08 novembro 2020

Domingo próximo, 15 de novembro, será feriado. De que?


   Para piorar o 15 de novembro, em 2020, vai cair num domingo, dia das eleições municipais. Quem vai lembrar que é feriado? Mas, oficialmente, é mais um feriado nacional. Por que?

   7 de setembro, Independência do Brasil; 21 de abril, dia de Tiradentes; 21 de junho, dia do município de Crato; 9 de março (São José); 1º de setembro (Nossa Senhora da Penha); 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida) mas, 15 de novembro é o quê mesmo?

   Estas datas cívicas são facilmente lembradas pela população. Mas, e o 15 de novembro? Pouca gente se recorda que se trata de outra data importante na história brasileira. É o aniversário do golpe militar que implantou a República na nossa pátria. Esse golpe completa 132 anos neste domingo. O povo, entretanto, tem razão para perguntar. 

    Não temos em Crato nenhuma Rua 15 de Novembro, nem Rua Marechal Deodoro; nem Rua Marechal Floriano; nem Praça da República... Aliás,  bom informar a maioria da população  que o Marechal Deodoro da Fonseca foi o primeiro presidente da República. E o Marechal Floriano Peixoto, o segundo. E veja que depois da implantação, na marra, da República, muitas ruas que tinham nomes poéticos ou populares, na nossa cidade, tiveram suas denominações alteradas para lembrar personagens republicanos, como João Pessoa, Bárbara de Alencar, Tristão Gonçalves, Getúlio Vargas, dentre outros.

   A bem dizer, não existe em Crato nenhum memorial, nenhum busto ou monumento, que recorde a República. Sequer houve mobilização, por menor que fosse, para festejar a data da “proclamação” da República, alguma vez na Cidade de Frei Carlos....


Um exemplo da honradez dos homens públicos no Império do Brasil

      O romancista Joaquim Manuel de Macedo, célebre autor de “A Moreninha”, Deputado Geral (o que equivaleria hoje a Deputado Federal) pela Província do Rio de Janeiro e membro do Partido Liberal, era um dos muitos professores a cargo da educação das filhas do Imperador Dom Pedro II, as Princesas Dona Isabel de Bragança, Princesa Imperial do Brasil, e Dona Leopoldina de Bragança.

     Em agosto de 1864, quando o Conselheiro Francisco José Furtado, igualmente membro do Partido Liberal, foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros (isto é, Primeiro-Ministro) pelo Soberano, e se ocupou então de organizar o seu Gabinete, ele convidou Macedo a ocupar a prestigiosa posição de Ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros.

     Informado de que o convite fora recusado, o Imperador mandou chamar Macedo a sua presença, indagando-lhe qual fora o motivo da recusa, levando-se em consideração que o escritor possuía muitas qualidades para ser um bom Ministro, ao que Macedo respondeu o seguinte:
– Admita-se que tenha as qualidades que Vossa Majestade me atribui. Mas eu não sou rico, e a riqueza é um requisito indispensável a um Ministro que queira ser independente. E eu não quero sair do Ministério endividado ou ladrão!

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, escrito por Leopoldo Bibiano Xavier)