06 novembro 2020

Há um ser vivo bem dentro do coração - Por: Emerson Monteiro


No que pesem as guerras históricas sucessivas desses povos guerreiros, mexe vivo lá dentro das feras uma engrenagem que os agita todo instante. Mesmo não fossem as grandes competições pelo território enfumaçado e pelos mercados indomáveis, haveria de aparecer no vasto horizonte novas vontades extremas de alimentar o outro animal, diferente daquele sedento de sangue e sádico de miséria, bicho sombrio das noites escuras e dos filmes de agora. Os mecanismos da fama insistem nisso, na suposição profética de que virão homens azuis, que, inclusive, já foram avistados no Egito Antigo e ficaram gravados nos desenhos das catacumbas, nas pirâmides empoeiradas, e certo dia, em pleno calor das onze horas, exemplar deles saiu às pressas de um restaurante no centro de Buenos Aires levando consigo mantimentos que iriam abastecer os companheiros à espera que ficaram em nave estacionada ali próximo. Depois, nunca mais outras notícias vieram à tona, a não ser através dos relatórios de pilotos comerciais, e só.

No entanto insisto dizer que sinto tal ser vivo que remexe querendo sair de dentro do imenso coração que pulsa e domina as circunstâncias das horas e dos dias. Possível seja, haja chance, ele até tomará de vez por todas de conta o Universo inteiro, porém as reservas do tempo ainda permitem que permaneçam acantonados, eles, invés de abafar os outros armados que persistam criar problemas nas fronteiras e aliciar profissionais da morte através das páginas de guerra que circulam pelo mundo, os tais mercenários. Esses, a troco de eliminar adversários dos regimes, saem destruindo a paz e espalhando fome, órfãs e viúvas, enquanto o ser vivo aguarda sua hora de entrar em cena.

Nesse meio de época, pulula nos corações multiplicando possibilidades e esperança, pois carrega poder estonteante em forma de luz, que vem dele na direção das consciências. Mantém os arquivos em ordem e recuperam programas antigos de saudade, lembranças dos amores que existiram entre os seres humanos fiéis, sabores doces dos apaixonados lenços acenando e das promessas de quem retornará com ânimo definitivo na intenção de permanecer para sempre nas almas santificadas.