13 novembro 2020

Vicente Ludgero - Por: Emerson Monteiro


Quem viveu em Crato nas décadas de 60 e 70 do século passado recordará com certeza essa figura exponencial da época, Vicente Ludgero, professor e exímio dançarino das matinais e tertúlias que marcaram profundamente a memória daquele tempo. Ao reviver momentos do passado, nada melhor que lembrar os personagens que preencheram seus acontecimentos. Vicente transitava fácil entre os jovens de então, dotado de linguagem característica, cheia das gírias das capitais, e chegava imperando nos grupos. Nas festas, era destaque absoluto pelo estilo aprimorado de dominar os salões, sempre na companhia dos pares equivalentes no jeito fluente de conduzir passos e ritmos da dança.

...

Era tempos intensos e movimentados na cidade, com a Praça Siqueira Campos apresentando, aos domingos, noitadas inesquecíveis, lotadas ao máximo, um verdadeiro festival de cores e sons, donde saíram muitos casais de namorados, raízes de tantos matrimônios. Logo em frente ficavam o Café Líder e o Cine Cassino. Lá adiante, num quarteirão a mais, o Cine Moderno, na Rua José de Alencar, início da Rua Santos Dumont. 

Às vezes me pego a rever tudo aquilo que as lembranças preservam de modo tão caprichoso. Ao término das noites de domingo, parecia que a saudade ocupava o lugar daquilo tudo, à espera de outra semana até editar novamente aquela marcante festa social do nosso interior charmoso.

Daí, a força dos ícones que assinalaram tais ocasiões, que tendiam brilhar nos clubes, Associação Atlética Banco do Brasil e Crato Tênis Clube, que ofereciam matinais aos domingos e tertúlias nas sextas à noite. Os conjuntos musicais, Hildegardo Benício e Ases do Ritmo, depois The Tops. Enquanto isso, haveria a atividade semanal dos colégios, Diocesano, Santa Teresa e Estadual, nos dias úteis da semana.

Qual dizem os poetas, éramos felizes e não sabíamos. Os meios de comunicação que predominavam eram rádio, jornais, discos e revistas. Ficar em casa aos domingos à noite nem de longe pensar nisso. Primeiros anos da década de 70, a televisão, que chegaria aos poucos já aos finais dos anos 60, ganhava torres eficientes de retransmissão e as cores, isolando quase que de tudo essa fase inolvidável daquela mocidade.


Alegrias e efemérides de novembro – José Luís Lira (*)

 

    Escrevi estas linhas enquanto me deslocava de Sobral a Fortaleza para de lá me deslocar a Baturité, onde participei de atividade relacionada à Causa de Beatificação e de Canonização da Serva de Deus Clemência Oliveira, a Irmã Clemência, filha da Caridade de São Vicente de Paulo, grande exemplo a ser seguido. Há algum tempo não fazia o percurso. Era quarta-feira, dia 11, primeiro ano de minha sobrinha-afilhada Anne Eloísa, filha de meus compadres Robério e Elisiane, que cresce linda e encantadora. 

    Observando a vegetação, pude contemplar as maravilhas que as primeiras chuvas desta estação que banharam nosso Estado do Ceará nos últimos dias nos trouxeram. A nós, cearenses, a estação mais esperada é a das chuvas. Independente de estarmos na serra, na praia ou sertão, na cidade ou no campo, o inverno é sempre bem-vindo. 

    E depois dessas primeiras chuvas se vê que a vegetação começa a mudar. Em meio ao seco da caatinga, além dos juazeiros, começamos a ver que as árvores estão florindo. Vez por outra, vemos um pau d'arco, um flamboyant e o escuro predominante vai se rompendo. 

    Contemplando o trabalho realizado pela Mãe Natureza, a mim é quase impossível observá-la, sem lembrar-me de minha saudosa madrinha Rachel de Queiroz. Ela amava esse tempo e mais ainda o inverno quando deixava o Rio de Janeiro e ia para a Fazenda Não Me Deixes, no Quixadá. Ali a escritora afamada e imortal da Academia Brasileira de Letras dava lugar à "fazendeira" Rachel de Queiroz. Um "personagem" não saía do outro, mas, era interessante observar. 

    E a lembrança dela se faz mais nítida porque no dia 17 de novembro, dia por Lei Estadual designado como o dia da Literatura Cearense em homenagem a ela, há 110 anos nascia a menina Rachel que mudou para sempre nossa Literatura, na antiga Rua da Amélia, atual Rua Senador Pompeu nº 86, no centro de Fortaleza, na casa de sua avó, dona Maria Luiza Saboia de Lima. Rachel de Queiroz é a prova da verdadeira imortalidade literária, pois, mais de 17 anos depois de seu falecimento, seus livros despertam o interesse e, continuamente, são indicados para vestibulares e concursos. À Rachel, nossa imorredoura homenagem. 

    Ainda nos próximos dias, dia 20 de novembro, celebraremos 82 anos de ordenação sacerdotal do Servo de Deus Joaquim Arnóbio de Andrade sobre quem tanto falamos, mas que nunca é suficiente para demonstrar sua grandeza e seu amor ao Coração de Jesus. Que ele, junto de Deus, interceda por nossas necessidades e pelo fim da pandemia. 

     Novembro se esvai e vai deixando a natureza preparada para as festas de fim de ano que estão chegando. Quando criança eu achava que a natureza se harmonizava para celebrar o nascimento de Deus-Menino. Não conseguia compreender a grandeza de Deus se humanizar e vir ao mundo em uma criança, com toda a ternura e a fragilidade que são características a um recém-nascido. Mas, sabia que o Natal do Senhor era tão importante que a própria natureza se unia à celebração.  O Natal deste ano penso que será mais família do que nunca em face da pandemia. Que a grande novidade do próximo ano seja a esperada libertação promovida com a descoberta de uma vacina que nos imunize contra a covid-19 que tantas vidas ceifou.    

      Oremos e esperemos! Deus nunca nos desampara.

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


Mais um aniversário do golpe de 15 de novembro

 

A república brasileira, em 131 anos de sua existência, ainda não conseguiu produzir um estadista com o mesmo nível de Dom Pedro II. Por isso, 129 anos passados da morte do nosso último Imperador, este ainda sobrevive   – no imaginário popular - como “O maior dos brasileiros”.

    Dom Pedro II gostava de escrever sobre suas atividades. Ao todo ele escreveu 43 cadernetas com anotações pessoais. Atualmente, esses diários fazem parte do Museu Imperial, em Petrópolis, e estão disponíveis ao público, até pela Internet. Em 2010, os diários escritos por Dom Pedro II foram considerados Memórias do Mundo pela Unesco.

    Poucos dias antes da sua morte, ocorrida em 5 de dezembro de 1891, durante o seu banimento e exílio forçado, na França, Dom Pedro II escreveu numa dessas cadernetas:

          “No alto de uma folha de papel escrevam a data do meu nascimento e o dia que subi ao trono; no fim, quando faleci. Deixem todo o intervalo em branco, para o que ditar o futuro; ele que conte o que fiz, as intenções que sempre me dominaram e as cruéis injustiças que tive de suportar em silencio, sem poder jamais defender-me”.

(Texto e postagem: Armando Lopes Rafael)