04 fevereiro 2022

Que falta faz a “etiqueta” social – por José Luís Lira (*)

 


       Cotidianamente faço refeições em restaurantes. Sempre busco os lugares mais discretos dos restaurantes. Mas, observo muitas coisas que às vezes me obrigam a tratar do assunto. Muitas vezes observa-se, principalmente em tempos de pandemia, que as pessoas buscam as áreas livres e mais distanciadas. Entende-se que em espaços fechados não convém conversa alta demais ou uso de cigarros. Nas áreas livres existe certa flexibilidade, contudo, nos tempos em que vivemos, os espaços se igualam. E lembro-me de São Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém”. (1 Cor 6,12). Então, não vejo coerência de um fumante desagradar a muitos. Particularmente, não hesito em sair das proximidades de mesas de fumantes ou de pessoas barulhentas demais. Quanto aos barulhentos, a mim me passam a impressão de que querem que suas conversas sejam “ouvidas” e não deixa de ser uma falta de educação. 

    Alguém pode achar a ideia de etiqueta ultrapassada, contudo, lembrando o sociólogo alemão Norbert Elias, as regras de etiqueta “são normas de conduta que denotam boa educação, a partir da ideia de autocontrole como indicador de civilidade”. O auge dessas regras se deu na Inglaterra e se espalharam pelo mundo. No reinado (1837 a 1901) da Rainha Vitória do Reino Unido, a etiqueta tornou-se o código moral da elite e se apontava os modos de etiqueta como a forma correta. Há até com grande destaque a etiqueta vitoriana.

    Destaque-se do período vitoriano o não aperto de mãos. As mulheres nunca tiravam as luvas em público, exceto para comer. Quando o faziam, deviam pousá-las sobre o colo. Ao entrar em algum lugar, as mulheres precediam os homens. Era comum que casais dormissem em quartos separados, entre outras. Observando essas regras, algo que sempre me incomodou em restaurante foi alguém chegar e estirar a mão para cumprimento. Lógico que sempre retribuí por educação, mas, não de gosto e logo que podia lavava as mãos, pois, ter-se-ia contato com o alimento. As luvas das mulheres vitorianas nos lembram, hoje, as máscaras. Elas são necessárias e só devem ser retiradas na hora da alimentação. Mas, observo sempre nos dias presentes, pessoas já chegarem ao restaurante sem máscaras, mas, fazer o quê?

    Fora disso, às vezes me assusto com alguns comentários ou modos pessoais. Como tenho problemas nos tímpanos por conta de uma violência sofrida numa tentativa de assalto, fico extremamente incomodado com barulhos muito altos ou concentrados em pequenos instrumentos ou celulares. E está se fazendo comum se chegar a algum lugar e colocarem seus celulares em alturas para ver vídeos, ouvir mensagens ou músicas. Existem os fones de ouvidos e estes são adequadíssimos para isso. Ainda neste campo, não consigo ver nada mais ridículo do que sujeito que chega numa praça, num bar ou algo semelhante e abre o porta-malas de seu carro para colocar em alturas determinado som. Nada mais brega e deselegante.

   Por último recordo aquele velho ditado: “Costume de casa vai à praça”. Meu comportamento em sociedade vai mostrar muito do que sou. Por isso temos que nos esmerar para causarmos uma boa impressão, pois, talvez não seja errado aquele outro ditado: “a primeira impressão é a que fica” pois, não haverá uma segunda chance para deixarmos “uma primeira boa impressão”.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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