04 novembro 2020

Aprender a viver nos tempos rudes - Por: Emerson Monteiro


Invólucros de matéria presos a mundo solto no espaço, bem isto que o somos, aventureiros do destino de olhos fixos nas visões imediatas. Durante o movimento dos objetos e das horas, vagamos pelas estradas e ruas, atores dos dramas/comédias em que nunca cessaremos de perguntar pelo autor, em que mundo, em que estrelas Tu te escondes, embuçado nos céus. Claro que há mérito inigualável de ser assim; lógico que existe razão principal de tudo isto acontecer, porquanto a Verdade independe das nossas opiniões e somos quase um nada a querer compreender tudo toda hora. 

Bem que se sabe o quanto de mistérios e segredos compõe os quadros deste mundo rústico e as sociedades humanas. Valores indefinidos pela busca constante de liberdade, em meio às licenciosidades do egoísmo que, até agora, caracteriza as ações da espécie. No pretexto de sobreviver aos desafios, fulanos e sicranos rompem as fronteiras da fraternidade e viram só feras em conflito nas florestas da riqueza. 

E o que observar se não a sede do poder a qualquer custo, bem característica dos turnos eleitorais. Disputas acirradas em meio a promessas vãs, absurdas, e tendência à divisão de grupos e à fome descabida nos bolsões da população marginalizada. Quem líder de quem? Mesmo porque ainda somos pequenos de nossas grandezas. Romper a barreira da mediocridade nem interessa a quem quer que seja; apenas gana e fastio, pretensão e submissão forçada aos falsos mitos dos turnos eleitorais.

Quer-se que seja doutro jeito, e eu também. Alimentar o sonho de outro universo em que valha mais o ser do que o ter; a divisão ser submetida ao direito das coletividades. Porém o anseio das revoluções justas baila distante nos livros, nas doutrinas sagradas, nos véus da natureza Mãe. Enquanto os grupos montam seus esquemas nos escuros da madrugada, outros resistem heroicos a mais um tempo de crer na certeza de quando, afinal, viveremos dias de Paz e Trabalho, nas luzes da promissão.


Mais uma vez o golpe de 15 de novembro de 1889 não será comemorado

   Utilizando-se de um eufemismo, os golpistas de 15 de novembro de 1889 apelidaram aquela quartelada de “Proclamação da República”. Com este pomposo nome ela passou à história. Tem mais: por decreto o 15 de novembro passou a ser mais um “feriado nacional”. Que nunca foi comemorado pela população brasileira, diga-se de passagem.

    Este ano o aniversário da “proclamação” (que nunca houve) cairá num domingo. E a data, de forma excepcional – devido à pandemia do vírus chinês – foi escolhida para a realização das eleições municipais. Anteriormente, elas eram feitas no primeiro domingo de outubro. Mais um motivo para ninguém lembrar esse “feriado oficial” inútil e sem justificativas. Até porque a República nunca se popularizou entre nós. O levante de uma minoria contra a monarquia, seguida da expulsão da honrada Família Imperial – nas caladas da noite, com medo da reação do povo que não participou do golpe –  teve (e continua a ter) repercussões negativas até os dias atuais.

     Quantas lembranças tristes formam a herança desta república brasileira! Uma delas, talvez a maior,  foi o  primeiro genocídio feito após a nossa independência de Portugal. Segundo um artigo de Lourdes Nassif, publicado em 15-11-2013, no Jornal GGN: “O regime republicano teve como batismo uma das mais criminosas páginas da nossa história: o massacre de Canudos. O governo republicano, temendo que o arraial chefiado pelo Beato Antônio Conselheiro fosse um levante em favor da restauração da monarquia, mandou os escrúpulos às favas e ordenou a sua total destruição. Velhos, mulheres e crianças foram exterminados. Muitos dos que não morreram durante o bombardeio e a invasão do exército foram degolados. Quase não restaram sobreviventes. Os temores infundados da perda dos cargos e benesses levou-os à solução final para aqueles sertanejos”.
        Esta, a mais cruel dentre algumas ações do governo republicano do Brasil...

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael