20 novembro 2020

Santa Cecília e o Dia do Músico -- por José Luís Lira (*)

 

    Neste domingo, a Igreja celebra a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Com essa solenidade, têm início a última semana do Tempo Comum, com a qual se encerra o Ano Litúrgico. A oração do dia nos aponta o sentido da celebração: “Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”. A celebração é móvel, ou seja, ocorre sempre no quarto domingo de novembro. E de um modo fixo, neste 22 de novembro, temos a celebração da memória de Santa Cecília. 

   O Martirológio Romano, originado a partir das “Atas dos Martírios”, formado no remoto pontificado do Papa Melquíades (270-314), ainda hoje utilizado na Santa Madre Igreja para a rememoração dos santos mártires e confessores, registra em ano incerto, mas, no dia 22 de novembro, a “Memória de Santa Cecília, virgem e mártir, que, segundo a tradição, alcançou a dupla palma da virgindade e do martírio por amor de Cristo, em Roma, no cemitério de Calisto, junto à Via Ápia. Desde a antiguidade, tem o seu nome o título de uma basílica no Transtêvere”. 

    Reza a crônica que Santa Cecília ao morrer teria cantado a Deus, era musicista. Por isso, Santa Cecília é a padroeira dos músicos e da música sacra. No local em que seu corpo foi encontrado, nas catacumbas de São Calisto, foi edificada uma estátua de seu corpo caído, obra do artista Stefano Maderno (1566-1636). A iconografia da Santa a apresenta junto a instrumentos musicais. Lembro-me que de São Calisto eu trouxe medalhinhas com terra do local de sua sepultura. Doei para alguns colegas e guardo uma com todo o carinho e devoção.

    Na data da Santa musicista, se celebra, internacionalmente, o dia do Músico. A celebração começou em 22 de novembro com um evento realizado na Normandia (França), no ano de 1570, com um torneio de compositores da época. Em 1695, em Edimburgo (Escócia), a celebração ao músico começou a acontecer com certa regularidade. Países como a França, Espanha e Alemanha seguiram homenageando aos músicos, na celebração de Santa Cecília. Na América Latina, consta que a tradição desse dia foi mantida entre 1919 e 1920 no Rio de Janeiro até se espalhar para o resto da América, com alguma exceção. Hoje, praticamente em todo o mundo se celebra o músico junto com sua santa padroeira.

    Dos músicos e compositores católicos, não posso deixar de lembrar daquele que embalou minha infância, adolescência e juventude até a maturidade: Pe. Zezinho, sacerdote dehoniano, escritor e músico. Suas músicas surgiram na década de 1960 e hoje são mais de 3 mil músicas, algumas inesquecíveis, como Um Certo Galileu, Maria de Nazaré, Maria da Minha Infância, Alô Meu Deus, Utopia, Mãe do Céu Morena, Um Coração para Amar... e tantas outras que ouço sempre. Ao Padre Zezinho, nossa sincera homenagem.

     São tantos músicos populares. Meu gosto musical inclui clássicos, como Chopin, Sebastian Bach; a nossa MPB com Roberto Carlos, Simone, Betânia; os roqueiros dos anos 1980, Raul Seixas, Cazuza e Legião Urbana, sem esquecer do compositor Catulo da Paixão Cearense e do popularíssimo Luiz Gonzaga, rei do baião. E que Cristo Rei do Universo, pela intercessão de Santa Cecília, nos abençoe sempre!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

A Princesa Redentora

  

    Devido à doutrinação republicana nas escolas e universidades – hoje eivada pelo ainda mais nocivo marxismo cultural –, os brasileiros, em sua quase totalidade, imaginam que a Princesa Imperial Regente do Brasil, Dona Isabel de Bragança, tão-somente assinou a Lei Áurea, e que teria apenas consentido em assiná-la. É esse o mérito único que lhe atribuem.

    No entanto, não foi somente isso o que a Princesa Imperial Regente fez. Hoje podemos afirmar que se não fosse o seu empenho em levar adiante aquela questão, não teríamos chegado, da maneira pacífica como chegamos, ao termo de tão formosa campanha como foi a da Abolição no Brasil.

    Por colocar a paz doméstica, a satisfação íntima do lar, à altura das mais legítimas aspirações humanas, foi que incentivou os defensores da Lei do Ventre Livre, seguindo as pegadas do Visconde do Rio Branco. Preparou o ambiente para a Lei dos Sexagenários, e terminou apressando a vitória da liberação total dos cativos, embora sabendo que teria de dar, em troca de tão maravilhosa atitude, o Trono que de direito lhe pertencia.

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, escrito pelo Senhor Leopoldo Bibiano Xavier)