11 novembro 2020

O sonho e a vida - Por: Emerson Monteiro


Sou um homem que sonhou que era uma borboleta? Ou sou uma borboleta sonhando agora ser um homem?
 Chuang Tzu

Dos dilemas desta vida, estamos sonhando ou vivemos as consequências dos sonhos? Face a face com nós mesmos em meio da realidade que aparece aos nossos olhos tangemos o rebanho dos dias e noites. Perante as lajes que pisamos e somem aos nossos pés, trituramos em pedaços os momentos feitos almas vivas de sonhos de quem, talvez, nem sabemos quem sonha. Se alegres os sonhos, a realidade fica feliz; no entanto passos novos trazem outros instantes aos quais acendemos outras velas de esperanças.

Nisso, o dilema do monge que sonhou ser uma borboleta, acordando na dúvida de ser o quê, se homem ou borboleta, e também que se desfaz em substância nas malhas entre o tempo e o espaço, tecido infinito do manto que cobre as horas. Assim, entre duas realidades, fincamos marcos da nossa luz na estrada intermitente dos destinos. Alguns quais pássaros em voos imaginários sobrevoam o firmamento, plantam sementes de outros sonhos no coração das criaturas e vivem os sonhos que outros em nós também plantaram.

Pelas janelas desses sonhos, veloz transcorre a paisagem da nossa consciência, observadores privilegiados de tantos compassos e melodias. Agarrados, pois, às muralhas dessa nave que o somos, nalgum lugar firmaremos os mastros das jornadas definitivas. Espécies de cativos e senhores de si mesmos, louvamos os deuses e o Deus que a tudo conduz, desde lugar daqui ou distante, a equilibrar masmorras e tronos ao sabor dos invisíveis propósitos.

Há nisto, portanto, a fronteira do sonho com a realidade, trilho da existência nas existências, caminho único de todos ao sabor de planos que nem a nós cabem ainda saber, só viver com toda a gana de nossa vontade, até chegar aos tetos da mais absoluta perfeição.

Além do Brasil e seu povo, a outra grande vítima da “proclamação da república” foi Dom Pedro II

     A data 15 de novembro, que transcorrerá domingo, assinala os 131 anos do golpe militar que implantou a forma republicana na nossa pátria, a qual nunca foi comemorada pela população brasileira. Todos os anos, repórteres dos noticiários televisivos saem às ruas para perguntar ao povo a razão do feriado de “15 de novembro”. A grande maioria dos consultados responde simplesmente que não sabe. 

    Voltando ao Imperador Dom Pedro II. No imaginário popular ele continua sendo “O maior dos brasileiros”. Abaixo, um soneto, atribuído a Dom Pedro II, que tem por título: “Terra do Brasil”, escrito quase ao fim da existência terrena do velho imperador, e que ainda comove a muitos. 

“Espavorida agita-se a criança,
De noturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe dá materno seio,
Fecha os doridos olhos e descansa.


Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de lá me veio
Um pugilo de terra; e neste creio
Brando será meu sono e sem tardança...

Qual o infante a dormir em peito amigo,
Tristes sombras varrendo da memória,
ó doce Pátria, sonharei contigo!

E entre visões de paz, de luz, de glória,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A justiça de Deus na voz da história!”

    Descanse em paz, Magnânimo Imperador! A Justiça de Deus na voz da História já se cumpriu.
 

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael