05 novembro 2020

O valor das nossas conquistas - Por: Emerson Monteiro


Naquelas horas de aflição que, de comum, sujeitam aparecer, eis um bom momento de rever o que já aconteceu antes na história. Quantos laços desfeitos, quantas lutas vencidas. Momento ideal de tecer algumas avaliações e fazer o balanço dos tempos idos. Examinar com zelo as firmes razões de ter esperança em dias melhores, isto, sobretudo, quando buscamos plantar boas sementes no chão da realidade. Alimentar a força da certeza de existir um poder superior que a tudo conduz, dentro quanto fora da gente. 

Adotar hábitos desse tipo; estudar o itinerário percorrido até então e aproveitar o melhor em termos de resultados, ainda que diante das ocasiões difíceis. Considerar o tanto que significa o otimismo, a compreensão dos meios de que dispomos no manuseio das nossas existências.
 
Querer um mar em repouso representaria apenas ausência dos desafios necessários ao aproveitamento das experiências vividas. Aprender a coordenar os pensamentos e sentimentos, e aguardar tempos bons, sempre e sempre. Nisso a jornada ganhará os meios de tranquilidade e sustentação de uma vontade firme, isto que os livros religiosos transmitem, na estrutura da Fé, dispositivo por de mais importante nas dificuldades que se apresentem.
 
Mais dia, menos dia, tudo esvairá no silêncio de um passado sem tamanho que deixamos atrás, espécie de poeira que repousa no vazio das imaginações qual jamais tendo existido não fosse a lembrança dele. Alinhadas vaidades, mágoas, alegrias, seremos desertos de nós mesmos a observar o que restou por dentro da gente, testemunhas que somos das longas epopeias. Fieis servidores da sorte, guardamos em nossas cicatrizes os dilemas e agruras de antes, feitos atores de cenas ora inexistentes que o passado transportou ao anonimato da distância.

Conquanto, pois, sejamos rigorosos, exigentes e indócis nas práticas atuais, carecemos de mínima compreensão desse mecanismo que nos transporta vidas adiante feitos meros instrumentos de nossa própria evolução, nas malhas do aperfeiçoamento individual. 

Ilustração: Cristo em meio a uma tempestade no Mar da Galileia, de Rembrandt.

Ainda sobre o 15 de novembro - 2

 Crato republicano? algumas considerações
(Excertos de um artigo publicado há 17 anos na revista A Província – nº 18, ano 2000)

Bandeira do Império do Brasil

   O “ôba-ôba” tão característico destes tempos medíocres em que vivemos, quando a maioria das pessoas não tem mais profundidade em nenhum assunto, nos obriga a ouvir, vez por outra, alguém falar sobre a “tradição republicana” de Crato. A verdade é que não existe essa “tradição republicana em Crato”, que não passa de uma falácia!

   Começo por lembrar que o aniversário do golpe militar que implantou a República – em 15 de novembro de 1889 – nunca foi comemorado em Crato. Nesta cidade o povo comemora muitas datas: 7 de setembro, 21 de junho, 1º de setembro (Nossa Senhora da Penha), 19 de março (São José), dentre outras.  Agora a “Comemoração” no dia 15 de novembro nunca se viu nesta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara....

     E por que isso acontece? Crato, durante 149 anos (de 1740 quando foi fundado, a 1889, quando houve o golpe militar que empurrou goela abaixo da população a forma de governo republicana) viveu sob a Monarquia. Não se apaga facilmente um século e meio na vida de um povo. Por isso, no “imaginário popular cratense”, persiste a ideia de que a Monarquia é algo de elevado nível, respeitoso, honesto e bom.

     Tanto isso é verdade que, ainda hoje, quando o nosso povo reconhece certos méritos ou qualidades numa pessoa costuma dar-lhe o título de “Rei/Rainha”. Por isso muito se fala em Crato (e no Brasil) no “Rei Pelé”, no “Rei Roberto Carlos”, no “Rei do Baião”...E o que dizer dos concursos que se realizam para escolha da “Rainha do Colégio”, “Rainha da ExpoCrato”? e de nomes de lojas que aqui existiram ou existem: “O Rei da Feijoada”, “O Império das Tintas”?, "O Rei dos Filhós"... Ou nomes como “Rádio Princesa FM”, “Colégio Pequeno Príncipe”?  

      Portanto, é um mito sem consistência essa alardeada “tradição republicana” de Crato. Precisamos ter coragem para proclamar isto, pois ela não reflete a realidade. 

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael