16 fevereiro 2020

Padre-mestre Ibiapina e suas passagens pelo Cariri – por Armando Lopes Rafael



   Na próxima quarta-feira, 19 de fevereiro, completam-se 137 anos da morte do lendário Padre Ibiapina.  Embora nascido em Sobral, em 5 de agosto de 1806, o adolescente José Antônio Pereira Ibiapina viveu – entre 1819 e 1823 – em Crato (onde frequentou aulas de religião com o vigário José Manuel Felipe Gonçalves) e na cidade de Jardim (onde estudou latim com o mestre Joaquim Teotônio Sobreira de Melo). Depois de ordenado sacerdote ele voltaria outras vezes ao Cariri, onde construiu as Casas de Caridade de Crato, Barbalha, Missão Velha e Milagres, bem como a igreja, cemitério e um açude em Jamacaru.

    Na vida civil Ibiapina foi professor de Direito Natural na Faculdade de Olinda; foi eleito Deputado Geral (hoje deputado federal) representando o Ceará na Câmara Legislativa, no Rio de Janeiro; foi nomeado Juiz de Direito e Chefe de Polícia da Comarca de Quixeramobim (CE). Exerceu a advocacia em Recife. Abandonou tudo isso e, aos 47 anos, foi ordenado Padre da Igreja Católica. A partir daí, percorreu o interior do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco levando o conforto, através da palavra para o povo sofrido do sertão nordestino. Mas não só. A cavalo ou a pé, sempre vestido com a batina, pregava nas “missões”; paralelamente, construía igrejas, capelas, cacimbas, açudes, cemitérios e hospitais. Chegou a construir mais de 20 Casas de Caridade para moças órfãs e carentes.

    Sobre ele, escreveu Gilberto Freyre: “ Ibiapina foi realmente uma enorme força moral a serviço da Igreja e do Brasil. [...] exemplos como o do padre Ibiapina – que,  sozinho, fundou e organizou vinte casas de caridade nos sertões do Nordeste – se impõem aos brasileiros como grandes valores morais”.

    Faleceu no município de Solânea, na Paraíba, em 19 de fevereiro de 1883. Sua causa de beatificação corre na Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano.

   Ao Padre Ibiapina se aplica com toda justeza as palavras do livro bíblico “Eclesiástico”: “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras da sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”. (Eclo 2,1-3)

A Crônica do Domingo -- Rudyard Kipling – por Armando Lopes Rafael



    Hoje amanheci lembrando de Joseph Rudyard Kipling, escritor e poeta inglês. Rudyard Kimpling nasceu em Bambaim, na Índia em 1865. E faleceu em Londres em 1936. Escreveu diversos livros de contos e de poesias. Na área da poesia, a criação mais conhecida dele é o poema “Se”.

     No tempo que cursei o ensino de nível médio, chamado à época, de Curso de Humanidades, ou Curso Ginasial, era comum aos alunos serem incentivados a ler Rudyard Kipling.

        Abaixo um poema de Rudyard Kipling:

“SE”
"Se és capaz de manter tua calma, quando Todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa, De crer em ti quando estão todos duvidando, E para esses, no entanto achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares, Ou, enganado, não mentir ao mentiroso, Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires, De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores, Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires, Tratar da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas, Em armadilhas as verdades que disseste E as coisas por que deste a vida estraçalhada, E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada, Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, Resignado, tornar ao ponto de partida;

De forçar coração, nervos, músculos, tudo, A dar seja o que for que neles ainda existe, E a persistir assim quando, exausto, contudo, Resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, E, entre Reis, não perder a naturalidade, E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, Se a todos podes ser de alguma utilidade,

Se és capaz de dar, segundo por segundo, Ao minuto fatal todo valor e brilho, Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo, E - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!"

15 fevereiro 2020

Patrimônio Paleontológico – por José Luís Lira (*)


    Ao pé da letra, a palavra patrimônio vem do latim patrimonium, como nos dizem os autores do livro que comento nesta semana. Desdobram o vocábulo e dizem: pater significando pai e monium, condição, estado. Teria a palavra uma relação direta com a herança paterna. Juridicamente se diz nos dias de hoje, herança familiar ou o conjunto dos bens familiares. Tudo é legado de um familiar para outro; de uma geração para outra. O título desta coluna é o do livro lançado no ano passado pela Profa. Dra. Maria Somália Sales Viana e pelo Prof. Dr. Ismar de Souza Carvalho, editora Interciência, 168 páginas.

    Somália Viana é minha colega na Universidade Estadual Vale do Acaraú e, desde março do ano passado, no Museu Diocesano Dom José. É ela a curadora da área de paleontologia do Museu que é o quinto em arte sacra e decorativa do Brasil, mas, que possui vários outros museus dentro de seu acervo, incluindo a paleontologia, que julgo da maior importância.

    O livro em comento é um verdadeiro manual. Linguajar escorreito e de fácil compreensão, está dividido em sete capítulos. Logo no início, a questão patrimonial é amplamente explicada, embora que de forma sintética, o amplo dá a ideia de que se aprende o tema sem precisar da prolixidade. O capítulo um aborda o patrimônio paleontológico. Na sequência, os autores abordam a geodiversidade, a geoconservação e o patrimônio paleontológico, incluindo inventário, quantificação, classificação, conservação, valoração, divulgação, monitoramento, geossítios, geoparques e paleoparques. O terceiro capítulo é de sumo interesse, pois, trata dos museus, parques e paleoparques.

    No quarto, encontramos a fórmula, digamos assim, para a musealização de fósseis e as informações começam com a limpeza, preparação, identificação, etiquetagem e tombamento, acondicionamento, documentação, conservação, exposição, guarda, segurança e acesso, além da institucionalização. O quinto capítulo nos indica a interpretação do patrimônio paleontológico e o geoturismo. A paleoarte é destacada e os acenos para a economia criativa, o geoturismo e a divulgação podem ser vistos. Os dois outros capítulos nos apontam as ações educativas, a divulgação e a popularização da ciência e em fase de conclusão, nos é apontado um novo começo para a preservação e conservação deste patrimônio.

    Em novo começo os autores lembram o aprendizado do incêndio do Museu Nacional, em setembro de 2018, ressaltando “… que, mesmo o patrimônio ex situ estando guardado em uma instituição, ele não está completamente seguro e com a total garantia para o futuro. Será preciso estar sempre alerta com o gerenciamento de cuidados específicos visando a perpetuação desse patrimônio, para evitar sua depredação ou de sua alteração física ou química”.

    No atual momento do Museu Diocesano Dom José vivemos o preparo para a preservação maior. O Museu entrará em reforma em breve e todos os mecanismos de segurança serão instalados, garantindo às futuras gerações o acesso ao patrimônio e à memória que nossos antepassados colheram, que nós colhemos e geramos.

    Recomendo, pois, a leitura de PATRIMÔNIO PALEONTOLÓGICO, dos Professores doutores Somália Sales Viana e Ismar de Souza Carvalho, a quem parabenizo pela pesquisa e publicação.

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

11 fevereiro 2020

As voltas que o mundo dá: Bolsonaro é 3º governante mais popular do mundo nas redes sociais


Fonte: “Estadão”, 11-02-2020 – Vinícius Passarelli

É o que aponta o Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest a pedido do Estado.

O presidente Jair Bolsonaro é o terceiro chefe de governo mais popular do mundo nas redes sociais. O mandatário brasileiro fica atrás apenas de Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, e do presidente dos EUA, Donald Trump. É o que aponta o Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest a pedido do Estado. A exemplo do presidente norte-americano, Bolsonaro utiliza as redes sociais para comunicar atos de governo, atacar adversários e criticar a imprensa.

Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio da Alvorada.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil 3/2/2020 / Estadão Conteúdo

Ranking de políticos mais populares nas redes (IPD de 0 a 100) entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020: 

1.    Narendra Modi - 63.25
2.    Donald Trump - 62.27
3.    Jair Bolsonaro - 52.75
4.    Recep Tayyip Erdogan - 44.65
5.    Cristina Kirchner - 32.48
6.    Luis Lacalle Pou - 27.2
7.    Alberto Fernández - 19.67
8.    Matteo Salvini - 19.35
9.    Evo Morales - 18.75
10.    Emmanuel Macron - 18.37
11.    Nicolás Maduro - 18.2
12.    Iván Duque - 18.14
13.    Benjamin Netanyahu - 17.85
14.    Justin Trudeau - 17.52
15.    Sebastián Piñera - 17.26
16.    Rody Duterte - 16.58
17.    Boris Johnson - 15.81
18.    Orbán Viktor - 15.61

10 fevereiro 2020

10 de fevereiro de 2020 -- há 60 anos morria Dom Francisco de Assis Pires

  Foi o Cardeal Dom Sebastião Leme, à época Arcebispo do Rio de Janeiro, quem atribuiu a Dom Francisco de Assis Pires – segundo Bispo de Crato – a designação de “A violeta do episcopado brasileiro”. Desde a Idade Média, a violeta simboliza fidelidade, castidade e humildade. Merecidamente, Dom Francisco ficou conhecido como “A violeta do episcopado brasileiro”.

    Outros títulos lhe foram atribuídos. Monsenhor Francisco Holanda Montenegro – no livro “Os quatro Luzeiros da Diocese” – refere-se a Dom Francisco como “O Bom Samaritano”. Já Monsenhor Raimundo Augusto – no opúsculo “Histórico da Diocese de Crato” – escreveu que o segundo bispo de Crato “era a caridade em pessoa. Desprendido dos bens terrenos, bondoso e manso, veio para servir aos seus diocesanos sem nada receber em troca”. Tudo em consonância com o lema episcopal escolhido por Dom Francisco: Não vim para ser servido, mas para servir.

   Monsenhor Raimundo Augusto justificou a sua opinião: “A longa e diuturna convivência com Dom Francisco na prestação de serviços à Cúria Diocesana, autoriza-me a expressar-me assim. Vi de perto a riqueza de virtudes que ornavam sua alma Angélica, seu coração de ouro”.

    Nascido no seio de uma rica família da capital baiana, Dom Francisco era, no dizer dos seus biógrafos, um verdadeiro aristocrata. Monsenhor Montenegro é taxativo: “Um rico que se fez pobre a serviço dos mais pobres”. É voz unânime que o segundo bispo de Crato tinha, realmente, predileção pelos mais pobres e mais sofredores. Por conta disso possuía centenas de afilhados de batismo ou crisma. Dotado de uma delicadeza impressionante, tratava a todos – de qualquer condição social – com educação esmerada.

     Entre os afilhados de Dom Francisco, um merece ser citado. No final dos anos 40 veio residir em Crato um casal francês, que sofrera as agruras da Segunda Guerra Mundial: Hubert Bloc Boris e sua esposa Janine. Hubert, em pouco tempo, tornou-se figura estimada na sociedade cratense, mercê seu temperamento extrovertido, facilidade de fazer amizades, além do destaque social adquirido por ser administrador do maior imóvel rural do Sul do Ceará – a Fazenda Serra Verde,  localizada em Caririaçu – além de ser sócio do Rotary Clube de Crato, dentre outros atributos de que era possuidor.

     Hubert era judeu de nascimento, o primeiro, talvez, a integrar o rebanho das ovelhas pastoreadas por Dom Francisco. Este, aproximou-se do casal francês e, depois de longas e demoradas conversas, conseguiu a aquiescência de Hubert para batizá-lo na Igreja Católica. Bom lembrar que Janine tinha procedência católica o que facilitou, certamente, a conversão ao catolicismo do saudoso e sempre lembrado “Cidadão Cratense” (título concedido pela Câmara de Vereadores), Hubert Bloc Boris.

    Dentre as muitas realizações materiais de Dom Francisco destacamos três: a construção do primeiro hospital do Cariri – o São Francisco de Assis – onde havia lugar destinado à indigência, ou seja, aos doentes pobres; o Museu de Artes e Ofício (hoje extinto) destinado à profissionalização da juventude masculina de baixa renda, funcionando em grande prédio ao lado do Seminário São José. Construção aniquilada; e   o Patronato Padre Ibiapina, destinado á educação de moças pobres. também extinto, (cujo prédio é ocupado hoje pela reitoria da Universidade Regional do Cariri).

     Numa edição especial do jornal “Folha da Semana”, comemorativa ao centenário da cidade de Crato, com data de 17 de outubro de 1953, foi inserido um artigo da lavra do Padre Neri Feitosa com o título “A venerável figura de Dom Francisco Pires”. Dali retiramos os seguintes textos:

“(...) Ele é eminentemente “Homem de Deus”, com um porte que fala de modo impressionante à piedade. Êmulo e imitador do pobrezinho de Assis, seu onomástico. Dom Francisco de Assis Pires é uma figura muito venerável de asceta contemplativo e cheio de bondade cristã.
“É de ver como se perturba, como se angustia, como sofre o coração do Bispo de Crato, quando se declaram sintomas (dos fenômenos periódicos) da Seca. Indaga sobre o sofrimento do povo, sobre as possibilidades dos poderes (públicos), sobre os migrantes, sobre a produção nas diversas zonas da Diocese. Com a mão trêmula pelos anos e pela aflição, traça as feições abatidas de seus filhos diocesanos, em telegramas a quem possa prestar socorro.
“Aquela face carrancuda não expressa nada aquela bondade compassiva e providente que lhe enche o grande coração de Bom Pastor.
“Por estas e por outras razões o Crato guardará, nos arquivos da justiça e da melhor gratidão, a lembrança perene desta venerável figura que constitui Dom Francisco de Assis Pires”.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

08 fevereiro 2020

Crônica do domingo

As duas últimas fotos de Dom Vicente Matos, tiradas no dia que ele deixou a cidade de Crato (*) 



      O dia era 11 de junho de 1992.

      Naquela data, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos completou 74 anos de idade. Há 37 anos residia em Crato. Primeiro, foi Bispo-Auxiliar (de 1955 a 1959). Depois, com a renúncia de Dom Francisco de Assis Pires, Dom Vicente foi  Administrador Diocesano (1959 a 1960) ou Vigário Capitular, como se chamava à época; De 22 de janeiro de 1961 (quando foi nomeado Bispo Diocesano) até 1º de junho de 1992 (quando renunciou ao bispado por problemas de saúde) foi o 3º Bispo de Crato. Depois da renúncia, ainda permaneceu em Crato até 11 de junho do mesmo mês, preparando o transporte dos seus objetos pessoais para levá-los a Fortaleza, onde fixou residência até sua morte, ocorrida em 06 de dezembro de 1998.

      Voltemos à manhã do dia 11 de junho de 1992. No alpendre do antigo Palácio Episcopal, área voltada para o grande quintal (onde hoje se ergue a Cúria Diocesana Bom Pastor), Dom Vicente Matos  (portando a vestimenta episcopal) recebeu poucas pessoas que foram se despedir dele. Depois, subiu pela última vez as escadas que davam ao seu quarto, localizado na parte superior da casa, vestiu um terno simples e iniciou sua viagem para Fortaleza.

        Como era do seu natural, Dom Vicente estava tranquilo, mas emocionado. Nos quase 600 quilômetros, que separam Crato de Fortaleza, ele deve ter rememorado os 37 longos anos vividos no Cariri. Onde continua a ser o maior benfeitor da região. Onde não deu um único passo que não fosse voltado para difundir o bem e a verdade. E onde recebeu muitas calúnias e ingratidões, as quais – por ser uma alma de escol e um homem superior – soube perdoar.

         Deus permitiu que o demônio tentasse joeirar a boa obra de Dom Vicente, igual ao trigo que, para ficar puro, tem de ser joeirado.  O sofrimento que os algozes de Dom Vicente lhe impingiram, serviu para que o terceiro Bispo de Crato se santificasse. E como “O tempo é o Senhor da razão”, hoje está sendo construída a maior avenida de Crato, a qual,  partindo do bairro Mirandão, e terminando no monumento de Nossa Senhora de Fátima, foi denominada oficialmente de Avenida Dom Vicente de Paulo Araújo Matos.

(*) Essas 2 fotos foram feitas pelo Prof. Paulo Tasso Teixeira Mendes, hoje residente em João Pessoa (PB).

Postado por Armando Lopes Rafael

07 fevereiro 2020

Valentine's Day – O Dia de São Valentim – por José Luís Lira (*)

No próximo dia 14 de fevereiro, nos Estados Unidos e em vários outros países, incluindo os da Europa, se celebra o Dia de São Valentim, equivalente ao Dia dos Namorados aqui no Brasil. Vemos, vez por outra, se dizer que é, também, o Dia da Amizade, embora oficialmente este só seja comemorado em julho. E aqui lembro a frase de Richard Matheson, o “amor, muito amado, fala manso”.

A celebração ao santo se dá nas igrejas católica romana e orientais . E poderíamos nos indagar, quem é Valentim? Existe mais de um mártir considerado santo naqueles primeiros séculos do cristianismo. O primeiro seria um sacerdote, o segundo um bispo, ambos martirizados em Roma e o terceiro um soldado que recebeu o martírio na África, junto a outros companheiros.

No Martirológio Romano (Martyrologium Romanum, existente desde o remoto pontificado do Papa Milcíades – 311-314), lemos na data de 14/2: “Em Roma, na Via Flamínia, junto à ponte Mílvio, São Valentim, mártir”. Este seria o Bispo nascido em Terni (cerca de 105km de Roma) e que naqueles dias de perseguição aos cristãos foi a Roma, contrapor-se aos desmandos do Imperador Cláudio II.

Lembro-me de minha primeira visita guiada a Roma, a guia apontou para a Basílica onde está o crânio de São Valentim. Na ocasião ela explicou que era ele o patrono dos namorados. Segundo as narrativas, durante o governo de Cláudio II, no antigo Império Romano, este proibiu a realização de casamentos no reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que sem famílias, esposas ou filhos, os jovens iriam alistar-se com maior facilidade no Exército Romano. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição. Seu nome era Valentim, teria nascido em 226 d.C., na comuna de Terni (Itália) e as cerimonias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim, preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor.

Valentim teria sido preso numa prisão domiciliar, na residência do prefeito romano Asterio, onde todos eram pagãos. Consta que ao chegar à casa, o bispo foi informado que o prefeito tinha uma filha cega. Disse aos familiares que iria rezar e pedir para Jesus Cristo pela cura da jovem, o que ocorreu alguns dias depois. Lendas indicam o nome dela como Artérias, “filha do carcereiro”. Falam de uma suposta paixão platônica que não tem confirmação. Valentim foi decapitado em 14/2/270. Sua canonização ocorreu no pontificado do 49° Papa, Gelásio I (492 a 496). No século VIII, o crânio do santo que depois de ser sepultado em Roma foi levado a Terni com todo o seu corpo, retornou a Roma, por iniciativa do Papa Adriano I (772 e 795) e levado para a Basílica de Santa Maria in Cosmedin.

Há três anos, um dia antes da celebração do santo, viralizou no mundo a imagem dele reconstruída a partir de seu crânio. Foram mais de 30 idiomas. A TV chinesa, a Rádio do Vaticano, entre outras, deram notoriedade à reconstrução por mim coordenada, eu fiz as fotografias que possibilitaram a reconstrução, realizada pelo confrade e amigo Cícero Moraes, com a anuência do Pe. Mtanious Haddad, reitor da Basilica di Santa Maria in Cosmedin, na Diocese de Roma.
Salve São Valentim!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Lançamento do livro "Cidade dos meus sonhos", do Prof. João Pierre


O Prof. João Teófilo Pierre lançou neste dia 6 de fevereiro de 2020, o seu 22º livro, "A cidade dos meus sonhos". A solenidade ocorreu no Instituto Cultural do Cariri, e a apresentação foi feita pelo Prof. Armando Lopes Rafael. Confira abaixo a apresentação.


      Meses atrás, João Teófilo Pierre enviou-me e-mail, pedindo que eu escrevesse o prefácio deste seu livro “Cidade dos meus Sonhos”. Honrado pela escolha, fi-lo com alegria. Naquele prefácio – que vocês poderão ler a partir da página 17, do mencionado livro – escrevi apenas o ritual costumeiramente exigido para um prefácio: as explicações resumidas sobre conteúdo do livro; seus objetivos; além de comentários sobre a produção literária do autor.

    Agora, convocado a fazer – para esta seleta plateia – a apresentação da mesma obra, creio que devo acrescentar breves considerações adicionais sobre o Prof. João Pierre. Admiro nele a missão que se autoimpôs:  elevar e divulgar o nome de Crato, quando as oportunidades surgem. E isso não vem de agora. Há cerca de 50 anos, e para citar um único trabalho dele, à época Secretário Municipal de Cultura, João Pierre – remontando visões de passado e antevendo as do futuro – tornou realidade o Museu de Artes Vicente Leite, instituição que – até dez anos atrás – era o orgulho desta Cidade de Frei Carlos.  Portanto, o Prof, João Pierre aqui se apresenta portando experiências de vida, bem como   serviços prestados a esta comunidade.

       Relembro que João Teófilo Pierre é um homem viajado. O conhecimento de novas sociedades, com suas visões de vida, proporcionou-lhe vislumbrar novos horizontes para Crato. Ainda jovem, João Pierre foi enviado para estudar em Roma, a Cidade Eterna. Lá ele viveu alguns anos. Não conheço ninguém que tendo conhecido Roma não fique apaixonado, pelo resto da vida, por aquela cidade. 

          No entanto, foi outra a cidade que arrebatou o coração de João Pierre.  Sua paixão intensa (que perdura da juventude aos dias atuais), é por um pequeno centro urbano, localizado no interior do Ceará. Sim, este mesmo que os nossos primeiros professores nos ensinaram a exaltar como “A flor da terra do sol; o berço esplêndido dos guerreiros da "Tribo Cariri". Pois é esta mesma comunidade, também denominada de “Cratinho de Açúcar”, pelas pessoas simples das periferias e do supedâneo da Chapada do Araripe.  (Outro dia me adverti de que, nos meus tempos de criança, essa gente simples e boa, a que me referi, era chamada pela carinhosa expressão de “povinho”. Hoje, pela força da mídia, pouco confiável, diga-se de passagem, aquela expressão “povinho” foi transmudada para a grosseira palavra “povão”).

    João Pierre nos ensinou – já há algum tempo – várias lições de vida. Uma delas, a de que somos criadores da nossa própria história. Atraímos muita coisa para inserir na nossa própria vida. Se nos caminhos percorridos você encontra algo maravilhoso, ou se acha que à sua volta há muita coisa boa, será isso que você colherá nos seus dias de vida.

      Permitam-me ler um trechinho, bem pequeno, do livro: “Histórias para aquecer o coração”, de Jack Canfield, onde ele transcreve uma historinha contada por Willy McNamara”

“Um viajante, ao se aproximar de uma cidade grande, perguntou a uma mulher sentada à beira da estrada:
– Como são as pessoas nessa cidade?
(A mulher perguntou)
– Como são as pessoas no lugar de onde você vem?
– Uma gente horrível – respondeu o viajante. – Pessoas egoístas, em quem não se pode confiar, detestáveis sob todos os aspectos.
– Ah – disse a mulher –, você vai achar o mesmo tipo de gente por aqui.
O homem mal tinha se afastado quando outro viajante parou e fez à mulher a mesma pergunta, curioso sobre os habitantes da cidade.
Mais uma vez, a mulher quis saber como eram os habitantes da cidade de onde vinha o homem.
– Pessoas boas, honestas, trabalhadoras e compreensivas com os outros e com elas mesmas – respondeu o segundo viajante.
A sábia mulher retrucou:
– Pois é esse mesmo tipo de gente que você vai encontrar por aqui”.

(Até aqui palavras de Willy McNamara).

     Mas voltemos aos sentimentos nobres do Prof. João. Admira-nos como ele mantém um amor fiel a Crato. Talvez por ser a terra dos seus “primeiros alumbramentos”, utilizando essa expressão usada por Manuel Bandeira, para exaltar a cidade de Recife, cortada pelos rios, sob um céu líquido de azul.

   É tocante o amor que João Pierre tem pelo Crato. A palavra amor é velha; o sentimento, mais velho ainda. E embora desgastada pelo uso, e pela mentalidade coletiva dos tempos atuais, o amor é, no entanto, a palavra mais adequada para definirmos o sentimento que habita no coração de João Pierre, por tudo que ele faz pelo Crato.

   A exaltação de João Teófilo Pierre a nossa cidade é a temática recorrente de sua já vasta produção literária. Um amor também presente nos pronunciamentos que ele fez e continua fazendo, bem como nas suas ações mais corriqueiras. Ainda hoje, ele mantém sua casa na Rua Carolino Sucupira, onde gosta de sentir a alegria de abri-la, observa-la, e, em seguida, fechá-la, num ritual que sempre faz quando vem a Crato.

    Uma rotina como a marcar sua conduta de cidadão e do homem público que foi, quando exerceu os cargos de secretário municipal e vice-prefeito de Crato, nos anos da década 70. Corroborando ser verdade aquela frase da Bíblia – constante do Evangelho de Mateus – de que “A boca fala do que está cheio o coração.” 

   Esses bons e nobres sentimentos, tornaram-se uma característica marcante da personalidade de João Teófilo Pierre. E ele sabe repassar, com simplicidade e profundidade, tudo o que lhe vai no coração. 

    Ainda bem que João teve consciência e sensibilidade de saber que as boas palavras e os bons sentimentos não devem ser trancados dentro de si. Antes, devem ser regados para florir. E, depois de floridos, devem ser socializados com a comunidade, visando unicamente o bem desta. Sem buscar reconhecimento em troca; sem alimentar vaidades efêmeras, nem se preocupar em ouvir louvaminhas, as quais nem sempre são sinceras. João Teófilo Pierre ministra essa liturgia da cidadania, e isso lhe faz feliz.

     Continue assim, professor! Seu sermão silencioso tem observadores e, quiçá, terá seguidores neste seu sentimento afetivo e cívico por sua cidade. E para encerrar, faço minhas as palavras de Júlio Aukav, que caem como uma luva no agir do Prof. João Pierre:

“Seja idealista nos seus sonhos, continue buscando o que realmente lhe faz feliz. Tenha paz em sentimentos na plenitude que honre a razão. Seja luz numa estrada escura. Seja sol num dia sereno. Seja infinito no amanhecer de um dia especial. Tenha certeza de que são as paixões que movem o mundo e não os interesses materiais. Pois somente o amor ilumina um coração puro e idealista”.

        Honra ao mérito! Honra ao nobre professor João Teófilo Pierre.

Deputado e Príncipe, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, questiona Núncio Apostólico sobre encontro entre Lula e Papa



Fonte: O Antagonista

O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança enviou um documento para o arcebispo Giovanni D’Aniello, atual Núncio Apostólico no Brasil, para questionar seu posicionamento a respeito da visita que Lula fará ao papa Francisco, no Vaticano.

Como mostramos, Lula pediu adiamento de seu depoimento no âmbito da Operação Zelotes, marcado para a próxima semana, para visitar o papa.

No documento, o deputado Philippe de Orleans e Bragança questiona se o arcebispo não teme pelos “efeitos negativos” que a visita poderá “acarretar ao povo e às instituições brasileiras”. A conferir.

“A saída do condenado do país apresenta um retardo no cumprimento de processos judiciais dos quais é réu. Sem querer especular se há qualquer obrigação que a Santa Sé tenha contraído com o condenado no passado, quando ocupava a presidência do Brasil, ao recebê-lo, representará impunidade e desrespeito às instituições brasileiras.”

 “Seus atos de corrupção das instituições, criou todo um sistema de perpetuação da pobreza de milhões de pessoas. Os resultados de seus atos têm sido difíceis de serem corrigidos em várias áreas da vida dos cidadãos brasileiros (…). Sua Santidade não teme pela imagem da Santa Igreja ao apoiar abertamente notórios comunistas brasileiros que comprovadamente cometeram graves crimes? Questiona, ainda, quanto à legitimidade dessa visita e os efeitos negativos que poderão acarretar ao povo e às instituições brasileiras.”


03 fevereiro 2020

Monarquia inglesa: uma forma de governo que deu certo




A monarquia inglesa continua firme e forte!  Também chamada de monarquia britânica, é a monarquia constitucional da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte e de seus territórios ultramarinos (Canadá, Austrália, Nova Zelândia, dentre outros).

Ao completar 68 anos de reinado, a Rainha Elizabeth II está prestes a ultrapassar o tempo de reinado do imperador Franz Joseph da Áustria-Hungria. A Rainha Elizabeth é   a terceira monarca europeia com o maior reinado da história em um país soberano.

Durante esse tempo, ela viu um número assombroso de chefes de Estado. Como rainha, desde 1952, ela viu passar 23 presidentes da República do Brasil (isso mesmo 23 presidentes brasileiros, em meio a golpes, ditaduras, estados de sítios e governos corruptos sucessivos durante 16 anos... o escambau). Viu passar  13 presidentes dos EUA, 10 presidentes da França, 7 papas, 11 presidentes da Itália, 26 presidentes da Argentina, 3 reis da Bélgica, 3 reis da Holanda, 2 reis da Suécia, 2 reis da Dinamarca, 2 reis da Espanha, 2 reis e 12 presidentes da nova “República da Grécia”, 3 reis da Noruega, 3 grão-duques de Luxemburgo, 3 imperadores do Japão e 2 príncipes de Liechtenstein...

God save the Queen!

(baseado em postagem do face book Vista Monarquia)

02 fevereiro 2020

02 de fevereiro: aniversário de Dom Bertrand


   Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, hoje, 02 de fevereiro,  completa 79 anos de idade.

    Sobre Dom Bertrand, assim se expressou Olavo de Carvalho:

" Dom Bertrand tem mais amor ao Brasil do que toda a classe política reunida.
O que afirmei de Dom Bertrand acima não é uma opinião genérica, é um fato: nunca vi um político estudar os problemas do Brasil com tanta devoção, com preocupação tão séria quanto o faz o nosso querido príncipe.
Ele é um médico capaz e bondoso, que o paciente recebe a pontapés."
- Olavo de Carvalho”.

     Traduzindo os sentimentos de todos os monarquistas brasileiros desejamos a Sua Alteza um feliz aniversário!

31 janeiro 2020

O Servo de Deus Padre Júlio Maria de Lombaerde – por Armando Lopes Rafael


  O meu caro amigo José Luís Lira – coração generoso e um “gentleman” a toda prova – sempre que dispõe, envia-me duplicatas de estampas com relíquias de segundo grau, de santos ou de candidatos à beatificação, da Igreja Católica Apostólica Romana.

     Dias atrás, fê-lo, através de uma remessa que muito me alegrou. Junto a algumas relíquias, uma delas – a do Servo de Deus Padre Júlio Maria de Lombaerde –  chamou-me particularmente a atenção. Nunca tinha ouvido falar nesse futuro santo. Mas, vendo a sua fotografia, onde se sobressai um olhar profundo, puro e cheio de bondade, tal imagem inspirou-me a buscar, na Internet, informações sobre este santo homem.

       Por onde passou, Pe. Júlio Maria, cumpriu fielmente sua missão sacerdotal, dentro da mentalidade da Santa Igreja Católica, àquela época. Começou seu ministério no Brasil na cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá. Por onde morou ministrou os sacramentos católicos. Pronunciou sermões edificantes e palestras; fundou escolas, hospitais, asilos e três congregações religiosas: Filhas do Coração Imaculado de Maria (1916), Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora (1929).

          Foi escritor e jornalista, tendo fundado em, em Belo Horizonte (MG), a Gráfica e Editora O Lutador, a qual edita, ininterruptamente, há mais de 90 anos, o periódico “O Lutador”.

           Padre Júlio Maria de Lombaerde faleceu em 1944, vítima de um acidente de trânsito, entre as cidades de Alto Jequitibá e Manhumirim, em Minas Gerais. Aliás é na cidade de Manhumirim (integrante da Diocese de Caratinga) onde fica a sede da Causa de Beatificação do Pe. Júlio Maria.

     Quem quiser adquirir estampas/relíquias desse Servo de Deus, pode se dirigir ao Pe. Heleno Raimundo da Silva – Praça Bom Jesus, 38 – Manhumirim (MG) Cep 36970-000.

Lua em descompasso – por José Luís Lira (*)



     Maria Beatriz Rosário de Alcântara, a escritora Beatriz Alcântara, querida amiga e festejada intelectual cearense, lançou, em dezembro último, o livro “LUA em DESCOMPASSO”, capa artisticamente preparada, edição primorosa. Característica comum em seus livros, não tem prefácio, nem apresentação ou posfácio. Dedicado a Lúcio Alcântara, marido de Beatriz, a quem diz: “sempre, ainda e sobretudo na busca da ‘palavra’ exata”, o livro é iniciado com poesia e poesia das boas. Antes de cada “caderno”, digamos assim, de poesia, a autora faz citações, iniciadas pela “melodia sentimental”, de Villa-Lobos.


     A poeta (ou poetisa?, não sei, mas, poeta ou poetisa, compõe poesia e poesia é o que move a vida e penso que poesia não tem gênero algum) define o título de sua obra dando voz à Lua(r) em Descompasso: “Gosto, às vezes, de sorrir/ de mim mesma,/ muito sozinha/ madrugada tardia e/ espreitar a lua ao luar,/ distante de todo enlevo,/ sem verdades lisas e cruas,/ tudo avesso ao pensamento longo,/ demorado, que não se sabe onde vai chegar./ Súbito, vem aquela vontade de fazer um pedido/ com meiguice: tem um chocolate de leite para mim?”. E a noite segue escura, “Do céu cerrado sem estrelas./ piado de coruja chama/ lua nova, noite soturna,/ cipreste sombrio,/ nada tem luz para se olhar...”.

    E as dúvidas e incertezas do “Por Isso ou Aquilo”, chegam ao texto: “Daquilo e disso/ herdamos muito mais/ do que temos ideia./ Pensamos ser estranhos...”, mas, “Muito vai além do que acreditamos/ serem revelações entre suposições”. “Por isso ou aquilo, o tempo dança,/ eu danço e, na família, fica a herança”. E “Indo e vindo”, “Vivo a divagar por tudo que fui/ e nem pensava que queria,/ assim, complexa e indivisível/ num devanear de lua cheia,/ alma sôfrega, saudade e ternura”. A vidraça, ah a vidraça... “Vidraça, olhar de mistério/ e segredos, vem me contar.../ Vamos, janela, faz de conta...”.

     A pátria-mater brasiliensis Portugal é presente não só na vida de Beatriz, visto que seus pais são portugueses e ela fora lá educada, embora nascida no Ceará, mas, na obra que lemos. Vale lembrar um trecho da mini-autobiografia que ela tece na orelha do livro, “... vim de férias ao Ceará, onde, em menos de quinze dias, decidi permanecer. A liberdade de expressão, a toância da música, a alegria em tudo presente, as praias de mar verde e o calor ameno, criaram em mim a certeza de um elo encantatório para sempre”. E assim, vez por outra, cenas portuguesas aportam na Lua em Descompasso. E Rachel de Queiroz e Artur Eduardo Benevides, poderia dizer meus padrinhos literários, são citados por Beatriz. De Rachel cita trecho d’As Três Marias, de uma, Rachel, ela fora amiga; de outra, Alba Frota, ela fora aluna. E Artur foi seu Mestre, o homem da “Pacatuba, Pacatuba, bá...”. E os idiomas inglês e francês se juntam nesse descompasso da lua e velhas amizades, dias de juventude e de ternura são lembrados.

     Artur Eduardo Benevides abre caminhos para Iracema, a mãe romantizada dos cearenses, mas, temos também Canindé, fotos de viagem e Fortaleza. E, POESIA... que “existe/ porque a vida não basta!”, como dizia o Mestre Gullar, aqui citado.
      Parabéns, Beatriz Alcântara, com iniciais literalmente maiúsculas!


  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

30 janeiro 2020

Pau-do-Guarda: um ‘lugar’ que não quer ser esquecido

Carlos Rafael Dias
Professor do Curso de História da Universidade Regional do Cariri – URCA
Tabuleiro da Carne, sucessor e mantenedor da memória do Pau-do-Guarda

‘Pau do guarda’, no lado malicioso do senso comum, é uma expressão, no mínimo, ambígua. Porém, quando antecedido do substantivo ‘restaurante’ e permeado de hifens, passa a ser uma forte referência na memória dos cratenses com mais de 40 anos, assumindo uma ‘entidade’ que transcende sua singular origem e se dimensiona em contextos sociais e sentidos culturais mais amplos, capazes de provocar as mais diversas reações de emoção e enlevo.

Nesse contexto, uma questão é relevante: por que estamos agora a celebrar a memória do Pau-do-Guarda?

Antes de tudo, o Pau-do-Guarda enquadra-se naquilo que o historiador francês Pierre Nora chama de ‘lugares de memória’, espaços importantes onde a ideia da reminiscência é plena, por enxergar neles a vontade de ser lembrado por aqueles que querem revisitar o passado sob um prisma diferente.

Em segundo lugar, o desejo de lembrar é universal, a partir de esforços frequentemente projetados para evocar uma reação específica ou conjunto de reações, como reconhecimento público de situações vividas e compartilhadas. Assim, a memória possui uma forte carga de emoções, de histórias e de vidas, o que remete, para além dos rótulos, quase sempre superficiais ou artificiais, ao lado humano e fascinante das ‘coisas’, constituído de pessoas que, tidas comuns, se destacam no cotidiano local.

Falo, notadamente, de Cícero Ribeiro Lobo, mais conhecido por Cicinho do Pau-do-Guarda, e de sua esposa, Dona Raimunda, os principais ‘inventores’ deste hoje reconhecido patrimônio da cultura caririense. Por sua vez, os filhos de Cicinho e Raimunda dão continuidade ao empreendimento pioneiro, a despeito da outra ‘roupagem’ que reveste o seu sucessor. E o fazem com a utilização de alguns elementos discursivos, imagéticos e estratégicos, como o retrato do casal-fundador na parede e o cardápio ‘recheado’ de pratos herdados do menu original. Promovem, dessa forma, a permanência do antigo e tradicional perante ao novo e moderno, em um esforço que foi reforçado com a celebração festiva (e não poderia ser diferente) dos 65 anos do estabelecimento, mantido com uma nova (e antiga) denominação – Tabuleiro. Este é o atual e foi o primeiro nome deste consagrado monumento da memória regional.

Iniciativas como estas concorrem para o processo de materialização da memória, visto que transformam em símbolo um resgate histórico de valor coletivo para uma determinada comunidade, objetivando evitar o esquecimento e o descaso para com a história local. Como disse o filósofo austríaco Alfred Schültz, “só aquilo que já decorreu pode ser simbolizado”.

No mais, a ideia da materialização da memória é de suma importância para promover a compreensão e a consciência a respeito de como fenômenos passados contribuem para o bem-estar e a satisfação de uma comunidade consciente de seus direitos e obrigações.

O Pau-do-Guarda cumpre assim sua missão, mesmo já tendo, com esta nomenclatura, “cerrado suas portas” que, a rigor, nunca existiram. Uma de suas mais interessantes características era o de servir os clientes todos os dias e o dia todo, o que torna local historicamente distinto e, portanto, fadado a ser sempre lembrado.

O Pau-do-Guarda continuará nos servindo diuturnamente com o ‘néctar’ da memória coletiva, que será indelével ser for constantemente alimentada pelo exercício da manutenção da história como um espaço que renasce com as experiências que marcam e demarcam os tempos.

Celebração dos 65 anos do Pau-do-Guarda. Da esquerda para a direita: Cacá Araújo, Irene Lobo, dona Raimunda, Orleyna Moura, Cicinho e José Flávio Vieira

Ontem (29/01), portanto, foi uma data para celebrar a memória através dos sabores, das cores, dos sons e das falas do presente. O Tabuleiro (da Carne) estava lotado com a velha e a nova guarda do Crato e do Cariri, rememorando ou (re)conhecendo as imbrincadas velhas e novas cartografias da noite boêmia regional, em um palimpsesto que remete aos tempos e às experiências tidas como inolvidáveis.

Gastronomia tradicional, verdadeiro patrimônio da cultura regional, aliou-se à música de seresta e ao teatro que narrou, de forma bem-humorada, a história do tradicional restaurante Pau-do-Guarda, em um magistral texto escrito por José Flávio Vieira e interpretado pelos atores Cacá Araújo, Orleyna Moura e João do Crato.

Quem foi viu, sentiu, degustou e comprovou: é possível voltar no tempo, desde que o passado permaneça vivo na memória.

P.S.: O restaurante Pau-do-Guarda tinha este nome em decorrência de um pau-cancela que existia nas proximidades, na saída do Crato para o Juazeiro. O pau era manuseado por um guarda fiscal, visando controlar o fluxo de carros que transportavam cargas e mercadorias - o que hoje se chama posto fiscal e que naquele tempo a população chamava de pau-do-guarda.

29 janeiro 2020

Seminário São José de Crato completa 145 anos neste 2020

Breve histórico da construção do Seminário São José de Crato -- por Armando Lopes Rafael

Este ano, os alunos daquele educandário comemorarão a data no dia 7 de março próximo

   O Seminário São José de Crato foi fruto de um desejo de Dom Luís, com o objetivo de ampliar a divulgação da Boa Nova de Cristo e salvar almas, no território da sua vasta diocese, a qual, à época, compreendia todo o Estado do Ceará.  Para concretizar esse anelo, e depois de ter recebido sugestão nesse sentido, em 1871, do recém-ordenado Padre Cícero Romão Batista, Dom Luís encaminhou, em 1872, dois sacerdotes lazaristas – Padres Guilherme Van den Sandt (alemão) e José Joaquim de Sena Freitas (português nascido no arquipélago dos Açores) – para realizarem uma missão religiosa, em terras do Cariri cearense. Os dois missionários lazaristas ficaram encantados com o progresso da cidade de Crato e com o entusiasmo com que a população cratense acolheu as missões.

     Os dois padres receberam orientação para angariar doações visando à construção de um Seminário Diocesano em Crato. Depois disso Dom Luís Antônio enviou para Crato o padre italiano Lourenço Vicente Enrile, a fim de acompanhar a construção do vasto prédio, que seria erguido em grande terreno doado pelo coronel Antônio Luís Alves Pequeno, no aprazível subúrbio, à época conhecido como Grangeiro, hoje denominado bairro do Seminário. Logo faltaram os recursos para dar continuidade à construção. Então Dom Luís Antônio resolveu deslocar-se de Fortaleza para Crato, ficando ele próprio à frente dos trabalhos. Aqui chegou no dia 31 de dezembro de 1874.

       Esta foi a terceira e última visita que Dom Luís Antônio fez a Crato. Nesta cidade ele permaneceu por sete meses, pois só retornou a Fortaleza nos primeiros dias de agosto de 1875. Nesta sua permanência ele veio, exclusivamente, para acompanhar a construção do Seminário São José.

       Durante sua estada em Crato, foi-lhe preparada uma residência episcopal pelo seu grande amigo e compadre, coronel Antônio Luís Alves Pequeno, que arcou também com as despesas de cama e mesa de Dom Luís Antônio e sua comitiva. A residência ficava num sobrado localizado na esquina da atual Rua João Pessoa com Praça Juarez Távora. Como sempre, a população de Crato acolheu com festas, respeito e muita alegria o primeiro Bispo do Ceará. Pôs-se Dom Luiz à frente da construção, mas, dada a grandiosidade da obra, o Seminário São José foi inaugurado, em 07 de março de 1875, em barracões provisórios, feitos de taipa e cobertos de palha, enquanto a construção dos blocos de alvenaria tinha prosseguimento. O povo cratense apelidou os barracões de taipa de “seminarinho”. Este funcionou com salas-de-aulas, dormitório, refeitório, cozinha e uma pequena capela até o mês julho, quando foi concluído o lado sul do atual prédio do Seminário São José.

         Estava realizado o grande sonho de Dom Luís, dotar Crato do seu Seminário, que vem funcionado, com algumas interrupções nos primeiros anos, até os dias atuais. No início de agosto de 1875, Dom Luís Antônio retornou a Fortaleza para nunca mais voltar às terras caririenses. Em 1881, ele foi transferido para Salvador, como Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, e lá permaneceu até 11 de março de 1891, data do seu falecimento. Foi sepultado na capela do Santíssimo Sacramento da Catedral de Salvador.

Pe. Lourenço Enrile, primeiro Reitor do Seminário São José
       
 Padre Enrile nasceu em Finalborgo, diocese de Savóia, na Itália em 28 de fevereiro de 1833. Ele chegou ao Cariri em 1875, para colocar em funcionamento o Seminário São José. Aqui viveu menos de dois anos, tempo suficiente para alcançar – junto à sociedade cratense – o conceito de um sacerdote digno, piedoso e exemplar.


Segundo o “Álbum do Seminário de Crato”, editado em 1925:

“Não se limitava a ação do primeiro reitor em guiar os destinos da casa, da posição em que o colocara o Sr. Bispo, mas entregava-se a todos os misteres. Desde a sala de aulas até a cozinha, sua atividade se desenvolvia a contento de todos os que habitavam o Seminário.

“Trabalhava sem tréguas, durante o dia, e, à noite quando todos dormiam, ainda vigiando, percorria o dormitório e mais compartimentos da casa, não deixando de consagrar algum tempo ao estudo.

“Os primeiros albores da madrugada, como determinavam as regras da Congregação, já o encontravam no cumprimento do dever.

“Padre Enrile era um modelo de sacerdote católico, que reunia aos vastos conhecimentos de que era possuidor uma piedade sólida, haurida em Paris na Casa Mãe dos Lazaristas. Manejava a língua portuguesa com rara facilidade, de modo que prendia a atenção de todos quando proferia seus memoráveis sermões. À capela do Seminário, em meio de grande massa popular, afluía, ainda, o que o Crato tinha de intelectual naquele tempo, para ouvir a palavra fácil e erudita do Padre Enrile.

“Em todos os misteres do sacerdócio, era o Padre Enrile exato e admirável. Edificava o povo, quando após os trabalhos do Seminário, saía em busca dos moribundos levando-lhes o pão dos anjos e o conforto de sua palavra cheia de unção”.

É ainda o “Álbum do Seminário de Crato” que informa:

“Quando do seu falecimento, a população em peso acorreu ao Seminário e de todos os olhos caiam lágrimas a fio, e todos os lábios ciciavam preces pelo repouso da alma do prateado morto”.

      Os veneráveis restos mortais do Padre Enrile encontram-se sepultados numa das colunas da capela do Seminário São José. Conforme o “Álbum do Seminário de Crato”: “Jamais se assistira (até aquela data) em Crato a enterro tão concorrido e a morte tão chorada” ...

26 janeiro 2020

Cidade de São Paulo inaugura mais um monumento ao Imperador Dom Pedro I


     O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, participou ontem (25), dia do aniversário de 466 anos de São Paulo, da cerimônia da inauguração da estátua de D. Pedro I, no Parque da Independência, próximo à Casa do Grito.


    Parece que, ainda hoje, as homenagens feitas a este grande Imperador são pequenas, em relação aos grandes feitos de Dom Pedro I. Quando vemos, estes tempos medíocres vivenciados pelo Brasil,  onde pululam administradores(as)  públicos rebaixados ao nível de anãos (e anãs) políticos,  resta-nos o consolo de que nem sempre vivemos um cenário assim, nesta imensa pátria.

    Após a nossa independência política fomos liderados pelo Imperador Pedro I. Aliás, seu nome completo era: “Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon”. Ele viveu apenas 36 anos. Com tão pouco tempo de vida foi um caso raro na história: governou dois países, localizados em dois continentes diferentes, pois foi Imperador do Brasil (com o título de Dom Pedro I) e Rei de Portugal (com o título de Dom Pedro 4º). Chegaram a oferecer a Dom Pedro I o reino da Grécia. Mas ele declinou dessa oferta.

   Dom Pedro I não foi apenas um grande estadista. Foi um homem plural. Em rápidas pinceladas vejamos algumas de suas facetas.

Pedro I, o músico

   Dom Pedro I foi poeta, modinheiro, clarinetista e compositor, em tão curto espaço de tempo. Estudou música com José Maurício Nunes Garcia, Marcos Portugal e Sigismund Neukomm. Há um registro de que Marcos Portugal regeu o Te Deum de D. Pedro, em 1821. Ele é também o autor do Hino da Independência do Brasil (letra de Evaristo da Veiga). De sua autoria é também o Hino Constitucional ou Hino da Carta (possivelmente cantado no Teatro São João, em 1821) o qual foi o Hino Nacional Português até 1910, quando a monarquia foi derrubada, naquela nação,  pelos republicanos, os quais, antes, assassinaram -- em 1908 -- o Rei Dom Carlos I de Portugal e o seu herdeiro,  o Príncipe Luís Filipe.

   Cleofe Pearson de Mattos identificou um Credo e Monsenhor Schubert descobriu a antífona Sub tuum presidium, ambas de autoria de D. Pedro I. O cabido metropolitano ainda possui outra obra atribuída ao Imperador, o Moteto a S. Pedro de Alcântara. Essas músicas foram recentemente resgatadas em um CD pelo Conservatório de Juiz de Fora (MG).

Aventureiro e boêmio

   Dom Pedro I tinha fama de mulherengo. E foi. Casou-se com Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria. Com fama de aventureiro e boêmio, teve 13 filhos reconhecidos e mais cinco naturais: sete com a primeira esposa, a arquiduquesa Leopoldina, da qual enviuvou (1826); uma filha com a segunda esposa, a duquesa alemã Amélia Augusta; cinco com a amante brasileira Domitila de Castro, a marquesa de Santos; e mais cinco com diferentes mulheres, inclusive com uma irmã de Domitila, Maria Benedita Bonfim, baronesa de Sorocaba (1), com uma uruguaia Maria del Carmen García (1), com duas francesas Noémi Thierry (1) e Clémence Saisset (1) e com uma monja portuguesa Ana Augusta (1). Ao lado disso era um pai amoroso que apoiou todos os filhos, fato reconhecido por todos os seus biógrafos.

Outras facetas

   Dom Pedro I atingiu todos os postos da hierarquia militar: de cavalariano a general. Mas, no dia-a-dia, gostava mesmo era de fazer  trabalhos manuais. Era exímio marceneiro, amansador de potros e  tocava 10 instrumentos musicais. Era poeta (embora como poeta sua produção não tenha sido das melhores). Deve-se, ainda, a Dom Pedro I, a criação da  Bandeira do Brasil – cujas cores, verde e amarelo, foram de sua escolha. “O amarelo representa a Casa de Habsburgo (de Dona Leopoldina) e o verde representa a Casa de Bragança (de Dom Pedro I), bem como foi ele quem criou o Brasão/Escudo de Armas do Brasil-Império. Belíssimo!
     Bem diferente da feiúra e pobreza de desenho que é o atual brasão republicano...



(Texto de Armando Lopes Rafael)

Canto de Menestrel – por José Luís Lira (*)



Nesta coluna, comentarei o livro de Neil Silveira, “Canto de Menestrel”, lançado semana passada na Academia Sobralense de Estudos e Letras. O autor exerce belas profissões, a advocacia e o jornalismo, não bastassem essas é professor, participa de entidades de classe e é imortal da Academia Cearense de Letras Virtual: ACLV, inovação dos tempos atuais. Sempre suspeitei de suas aptidões para a literatura. Até pensei que ele se candidataria à cadeira de seu pai, meu saudoso colega na Academia Sobralense, Edinardo Silveira, mas, para tudo há um tempo.

Na epígrafe do livro encontramos trecho de uma das mais belas canções da música popular brasileira, “Tocando em frente”, “Cada um de nós compõe a sua história/ Cada ser em si/ Carrega o dom de ser capaz/ E ser feliz”. É mais ou menos uma síntese do que encontraremos no livro, composto com versos rimados e versos livres, demonstrando a versatilidade do autor na arte poética.

Li com atenção as páginas do “Canto de Menestrel” e comecei a observar seus versos pelo último poema: “O tempo ensina/ que nenhuma dor é em vão/ que todo tropeço é aprendizado”. E me recordei do Vate Fernando Pessoa que nos ensinou que o Poeta é, usando de licença poética, um “finge-dor”, que “Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente”.

Canta Neil: “Das letras, fiz canção./ Do silêncio, reflexão./ Desmitifiquei o mito.// Letras também fazem mentir/ O que o coração não revelar”. E existe local mais adequado para se guardar segredos que no coração? Não imagino.

Mas, não é só dor, mesmo que com ensinamento, não é só letras que se tornam canções. A vida também é primavera e o Cantor/Autor comemora: “As cores voltaram a enfeitar/ E a brisa de novo acalenta a face”. E a natureza convivendo consigo mesma é lembrada: “O vento tenta enxugar a água da chuva/ Mas a tempestade deixou rastro tão sinuoso/ Incapaz de ser ofuscado pelo mais belo arco-íris/ Somente um dia arrebatado pelo senhor do tempo”. Em “Outro jardim” seria a raposa absolvendo a rosa por ter enganado o Pequeno Príncipe ou a desculpá-la pelo espinho que naturalmente surge em seu caule? Seria uma metáfora?

E um silêncio tão grande se instaura que quase nos faz chorar. Chorar não em homenagem ao silêncio, mas, à dor gerada pelo silêncio: “Lembrar de outrora/ Me segurando a mão/ Protege mundo afora”. Penso referir-se à proteção paternal que nos acompanha a vida toda em diversas formas, mas, sempre cuidando de nós.

Quem não sente “saudades” de um jogo de cartas despretensioso, sem apostas ou cobranças? O Poeta responde: “Cada carta, com diferentes valores e naipes,/ uma história, um curinga!/ Um dia fizeram glória de uma morada feliz./ Valetes, damas e reis, sem casa, jazem superpostos/ Sem castelo, sem castelo./ Qual a brisa que passou, passou – o castelo”. E natureza não foge à sua poesia: “Amo o canto do sabiá,/ O cheiro da terra,/ O afago da brisa leve”. Por poesia ser vida e quase tudo que n’ela há, o autor canta: “Estimo as melodias das canções,/ O retrato de Van Gogh/ E os versos de Camões”... “O alvorecer inspira o querer/ Para nunca desistir./ É assim que se vive/ Sem deixar passar a vã sutileza”. “Preciso do meu riso”, exclama, e eu completo com Sater, “É preciso paz pra poder sorrir!”

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


20 janeiro 2020

Nomes das ruas do Crato antigo - por Armando Lopes Rafael


   Começou, ainda nos primeiros anos do século XX – a triste iniciativa dos vereadores desta cidade (o que vem sendo usual ao longo das últimas legislaturas) o mau costume de mudança dos nomes de ruas e praças de Crato. Essas alterações sempre atenderam a interesses menores dos vereadores e foram feitas sem ouvir a população, resultando na destruição de denominações tradicionais, preservadas por várias gerações de cratenses.

   Tenho em mãos um artigo publicado na Revista do Instituto do Ceará, com o título “Descrição da Cidade do Crato em 1882”, de autoria do Dr. Gustavo Horácio. Esse artigo cita, a certa altura, o fato de, naquele recuado ano, a cidade de Crato possuir 11 ruas principais, conhecidas por Rua de Santo Amaro, da Pedra Lavrada, das Laranjeiras, do Pisa, Formosa, Grande, do Fogo, da Vala, da Boa Vista, Nova e do Matadouro.

   No mesmo artigo, são nomeados os becos e travessas do Crato antigo, a saber: Travessa do Cafundó, da Caridade, do Candeia, da Matriz, do Sucupira, de São Vicente, do Charuteiro, do Cemitério, da Ribeira Velha, do Barro Vermelho, da Califórnia, do Pequizeiro, da Taboqueira, das Olarias, da Cadeia e do Pimenta. Infelizmente, não restou nenhuma dessas tradicionais, poéticas e curiosas denominações.

    Não sou contra a denominação de pessoas às ruas das cidades, condicionando-se apenas à exigência de os homenageados – todos falecidos – terem gozado de bom conceito social, terem prestado serviços relevantes à comunidade, terem se destacado no cenário municipal, enfim que sejam nomes identificados com a história da cidade, do Ceará ou do Brasil.

   Apenas lamento o fato de que nossos vereadores – muitos deles destituídos de cultura regular – haverem substituído nomes antigos, ao invés de denominarem somente as novas ruas. Ao extinguirem antigas e tradicionais denominações das artérias urbanas, apagou-se um pouco da história e da memória coletiva da Cidade de Frei Carlos, a nobre e heráldica “Princesa do Cariri”.

    Anos atrás, a Câmara de Vereadores de Independência – município localizado no Sertão dos Inhamuns do Ceará – aprovou um projeto de lei, dispondo sobre a identificação de ruas, praças, monumentos, obras e edificações públicas daquela cidade. Tornado lei, exige-se, agora, para qualquer mudança na denominação de ruas e praças, um pedido antecipado, contendo lista com assinaturas de pelo menos cinco por cento do eleitorado. Idêntica providência já deveria ter sido adotada, há muito tempo, pela Câmara de Vereadores de Crato.

As repúblicas são perdulárias; as monarquias gastam menos


No passado, quando foi monarquia, o Brasil foi prova disso

Os Reis da Suécia -- Carlos Gustavo XVI e Sílvia -- embarcando, em dezembro de 2019, num voo
comercial,  para fazerem uma visita oficial à Índia

   O Rei da Suécia, Carlos Gustavo XVI, e a Rainha Silvia (nascida no Brasil) viajaram recentemente em visita oficial à Índia, utilizando um voo comercial. Os soberanos foram fotografados carregando sua própria bagagem. 

   Tudo muito diferente da República brasileira, onde se gastam milhões na manutenção das mordomias dos nossos governantes, e seus vários palácios em Brasília. Nas viagens dos Presidentes da República ao exterior, com grandes comitivas, no uso de centenas de carros oficiais, nas demais regalias, o povo vê o quanto sai caro a manutenção da república.

 Nas duas fotos acima, o avião comprado pelo Presidente Lula
(chamado de  "Aerolula") utilizado para as viagens do "presidente-operário"
 ao exterior. Observe o interior  da aeronave.

    Contudo, esse nem sempre foi o caso no Brasil: podemos nos recordar do sadio exemplo deixado pelo Imperador Dom Pedro II, que pagava suas viagens oficiais do próprio bolso, contraindo empréstimos se necessário fosse, recusava sempre as ofertas da Assembleia Geral do Império, que insistia em pôr um vaso de guerra à sua disposição, preferindo viajar em um navio comum, e levava consigo, além da Imperatriz Dona Thereza Christina, apenas seu mordomo, uma dama de companhia para a esposa, o médico particular e seu professor, pois nunca deixava de estudar. 

    Na Suécia, com destaque na Família Real, prevalece a parcimônia com o dinheiro público e   o bom funcionamento das instituições. No Reino da Suécia, as más tendências dos agentes públicos são inibidas, os políticos não têm regalias, e vivem como os funcionários públicos, o que de fato são, a serviço do povo e de suas legítimas aspirações, manifestadas nas eleições parlamentares.
    Justifica-se, assim, porque em tantos e tantos problemas que afligem o Brasil atual, é sempre comentada a possibilidade da restauração da Monarquia, existente aqui entre 1500 e 1889. Durante 389 anos.
(Baseado em postagem do face book Pro Monarquia)

18 janeiro 2020

A SAGRADA FACE JESUS -- por Rita de Sá Freire -- 1ª Parte

Revelada milagrosamente no Santo Sudário pela Ressurreição do Senhor
"Quem me contempla, me consola” (Jesus à Beata Maria Pierina de Micheli).
                “Mostrai-nos, Senhor, a Vossa Face e seremos salvos”! (Salmo 79,4)

O homem sempre procurou contemplar o rosto de Deus. Jesus nos disse: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9). Dessa forma, a contemplação da Sagrada Face de Cristo é a própria contemplação de Deus. Ver a Face do Senhor é, de alguma forma, ter um encontro, é conhecer a Pessoa de Cristo. E assim, sua Face vem inspirando os cristãos a um maior conhecimento e amor ao Senhor, desde os primeiros séculos.

O culto à Sagrada Face tem por finalidade render à Face Adorável de Jesus, desfigurada na sua Paixão, homenagens particulares de respeito e de amor; reparar as blasfêmias e as violações dos dias santos, que O ultrajam de novo; além de obter de Deus a conversão de todos nós, pecadores. Nesse sentido, as orações devocionais à Sagrada Face de Jesus são um modo muito especial de honrar Nosso Senhor e de reparar todas as blasfêmias que Ele tem sofrido ao longo dos séculos, desde a Sua Paixão no Calvário. Trata-se de uma salutar devoção, que se diria, instituída pelo próprio Salvador no dia de sua Ressurreição, imprimindo, milagrosamente, Sua Sagrada Face no Santo Sudário. Uma veneração piedosa sempre conhecida e praticada na Igreja como incentivo poderoso à Reparação. Cabe ressaltar, que a vida de Jesus foi extraordinária e humana também. Devemos nos lembrar que Jesus Cristo assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus: é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, 483: “A encarnação é, pois, o mistério da união admirável da natureza divina e da natureza humana, na única Pessoa do Verbo”. Por essa razão, temos que ser adoradores e reparadores da Sagrada Face do Senhor, que Ressuscitado, ainda sofre por nossos pecados e de toda a humanidade. É mister considerar, que as orações de reparação a Nosso Senhor Jesus Cristo, em Sua Sagrada Face são tão necessárias e urgentes, hoje, mais do que nunca, pois o homem está excluindo Deus da nossa sociedade. Os verdadeiros valores cristãos e morais estão sendo substituídos por ideologias anticristãs e com isso, avançam os pecados do aborto, da impureza, da irreverência e da falta de respeito para com Jesus.

 Com isso, Nosso Senhor é escarnecido novamente. Reparamos e honramos a quem amamos. Então, lembremo-nos do amor de DEUS por nós.  Jesus Cristo, em seu extremo amor pela humanidade, depois de consumada a Redenção do gênero humano, quis deixar-nos a sua imagem gravada, milagrosamente, no Santo Sudário, dando-nos a graça, a nós, seus remidos, de nos inebriarmos nos Seus traços régios, para ler neles a Sua Paixão e o Seu amor por nós. Seguramente, na vida de Jesus, houve, incontáveis feitos gloriosos, cuja representação podia nos deixar, por exemplo:  a adoração dos Reis Magos, sua Transfiguração no Monte Tabor, sua Ascensão aos céus, a ressureição de Lázaro, o milagre da multiplicação dos pães, dentre outros. Entretanto, nas palavras de São Bernardo, a cor rubra da Paixão seria a mais apropriada para representar o amor e por essa razão, deixou de lado todos os demais fatos gloriosos da sua vida, e quis se representar, perante nós, como o Homem das dores, a fim de que nos fosse tanto mais amável, quanto mais desfigurado. Na devoção à Sagrada Face contemplamos o rosto sofredor de Jesus, ensanguentado e esbofeteado durante a sua Paixão. É a Face de Cristo no Horto das Oliveiras, na flagelação, na coroação de espinhos, e no caminho do Calvário, carregando a cruz às costas.

Sabemos que a maioria das pessoas tem dificuldade em meditar os sofrimentos de Jesus, pois se sente mais atraída pelas alegrias de Sua vida. Porém, é indispensável sabermos contemplar todos os mistérios da vida de Jesus: os alegres, os luminosos, os dolorosos e os gloriosos, como fazemos na reza diária do Santo Rosário em companhia de Nossa Senhora, a Mãe Dolorosa. Devemos contemplar, também, como Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, o Semblante Divino de Cristo: “Sob esses traços desfigurados, reconheço Vosso infinito amor e desejo ardentemente Vos amar e Vos tornar Amado por todas as pessoas”. ... Contemplar a Face de Cristo Crucificado nos une com todas as Suas tristezas, amor e total abandono: "Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado.



 Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”. (Isaías, 53:4-5). Nas palavras do Padre José Fernandes Lucena, Prior e Fundador da Comunidade de Sagrada Face - Umuarama Paraná (Brasil): “A devoção (à Sagrada Face) nos faz sentirmos fortes para superar as dificuldades, enche a alma de generosidade e audácia, clareia a mente e faz crescer o entusiasmo por Deus; diminui as paixões pelas coisas do mundo e coloca no coração a prontidão e a alegria pelas coisas do céu”.

Certamente, as consoladoras promessas de Nosso Senhor, confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face!
"Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações. E por meio da Minha Face obter-se-á a salvação de muitas almas". (Nosso Senhor à Irmã M. Pierina, 1945, em Milão).

A SAGRADA FACE E O SUDÁRIO DE TURIM
Primeiramente, cabe ressaltar que a Devoção à Sagrada Face está relacionada com o Santo Sudário. Ela é diferente da representação de Jesus no Véu de Verônica, mesmo tendo ele sido utilizado no passado como início desta mesma devoção. A imagem do Véu de Verônica seria uma imagem da pré-crucificação, obtida quando Santa Verônica encontrou Jesus, em Jerusalém, na Via Dolorosa, a caminho do Calvário. Já, a representação da Sagrada Face foi obtida, na pós-crucificação, revelada milagrosamente, a partir da mortalha de Jesus ou seja, do Santo Sudário. 

BREVE HISTÓRICO
Esta santa devoção teve origem com a impressão milagrosa do Rosto de Cristo no lenço de Verônica, uma tradição muito respeitada na Igreja. Em Tours (França), durante a década de 1840, uma jovem freira carmelita, Ir. Maria de São Pedro, recebeu uma série de revelações de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre uma devoção que Ele desejava que fosse estabelecida em todo o mundo: a devoção a Sua Sagrada Face. O propósito expresso dessa devoção era fazer reparação pelas blasfêmias e ultrajes cometidos pela humanidade contra o Sagrado Coração de Jesus e também, pela profanação dos domingos pelos católicos.

Em 1884, uma arquiconfraria da Sagrada Face foi estabelecida em Tours, na França e seus membros fazem reparações pelas blasfêmias lançadas contra Cristo. Também, a devoção cresceu muito por causa da importância que a Divina Face teve na vida de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. Outro fato que fortaleceu a devoção foram os surpreendentes estudos da figura de JESUS no Santo Sudário de Turim, além das revelações à Irmã Pierina de Micheli (†1945), a mensageira da Sagrada Face dos últimos tempos. A Irmã Pierina, beatificada em 30 de maio de 2010, foi uma freira, religiosa da Imaculada Conceição, nasceu em Milão, em 11 de setembro de 1890 e faleceu em 26 de julho de 1945 (aos 55 anos). Na Sexta-feira Santa de 1902, a futura Beata Pierina, com doze anos esperava na fila para beijar o Crucifixo, quando ouviu a voz de Jesus: “Ninguém me dá um beijo de amor na Face para reparar o beijo de Judas? ” A pequena não hesitou e respondeu: “Eu te dou um beijo de amor, Jesus! ”...quando chegou diante ao Crucifixo lhe imprimiu um forte beijo na face. Jesus chamou pedindo amor e a alma generosa respondeu. Naquele momento, nascia a devoção à Sagrada Face.

 Pierina foi privilegiada com muitas visões da Virgem Maria e do próprio Senhor Jesus para espalhar a devoção à Sagrada Face. Jesus e Maria a encorajaram a reparar os muitos insultos que Jesus sofreu em sua paixão, bem como, agora sendo desonrados de muitas maneiras no Santíssimo Sacramento por negligência, sacrilégios e profanações. Em sua terra natal, a irmã Pierina serviu como Mestra das Noviças até 1939. Empreendeu a tarefa de lidar com a nova fundação da Casa de sua Congregação, em Roma, que foi nomeada Superiora até sua morte.

APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA PARA A FESTA DA SAGRADA FACE
No dia 10 de janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma com a aprovação do Papa João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a Festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Dessa forma, os sacerdotes que desejarem, sempre poderão rezar a missa votiva em honra à Sagrada Face, às terças-feiras, e mais especialmente ainda, na Terça-Feira de Carnaval, dia da Festa da Sagrada Face.

A PROPAGAÇÃO DA SAGRADA FACE, OS PAPAS RECOMENDARAM
Sobre a propagação da Devoção a Sagrada Face, o Cardeal Gennari, em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, disse: “O Santo Padre deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores”. Nesse sentido pronunciou-se também o Papa Pio XI dizendo: “Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Síndone, ou seja, A SAGRADA FACE DE JESUS”.

ELEMENTOS DE DEVOÇÃO

- A MEDALHA DA SAGRADA FACE
A medalha da Sagrada Face de Jesus é um ícone de Cristo, morto na cruz para a redenção da humanidade e de Cristo vitima imolada e vivente na Santíssima Eucaristia. A Santíssima Virgem a deu como um presente à Igreja, por meio de Madre Maria Pierina de Micheli, para o crescimento espiritual de seus filhos. Assim a conta a Irmã Maria Pierina, em uma carta memorando ao Papa Pio XII: Na noite de 31 de maio de 1938, enquanto Madre Maria Pierina de Michelli (*1890 a +1945), religiosa da Congregação das Filhas da Imaculada Conceição de Bueno Aires, se encontrava em oração na capela da Casa de seu instituto em Milão, imersa em uma profunda adoração aos pés do sacrário, lhe apareceu, em uma nuvem de luz, uma Senhora de celestial beleza, levando em suas mãos um escapulário formado de duas flanelas brancas unidas por um cordão. Em uma estava a ‘imagem’ da Sagrada Face de Jesus e a frase: "Ilumina Domine Vultum Tuum super nos" (Fazei resplandecer sua face sobre nós) e na outra uma hóstia circundada por raios e com a frase: "Mane nobiscum Domine". (Fica conosco senhor). 

  Lentamente, a Santíssima Virgem aproximou-se e lhe  disse: “Escuta atentamente e relata tudo ao padre (Confessor): este Escapulário é uma arma de defesa, um escudo de  fortaleza, um sinal de amor e misericórdia que Jesus deseja dar ao mundo nestes tempos de luxuria e ódio contra Deus e a sua Igreja. Redes diabólicas estão expulsando a fé dos corações, os males aumentam, os verdadeiros apóstolos são poucos, e o remédio é a Sagrada Face de meu Filho Jesus. Todos aqueles que levarem este escapulário, e façam se for possível, cada terça-feira uma visita ao Santíssimo Sacramento, para reparar os ultrajes que a Sagrada Face de meu Divino Filho recebeu durante sua paixão e recebe todos os dias na Santíssima Eucaristia, serão fortalecidos na fé, superarão todas as dificuldades internas e externas, terão uma morte serena sob o olhar amoroso do meu Divino Filho”.

  APROVAÇÃO E DIFUSÃO DA MEDALHA DA SAGRADA FACE
O culto da medalha da Sagrada Face teve aprovação eclesiástica em 09 de agosto de 1940, com a bênção do Beato Cardeal Ildefonso Schuster, monge beneditino, devoto da Sagrada Face de Jesus, então arcebispo de Milão.
Vencendo muitas dificuldades, morais e econômicas, Madre Maria Pierina conseguiu a aprovação eclesiástica e a permissão para cunhar as medalhas. Sentindo em seu coração, se, haveria alguma diferença entre as medalhas e o escapulário que havia sido incumbida de confeccionar, recebeu da Santíssima Virgem a confirmação das promessas que havia feito para o escapulário: “Fique tranquila, a medalha substitui o escapulário com todas as suas graças” (07 de abril de 1943 - Do diário da Ir. Pierina página 122). Dessa forma, a medalha iniciou o seu caminho no mundo, que continua cada dia, graças à ação apostólica de fiéis de todos os continentes que, colaborando para sua difusão, participam da obra de evangelização da igreja.

- A FESTA DA SAGRADA FACE:
Em 1938, Jesus disse a Pierina: “Quero que Minha FACE seja honrada com uma festa própria na Terça-feira da Quinquagésima (terça-feira de carnaval) e que esta festa seja preparada por uma novena durante a qual todos os fiéis façam Comigo reparação”.

- O QUADRO DA SAGRADA FACE ("QUEM ME CONTEMPLA, ME CONSOLA”).
A devoção deve ser feita diante de um quadro da Sagrada Face (imagem impressa no Santo Sudário) para que fique gravada em suas mentes e corações. Jesus disse à Irmã Pierina di Michelli: “Cada vez que se contemplar Minha Face, derramarei Meu Amor nos corações, e por meio de minha Sagrada Face obter-se-á a salvação de muitas almas”.

Na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem, que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração”. Diga-lhes, que ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é esta a verdadeira devoção ao Meu Coração?
Palavras de Jesus à Ir. Maria Pierina de Micheli, em 27/5/1938: “Contemple minha Face e penetre no abismo de dor do meu Coração. Console-me e procure almas que se imolem comigo pela salvação do mundo”.

Jesus disse à irmã Maria de São Pedro, em 1846: “Aqueles que venerarem a minha Santa Face em espírito de reparação, serão tão gratos por mim como fui à Santa Verônica. Eles farão uma generosidade igual à dela e gravarei os meus Traços Divinos em suas almas. Eu lhes darei a minha Face adorável”.

Jesus disse à Serva de Deus Maria Concetta Pantusa (1894-1953): “Minha querida filha, eu quero que faça uma divulgação muito ampla de minha Imagem. Eu quero ir a todos os lares e converter os corações mais endurecidos. Fale a todos da minha misericórdia e meu amor infinito. Eu vou te ajudar a encontrar novos apóstolos. Eles serão os meus novos eleitos, os amados do meu Coração onde terão um lugar especial. Eu abençoarei suas famílias e me substituirei para dirigir seus negócios. Eu quero a minha Divina Face fale aos corações de todos e que a minha Imagem seja impressa no coração e alma de cada cristão para brilhar o esplendor divino, pois agora eles estão marcados pelo pecado. Pela minha Sagrada Face o mundo vai ser salvo".


(*) Rita de Sá Freire, escritora e administradora do Apostolado “Nos Passos de Maria”