20 fevereiro 2022

Crônica do domingo -- A imagem histórica de Nossa Senhora da Penha, voltou à Catedral ontem – por Armando Lopes Rafael

 


   Na tarde deste 19 de fevereiro de 2022, antecedendo ao início da solenidade de posse de Dom Magnus Henrique Lopes, como 7º Bispo de Crato, a segunda imagem de Nossa Senhora da Penha, venerada pela população cratense, deu entrada – solenemente – na catedral a Ela dedicada.

    Interessantíssima a história desta imagem. Conforme artigo publicado na “Revista Dom Vital– nº de agosto/setembro de 1955, sob o título “Resumo Histórico”, nas páginas 7/8, consta a origem da imagem ora venerada em Crato. A conferir.

  "A versão geral acerca dessa prodigiosa imagem, é que ela foi trazida para Pernambuco por cinco missionários capuchinhos, que se dirigiam para a Guiné e foram, no litoral africano em 1641, atacados e presos pelos corsários holandeses, calvinistas que infestavam aquelas águas. Os missionários foram mui maltratados pelos corsários e, por fim, entregues aos holandeses que dominavam Pernambuco. Esta tradição geral, que bem desposa a história dos novos missionários, apresados nos galeões espanhóis, quando rumavam para a Guiné, explica-se facilmente porque os missionários puderam conservar consigo o precioso tesouro, que intentavam levar às tribos africanas, qual estrela de salvação, e ao invés veio para terras pernambucanas. Os corsários holandeses apresavam para levar à sede, Pernambuco: o interesse exigia-lhes que respeitassem a presa, ainda que não condissesse com suas crenças"

   "A preciosa imagem de Nossa Senhora da Penha, que fora respeitada pelos próprios hereges, tornou-se a santa de preferência do povo pernambucano, que lhe ergueu um majestoso templo. O culto da mesma Senhora fez com que se obliterasse o título da Capela que a acolheu em 1641, a qual estava dedicada ao Divino Espírito Santo, e que passou a chamar-se “capela” e depois “Igreja da Penha”. A pequena imagem dos franceses foi em 1745, por Frei Carlos de Spezia substituída pela atual, feita em Gênova, modelada pela antiga”. (...) 

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   A antiga imagem da Virgem da Penha foi então doada, por Frei Carlos de Spezia, à Missão do Miranda (origem de Crato) e aí recebida – em 1745 – por Frei Carlos Maria de Ferrara. Portanto, há 277 anos, a imagem da Mãe da Penha é venerada pelos cratenses. Hoje essa imagem histórica percorre as ruas de Crato na  procissão anual do dia 1º de setembro, e é introduzida na Catedral em dias de grandes festividades, como aconteceu ontem, na posse de Dom Magnus.

Sobre a imagem

"Esculpida em madeira, medindo 0,88m de altura, colocada sobre uma penha de 0,14m (figurando uma rocha) tudo talhado num mesmo tronco, a Virgem da Penha se apresenta segurando o Menino-Jesus no braço esquerdo e empunhando na destra um cetro. Sua fisionomia é serena e séria, o que lhe dá um porte majestoso e tranquilo, de cativante simpatia. Esta imagem não se constitui somente numa valorosa relíquia, é também uma autêntica obra de arte".                                                                              (LÓSSIO, Mons. Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” Revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri. Tipografia A Ação, Crato (CE) 1961).

(*) Armando Lopes Rafael, sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris de Salvador (BA).

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