10 janeiro 2021

Certezas da imensidão - Por: Emerson Monteiro


Isso de procurar um sentido em tudo ocasiona algumas considerações de ordem geral. A que estamos aqui?, por exemplo, tese desde sempre que não muda de interrogar os elementos. Com que motivo viver. Haja propostas vindas dos diferentes povos. Enquanto isto, a história segue, largando na estrada definições, conceitos e vontade imensa de achar uma resposta coerente. Às vezes se chega mais próximo, no entanto persistem as interrogações mundo afora. São filosofias, psicologias, pesquisas, experiências, religiões, ideologias, todas na coragem de demonstrar a essência de tudo quanto, porém restritos aos limites do Chão, da fria matéria.

A que considerar, contudo, que existem razões fortes de encontrar a resposta definitiva à proposta do Universo às nossas mãos. Espécie de constante desespero alimenta a ânsia de encontrar a porta que reúna os indícios de uma vida posterior a esta que tem seus dias contados. Espécie de medo, misturado a culpa de tantos desencontros pela vida, vaga no espaço das gerações. Nisto, vazio profundo alimenta o itinerário dos humanos.

Dentre as percepções possíveis, ninguém há de questionar a fixação das civilizações aos valores materiais. Apego excessivo aos bens e aos prazeres caracteriza os dias de muitos, sem quaisquer lembranças doutra alternativa de existir se não desfrutar do imediato. Isso produz os seres que somos, restritos a interesses só pessoais.

Na verdade, quais certezas que temos de uma vida posterior a esta? Que fazer doutro modo que não seja enterrar a cabeça na areia e entregar o corpo de volta à Natureza? Eis a tábula rasa da existência, todavia restrita à pequenez da mentalidade que rege o mundo. Já passaram longos invernos de conquistas do fraco pelo forte, durante tantas vidas e ainda buscamos responder à questão principal do que estamos fazendo neste pedaço de mundo.

Bom, dentro de cada um persistirá, pois, esse desejo de acalmar a vertigem de viver e sumir como por encanto nas curvas de depois e encontrar a paz do coração que revelará o mistério de tudo isto, às portas de imensidão que o Amor nos oferecerá.

"Coisas da Ré-pública"

 "Patrulhamento ideológico republicano": porque as cores da bandeira brasileira foram reinterpretadas – Por Edison Veiga

Você já deve ter ouvido a história de que as cores da bandeira nacional brasileira seriam uma homenagem às riquezas naturais do país. O verde representaria a exuberância de nossas florestas e o amarelo, o ouro encontrado no subsolo. O azul seria uma referência aos rios que permeiam o território brasileiro e ao mar que banha a costa. Até o branco da faixinha teria sua justificativa: a paz. 

      Essa interpretação pode até soar simpática, mas não tem nexo histórico. "As cores vêm da bandeira do Império", resume à BBC News Brasil a historiadora Mary Del Priore, autora, entre outros livros, da tetralogia Histórias da Gente Brasileira, em que aborda o país desde a colônia até os tempos atuais. "Esse negócio de verde das matas e amarelo das nossas riquezas é balela", comenta o historiador e escritor Paulo Rezzutti, biógrafo das principais figuras da monarquia brasileira. "O verde é uma alusão à Casa de Bragança. O amarelo remete à Casa de Habsburgo."

     A primeira é a família nobre portuguesa à qual pertenceu Dom Pedro I. Sua primeira mulher, Leopoldina, era da dinastia austríaca dos Habsburgo. Conforme conta o historiador Clovis Ribeiro no livro Brasões e Bandeiras do Brasil, publicado em 1933, o próprio marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a República e tornou-se o primeiro presidente do Brasil, quis que a nova flâmula aludisse à anterior. "A explicação do verde das matas e do amarelo do ouro foi construída depois. Foi uma maneira tardia de a República tentar modificar o simbolismo original da bandeira, associado à monarquia", completa Rezzutti.

     A Presidência da República reconhece a referência ao período imperial. "Após a proclamação da República, em 1889, uma nova bandeira foi criada para representar as conquistas e o momento histórico para o país. Projetada por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares, foi inspirada na Bandeira do Império, desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret", informa a comunicação do Palácio do Planalto. 

Como ficou a Bandeira do Brasil após o golpe de estado de 15 de novembro de 1889