14 novembro 2020

Lembranças da Bahia - Por: Emerson Monteiro


Era a década de 70 e eu vivia em Salvador. Trabalhava na Agência Centro do Banco do Brasil, situada no Comércio, à Avenida Estados Unidos, sendo um dos funcionários da Secretaria da Gerência, ao lado de Artur da Silva Leandro, o Gerente Geral da agência. Atendia no Cheque Ouro, o carro-chefe do banco à época. Quando recebera a carteira de Carlos Barreto Filho, ele me passaria em projeto em andamento, a divulgação do produto junto aos artistas e autoridades baianas, a fim de expandi-lo através dos nomes da cultura e dos principais órgãos administrativos. Daí saía a visitar essas pessoas, quando, então, abria contas e fornecia talionários de cheques, além de explicar os detalhes dessa modalidade bancária em fase de plena expansão.

Face ao ofício, estive com Jorge e James Amado, Emanoel Araújo, Sante Scaldaferri, Jenner Augusto, Almirante Henning (comandante da Base Naval de Aratu e depois Ministro da Marinha), Joalbo Carvalho (Presidente da TeleBahia), Carybé, Kennedy Bahia, Calasans Neto e Floriano Teixeira. Primeiro, ligava marcando as visitas e, em seguida, comparecia., para, depois, sempre que precisassem de algo no banco, me procurarem na agência. Nisto fiz bons amigos.

Trabalhara antes na agência de Brejo Santo, e ao escolher Salvador, visando uma transferência, já levara comigo o gosto pela cultura baiana, música e literatura, principalmente por Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, autores de minha predileção naquela fase, e por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa, bem nos moldes do Tropicalismo, movimento cultural que galvanizaria uma geração inteira dos anos 60.

Foi época de ricas experiências, sobretudo no campo das artes e da cultura, de que guardo ricas lembranças e profundas saudades de um povo alegre, amigo, dotado de inteligência e criatividade. Dos meus filhos, dois nasceriam em Salvador, Ceci e Ciro, e quando me vêm oportunidade, regresso com satisfação à Boa Terra, a minha segunda pátria.

O Exército Brasileiro não era republicano

 

                 Anos depois, pintaram um quadro da "proclamação".  Observe  a ausência do povo.

    Em relação à quartelada de 15 de novembro de 1889, nem mesmo se pode dizer, com veracidade, que o Exército era então maciçamente republicano. As Forças Armadas do Império – que se haviam coberto de glória nos campos de batalha da Guerra do Paraguai – eram majoritariamente monarquistas. O próprio Marechal Deodoro da Fonseca escrevera ao sobrinho, Clodoaldo da Fonseca, em carta de 30 de setembro de 1888, pouco mais de um ano antes de proclamar a República:

      “República no Brasil é coisa impossível porque será verdadeira desgraça. Os brasileiros estão e estarão muito mal-educados para republicanos. O único sustentáculo do nosso Brasil é a Monarquia; se mal com ela, pior sem ela [...] Não te metas em questões republicanas, porquanto República no Brasil e desgraça completa é a mesma coisa.”

     Deodoro não pretendia derrubar a Monarquia ao se colocar à frente das tropas amotinadas no Campo de Santana. Sua intenção era apenas forçar a substituição do Ministério Liberal, chefiado pelo Visconde de Ouro Preto, contra o qual o Exército alegava sérios agravos. Tanto isto é verdade que, ao adentrar o Quartel-General, em que estavam instalados Ouro Preto e seus Ministros, o velho Marechal não gritou “Viva a República!” – como consta na historiografia oficial –, mas sim bradou “Viva Sua Majestade o Imperador!”.

     Foi somente na tarde daquele fatídico dia 15 que Deodoro, então praticamente moribundo, acabou aceitando a deposição do Imperador Dom Pedro II, e o fez a muito contragosto, instado pelas mentiras dos líderes republicanos, seus aliados no golpe de Estado. Seu irmão, o Marechal Hermes da Fonseca, que comandava as tropas na Província da Bahia, relutou muito em aceitar o fim da Monarquia, e apenas reconheceu o novo regime no dia 18 de novembro, depois de ser informado de que a Família Imperial Brasileira havia partido para o seu injusto e penoso exílio na Europa.

(Baseado em trecho do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira: com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, escrito pelo Professor Doutor Armando Alexandre dos Santos).

Publicado originalmente no Face Book Pró Monarquia