11 dezembro 2020

Velhos provérbios populares do Cariri

      Outrora, nas suas conversas corriqueiras, os caririenses tinham o costume de inserir – nos seus colóquios com vizinhos e conhecidos – os tradicionais “ditados populares”. 

      Estes resumiam o jeito do povo de entender e viver a vida naquele tempo. Relembremos alguns desses conceitos morais, muito repetidos naqueles períodos passados: “Mato tem olhos, paredes têm ouvidos”; “Brigam as comadres, descobrem-se as verdades”; “Boi sonso é que arromba a cerca”; “Ladrão de  tostão, ladrão de milhão”; “Cajueiro doce é que leva pedradas”; “Não  há fogo ameno, nem inimigo pequeno”; “O bom remédio amarga na boca”; “A bocas loucas, orelhas moucas”; “Ser valente com os fracos é covardia”; “Quem vê cara não vê coração”; “Para desaforado, desaforado e meio”; “De pequena fagulha, grandes labaredas”; Mais fere má palavra do que aguda espada”; “Quem debocha não tem bom coração”.


Na alegria do advento, a felicidade dos santos! – – José Luís Lira (*)

   Vivemos o período do advento, tempo de esperas, literalmente. Naquela noite magna em que a Estrela brilhou nos céus de Belém, nasceu-nos o Salvador, Jesus. Deus-Filho que quis vir até nós, viver como nós, experimentando as dificuldades da vida, exceto em relação ao pecado. Neste domingo, a Igreja celebra o domingo da alegria, da grande esperança. Que essa alegria se irradie sobre nós e esperança não nos falte!

    Neste clima, escrevo estas linhas da cidade de Marco, da Diocese de Sobral. Vim com a equipe do Dr. Paolo Vilotta, postulador credenciado junto à Congregação das Causas dos Santos, na Santa Sé. Além do Dr. Vilotta aqui estão o Dr. Ronaldo Frigini e Dra. Ana Lúcia Frigini. Aqui estamos para tratar de assuntos relacionados à Causa de Beatificação e de Canonização do Servo de Deus Waldir Lopes de Castro, o Mons. Waldir, respeitado e admirado pelo povo desta Cidade. Sua presença é tão grande, 19 anos depois de seu falecimento, que impressiona. Suas virtudes são relatadas pelos que o conheceram e sua memória se perpetua com nome de rua, monumentos, até mesmo em plano funerário. É a compensação de uma vida digna a serviço do povo de Deus e da Santa Madre Igreja.

   A causa foi requerida ao Bispo de Sobral, Dom Vasconcelos, pelo Pároco da Paróquia de São Manuel de Marco, Pe. Raimundo Nonato Timbó de Paiva, acompanhado de representação da Paróquia, em setembro de 2019. Definido o postulador, o Bispo Diocesano requereu à Santa Sé o Nihil Obstat (nada obsta) para proceder ao inquérito diocesano. O pedido, de 3 de outubro de 2019, foi destinado ao postulador, Dr. Paolo Vilotta, em Roma, que protocolizou na Congregação das Causas dos Santos, que emitiu o documento em 14 de janeiro deste ano. Pelo documento, a Santa Sé concede a autorização para a abertura da Causa de Beatificação.

     Na noite de 9 de fevereiro passado, Dom Vasconcelos presidiu Missa em Ação de Graças no adro da Matriz de São Manuel de Marco, concelebrada pelo pároco, Pe. Nonato Timbó e pelo vigário, Pe. Espedito Coelho. Durante a celebração, o Sr. Marcelo Lopes (irmão) e o Sr. José Cavalcante da Ponte (sobrinho) do Servo de Deus Waldir Lopes de Castro conduziram sua fotografia ao local da celebração, sob aplausos e salva de fogos. Em seguida o Bispo Diocesano determinou a leitura do Nihil Obstat, traduzido do latim e lido pelo encarregado da Causa na Diocese, Prof. José Luís Lira. Dom Vasconcelos ressaltou a importância da santidade na vida da Igreja e da Diocese de Sobral que agora conta com dois Servos de Deus, Mons. Arnóbio de Andrade e Mons. Waldir Lopes e, ainda, dois filhos da Diocese de Sobral: Pe. Ibiapina e Dom Expedito Lopes, também servos de Deus. 

     Hoje, vivemos o clima de expectativa da abertura da Causa, dia 15 próximo, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, em Marco, para onde os restos mortais do Servo de Deus serão trasladados, depois da exumação e criterioso tratamento tendo à frente o Postulador, Dr. Paolo Vilotta.

    Devido à pandemia, a instauração do Tribunal e a Celebração em Ação de Graças, serão campais e se exigiu o uso de máscaras e álcool 70. Será uma celebração revestida de muita fé e amor a Deus que nos presenteou com este Servo que retornou à Casa do Pai uns dias antes do Natal de 2001. Deus seja Louvado!

     (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.