres dotados de cabeça, tronco e membros; ramos do tronco da humanidade; lustres do teto do firmamento; chances de acertar nas loterias da inevitabilidade; descobrir a que veio; de como atravessar o rio do tempo e encarar o mistério eterno do movimento que carrega no peito, no pulsar dos corações insistentes. Grandes, pequenos, trajados, nus, gordos, magros, azuis, avermelhados, ricos, pobres, velhos, jovens, mulheres e homens; milhares de números em profusão às portas do Infinito. Da gente que lá um dia para, querendo as respostas que demoram de vir, e observar um por um olhares do destino dos dias na forma de pequenas gotas que caem e somem na justiça das interrogações. Quer saber o que acontece ali no íntimo das criaturas que andam nas ruas, nas praças, nos caminhos, idênticos nas buscas, aprendizes das escolas deste mundo vazio, quase felizes, ainda andarilhos dos céus em desejos perenes de paz, contudo existências acesas nas fogueiras da multidão de semelhantes, com nome, endereço, família; solidão a dois, no oceano da procura de si em si; conflitos que preenchem a pauta dos momentos, e disso jamais podem sequer pensar em fugir, que não tem aonde. Parceiros da sombra que deseja piamente clarear no transcorrer dos séculos, da ausência do pouso que tanto anseiam, na certeza da dúvida. Nós, cada um, pedaços deste todo, centros ambulantes do Universo.

(Ilustração: Composição VII, de Wassily Kandisky).

06 maio 2021

O caminho dos livros - Por: Emerson Monteiro


Adolescente ainda e presenciara a inauguração de uma boa livraria em Crato, à Rua Miguel Limaverde, próximo à esquina da Praça Siqueira Campos, a Feira do Livro, cuja matriz existia em Fortaleza. Numa noite festiva, o salão se encheu de pessoas interessadas em leitura, a conhecer loja que propiciava alternativas aos aficionados, tempo aquele de cultura e quase só esse meio de entretenimento, fora cinema, bares e clubes. Lembro que comprei, na ocasião, o livro O velho e o mar, de Ernest Hemingway, autor americano de sucesso e prêmio Nobel da literatura.

Ai de mim se não existissem os livros. Sempre frequento livrarias, nos lugares aonde vou. Espécie de mania, costumo observar as prateleiras de livros qual quem procura janelas para olhar o nascer do sol. Quando revivo outros cantos em que pisei, retornam à memória mais os títulos que manuseio do que mesmo os célebres pontos turísticos preferenciais dos roteiros. Aprecio ver livros e também fotografar paisagens, interesses inevitáveis. Talvez, quero crer, não despertei até hoje para as viagens distantes porquanto na maioria dos países livros são noutras línguas, e conheço pouco, ou nada, dos idiomas, exceto o raro português de onde nasci.

Em Crato, noutros momentos, havia boas casas de livros, suficientes aos apreciadores das letras neste interior. Livraria Católica, de Vieirinha; Livraria Ramiro, cinquentenária empresa de Ramiro Maia, meu amigo de saudosa memória; SMB, de D. Auri, que sustentou a oferta de livros por longa data; Distribuidora Zé Osmar, responsável por lançamentos raros e que vendia jornais do Sul, inclusive O pasquim dos anos 60; e, já mais recente, Livraria Apoio, para falar nas principais que existiram no centro da cidade.

A fama cultural de Crato procede das suas escolas tradicionais, a começar pelo vetusto Seminário São José, passando por Colégio Diocesano, Colégio Santa Teresa, Colégio Estadual Wilson Gonçalves e Faculdade de Filosofia. Isto sem deixar de citar o Instituto Cultural do Cariri, detentor da publicação da respeitada revista Itaytera, com a marca de 45 edições anuais no decorrer de uma história iniciada em 1954. A história cratense e os livros se integram toda vida.

05 maio 2021

O senso do inesperado - Por: Emerson Monteiro


É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela bailarina.
 Nietszche

Bem isso de viver os séculos de noites insones e poder continuar sonhado diante das tantas câmeras em ação, nas dores inesperadas de horas em movimento, e saber conduzir o barco das vidas, ainda que face a face com os desmandos da inconsciência e dos tempos. Um tanto disso, e o azul de céu a contemplar os afazeres inúteis, porém de acordo com as leis do Cosmos, que os permitem, porquanto necessários ao aprendizado constante destas gerações. Ir ao fundo de mil poços e voltar à imortalidade.

Quero crer ser possível, pois, recomeçar a qualquer momento o que nunca existira, nem na imaginação. Precisar desaparecer até reviver das ilusões; admitir ninguém ser maior que ninguém, que inexiste o inevitável e que sobreviver significa isso de mergulhar a fundo à cratera de si mesmo e de lá reaparecer, razão de tudo, durante todo tempo.

Perder-se e, de novo, descobrir o motivo do que persistia dos universos perdidos no espaço. São muitas as histórias individuais de criaturas largadas aos sóis e que, outra vez, regressam à luz das manhãs de primavera. Andar, portanto, nas estradas do instante quais minúsculos seres doutras galáxias e assistir ao renascimento de espírito simples, suave, espécie de semente do eterno que fertiliza de esperança e fé nos corações.

Aparentemente lançados no abismo vazio doutras energias, as condições dos voos noturnos, sair-se-á noutras dimensões bem mais claras do que o quanto até aqui, então, neste universo estreito que, de certeza, abrirá circunstâncias nunca vistas aos países deste mundo. Nas vozes das montanhas, gritarão além do além, e reverter-se-ão sobre as canções das tantas jornadas do passado.

Conquanto persistam os desejos jamais imaginados dos super-heróis, maiores delírios de luz quedar-se-ão aos olhos do firmamento e dormirão o sono de paz da Felicidade.

(Ilustração: A tentação de Santo Antônio, de Hieronymus Bosch).

04 maio 2021

O quarto de Tia Auta - Por: Emerson Monteiro


Na casa grande do Tatu havia alguns cômodos característicos; o quarto da cera, onde rasgavam as palhas de carnaúba, depois de secas ao sol, extraindo, assim, o pó que levavam ao fogo e faziam a cera, produto bem apreciado, com fins industriais, em determinada época; o sótão, ao qual uma escada de madeira grossa dava acesso, depósito dos trastes da família, aonde nunca lembro de ter entrado, mesmo porque era proibido que tal acontecesse; daquela escada foi que Tio Gentil veio de cair e ficar prejudicado, o que ele conta num dos seus livros; o quarto da rapadura, em que meu avô guardava parte da safra a ser utilizada no sítio entre duas moagens, também ali estavam silos de zinco para depósito de grãos no intervalo dos invernos; ao lado, um cubículo escuro, que, dizem, no passado servira de prisão aos agregados desobedientes, à época de Fideralina, em que, nas paredes, existiam letras e desenhos, que, talvez, ainda hoje lá estejam; e um quarto mais isolado, com janela gradeada, ao que, contavam, servira de prisão a Tia Auta, por conta de um namoro indesejado de seus pais, mas que desconheço maiores detalhes. Tudo aquilo cheio de mistérios, num morada sertaneja ampla, de piso de cimento queimado, ou de tijolo aparente, império de muitas ocorrências e dotada de silêncio extremo aos meios-dias, só ouvíamos o zumbido das moscas, quando eu, menino, deitava de barriga no chão, na friezinha boa, amenizando o calor causticante do verão nordestino.

Adiante, naquele quarto de Tia Auta, foi ali que Tio Jorge, numa madrugada, avistou o vulto de Fideralina a lhe sacudir o punho da rede. Ele, de um pulo, levou na cabeça o farol que estava no frechar da porta e correu para o terreiro. Nunca mais teve quem lhe fizesse dormir de novo na casa grande, pelo resto de sua vida. A botija que ela quis entregar a alguns não foi encontrada, apesar de haverem revirado o chão da casa inteira, em todos os cômodos, sem achar o que desse de localizar o tão sonhado tesouro. Ao que se supõe, os tais pertences de valor, em um tacho de cobre, foram enterrados noutro lugar distante da residência.

02 maio 2021

Portais do Infinito - Por: Emerson Monteiro


O passado não existe mais. O futuro ainda não chegou. Estamos exatamente na fronteira dos dois infinitos. Dois lados de uma única estação. Somos os heróis de nós mesmos a transportar este fardo de um lado a outro, e nem seguiremos juntos dele, porquanto haverá outros níveis de compreensão que precisamos conhecer. Restos das horas, isto é o que somos durante todo tempo. Ânsias, vontades, ausências, tudo, afinal, em uma só persistência de vencer a fuga dos momentos que escorrem pelos nossos dedos na direção do Infinito. Houvesse alternativas outras que não fossem deixar correr o rio do Tempo e seríamos os criadores da Natureza. No entanto cabe assistir esse fluir do movimento e admirar as possibilidades que pesam em nossas mãos. Enquanto que, mesmo assim, dispomos das razões de viver com intensidade o direito de investir nessa construção da consciência diante do fugidio. Trabalhar todos os meios de que dispomos a fim de encontrar a libertação da fragilidade humana. Quais destinados à preservação de nossas almas, relutamos em desaparecer, vez que inexiste tal perspectiva.

Sempre nos deparamos com este quadro a qualquer instante. Ninguém significa inexistência. Dentro de toda pessoa viverá acesa a chama perene na descoberta dos caminhos que levarão ao definitivo, fruto da condição de todos, no senso da Eternidade. Detectores da verdade, seguiremos estradas afora, artesões da nossa presença no trilho das leis definitivas. Este o condão essencial do que somos, seres talhados ao crescimento e senhores, lá um dia, do poder de partilhar diretamente dos segredos universais da Criação.

Essas aves da salvação, conduzimos a perfeição em forma latente, força inesgotável da ciência e espíritos da imortalidade. Bem aqui, por isso, trazemos a luz guardada em nossos corações, que brilharão aos céus no tempo certo da plenitude, que ora trazemos em nós na forma de filhos diletos do Infinito que aqui habitamos. 

 (Ilustração: O espelho infinito, de Yayoi Kasuma).

01 maio 2021

O valor da cultura - Por: Emerson Monteiro


A história mostra bem isso que quero aqui dizer, de quando um povo pretende dominar outro o primeiro que faz é minar gradualmente sua cultura até o total desaparecimento. Vai sendo assim no decorrer dos tempos, o imperialismo que o diga. Antes quebram os laços originais das tradições, das famílias, dos monumentos, das religiões, da literatura, dos folguedos populares, das lendas, dos dialetos, e depois trazem as latarias das dominações deslavadas, destruindo a alma de um povo na maior sem cerimônia. Quem deseja pode pesquisar e ver de perto o tanto de perversão que arrasta a ganância dos impérios. Ameaçam, agridem, desfazem tudo de sagrado na consciência daquelas culturas, e fomentam superficialidades outras fora de raízes; massificam, pois, usando termo dos dias recentes.

O século XX apresenta essa cara nos diversos continentes. Primeiro, com o Império Inglês, seguido pela fúria nazista, adiante os russos e os americanos, máquinas de guerra que, infelizmente, solaparam os anseios de paz das muitas horas de sonhos. Havíamos vistos outros exemplos, no cordão do passado. Roma. Israel. Portugal. Espanha. Tantos e tantos predadores que marcam o elenco dos poderosos, tudo a troco de nada, qual se vê hoje, na devastação que repetem, ferindo de morte as possibilidades da Civilização.

Isto deixando de lado a utilização inconsciente dos recursos naturais, da herança da humanidade inteira, nesta época de superpopulação e fria indiferença dos líderes, voltados tão só a interesses imediatos e benefícios de grupos, num acúmulo de obscurantismo de causar apreensão, diante de fase escura que atravessa o mundo inteiro.

Na década de 60, as nações ricas mobilizaram seus conhecimentos científicos na intenção da descoberta de uma saída para os céus, através da corrida espacial. No entanto viu-se, porém, face à irrealidade; eram insuficientes os meios disponíveis a vencer o mais pesado que o ar. Pelo que indicam nítidas conclusões, a raça humana terá de resolver consigo mesma esta equação e aceitar que todos somos irmãos navegando os mares do Infinito.

(Ilustração: A dança dos camponeses, de Pieter Brueguel o Jovem).

30 abril 2021

Sons de carrilhão - Por: Emerson Monteiro


Vindos de longe, lá de outras horas silenciosas, de quando a cidade transpirava cheio de incenso e mirra pelas calçadas das igrejas. Havia qual o que espécie de religiosidade pelo ar. Um respeito às normas das mãos de ferro dos costumes europeus trazidos nas malas dos portugueses. Bom, sem querer avaliar resultados que estão aí ao dispor de quem quiser, lembro desse tempo de padres e freiras, e colégios, e rituais, pedaços de memórias de quando criança, de quando íamos às missas, às bênçãos, ouvir os cânticos acompanhados de órgãos e rebatidos ao ribombar dos sinos.

Depois, diante da aceleração dos séculos sem fim, vieram os ecos da deusa Razão e tanto se modificou o quadrante dos costumes. As encíclicas dos papas, a missa que deixaria de ser rezada em latim, as práticas dos credos e das cerimônias, o texto das orações. Mas bem isso que marcou a percepção do movimento dos astros nas praças e nos templos.

Primeiros foram os filmes que chegavam toda semana, de que íamos logo na segunda-feira ver os cartazes dos lançamentos. Isso principiava de acontecer a ponto de mudar em quase tudo as minhas concepções antes firmadas em conceitos da religião católica. Fiquei à margem de tudo aqui de antes. Dos sacramentos que recebera com a família, das rezas que Tia Vanice ensinava a gente à noite na véspera de dormir. Os conselhos dos meus pais sempre calcados na formação religiosa trazida do berço.

E me jogaria de corpo inteiro no mundo profano, nas festas, nas farras, nos passeios, política clandestina, bebida, cigarro, ritmo alucinado de finais da década dos 60, com hippies, rock, Guerra do Vietnam, tantos e quantos chamamentos vadios, nas hordas do desespero de uma época alucinada.

Ouço, agora, lá distante, o badalar daqueles carrilhões de outros tempos, sonoros sinais dos momentos outros abafados pelos instintos de uma geração macerada no caldo grosso das consequências históricas. Acalmo por dentro e reavivo o clima dessas lutas internas que atravessei e ora obtenho a oportunidade rara de poder ouvir de novo, na alma, o vigor de uma fé que mora nos meus sentimentos de saudade que restaram intactos.

Maio com suas flores chegou – por José Luís Lira (*)

     É primeiro de maio. Dia internacional do trabalho e nossa Santa Madre Igreja celebra São José Operário. O mês é dedicado a Maria Santíssima e se inicia com celebração a seu castíssimo esposo. Dois milênios depois a Sagrada Família de Nazaré ainda tem muito a nos ensinar e me aproprio de versos do Pe. Zezinho, SCJ, da “Cantiga por um casal fiel”: “Por vezes uma angustia me persegue/ E pergunto pra Maria e pra José/ Por que será que o mundo não consegue/ Entender o que se deu em Nazaré?”. Quantas questões poderíamos levantar? Amor, fidelidade, dúvidas, incertezas, obediência? Mas, tudo se resume na fé. Fé que fez Maria ser a mãe do próprio Deus. Fé que fez José se tornar o pai da Sagrada Família e o pai amoroso do Filho de Deus, Jesus!

   No título deste texto encontramos a “flor de maio” e pesquisando, encontrei a existência de uma cactácea epífita originária da Serra dos Órgãos e Serra do Mar, aqui no Brasil, com esse nome. Na Wikipédia, lemos que ela “não apresenta espinhos (...) Seu ciclo de vida é perene. Floresce em maio”. As flores de maio nos recordam aquelas que depositamos aos pés de Nossa Mãe Santíssima, Maria; também às que oferecemos às nossas Mães, no segundo domingo. Na minha família também lembramos nosso pai que este ano aniversaria no dia das mães. Recordamos o aniversário de nosso Bispo, Dom Vasconcelos, no dia 12, o mesmo dia em que minha cidade natal, Guaraciaba do Norte, celebra 230 anos de emancipação política que no dia 9 lembra 31 anos do falecimento de seu maior benfeitor, Mons. Antonino Soares.

     Maio também é dia minha eterna companheira, Matusahila Santiago. Nosso amigo João Soares Neto, intelectual e cônsul do México no Ceará, costumava nos chamar MatusaLira. Dia 8 será o primeiro ano de sua partida para a eternidade. Foi tão rápido e parece muito tempo. É uma saudade tão grande. A falta da conversa diária, os comentários sobre isto ou aquilo. Mas, Deus em quem tanto ela quanto eu acreditamos, é nosso conforto e, sabemos que um dia nos reencontraremos e teremos muito a conversar...
     Num só dia, três, temos o dia Mundial da Liberdade de Imprensa, da assinatura da Ata de Constituição do Museu de Arte Moderna do Rio, do Sertanejo e o dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Dia 7 além do Oftalmologista, lembramos o dia do Silêncio. E quanto silêncio se têm feito e o quanto ele é necessário. O autor de fábulas, Esopo nos recorda: "Os sábios falam pouco e dizem muito; os ignorantes falam muito e dizem pouco", enquanto Baltazar Gracián explica que "O silêncio é o santuário da prudência" e Santa Teresa de Calcutá nos ensina que "Deus se manifesta no silêncio".

    Entre flores e eventos, temos o dia da Cavalaria, do Campo, do Enfermeiro (mundial), Internacional das Famílias, do Gari, Internacional dos Museus, dos Acadêmicos do Direito, da Língua Nacional, do Trabalhador Rural, do Profissional Liberal, finalizando com o dia Mundial das Comunicações Sociais (31), quando a Igreja celebra a coroação de Nossa Senhora, dona do mês, no céu.

   Deixei por último o dia 13, data da abolição da escravidão no Brasil, com a assinatura da Lei Áurea, pela grande Princesa Isabel do Brasil, data em que anos mais tarde, em Portugal, Nossa Senhora apareceu e se tornou a Virgem de Fátima. 

   Que maio seja feliz a nós todos!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


29 abril 2021

O mundo e o Paraíso - Por: Emerson Monteiro


Os mitos significam isso, a metáfora do que representa o que contam. Eles, os mitos, buscam simbologia que corresponda ao que não poderia ser dito de outro modo. Dá-se um jeito de contar, nem que tenha de chegar a níveis de imaginação por vezes quais correspondentes ao universo mágico do religioso, transcendentes aos valores materiais e intelectuais.

Assim o mito do Paraíso Perdido, de quanto, na mitologia judaico-cristã, os humanos veem-se expulsos da perfeição original, da primeira inocência, pelo exercício frio do raciocínio, e vivenciam mundo do prazer no vão da própria sorte. Perdem a inocência no troco de revelar a si o poder da criação de outro padrão de consciência, onde o desejo individual toma conta do querer e esquecem as primeiras benesses de filhos diletos da pureza do que antes foram.

Ao defrontar o mundo diante das responsabilidades pelos seus atos, a criatura recria a essência que implica no ser senhor das atitudes, e diretamente comprometido nas consequências dessa nova possibilidade, isto quase nunca admitido.

Enquanto passam a agir pelas decisões pessoais, arca com os resultados, que sejam ruins ou bons, porém apenas daqui do Chão, do mundo em volta, sem os frutos divinos da essência de que fizeram parte certa vez. É andar em território livre, no entanto sob o crivo de razão insuficiente; de criatura em criador de outros paraísos, só que artificiais, sem merecer o mais sagrado da Criação original.

...

Já doutro modo, o Fim do Mundo, de que falam também os mitos em algumas civilizações, vem de significar a perda desse império de contradições a que vieram de cair depois de rejeitar o Paraíso, sujeitando-se agora ao encontro de Si Mesmo e ao regresso a planos transcendentais da pureza original, perdida no tempo da queda e fuga da inocência. Nisso descobrem novo paraíso dentro da consciência e reconquistam o Paraíso original, após o fim de um mundo até então visto sob o prisma da desobediência, desta feita com o mérito da plena Salvação.

28 abril 2021

Busca incessante do equilíbrio - Por: Emerson Monteiro


Mesmo quando transitamos nas áreas mais escorregadias, todos andam na intenção de achar os meios de ser feliz, seja assim quem quer que seja. Tantas vezes bater em portas representa isso de existir nas histórias deste mundo. Sair diariamente à cata dos instrumentos de equilibrar os dias, eis o ofício de todos. Vontade é que não falta de encontrar as tais expectativas de acalmar os sentidos e viver bem.

Contudo, defrontamos a necessidade urgente do autoconhecimento. Saber, na verdade, os motivos de estar aqui. Saber trabalhar os segredos deste equipamento primoroso que sustentamos às mãos e exercer as funções ideais daquilo que buscamos, sem perder o prumo e respeitando as leis da Natureza. Isso bem que significar existir, portanto.

Além de trabalhar com a gente, temos que desvendar os mistérios dos relacionamentos com as outras pessoas e com a natureza de que fazemos parte. Nisto, agimos diante da escola deste chão. Aprendemos de nós e aprendemos dos demais seres, nas oportunidades de vir até aqui. Simples, às vezes difícil, mas sempre dispondo, em nossas mãos, dos dispositivos de exercitar a missão de conhecer e se conhecer.

Enquanto permanecemos no exercício de aprimorar as normas de viver, desfrutamos das maravilhas de poder praticar o que aprendemos, respeitar os outros e manter o ritmo de nós mesmos. Trabalhar as condições de manter a ordem do Universo em nós. Descobrir que todos estamos num só barco e que os mares são idênticos. Aperfeiçoar e crescer, tais valores essenciais durante todo tempo. Quando ainda não conhecemos, no entanto, cabe respeitar os limites e aguarda a hora certa de cada elemento.

Um espaço ideal a preencher, um tempo restrito de sobreviver e utilizar os recursos do trabalho e da consciência de ser deste modo; aprender que sonhar representa o espelho de realizar a missão de estar na presença do desconhecido, e amar a vida com toda intensidade.

27 abril 2021

Paraísos artificiais - Por: Emerson Monteiro


Um mundo velho, atoleimado, vindo abaixo numa velocidade estúpida, e tantos ainda se achando meio cobertos de razão, atolados até o eixo na lama das ilusões que artificializaram. Que mundo, que estrelas, que gentes. Cercadas de falsos motivos de viver, amam mil trastes, lágrimas de langor, troços perdidos no pântano de uma corrupção generalizada nos espaços toscos da ignorância. Que mais esperar de uma gente que se arrasta pelo trilho de mentes sem cura. Bem isso de olhar pela janela dessa nave, enquanto cavam as próprias perdições, desfiladeiros de ausências logo ali na curva do Destino.

Existem, pois, soltos nas crinas dos laboratórios os tais instrumentos de enganar a si, isto a preço módico, no alcance das castas ditas de poder, que nutrem falsos luxos da matéria preciosa dos dias. Daí, correm soltas aos mercados tecnológicos à buscam de enganar seus pedaços de carne em decomposição, fertilizantes da história, o que vem passar depois da estupidez acelerada. Políticos, líderes de fancaria, pobres mortais das massas tóxicas. Capengas vilões da sorte alheia. Vão desfilando no picadeiro dos circos de horror em que produzem as crias da pobreza espiritual, transportam no bornal a falta de conhecimento.

Mesmo desse jeito, ocupam lugares e transferem ao lixo tantas oportunidades do que melhor poderia ser a rica imaginação humana. Refazem de sucata os sonhos vagos dos pobres enganos guardados debaixo de injustiças e sofrimento. Mas irão, sim, chegar ao dia, aos pousos certos, no alho das dores que fermentarem. Nem de longe ficarão impunes, enganchados naqueles abismos dos que perderam o prumo e querem, agora, corrigir a multidão. Ninguém foge ao crivo da Verdade, luz acesa de tudo, uma vez que só criar fantasias jamais encobriria a força descomunal do Tempo no seu eterno movimento. Mais perto estão os frutos dos desejos de Paz. Quem viver verá.

(Ilustração: Juízo Final, de Ticiano).

25 abril 2021

Testemunhas de nós mesmos - Por: Emerson Monteiro


Assim é viver. Conhecer a própria história. Seguir os acontecimentos qual se deles nem fôssemos também os responsáveis. No entanto, observadores fieis dos movimentos dos astros na nossa consciência. Parceiros de todos os detalhes, atores de todas as cenas, instrumentos de nossas reações e sujeitos de nossas atitudes. Ninguém, ainda que o deseje, viverá à margem das ocorrências em volta. Pelo não, pelo sim, haveremos de determinar o quanto mereçamos. Disso vêm interpretações de como participar da natureza, oferecer o melhor do que somos e aceitar as consequências do passado, porta aberta de um futuro promissor.

Somos nós as nossas escolhas diante dos dias. Há, entretanto, padrões eternos que determinam o jeito exato em que firmar os passos e conduzir as ações, isto que bem caracteriza a liberdade. Somos livres à medida que agimos conforme leis morais superiores, pois as nossas simples escolhas fazem delas apresentar os frutos do que façamos. Daí os conceitos de tantos pensadores que trabalham esse modo de agir dos humanos. Livres enquanto pautam seus praticados nos limites do aprimoramento, os quais nascem do tempo em nossa consciência. São leis efetivas, semelhantes a leis materiais, por exemplo. Ninguém foge ao destino que assim determinou, por isso.

De tal modo, o sonho de felicidade significa sonho de harmonia com o ritmo e a melodia das existências, até compreender o valor de obedecer aos tais padrões inevitáveis e enxergar o equilíbrio diante das leis eternas sob que nos vemos submetidos, a rumo de evoluir, espécie de determinação inderrogável de tudo quanto existe. Quase que meras testemunhas, pois, da Salvação, eis aqui o itinerário da evolução de que somos sujeitos e objetos em um único ser. O que nos cabe, porém, nesse percurso universal das criaturas representa a fórmula ideal de conhecer e exercitar os ditames desta sinfonia de que significamos os principais protagonistas durante as eras sem fim.

(Ilustração: O pagamento, de Pieter Brueguel o Jovem).

No tempo que os políticos brasileiros eram pessoas exemplares (um episódio na vida do Primeiro Ministro Duque de Caxias)

 


   O Imperador Dom Pedro II admirou em Florença, na Itália, o quadro “Batalha do Avaí”, do célebre Pedro Américo, retratando o importante embate ocorrido durante a Guerra do Paraguai. Quando, em 1877, a tela chegou ao Brasil, o Soberano foi novamente vê-la, fazendo-se acompanhar pelo septuagenário Duque de Caxias, então Presidente do Conselho de Ministros.

    Os elogios foram unânimes, mas o Presidente do Conselho, que havia comandado as tropas brasileiras durante toda a primeira fase da campanha paraguaia, incluindo a Batalha do Avaí, e era figura predominante na tela, conservava-se mudo. Por fim, percebendo o que ocorria, o Imperador discretamente lhe perguntou:

   – Que diz, Senhor Caxias?

    – Desejava saber onde o pintor me viu de farda desabotoada. Nem no meu quarto!

 FONTE: Leopoldo Bibiano Xavier, no livro “Revivendo o Brasil-Império”. 1ª ed. São Paulo. Editora Artpress, 1991. Página 151.

24 abril 2021

Notícias daqui de dentro - Por: Emerson Monteiro


Nesse tempo de viver, há que se achar oito de melhor rever o mundo e aceitar de bom grado viver da melhor forma, isso de adotar as existências quais instrumentos de revelar a si mesmos o eterno diante do inesperado, numa velocidade extrema de sonhar em falas diferentes, e credos, e luzes. Admitir a condição de que nada muda se a gente (você) não mudar. Abraçar de corpo e alma os detalhes das histórias de contar a nós mesmos, o quê desse tudo afinal, verdades que significam isto de abraçar a vida neste viver com paixão lances e passos, na sequência natural dos dias. Conhecer o mínimo que seja do que até aqui transportamos, de almas inquietas, leves, sem medo, nem culpa, porquanto ainda que nos acusemos de haver abandonado a liberdade em nome das pequenas aquisições, desse modo tem que valer em nós os gestos nossos de transformação que, todo momento, nos indicavam as horas que passam e nos pediam licença de acontecer nas estradas dos céus.

Nisso, escrever o tanto que as palavras pedem e suportam de serem ditas, no transcorrer das gerações desses momentos avassaladores do Infinito, quando a gente para um pouco e observa o processo ocasional que nos envolve, enquanto perguntamos a que viemos largados nas asas do firmamento. Alimentamos, pois, a vontade mais intensa de querer, de somar vontade e desafio numa força denominada poder, o impulso da coragem de andar através do inesperado e sustentar a estrutura de sobreviver perante tudo quanto. No entanto chegamos face a face às muralhas do desconhecido, e só então sustentamos o dever de continuar, noites e dias, mortais defensores da felicidade que o seremos de ser, minúsculos filamentos da Luz em forma de súditos da nossa humana proporção. Seguir, portanto, eis a lei e os destinos em quaisquer circunstâncias, venham de onde vier.

23 abril 2021

Resgate coletivo - Por: Emerson Monteiro


Faz perto de quatro décadas quando isso aconteceu. Era junho de 1982 (O Voo VASP 168 foi um acidente aéreo ocorrido em 08 de junho de 1982, quando um Boeing 727-200 com destino a Fortaleza se chocou contra a Serra da Aratanha, na cidade de Pacatuba, Ceará.) Wikipédia

Dentre as 137 vítimas fatais estava meu cunhado Wagner Dantas, esposo de  Lydia, minha irmã, ele um jovem empresário bem sucedido da confecção cearense, digno trabalhador e pai de quatro filhos. Foi um choque tremendo a nossa família, o que acompanhei passo a passo, inclusive na reorganização dos negócios da empresa e permanecendo junto de sua família durante 22 dias, eu e minha mãe. Dias difíceis, dolorosos, que marcaram profundamente a todos nós.

Nesse período, espírita que sou, frequentava às 16h dos sábados, reuniões privadas que ocorriam na União Espírita Cearense, à Rua Carapinima, em Fortaleza, quando havia manifestações mediúnicas de psicografia através de D. Maria de Lourdes, médium respeitada e eficiente. Recebia mensagens de entidades espirituais, dentre elas, naquela fase, pude presenciar comunicação escrita de um espírito que desencarnara no fatídico acidente aéreo. A pessoa se identificava como um dos passageiros, e revelou que naquele voo estiveram reunidos antigos membros do Império Romano à época da perseguição aos primeiros cristãos, os quais foram responsáveis pelas mortes das chacinas, com fieis sendo jogados de penhascos, queimados em fogueiras, atirados a feras e gladiadores, no Circo Romano.

O carma coletivo então adquirido viera, pois, de ser resgatado na ocasião do citado acidente. Mensagem equivalente eu leria, mais adiante, num dos livros mediúnicos de Francisco Cândido Xavier, que passaria à minha irmã, dessa vez também de outro passageiro, uma enfermeira que estava entre as vítimas e relatava idêntica explicação a propósito da ocorrência.

No transcorrer das consequências imediatas, de todas as vítimas restaram por volta de 200kg dos corpos, sepultados em cerimônia única, a meio de grande comoção pública, exatamente no Dia de Corpus Christi daquele ano.

Santo Antônio: Sabedoria e Humildade – por José Luís Lira (*)

 

     Outro dia iniciei os comentários sobre o livro “Santo Antônio: A história do intelectual português que se chamava Fernando, quase morreu na África, pregou por toda a Itália, ganhou fama de casamenteiro e se tornou o santo mais querido do Brasil”, Editora Planeta, autoria de Edison Veiga, a mim presenteado pelo amigo e colega na advocacia Macsimus Duarte. Uma coluna não é suficiente para comentar o trabalho de Veiga e mais ainda a história e a santidade de Antônio a quem chamo “o Grande”. Mesmo com esta, ainda retornarei ao tema.

    Edison explica que “Santo Antônio de Pádua, o homem que tomou para si o nome da cidade e rendeu a ela fama mundial, não nasceu Antônio, muito menos paduano. Por batismo, Santo Antônio se chamava Fernando. E nasceu em Lisboa, que na época ainda não era a capital de Portugal”. Este confirma o que se costuma dizer que a pátria do Santo é o local do qual ele retorna à Casa do Pai pelo falecimento. Assim, por exemplo, Santa Paulina e São José de Anchieta são santos brasileiros, os Beatos Assunta Marchetti, Eustáquio Lieshout, nascidos em outras terras, são tão brasileiros quanto Santo Antônio Galvão, Santa Dulce dos Pobres, Beata Nhá Chica e Beato Donizetti Tavares, brasileiros por nascimento. 

    Antônio descende de nobres. Seu pai, Martin vem dos herdeiros de Godofredo de Bulhões, aclamado o primeiro soberano do Reino Latino de Jerusalém que, para mim, é muito especial, pois é dele que se origina a Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, nobre e pontifícia, na qual me honro em ser cavaleiro e secretário-geral do Conselho na Lugar-Tenência do Rio de Janeiro. O pai de Antônio e sua mãe eram nobres. Veiga nos informa que Martin de Bulhões, mais do que fidalgo, era prefeito de Lisboa. Antônio, então Fernando, estudou o trivium: gramática, retórica e dialética; o quadrivium: aritmética, geometria, astronomia e música. Por nobreza, estudou cavalaria, ao completar 15 anos. Mas, Fernando “não iria se tornar cavaleiro como o pai. Ele havia conhecido: sua família seria a Igreja; suas batalhas seriam com as armas da fé”. O nobre se tornou monge agostiniano, sendo ordenado Sacerdote. Com o passar do tempo, se tornou franciscano, então jovem instituição com o fundador ainda vivo, Francesco di Assisi. O Padre Fernando largou nome e sobrenomes e se tornou Frei Antônio (Antão, na forma latina, Antonius).

    O Frei – Irmão – Antônio, diz-nos seu novo biógrafo Veiga, “Havia se tornado um homem que cultivava o silêncio – assim refletia, meditava e conversava com Deus” e desenvolveu a missão brilhante em prol do Reino de Deus. Mais uma vez recorrendo a Veiga: “Ele era a prova de que era possível mesclar humildade com conhecimento, simplicidade com doutrina, coração com razão”. São Francisco o chamara de seu “Bispo”, sendo, depois, aclamado o primeiro doutor ou mestre franciscano e o povo observou sua santidade reconhecida pela Igreja menos de um ano após seu falecimento.

    O Santo esteve nos exércitos português e brasileiro após sua morte. Entre nós, Antônio é general da reserva não remunerada e na Igreja, Doutor Evangélico. De Fernando Martins de Bulhões a Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, de sacerdote agostiniano a frade franciscano, tudo isto e muito mais está no valioso livro de Veiga!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

22 abril 2021

Luz do amanhecer - Por: Emerson Monteiro


O poder da Natureza revela sua pujança logo cedo, ao nascer do Sol. Daí em diante, o tempo desenrola as tantas qualidades de luz e cor, transformando os dias em manancial de riqueza ao dispor das massas humanas. Longos itinerários de possibilidades em que todos, sem exceção, experimentam o fruir das oportunidades, crescem no trabalho e buscam evolução. As horas assim oferecem os meios de encontrar caminhos de si mesmos e indicam o senso do aprendizado através das experiências, por vezes difíceis, porém sábias, aos moldes da perfeição que nos aguarda de braços abertos, e logo ali em frente.

Isto cabe a todos nós espalhados na face do Planeta. A escola desta vida disponibiliza os instrumentos da compreensão à inteligência das pessoas, dispositivos de revelar o objetivo de ser partícipe da sinfonia magistral da Criação em andamento. Pela força viva dos elementos que movem esse laboratório criativo, desvendamos os mistérios de conhecer a nós e ao Todo universal, vez contar em nossas mãos com o grande livro dos destinos absolutos que o somos.

Durante o percurso da existência, aqui formulamos o melhor projeto de aprimorar o nosso ser ainda primitivo, contando sempre com a sabedoria dadivosa do Amor, furto primordial do Tempo e do Espaço, ao qual votamos nossos desejos de Luz e Paz. Por meio do trabalho honesto, do estudo e dos praticados, construímos a certeza da Fé e moldamos nosso espírito no rumo do Infinito, porquanto já possuímos a cartilha da Salvação, bênção de todos e degraus da esperança porvindoura.

Foram muitos amanheceres, pois, que permitiram superar a materialidade e apaziguar instintos, fazendo disso uma jornada às estrelas, roteiro da humana purificação. Destarte, seremos herdeiros universais de tudo quanto há, durante todo tempo. Bem clara esta visão cósmica de fazer surgir em nós próprios a luz de um amanhecer definitivo.



21 abril 2021

O instinto das palavras - Por: Emerson Monteiro


Quando as palavras querem virar texto, elas ficam batendo nos pés da gente assim tais ondas nas praias, insistindo nascer lá de dentro feito fetos na hora do parto. A propósito, dia desses tive um sonho de quando morava com meus pais na Rua Padre Ibiapina, em Crato, antiga residência construída por Pergentino Silva, no Bairro Pinto Madeira, duas ruas depois da Estação Ferroviária. Lá vivemos em torno de 12 anos, meus pais e seus cinco filhos. Nos sonhos, em velocidade cinematográfica, passaram dezenas de momentos guardados na memória e que nem sabia mais que existiriam. Feitos um caleidoscópio, retornaram intensamente, sucessivamente. Isso através de vários meios de cenas. Sempre, no entanto, carregados das mesmas emoções antes vividas. Lembranças das muitas ocasiões preenchidas de afetos, dramas, aprendizados, que permanecem em mim quais pedaços da individualidade. Encontros e desencontros, notas de rodapé dos dias, trechos de livros lidos, imprudências cometidas, marcas deixadas dos relacionamentos íntimos, circunstâncias, apreensões. Houvesse instrumento de gravar sonhos, dali dar-se-ia produção digna de festivais, trechos diversos ricos de voltagem, cargas fortes de circuitos psicológicos, dores e prazeres vários. Nem precisei ir buscar; vinham à tona feitas ocasiões guardadas nalgum qualquer lugar deste Universo, tais arquivos que não se acabam mais. Resquícios perenes das histórias pessoais, que agora sei que todos os temos naquela biblioteca das vidas para sempre, quando, pois, quisermos visitar nossos passados e reviver os lances dos tempos registrados a ferro e fogo, serão motivos, talvez, de novas interpretações e reaproveitamentos. Transitei nessa incursão em transe de formas e cores, movimentos e sentimentos, bem aos moldes dos que descobrem tesouros de si mesmos, naquilo dos teosofistas chamam de registros acásicos, que jamais desaparecem. Testemunhos, portanto, dessas existências definitivas acondicionadas em dimensão além do tempo aqui conhecido, em gleba das existências de que somos partes integrantes, quem transcorrer pelas cavernas de todos os entes da Natureza infinita de que somos peças e consciências, saberá, decerto, do que estou dizendo.

20 abril 2021

Outras dimensões - Por: Emerson Monteiro


Seria por demais pretensão dos humanos que houvesse tão só o esquadro onde vivem nas suas limitações e energias. Conquanto de tamanha perfeição, isto existe apenas no que tange aos corpos e a natureza. Já os resultados de uso deixam a desejar em termos do aproveitamento a que viemos. O corpo de matéria chega às raias da exatidão, no entanto os que o manuseiam são meros aprendizes, haja vista os frutos e a utilização do espaço. Claudicam até os extremos da pouca habilidade no uso, ferem tanto a si quanto aos outros, vez que habitam a carne quais donos absolutos do que nem de longe assim parecem ser.

Doutro lado, persiste o Universo ilimitado, profundo, infinito, de maravilhas pouco conhecidas pelos viventes da Terra. Lá, então, a existência das dimensões inexploradas, morada dos deuses. Isto no que diz respeito ao território exterior; quanto ao continente interior das criaturas, sempre ao livre dispor dos que pretendem desenvolver o senso do inexplorado, podem mergulhar aos abismos dos mistérios mais profundos. Bem próximo de nós e em nós se contêm as chances do aprimoramento, isso que estudam os sábios nas buscas incessantes da revelação dos segredos que, um dia, nos libertará dos laços primários ao mundo animal.

São elas as outras dimensões além do visível, além dos cinco sentidos e do pensamento, as quais vibram intensamente em volta das dúvidas e que podem abrir de par em par as portas da consciência, caminho da evolução de tudo quanto há. Enquanto autores, portanto, de novos níveis de aprimoramento e senhores da humana salvação, vemo-nos a braços com os desafios da sobrevivência e desfrutamos os prazeres da história pessoal, entretanto meros aprendizes dos meios de reconhecer a finalidade que nos traz a este chão. Lado a lado, seguimos o curso das eras e demonstramos, no dia-a-dia, quanto adquirimos de conhecimento através das nossas práticas de vida.   

18 abril 2021

18 de abril de 1857 - Por: Emerson Monteiro


Há precisos 164 anos, nesta data, em Paris, Allan Kardec lançaria O livro dos Espíritos, a primeira manifestação da Doutrina dos Espíritos, sendo esta a obra que enfoca o seu aspecto filosófico. Dentre as repercussões do livro, à época, a Academia de Ciências de Paris, em pronunciamento coletivo, avaliaria que nesse trabalho, de 1.019 perguntas feitas por Kardec aos espíritos, e respondidas através da mediunidade psicográfica, ali estaria respondidas todas as indagações que qualquer cientista de sã consciência faria sobre a vida após a morte.

Depois de O livro dos Espíritos, seria lançado em janeiro de 1861, O livro dos Médiuns, ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, o aspecto científico da Doutrina, considerado por muitos, ainda hoje, o maior tratado de parapsicologia até agora produzido. Logo adiante, em abril de 1864, viria O Evangelho segundo o Espiritismo, o aspecto religioso, a inteirar as três dimensões do Espiritismo, de filosofia, ciência e religião. Nesse livro estão comentários às máximas morais de Jesus, seguidas de mensagens psicografadas de espíritos luminares da Humanidade a propósito dos temas vistos nos capítulos do livro.

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte León Denizard Rivail, educador francês, discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi, em vida, ainda editaria duas outras obras com base nos conceitos doutrinários espíritas, a saber, O Céu e o Inferno (a Justiça Divina segundo o Espiritismo), em agosto de 1865, e A Gênese (os milagres e as predições segundo o Espiritismo), em janeiro de 1868, que somadas às lançadas no princípio totalizam o Pentateuco Kardequiano. Existem outros livros de sua autoria também lançados em vida, porém estes citados são os básicos a quem queira conhecer os ensinos do Espiritismo.

Com a morte de Kardec, ocorrida em 31 de março de 1869, foram reunidos escritos diversos do autor, os quais vieram publicados sob o título de Obras póstumas. No decorrer dos seus esforços de codificar a Doutrina dos Espíritos, Allan Kardec editaria uma publicação denominada Revista Espírita, onde apresentou os mais diversos registros de estudos e fenômenos mediúnicos verificados pelo mundo afora ao tempo de seu trabalho de codificação.