07 novembro 2020

Vem aí mais um 15 de novembro

 As monarquias são mais baratas do que as repúblicas – por Paulo Napoleão Nogueira da Silva (*)

(Este artigo é velho, mas os gastos com a Presidência da República do Brasil só fizeram aumentar de 2004 para cá) 

   

A Monarquia Britânica custa anualmente a quantia de U$ 1,20 a cada um dos seus súditos. Em sequência vêm as Monarquias Sueca e Belga – US $0,77 –, a Monarquia Espanhola – US $0,74 –, a Monarquia Japonesa – US $0,41 – e a Monarquia Holandesa – US $0,32. A título de comparação, a Presidência dos Estados Unidos custa ao contribuinte americano quase cinco dólares por ano. Por outro lado, o custo da Presidência da República do Brasil para o Tesouro Nacional foi avaliado, em 2004, em R$ 2,6 bilhões. 

Nas Repúblicas, ao contrário das Monarquias, não há o respeito pela coisa pública. Suas autoridades “agem segundo a concepção de que, se o erário é do público, e eles são formalmente os representantes do público, podem dispor desse erário como se fosse seu, enquanto forem representantes desse público. Disso resulta, paradoxalmente, que na república a coisa pública não é pública, não é do público, mas de quem o representa”.

    A comparação dos custos do regime republicano e do regime monárquico adquire contornos claros quando é observada a situação brasileira. Entre 1840 e 1889 a Família Imperial Brasileira recebia a quantia de 67 contos de réis mensais, muito embora a arrecadação, nesse período, tenha crescido 15 vezes. No entanto, já em 16 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca assinava decreto aumentando a renda destinada ao Chefe de Estado para 120 contos de réis mensais porque, argumentou ele, a renda destinada à Casa Imperial era “muito pouca”.

    Com essa renda, Dom Pedro II conseguia manter palácios, servidores e a Família Imperial, além de destinar 30% de todos os seus rendimentos para as vítimas da Guerra do Paraguai e, como mostra o Decreto n.º 5, da República, “pensionar, do seu bolso, a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos.” Eram no total 409 pessoas. Pouco depois de deposto, o Imperador Dom Pedro II recusou uma indenização oferecida pelo “Governo Provisório” republicano da ordem de cinco mil contos de réis, o equivalente, à época,  a quatro toneladas e meia de ouro, com as seguintes palavras: “Que autoridade têm esses homens, que se dizem governo, para dispor assim do dinheiro da nação?”.


(*) Paulo Napoleão Nogueira da Silva, autor do livro “Monarquia: verdades e mentiras”. São Paulo: Edições GRD, 1994.

Eu vi Deus num ser humano – José Luís Lira (*)

    Quantas vezes não pensamos no título, eu vi Deus num ser humano quando nos deparamos com pessoas "humanas demais?". Na primeira viagem interestadual que realizei desde o início da pandemia tive a graça de conhecer o Pe. Júlio Lancellotti. Paulista, de 71 anos, simples, atencioso, discípulo do Servo de Deus Luciano Mendes de Almeida (Dom Luciano), apóstolo de Jesus Cristo na pessoa do irmão sofrido, do irmão em situação de rua. É o vigário episcopal da Arquidiocese de São Paulo para esta população e outros filhos de Deus menos favorecidos.

    Logo no início de sua formação, o Pe. Júlio quis ser sacerdote, operário da Messe do Senhor Jesus. Por razões diversas não concluiu os estudos de seminário. Fez curso de auxiliar de enfermagem, na Santa Casa de Bragança Paulista, a mesma onde viveu a amada Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus e formou-se em pedagogia. Foi professor, continua seu magistério, com ensinamentos de vida, de vida eterna, de santidade.  Um dia, em 1980, conheceu Dom Luciano Mendes, então bispo auxiliar de São Paulo e o desejo de seguir o Mestre de Nazaré reacendeu e assim ele o fez. Depois dos estudos de Seminário, foi ordenado sacerdote por Dom Luciano e decidiu, nos fazendo lembrar o apostolado de Santa Teresa de Calcutá e Santa Dulce dos Pobres, acolher Deus nos irmãos mais sofridos. Pe. Júlio faz um trabalho belíssimo nas casas Vida que fundou e tem a missão de ser pároco, capelão e vigário episcopal de uma população que tanto necessita de atenção e ele tal um bom pai a todos acolhe, ouve, orienta, santifica. Onde houver um irmão necessitado, aí está a Paróquia do Pe. Júlio.

    Antes mesmo de vir a São Paulo, fui perguntado pela jornalista Fabiana Kelly se eu o conhecia e não hesitei em manifestar meu desejo de conhecê-lo. As lágrimas não se comportam enquanto escrevo este texto. Quem escreve sabe que o texto surge, antes de tudo, na mente. Enquanto eu vinha para São Paulo, a expectativa de encontrar o Padre era tão grande que o texto foi tomando conta da mente. Agora, por conta do prazo do jornal, colocando-o no papel, ainda no calor da emoção do encontro, o ideal de tentar traçar um rápido perfil de um homem santo que percorre as ruas de São Paulo levando a Trindade Santa a todo filho de Deus, dizendo que ele é amado e importante para Deus, tenta se concretizar.

     Apaixonado que sou pelas figuras iluminadas dos santos, senti-me maravilhado em perceber que o Pe. Júlio é, realmente, devoto destes seres iluminados que irradiam a Luz de Deus por onde passaram. Ele conserva cartões com santinhos, medalhas, relíquias, algo tão raro nos dias de hoje. E quão feliz fiquei em saber que ele também é devoto do meu amado onomástico, São José Sánchez del Río, o Joselito, José Luis, mexicano dos tempos cristeros.

      Pe. Júlio confidenciou que perguntado uma vez o que Jesus dirá a ele quando se encontrarem, ele disse que Jesus perguntaria se algum dia ele O reconhecera entre os irmãos menos favorecidos. O que dizer? Faltam palavras...
 
      Há alguns dias o Pe. Júlio recebeu uma ligação do Papa Francisco, o que penso tenha sido o maior dos inúmeros prêmios que lhe foram entregues, entre os quais a titulação de Doutor Honoris Causa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Saio de São Paulo com a sensação de que vi Deus num homem!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.