14 dezembro 2020

De tudo o que nos resta - Por: Emerson Monteiro


Assim a brisa / Nos ramos diz / Sem o saber / Uma Imprecisa / Coisa feliz.                                                                                                        
Fernando Pessoa (Foi um momento)

Isto de ser feliz. Adormecer para sempre nos braços da Paz. Fugir pelas estradas de nós mesmos. Ir além do nada absoluto que nos cerca dos laços de uma existência ainda incerta. Pisar as nuvens quais andarilhos invisíveis da humana condição. Partículas das ausências num mar de contradições. Seres insanos, no entanto luzes do Universo e chamas que não se apagam. Pólem de flores exóticas em matas inexploradas. Sons e letras dos versos que nunca serão escritos. Nós, parceiros do desconhecido, presas das horas deste tempo que nunca passou.

Por isso, andar aqui nas folhas virgens do mistério. Sonhar sonhos distantes que jamais tocarão os pensamentos. Sentimentos puros de corações embevecidos. Olhos que se fecham sobre si à busca de almas penadas nesse teto da ilusão. Tons leves de canções românticas aos raios avermelhados dos fins de tarde; naves da imaginação.

Aqueles, que insistem seguir adiante, mesmo cientes de ter chegado ao destino serão os parceiros da Eternidade, onde ali repousarão junto do inexistente tais espectros de vidas jamais vividas. Prometeus da infinitude, veem transcorrer existências intermitentes e observam, no furor das esferas, a solidão cósmica do Infinito. 

Querer das palavras tão só pausas e o silêncio persistente da Criação original. Melodias suspensas no ar frio das manhãs, trilhas do instante, marcas indeléveis de amor definitivo. Neste manto de firmamentos que a tudo envolve, presenças inevitáveis, dores e marcas contam suas histórias felizes. 

Porém em tudo há imensidade, vidas interiores que jamais perecerão. Esse fluir constante de estrelas na longa calma de preencher todos os espaços e sobreviver às intempéries das lutas insanas. Saudades, pois, na forma de suave perfume a deslizar no coração e harmonizar as tempestades onde antes fora apenas desejo de emoções que agora eclode e sustém a visão dos instintos puros na perene felicidade.


Um “granjeiro” que vinha a ser o herdeiro do Trono de Dom Pedro II

   Pouca gente sabe, mas os descendentes de Dom Pedro II e da Princesa Isabel, desde que voltaram do exílio, vivem no Brasil de forma modesta e exemplar

       Em 1971, o “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro, noticiou que um fiscal que cadastrava as propriedades rurais de Vassouras, município do Centro-Sul daquele Estado, chegou a uma granja cujo dono era conhecido naquela região apenas como o “Granjeiro Pedro”. Após as apresentações, o fiscal começou a qualificar o homem. A primeira pergunta foi quanto a sua nacionalidade, ao que este respondeu:
Brasileira.
– Naturalidade? – quis saber o fiscal.
Francesa – respondeu o granjeiro.
– Então o senhor é naturalizado?
Não, senhor. Eu nasci mesmo na França.

    O fiscal de início pensou que estava sendo vítima de alguma brincadeira, mas o granjeiro explicou:
Os membros da Família Imperial Brasileira, em qualquer lugar que nasçam, são sempre brasileiros.

   Foi neste momento que o fiscal, prestando mais atenção, leu o nome completo do granjeiro: Pedro Henrique de Orleans e Bragança.

     Conforme explicou o “Jornal do Brasil”, aquele não era outro senão o bisneto do Imperador Dom Pedro II e neto da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu, nascido em exílio, mas que seria então o Imperador do Brasil, não fosse a quartelada republicana de 15 de novembro de 1889.

      Sua Alteza vivia em Vassouras com a esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e os mais novos de seus doze filhos. O periódico informava ainda que o filho primogênito do Casal, o então Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança (atual Chefe da Casa Imperial do Brasil), de 33 anos de idade, residia em São Paulo, onde trabalhava como engenheiro químico.

Foto: O Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança (1921-1981), Chefe da Casa Imperial do Brasil, acompanhado de sua esposa (à direita), tendo, ao centro sua irmã, a Princesa Dona Pia Maria de Orleans e Bragança, em sua propriedade, o Sítio Santa Maria, no município de Vassouras, no Norte do Estado do Rio de Janeiro.